Radar
Radar: The Lemon Twigs, Optic Sink, Runo Plum – e mais

Semana praticamente encerrada? Nada, se deixar a gente vira a noite com a caixa acústica no último volume, ou com fones. Dessa vez destacamos o power pop beatle dos Lemon Twigs – que estão no preparo do disco novo. E do pós-punk cinematográfico do Optic Sink ao slacker britânico do The Must Haves, só tem coisa boa aqui. Ouça bem alto pros vizinhos ouvirem.
Texto: Ricardo Schott – Foto (The Lemon Twigs): Divulgação
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THE LEMON TWIGS, “I JUST CAN’T GET OVER LOSING YOU”. Parece que a onda de “lentinhas” dos irmãos D’Addario passou e eles decidiram se entregar a uma mescla de power pop e som sessentista. I just can’t get over losing you, single novo deles, soa como uma carta de amor à era de ouro do rock: guitarras brilhantes, melodia imediata e um videoclipe que flerta com a estética dos Beatles.
Look for your mind!, próximo álbum dos LT, traz novidades: pela primeira vez, os dois irmãos recrutaram no estúdio os serviços dos músicos que tocam com eles nos shows, Reza Matin (bateria) e Danny Ayala (baixo). Eva Chambers, baixista da banda Tchotchke, não apenas participa do disco, como também fez a capa e as fotos do álbum (além da música, ela é fotógrafa e trabalha com lomografia).
Aliás, se você tem a impressão de que os novos tempos estão fazendo todo mundo pirar, os Lemon Twigs têm também. Tanto que o título do disco vem justamente dessa impressão. “Acho que estamos vivendo uma época de loucura”, explica Brian D’Addario. “É preciso se agarrar à própria sanidade para não perdê-la”.
OPTIC SINK, “A STUDY FOR CHOREOGRAPHY”. Banda de Memphis que faz um pós-punk estranho e pra lá de afiado, o Optic Sink arrancou vários sorrisos nossos com seu álbum Lucky number, resenhado pelo Pop Fantasma aqui. Dessa vez, voltam com um projeto ambicioso: Relentless metamorphosis traz as músicas que o trio compôs para os curtas-metragens da cineasta Maya Deren (1917-1961). Começando pela música que fizeram para Um estudo de coreografia para câmera (1945).
A ideia surgiu em 2022, quando a banda foi convidada pela galeria Crosstown Arts para compor uma trilha para os filmes e executá-la ao vivo, durante a exibição – esse show-filme rolou em Memphis e em Oxford. Dessa vez, levaram o som para o disco, e Relentless sai em 24 de abril. “Espero que você compre o DVD dela e sincronize este disco com os filmes para vivenciar essa colaboração interdimensional”, alegra-se a vocalista Natalie Hoffmann, que ama a produção de Maya. “Seus filmes eram poemas, eram danças coreografadas e eram extremamente vanguardistas e experimentais, especialmente para a época em que foram feitos”.
RUNO PLUM, “BUTTERFLIES”. Na capa de Patching, álbum de estreia da cantora dream-folk Runo Plum (resenhamos aqui), havia uma borboleta – numa pintura feita por ela própria. E só dessa vez sai uma canção chamada Butterflies (“borboletas”), um single que adianta o próximo EP dela, Bloom again, previsto para 5 de maio pelo selo Winspear. Uma música sobre amores, desilusões e aqueles momentos em que tudo parece meio perdido.
“Você pode presumir que se trata daquela sensação vertiginosa de ter borboletas no estômago quando se está apaixonada, e talvez seja isso mesmo, mas é mais sobre esses sentimentos serem reprimidos e não saber o que fazer com eles”, conta ela, especialista em canções sobre assuntos meio tristonhos.
INTERCOURSE, “VIOLET”. Violet, canção do Hole (banda de Courtney Love), é uma faixa dura e violenta, cuja letra mergulha no imaginário de relacionamentos tóxicos e machos-alfa dominadores (“quando eles conseguem o que querem, e nunca mais querem de novo / quando eles conseguem o que querem, e nunca mais querem de novo / vá em frente, pegue tudo, pegue tudo”). E poucas bandas atuais parecem tão adequadas para revisitar esse clima quanto o Intercourse.
O grupo trabalha justamente nessa zona de atrito: um som pesado, agressivo e de confronto direto (falamos recentemente do disco mais novo deles, How I fell in love with the void). A versão da banda para Violet acaba de sair em single. Foi gravada nas mesmas sessões do álbum mais recente, com produção de Chris Tet. O resultado é curto, direto e violento – uma porrada sem rodeios.
