Cultura Pop
Stalaggh e um dos discos mais horrendos de todos os tempos

Stalaggh, já ouviu falar? O site Metal Injection considerou o disco Projekt misanthropia (2007), desse grupo (cujo nome é a mistura do de um campo de concentração na Alemanha, Stalag, com G e H de “holocausto global”), como um dos dez piores crimes já cometidos por bandas de black metal em todo o mundo. Se você nunca escutou falar desse grupo nem nunca soube de um show dele, pode relaxar. Nunca houve (até o momento) uma apresentação do Stalaggh. Nem haverá, ao que parece. A começar porque num papo anônimo, o grupo disse que jamais revelaria a identidade de seus integrantes. E também nunca faria shows.
Segundo porque nesse disco os rapazes simplesmente usaram como vocalistas um time de internos de um hospital psiquiátrico (alguns deles com um histórico bastante sanguinolento). E como eles conseguiram isso? Um dos integrantes do tal projeto trabalha numa clínica, conseguiu pegar sete internos, levou-os para uma capela abandonada e pediu a eles que gritassem. Foi assim, com esse expediente bastante discutível, que o álbum foi feito. Se você tem alguma curiosidade, mórbida ou não, pelo disco, resolvemos seu problema. Segue o link aí embaixo.
(Antes, valem alguns avisos. NÃO ouça o material abaixo se for uma pessoa facilmente impressionável. Isso é sério: o resultado é bastante doentio e assustador. Ouça por sua conta e risco. Se você gostar de coisas muito medonhas, talvez curta ouvir com as luzes apagadas)
Projekt, na verdade, era o terceiro disco da banda – a última parte da trilogia que incluía os anteriores Projekt nihil (2003) e Projekt terror (2004). O grupo mudou de foco e de nome depois disso. Passou a se chamar Gulaggh (o trocadilho dessa vez era com os campos de concentração stalinistas) e iniciaram outra trilogia no mesmo “estilo” com o disco Vorkuta, de 2008. Nada disso é exatamente bom de escutar.
A banda teve essa ideia de jerico porque (disseram isso num comunicado) realmente queria que “o ódio e as emoções dolorosas fossem REAL e verdadeiramente sentidos. Também queríamos recriar a situação dos campos de concentração de Stalag no som”. A tal capela funcionava num antigo mosteiro desativado. “A acústica e a atmosfera dessa capela eram perfeitas para registrar os uivos e os gritos dos insensatos mentais. Era muito difícil ter acesso a essa capela, mas dissemos ao proprietário que a ideia era fazer um tipo de terapia de grito para os pacientes mentais e, finalmente, ele nos deu permissão”.
Os convidados do Stalaggh em Projekt misanthropia, vale dizer, eram da barra pesadíssima. Um deles era um sujeito que aos 16 anos esfaqueou sua mãe mais de 30 vezes até a morte. E outro simplesmente tentou matar um dos integrantes da banda durante a gravação dos vocais. O Stalaggh jura que é possível ouvir o momento da tentativa de assassinato no álbum. Mais uma vez: ouça por sua conta e risco.
Um site brasileiro, por sinal, entrevistou a turma por trás do projeto. Não conseguiram descobrir quem são os realizadores do Stalaggh/Gulaggh mas extraíram deles algumas aspas bem interessantes. Confira nesse link aí de cima.
(E pode ser que você se interesse por isso: nove discos lançados em disquette).
Cultura Pop
George Harrison em 2001: “O que é Eminem?”

