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Radiohead volta em 2027 para fazer “vinte shows por ano”, diz Ed O’Brien

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Radiohead volta para fazer "vinte shows por ano" em 2027, diz Ed O'Brien (visto aí em foto de Steve Gullick / Divulgação)

Lembra quando Phillip Selway, baterista do Radiohead, disse que a banda se reuniria apenas para fazer aqueles shows do ano passado, e mais nada? Mas deixou uma portinhola aberta com a frase “mas quem sabe onde isso vai dar?”. O “onde” chegou agora com o aviso do guitarrista Ed O’Brien de que a banda vai retomar os shows em 2027 – e estão planejando turnês na América do Norte, América do Sul e Ásia/Oceania para ano que vem.

“A cada ano, faremos um continente diferente e realizaremos 20 shows por ano. Nem mais nem menos”, disse ele à Rolling Stone, sem soltar nenhum “… mas quem sabe?”. O fato da banda vir à América do Sul já vem dando pulga na cama dos fãs brasileiros – embora haja um “20 shows por ano” no meio do caminho e sabe-se lá que continente vai ganhar os primeiros shows. O Radiohead também não fará (isso segundo Ed O’Brien) show nenhum neste ano. De qualquer jeito, o guitarrista, visto aí em cima em foto de Steve Gullick, faz a alegria dos fãs da banda anunciando seu segundo disco solo, Blue morpho, previsto pelo selo Trangressive para 22 de maio.

A faixa-título do disco, um monolito progressivo e orquestral de seis minutos (e que lembra demais Milton Nascimento e Lô Borges, por sinal), saiu ontem como single e clipe. Blue morpho, o álbum (veja capa e lista de músicas lááá embaixo) foi gravado no estúdio de O’Brien no País de Gales e no Church Studios, em Londres (aliás, um estúdio com 200 anos de história). Um curta-metragem que acompanha o álbum, intitulado Blue morpho: The three act play, estreou no SXSW e vai chegar aos fãs juntamente com o disco.

Ed O’Brien, que lançou seu primeiro disco solo, Earth, no pior timing possível (abril de 2020, comecinho da pandemia) revelou à Rolling Stone que foi justamente no começo do isolamento que os trabalhos em Blue morpho começaram – um período que ele chama de “crise da meia-idade”.

“Entrei numa profunda depressão. Foi a primeira vez na minha vida que tive de parar. E o que percebi foi que, como muita gente faz, eu me mantinha ocupado fugindo dos fantasmas do meu passado, principalmente da minha infância”, disse ele, que no começo não queria nem sair da cama, mas descobriu o quanto era terapêutico trabalhar em novas músicas. Entre as inspirações do novo disco de Ed, estão uma frase do poeta e agricultor Wendell Berry (“para conhecer a escuridão, vá até ela”) e as práticas de respiração e exposição ao frio do palestrante motivacional holandês Wim Hof.

Passar um tempo afastado do Radiohead fez Ed O’Brien enxergar a banda sob outra perspectiva, como ele também revela. “Acho que sempre soubemos que, se conseguíssemos manter o amor entre nós, tudo fluiria naturalmente”. Por acaso, o cantor Thom Yorke também foi uma inspiração para o disco novo: Ed ouviu dele que um dos segredos da composição era ser um bom “bibliotecário”, catalogando ideias para revisitá-las depois.

A lista de músicas de Blue morpho (uma das faixas se chama… Obrigado, em português mesmo) segue aí, a capa e o clipe da faixa-título também, além do trailer do curta. Diz o texto de lançamento que o álbum tem “momentos de psych-folk hipnótico, guitarras luminosas, elementos de trip-hop e passagens de quietude intensa” (e é o que rola no single). O disco tem produção de Paul Epworth.

1 Incantations
2 Blue morpho
3 Sweet spot
4 Teachers
5 Solfeggio
6 Thin places
7 Obrigado

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“Eita” em turnê: Lenine vai transformar o disco em encontro com o público

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“Eita” em turnê: Lenine vai transformar o disco em encontro com o público

Se você escutou Eita, disco novo de Lenine (resenhado por nós aqui), não tem jeito: decorou pelo menos um trecho de alguma letra, se sentiu tocado / tocada por pelo menos uma faixa e entrou em comunhão com ele em músicas como Confia em mim. E tá na hora de curtir tudo isso ao vivo: a turnê Eita começa em 22 de maio em Fortaleza (CE), e segue para São Paulo (SP), Salvador (BA), Rio de Janeiro (RJ), Porto Alegre (RS) e Recife (PE). Depois, é a vez dos argentinos conhecerem o novo show de Lenine: dia 4 de setembro a turma chega a Buenos Aires.

Ao lado do cantor no palco, vão estar Bruno Giorgi (baixo), Gabriel Ventura (guitarra e autor do disco Pra me lembrar de insistir, que resenhamos aqui), Henrique Albino (sopros), Negadeza (percussão) e Pantico Rocha (bateria). No repertório do show, as onze faixas do disco – que, como você já viu, é um projeto audiovisual, com direito a um filme que pode ser assistido no YouTube. E, claro, os hits dele de todos os períodos de sua carreira.

Os ingressos já estão à venda aqui. E se você não viu-ouviu Eita, o repertório que você vai conferir ao vivo é esse daí.