THE MUST HAVES, “EVIE”. Essa banda segue a onda do slacker rock, mas com a elegância associada ao rock britânico – eles vêm de Londres, inclusive. Evie, single novo deles, é de uma inventividade enorme no uso de riffs de guitarra e na preparação dos vocais. Bandas como Dinosaur Jr, Kyuss e Modest Mouse são citadas como referências, inclusive – o que já dá para ter uma ideia do que surge na audição.
THE JULIENNES, “CITY LIGHTS”. Essa banda pós-punk de Los Angeles já apareceu por aqui outras vezes – e dessa vez, estamos em compasso de espera pelo primeiro álbum deles, Prisoners, que chega em 20 de março. Por enquanto ficamos com o single novo, City lights – um tema punk no qual sua diversão está garantida. Você vai passar o dia catando as referências que eles escondem às vezes em poucos segundos da música. Só eu já achei: The Clash, The Jam, Stranglers, Strokes… É som, e é história.
Radar
Radar: Delusis, Ravi Brasileiro e Carlos Careqa, Nanda Moura, Undo – e mais

Mais um Radar nacional e, como sempre, a variedade é imensa – aliás, os lançamentos nacionais sempre impressionam tanto que fica difícil não variar. Começa pelo pós-punk do Delusis, de Natal (RN), mas hoje a seleção vai do rock ao blues, passando pela MPB de vanguarda. Curta no último volume!
Texto: Ricardo Schott – Foto (Delusis): Divulgação
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DELUSIS, “SALA DE ESPELHOS”. Um som tranquilo que lembra o pós-punk e ao mesmo tempo, surfa uma onda bem próxima à do shoegaze + dream pop – afinal, são guitarras à frente, em meio a uma vibe etérea. Delusis é o projeto do músico e compositor potiguar Dimetrius Ferreira (Mahmed), que seis meses depois do EP Imerso, lança Espelhos, EPzinho de três faixas marcado por uma onda quase psicodélica em conceito, letras e melodias.
Em Espelhos, Dimetrius investe em memórias e reflexões em faixas introvertidas como Sala de espelhos, canção de versos como “ainda me encontro em mim / uma sala de espelhos / eu não consigo me ver / pra dentro da memória / pra fora do esquecer”. Uma dica da sonoridade: dois integrantes do Terno Rei (Bruno Paschoal nos pianos e Luis Fernando Cardoso na bateria) tocam nas faixas.
RAVI BRASILEIRO E CARLOS CAREQA, “61 91”. Os dois cantores e compositores transformam a diferença de 30 anos entre eles no ponto de partida de 61 91, single que acaba de ganhar clipe. A parceria nasceu de um encontro no Teatro do Paiol e virou música que reflete sobre tempo, criação e passagem de gerações. Produzida por Victória Ruiz, a faixa mistura ideias acumuladas desde 2022 e incorpora até falhas técnicas como parte do arranjo.
“Essa ideia surgiu há uns quatro anos, quando o Ravi me procurou no Teatro do Paiol. Eu fiz aquela inquirição normal quando você conhece alguém. Qual é o teu signo, e quantos anos você tem? E percebi que a gente tem uma diferença de 30 anos. Eu nasci em 1961 e ele em 1991. Aí pensei, vou fazer uma música falando sobre isso”, diz Careqa. Já o clipe, dirigido por Oruê Brasileiro com fotografia de Fernanda Simões, simboliza o que a dupla chama de “dança geracional”, combinando gravações em estúdio com uso de IA.
NANDA MOURA, “SEMPRE NÃO É TODO DIA”. Raridade uma cover furar o bloqueio do Radar, mas Nanda, uma das vozes mais representativas do blues nacional, releu a canção de Oswaldo Montenegro e Mongol com tanta categoria, que vale a pena ouvir e reouvir – e que voz. A letra fala do amanhecer de uma mulher, “princesa”, que percebe que nem todo dia é possível manter a postura altiva que esperam dela.
“A maior dificuldade que eu tive foi de não cantar imitando o estilo do Oswaldo. Ele tem uma identidade muito forte”, conta Nanda, que pescou Sempre não é todo dia direto da trilha de Aldeia dos ventos, peça de Oswaldo dos anos 1980. Sempre… ainda teve uma gravação bem conhecida feita por Zizi Possi. Um video-conceito baseado em contrastes entre vermelho e branco acompanha o lançamento da faixa.
