Punks (1983), filme dirigido por Sara Yaknni e Alberto Gieco, não é um simples documentário. Tem uma ou outra cena dramatizada, como o momento em que um magrelo Clemente Nascimento (Inocentes) sobe o elevador de um prédio velho em busca de um emprego – e leva porta na cara. O filme mostra um pouco do dia a dia dos punks paulistas dos anos 1980 e será sempre lembrado pelas primeiras cenas, com João Gordo à frente dos Ratos de Porão, berrando “pau no cu de Deus, da Globo e do ABC”, por causa das rixas entre punks paulistanos com colegas do ABC paulista (anos depois, a banda diria numa entrevista à Bizz que “até hoje tem punk do ABC querendo pegar o Gordo de porrada por causa disso”).

Jogaram o filme inteiro no YouTube e boa parte do material soa bastante atual, com punks (Clemente entre eles) reclamando que não arrumam emprego porque “não existe emprego” e jovens tendo que se virar em ocupações de baixos salários porque era o que aparecia.

Complementando, tem ainda os ensaios de bandas como o Golpe de Estado (grupo punk feminino, nada a ver com a banda de Catalau e Hélcio Aguirra) e imagens das Grandes Galerias quando elas eram lotadas de lojas de discos, como Punk Rock e Wop Bop. E da Estação São Bento, que era reduto de punks, mas onde o hip hop paulistano também nasceria. Curiosamente, a trilha sonora (que lembra o King Crimson em alguns momentos) foi feita por dois músicos cujos trabalhos são bem distantes do punk rock: Paulo Tatit e Hélio Ziskind, do grupo Rumo.

Via Crush Em Hi-Fi