Foto: Gilda Midani / Divulgação

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Steph Strings estreia no Brasil e testa sua conexão ao vivo por aqui

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Steph Strings (Foto: Ian Laidlaw / Divulgação)

A australiana Steph Strings, nome que vem crescendo rápido no circuito folk e roots, faz sua estreia no Brasil no fim de maio com dois shows. As apresentações acontecem dia 28, na Audio, em São Paulo, e dia 29, no Circo Voador, no Rio de Janeiro, dentro da programação do Queremos!. Os ingressos já estão à venda pela Ticketmaster (SP e RJ).

Aos 25 anos, Steph chega por aqui embalando o lançamento de Feel alive, seu primeiro álbum, lançado em janeiro de 2026. O disco ajuda a explicar por que ela vem chamando atenção fora da Austrália: a artista combina técnica de violão em fingerstyle com batidas percussivas no instrumento e um jeito bem direto de contar histórias nas letras. Funciona como um equilíbrio entre algo íntimo e expansivo ao mesmo tempo, sem precisar de muita firula.

Antes mesmo do álbum, Steph já vinha construindo público nas redes (beirando um milhão de seguidores) e, principalmente, ao vivo. É nesse formato mais cru – de voz e guitarra – que ela consolidou a reputação, com shows que variam entre festivais e casas menores, sempre com uma entrega bastante focada. Essa circulação ajudou a criar uma base consistente no Reino Unido e na Europa. Nessa, Feel alive acaba sendo um retrato fiel dessa fase: um disco centrado em emoção, presença e conexão direta com quem ouve.

A vinda de Steph Strings também reforça a linha de curadoria do Queremos!, que há mais de 15 anos aposta em artistas internacionais em momentos de virada ou ascensão. É meio o caso aqui: ela chega sem ainda ser um nome massivo, mas já com sinais claros de que pode crescer – e bastante – a partir de agora.

FESTIVAL

E falando no Queremos!, vem aí a sétima edição do Queremos! Festival, que acontece no Rio de Janeiro nos dias 4, 5, 10 e 11 de abril, distribuída por três palcos, Teatro Carlos Gomes, Circo Voador e Vivo Rio. A programação mistura estreias, shows inéditos e artistas do Brasil e de fora, espalhados pelos dois fins de semana.

A abertura rola nos dias 4 e 5, no Teatro Carlos Gomes. No sábado, Zeca Veloso apresenta pela primeira vez ao vivo o repertório de Boas novas, seu disco de estreia, agora com banda. Quem abre pra ele é a violonista Gabriele Leite, que sobe ao palco com músicas de seu álbum Gunûncho. No domingo, Fitti faz o show Fitti canta Ney, revisitando o repertório de Ney Matogrosso, enquanto Pedro Mizutani abre a noite com material recente.

O segundo fim de semana começa no dia 10, no Circo Voador. A inglesa Greentea Peng faz seu primeiro show no Brasil com músicas do álbum Tell dem it’s sunny, e o ganense Ata Kak apresenta faixas de diferentes momentos da carreira.

O encerramento acontece no dia 11, no Vivo Rio, com dois palcos. Entre os nomes confirmados estão Soul II Soul, Fernanda Abreu com o show Da lata 30 anos, Gaby Amarantos apresentando Rock doido e Céu revisitando seu primeiro disco, epônimo, de 2005. Também participam Melly, Jonathan Ferr com o projeto Urban jazz, o baile!, e a canadense Jayda G.

Foto: Ian Laidlaw / Divulgação

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Jehnny Beth e Mike Patton transformam “Look at me” em um ataque aos falsos messias

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Jehnny Beth (capa do single Look at me)

Você achava que Jehnny Beth e Mike Patton (Fantomas / Faith No More), musicalmente falando, formavam um par perfeito? Nós também – e eles também, pelo visto. Tanto que Jehnny acaba de lançar Look at me, sua música nova, com participação de Mike. É o primeiro single dela após o lançamento daquele que o Pop Fantasma considera “o” disco internacional de 2025, You heartbreaker, you. E já ganhou um clipe, dirigido pela própria Jehnny e inspirado pelo filme Taxi driver, de Martin Scorcese (a personagem maníaca e solitária dela seria um espelho do problemático Travis Bickle, interpretado por Robert de Niro).

Misturando punk, trap, dubstep e tudo que possa soar mais e mais perturbador, Look at me é uma desomenagem àquele mano (ou àquela mana) que se vende como coach e faz palestras (com lotação esgotada) que não passam de uma mistura de nada com porra alguma. É “sobre os vendedores de verdade modernos, que compartilham suas opiniões online sobre como ‘se aprimorar’, dando uma ilusão de controle — mas tudo o que eles realmente querem é ser o centro das atenções”, conforme a própria Jehnny contou ao NME. “É uma canção sobre enganadores e o efeito que eles têm sobre aqueles suscetíveis à sedução sinistra de ideologias enganosas”, completa.

Indo na contramão dos clipes simples e feitos-para-o-YouTube dos dias de hoje, Jehnny pinta o sete em Look at me, e só não pinta o oito porque faltou tinta na caneta: ela posa de vampira, dorme no cinema, estraga uma cerimônia de casamento tentando agarrar a noiva, faz topless (casto) e dá uns pegas, com direito a beijos nada técnicos, em uma dezena de pessoas. Mike Patton surge com uns dreads, apenas em vídeo, e está a cara do Marcelo D2 (!).

“Quando Johnny (Hostile, o parceiro dela) e eu escrevemos Look at me, tivemos a ideia de uma música em duas partes”, explica Beth. “Quando Mike enviou os vocais, foi como escolher doces em uma loja de doces; ele tinha um milhão de ideias, foi impressionante”.

Sim, e tudo em Look at me é impressionante. Olha aí.

Texto: Ricardo Schott – Foto: Capa do single

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