GUSTAVO ORTIZ, “PEIXE PESCADO”. Esse é o segundo single do compositor Gustavo Ortiz a antecipar o álbum de estreia Arrasto – e também é o último antes do álbum sair. Depois de Afoxé do Nego Véio, que apresentou o clima do projeto, a nova faixa amplia o horizonte e vai fundo no tema da exploração do trabalho.
A música fala de alguém que “já nasce pescado” para mostrar como o trabalhador é aprisionado desde cedo pela rotina massacrante – e manda bala na reação coletiva como a saída possível. Esse cotidiano sufocante é cantado numa onda ligada ao samba de João Bosco (inspiração para a música) e ao suíngue de Lenine.
UNDO, “PORCOS NÃO OLHAM PRO CÉU”. Tá pegando fogo, bicho! O clipe novo da banda paulista ligada ao pós-punk mostra os músicos tocando em meio a um cenário-catástrofe tomado por chamas. O vídeo foi Drico Mello, com arte de Vinny Campos, montagem de Tony Tyger e cor de Humberto Mundim, e lança mão de IA para botar fogo em tudo, e simbolizar a (tristíssima) destruição do Museu Nacional pelas chamas. Porcos está no disco epônimo lançado pela Undo no ano passado.
ROBERTA CAMPOS, “COISAS DE VIVER” (feat Jota.Pê) e “ATENTO” (feat. Tuyo). No ano passado, saiu Coisas de viver, álbum mais recente de Roberta Campos – e em maio de 2026 sai uma releitura colaborativa do disco, Coisas de viver a dois, cheia de participações especiais. A faixa-título ressurge em parceria com Jota.Pê, que outra cara à delicadeza já conhecida da canção.
Até Coisas de viver a dois chegar às plataformas, outros encontros surgirão sob a forma de novos singles – a ideia de Roberta é botar pra soar nas músicas tudo que já rolava nas entrelinhas. E nesta sexta (13) estreia o clipe do encontro entre Roberta e Tuyo, com a música Atento, também do projeto, e já lançada em single.
Radar
Radar: Michael Stipe e Andrew Watt, Matt Berninger e Rosanne Cash – e mais

Duas duplas na abertura do Radar internacional de hoje. Na primeira dupla, tem Michael Stipe lançando música solo (será que aquele disco tão comentado tá chegando?), e na segunda, tem a recordação de um som do Velvet Underground em vibe country. Do barulho á busca do som perfeito, nada tá escapando do Radar hoje. Ouça no volume máximo.
Texto: Ricardo Schott – Foto (Michael Stipe): Thomas Dozol / Divulgação
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MICHAEL STIPE E ANDREW WATT, “I PLAYED THE FOOL”. Tem um disco do ex-vocalista do R.E.M., Michael Stipe pra sair… há anos. Ao que conta, ele vem trabalhando nesse disco há um bom tempo e ainda não há uma data. Um vislumbre do tal disco chegou às plataformas recentemente: Stipe se reuniu com o superprodutor Andrew Watt para gravar o tema da nova série da HBO, Rooster, protagonizada por Steve Carell. Stipe e Watt são creditados como compositores da faixa, e ao lado deles, tocam Travis Barker, do Blink-182, na bateria e Josh Klinghoffer, ex-Red Hot Chili Peppers, na guitarra.
Fãs do R.E.M. vão reconhecer o estilo de Michael aqui, até porque no fundo I played the fool até que poderia ser uma canção do grupo – embora o arranjo seja até bem mais limpinho e pop do que nas melhores canções do R.E.M., com um piano “caminhante” e um andamento que lembra Got to get you into my life, dos Beatles. Ficou bonito e dá para matar saudades enquanto o disco de Michael não sai (se é que vai sair).
MATT BERNINGER E ROSANNE CASH, “WHO LOVES THE SUN”. Tem gente que mal considera Loaded (1970) como um disco do Velvet Underground – não tem Nico, não tem John Cale, Lou Reed saiu da banda em seguida a ele. Não apenas é um disco da banda como é um dos álbuns mais cheios de surpresas deles – uma delas é a abertura com a beatle Who loves the sun, assinada por Reed e cantada por Doug Yule. Para a trilha da série Sunny nights, o cantor do The National uniu-se com a veterana cantora country (e filha de Johnny Cash). Saiu uma versão linda, de ouvir sorrindo – e que partiu de um pedido pessoal do diretor da série, Trent O’Donnell, a seu amigo Matt.