RESUMO: Em 2001, George Harrison participou de chats no Yahoo e MSN para divulgar All Things Must Pass; com humor, respondeu fãs poucos meses antes de morrer – e desdenhou Eminem (rs)
Texto: Ricardo Schott – Foto: Reprodução YouTube
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“Que Deus abençoe a todos vocês. Não se esqueçam de fazer suas orações esta noite. Sejam boas almas. Muito amor! George!”. Essa recomendação foi feita por ninguém menos que o beatle George Harrison no dia 15 de fevereiro de 2001 – há 25 anos e alguns dias, portanto – ao participar de dois emocionantes chats (pelo Yahoo e pelo MSN).
O tal bate-papo, além de hoje em dia ser importante pelos motivos mais tristes (George morreria naquele mesmo ano, em 29 de novembro), foi uma raridade causada pelo relançamento remasterizado de seu álbum triplo All things must pass (1970), em janeiro de 2001. George estava cuidando pessoalmente da remasterização de todo seu catálogo e o disco, com capa colorida e fotos reimaginadas, além de um kit de imprensa eletrônico (novidade na época), era o carro-chefe de toda a história. O lançamento de um site do cantor, o allthingsmustpass.com, também era a parada do momento (hoje o endereço aponta para o georgeharrison.com).
Os dois bate-papos tiveram momentos, digamos assim, inesquecíveis. No do Yahoo, George fez questão de dizer que era sua primeira vez num computador: “Sou praticamente analfabeto 🙂 “, escreveu, com emoji e tudo. Ainda assim, um fã meio distraído quis saber se ele surfava muito na internet. “Não, eu nunca surfo. Não tenho a senha”, disse o paciente beatle. Um fã mais brincalhão quis saber das influências dos Rutles, banda-paródia dos Beatles que teve apoio do próprio Harrison, no som dele (“tirei todas as minhas influências deles!”) e outro perguntou sobre a indicação de Bob Dylan ao Oscar (sua Things have changed fazia parte da trilha de Garotos incríveis, de Curtis Hanson). “Acho que ele deveria ganhar TODOS os Oscars, todos os Tonys, todos os Grammys”, exultou.
A conta do Instagram @diariobeatle deu uma resumida no chat do Yahoo e lembrou que George contou sobre a origem dos gnomos da capa de All things must pass, além de associá-los a um certo quarteto de Liverpool. “Originalmente, quando tiramos a foto eu tinha esses gnomos bávaros antigos, que eu pensei em colocar ali tipo… John, Paul, George e Ringo”, disse. “Gnomos são muito populares na Europa. E esses gnomos foram feitos por volta de 1860”.
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A ironia estava em alta: George tambem disse que se começasse um movimento como o Live Aid ajudaria… Bob Geldof (!)., o criador do evento. Perguntado sobre se Paul McCartney ainda o irritava, contemporizou: “Não examine um amigo com uma lupa microscópica: você conhece seus defeitos. Então deixe suas fraquezas passarem. Provérbio vitoriano antigo”, disse. “Tenho certeza de que há coisas suficientes em mim que o irritam, mas acho que já crescemos o suficiente para perceber que nós dois somos muito fofos!”. Um / uma fã perguntou sobre o que ele achava da nominação de Eminem para o Grammy. “O que é Eminem?”, perguntou. “É uma marca de chocolates ou algo assim?”.
Bom, no papo do MSN um fã abusou da ingenuidade e perguntou se o próprio George era o webmaster de si próprio. “Eu não sou técnico. Mas conversei com o pessoal da Radical Media. Eles vieram à minha casa e instalaram os computadores. Os técnicos fizeram tudo e eu fiquei pensando em ideias. Eu não tinha noção do que era um site e ainda não entendo o conceito. Eu queria ver pessoas pequenas se cutucando com gravetos, tipo no Monty Python”, disse.
Pra ler tudo e matar as saudades do beatle (cuja saída de cena também faz 25 anos em 2026), só ir aqui.
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Cultura Pop
No nosso podcast, os erros e acertos dos Foo Fighters

Você pensava que o Pop Fantasma Documento, nosso podcast, não ia mais voltar? Olha ele aqui de novo, por três edições especiais no fim de 2025 – e ano que vem estamos de volta de vez. No terceiro e último episódio, o papo é o começo dos Foo Fighters, e o pedaço de história que vai de Foo Fighters (1995, o primeiro disco) até There’s nothing left to lose (o terceirão, de 1999), esticando um pouco até a chegada de Dave Grohl e seus cometas no ano 2000.
Uma história e tanto: você vai conferir a metamorfose de Grohl – de baterista do Nirvana a rockstar e líder de banda -, o entra e sai de integrantes, os grandes acertos e as monumentais cagadas cometidas por uma das maiores bandas da história do rock. Bora conferir mais essa?
Edição, roteiro, narração, pesquisa: Ricardo Schott. Identidade visual: Aline Haluch (foto: encarte do álbum Foo Fighters). Trilha sonora: Leandro Souto Maior. Vinheta de abertura: Renato Vilarouca. Estamos aqui de quinze em quinze dias, às sextas! Apoie a gente em apoia.se/popfantasma.
(a parte do FF no ano 2000 foi feita com base na pesquisa feita pelo jornalista Renan Guerra, e publicada originalmente por ele neste link)
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Cultura Pop
No nosso podcast, Alanis Morissette da pré-história a “Jagged little pill”

Você pensava que o Pop Fantasma Documento, nosso podcast, não ia mais voltar? Olha ele aqui de novo, por três edições especiais no fim de 2025 – e ano que vem estamos de volta de vez. No segundo e penúltimo episódio desse ano, o papo é um dos maiores sucessos dos anos 1990. Sucesso, aliás, é pouco: há uns 30 anos, pra onde quer que você fosse, jamais escaparia de Alanis Morissette e do seu extremamente popular terceiro disco, Jagged little pill (1995).
Peraí, “terceiro” disco? Sim, porque Jagged era só o segundo ato da carreira de Alanis Morissette. E ainda havia uma pré-história dela, em seu país de origem, o Canadá – em que ela fazia um som beeeem diferente do que a consagrou. Bora conferir essa história?
Edição, roteiro, narração, pesquisa: Ricardo Schott. Identidade visual: Aline Haluch (foto: Capa de Jagged little pill). Trilha sonora: Leandro Souto Maior. Vinheta de abertura: Renato Vilarouca. Estamos aqui de quinze em quinze dias, às sextas! Apoie a gente em apoia.se/popfantasma.
Ouça a gente preferencialmente no Castbox. Mas estamos também no Mixcloud, no Deezer e no Spotify.
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