“Quando ele me pediu para fazer um cover do Velvet Underground para Sunny nights, imediatamente pensei nisso como um dueto com Rose (Rosanne) e John (Leventhal, produtor e marido da cantora). Gravamos na casa deles em Chelsea no verão passado. John fez a maior parte do trabalho enquanto Rose e eu bebíamos Chardonnay no jardim, ao sol”, conta.
FLORENCE DORE, “SUNSET ROAD”. Um pouco de pós-punk, um pouco de americana, um muito de feminismo e consciência, e está prontos um dos singles mais legais dos últimos tempos. Florence prepara para 1º de maio o álbum Hold the spark, e adianta o trabalho com Sunset road, uma música vibrante, com ótimas guitarras slide, sobre uma mulher que não quis nem saber de conversinha e foi atrás dos seus desejos. “Ela tinha fogo em seus sonhos, ela tinha outro destino / ela não estava esperando o fim de um filme B ruim / filmado na Sunset Road”, canta ela, que define o álbum como “um estudo literário de personagens americanos”, cujo som vai do country rock ao rock alternativo dos anos 1990.
CRÁ CROÍ, “LOST IN THE ELECTRIC BLOOD”. Som próximo do darkwave, baixo gravíssimo fincado no chão e voz grave – e assim sai Lost in the electric blood, novo som dessa banda irlandesa, que prepara um álbum para sair ainda neste ano. Lost é definida por eles poeticamente como “um delírio febril ambientado numa paisagem urbana iluminada por néon – um lugar onde a luz artificial substitui o sol e a rebeldia vira ritual”. Uma música que “explora a busca por verdade e identidade em um mundo superestimulado e fragmentado”. Nós preferimos apenas dizer que é uma viagem dark e ruidosa.
HOOPER, “ROXTON”. Hooper é um artista do Canadá – aliás, de uma pequena ilha na costa oeste do Canadá, onde cresceu rodeado de sons, graças aos pais músicos. Roxton, seu novo single, é uma música que observa o dia a dia das pessoas, do vai e vem das ruas de Toronto, e simultaneamente, olha para dentro: fala de relacionamentos, do futuro, das esperanças. Tudo em um tom quase pinkfloydiano, lembrando os discos do grupo britânico no começo dos anos 1970. Uma lindeza.
CHAT PILE, “MASKS” / “SIFTING”. “É um verdadeiro sonho lançar um single pela Sub Pop, e nossa nova música, Masks esperamos que honre o espírito da mítica, às vezes mística, cidade de Seattle. Graças em parte ao filme Hype, somos obcecados há muito tempo por Seattle, pelo underground americano do final dos anos 80 e pela Sub Pop e suas ferramentas de dominação mundial”, orgulha-se a banda Chat Pile, que vem de Oklahoma e faz noise rock.
Para seu single duplo na gravadora, decidiram unir material autoral (a ruidosa Masks) com uma homenagem: a releitura de Sifting, do primeiro disco do Nirvana, Bleach (1989). Altamente colocável em altíssima rotação: a faixa do Nirvana se transforma quase em darkwave punk, e Masks abre quase fazendo o ouvinte achar que o fone (ou o alto falante) está com defeito – até que a barulheira vem.
Radar
Radar: Vita, Planoreal, Jáder e Totô de Babalong, The Second Half Of The Sun, Flávio Vasconcelos, Camapu

Começou a semana e o Radar voltou definitivamente ao normal: sai cinco vezes por semana, mostrando o que as cenas pelo Brasil e pelo mundo, em vários estilos musicais diferentes – do rock ao pop, passando pela MPB – têm produzido. Vita, ex-integrante da banda Irmãs de Pau, abre a seleção com seu single Vita’s house. Mas ainda tem muito mais. Ouça no último volume e na ordem que quiser.
Texto: Ricardo Schott – Foto (Vita): Wallace Domingues / Divulgação
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VITA feat MC BRITNEY, “VITA’S HOUSE”. A cantora, ex-integrante do grupo Irmãs de Pau, abre uma nova fase solo com esse single lançado com participação de MC Britney – que já ganhou clipe dirigido por Nídia Aranha e Gabe Lima. A faixa funciona como porta de entrada para o universo do próximo álbum, que também vai se chamar Vita’s house, e que vai manter o diálogo com o funk e com a “putaria brasileira, mesmo que haja mais experimentações.
O projeto do disco já vinha sendo testado ao vivo em shows-laboratório, usados para experimentar ideias e formatos. “Com meu trabalho quero potencializar a cena do funk e colaborar para a edificação de um movimento radical, coletivo que transforme realidades”, afirma Vita, que surge com um baita pancadão na música nova.
PLANOREAL, “IMORTAL”. Essa banda de Joinville prepara para o dia 4 de abril o EP Mérito, que sai pelo selo AlterEgo. Imortal é um dos singles que adiantam o disco, e é marcado pelas referências de bandas como Dead Fish, lado a lado com o clima desiludido da letra – uma canção pesada e emocionada vinda de uma banda que iniciou carreira influenciada pelo hardcore dos anos 2000. A duração mais ou menos extensa (são quase cinco minutos) permite vários segmentos e quebras rítmicas, além da entrada de um clima próximo do pós-hardcore.
“A sonoridade se constrói na intensidade da alternância entre vocais gritados, passagens melódicas, e riffs bem trabalhados”, define a banda, que já está preparando também um clipe da faixa, para sair dia 15 de março. “Vai ser uma parceria com cineastas independentes de Joinville”, contam.
JÁDER E TOTÔ DE BABALONG, “NO MAR”. “Fugir de amar é muito raso / quero mergulhar”, avisam Jáder e Totô em No mar, canção que explora a união de MPB, sons baianos e batidões de funk, e que abre caminho para o próximo álbum de Jáder. Uma canção solar, sobre “descobertas, calor e promessas”, em que ambos cantam como quem cuida de um amor que está desregulado – muita entrega de um lado, pouca força do outro.(com direito a um duplo sentido sacana no verso “te dou meu coração, mas tu também tem que me dar”).
THE SECOND HALF OF THE SUN, “TIME’S SUPER RUN”. Esse projeto é o encontro entre os músicos paulistas Will Geraldo e Leandro TG Mendes, nomes já rodados da cena independente. O primeiro single do duo, Time’s super run, aposta em quase sete minutos de tensão construída aos poucos, com um som que às vezes passa pelo progressivo, ou pelo metal, ou pelo shoegaze – e com partes pinkfloydianas. O tempo e suas mudanças são o principal assunto da música (aliás, só conferir o nome da faixa!).
“Costumamos brincar que nossas sessões de gravação também são sessões de terapia”, diz Leandro. Will acrescenta que o projeto nasceu da vontade de tocar junto, sem muitos dilemas mercadológicos. “A ideia inicial era simplesmente exercitar nossa criatividade e dar forma a pensamentos musicais e existenciais por meio de algumas músicas, incluindo Time’s super run. Quase como uma oficina de composição”, diz ele. O resultado está aí.
FLÁVIO VASCONCELOS, “VOCÊ VAI SER FELIZ”. Bedroom rock? Bedroom MPB? O clima caseiro que abre single novo de Flávio vai mudando porque a canção vai crescendo, ganhando uma cara sonora mais próxima de nomes como Roberto Carlos, Peninha e Odair José, com direito a arranjo de cordas e metais. Você vai ser feliz é uma canção de saudade, na qual ele analisa o que sobrou de uma relação que acabou abruptamente – e diz que, com o término, ele aprendeu a cair e a levantar. Jatobá peri, próximo álbum de Flavio, com direção artística de Rômulo Fróes, sai em breve.
CAMAPU, “CIGANA”. Essa banda curitibana segue apresentando o universo de seu próximo álbum (previsto para agosto) com o single Cigana. A faixa mantém a energia roqueira do lançamento anterior, Guabiru, mas acrescenta clima mais dramático à história de um amor delirante por uma cartomante misteriosa. Entre riffs intensos e ruídos iniciais, a banda mistura ecos de pop punk e grunge, com uma piscadela para o imaginário do The Doors – em especial o hit The changeling, do disco L.A. woman (1971).
O clipe amplia esse clima: artistas circenses, bolas de cristal, fogo e dança cigana aparecem ao lado da banda em cena, criando uma atmosfera quase ritualística para a narrativa – em que o vocalista do grupo, RGL, interpreta o sujeito obcecado pela cartomante.


































