Connect with us

Destaque

POP FANTASMA apresenta Disstantes, “Zumbi choppa”

Published

on

POP FANTASMA apresenta Disstantes, "Zumbi choppa"

Duas lendas do rock carioca dos anos 1990 acabam de se encontrar num single (e num clipe). Homobono (Djangos) e Gilber T soltam Zumbi choppa, música que nasceu de um encontro perfeito e urgente. O primeiro recebeu uma base do segundo, e rapidamente já escreveu uma letra. Distantes por alguns quilômetros (Homobono é de Jacarepaguá, Gilber é de São Gonçalo), foram fechando a canção em várias trocas de informações e arquivos WAV, cada um em seu próprio estúdio caseiro. O projeto acabou ganhando um nome que tem tudo a ver com a criação remota em tempos de isolamento: Disstantes.

“O que rolou também acho que foi a admiração mútua e uma fluência muito boa nas conversas. O Gilber é um trator criativo. Eu estava mais propenso a dar mais vazão às demandas musicais para afastar o tédio, o medo, a raiva, e a desolação”, conta Marco. Aliás, até o nome Disstantes surgiu em parceria. Hombono sugerira o “distantes”, pelo fato de ambos estarem longe e serem da periferia. “Gilber sugeriu que a primeira sílaba tivesse um ‘s’ a mais. Para fazer menção aos raps de provocação que a galera costuma fazer, e que levam o nome de ‘diss’”.

Gilber, na hora de fazer boa parte da música, usou equipamentos como uma caixa de ruído. “Um sintetizador rústico sem teclas e que produz sons bem distintos, as vezes difícil de reproduzir mais de uma vez, para causar um efeito que desse a sensação de neurose ou loucura”, conta, dizendo que o trabalho foi complementado com um sampler, pelo qual passaram umas guitarras psycho tocadas por Homobono. Bruno Marcus, chefe da gravadora niteroiense Tomba Records, deu a ideia da repetição do refrão no final, e assim ficou.

>>> Veja também: POP FANTASMA apresenta Gilber T, Sinnerman

CRÂNIO. Dirigido e editado por Mauricio Noro, o clipe de Zumbi choppa mostra um telejornal apocalíptico (“a programação e vida das pessoas corre normalmente mesmo com o apocalipse em andamento”, conta Gilber). O roteiro veio de uma construção de ideias, que contou até com outra parceria muito especial, que você vai conhecer daqui a pouco. A ideia surgiu de uma imagem feita por Gilber, de um crânio embalado em papel alumínio, que ficava rodando em cima de uma plataforma de bolo de aniversário.

Advertisement

“A imagem em si já era graficamente forte e isso até então seria o fio condutor de um lyric vídeo”, recorda Homobono. Para fazer a imagem do crânio, Gilber conta que se inspirou no filme A vida privada dos hipopótamos (Maíra Bühler e Matias Mariano). “Ele tem uma cena icônica em que o personagem principal tinha as paredes e objetos dentro de casa totalmente cobertos por folhas de papel alumínio. Esse fato me trouxe a ideia de aliviar a imagem de um crânio em um vídeo representando o fim. Mas que a frieza e brilho do alumínio passassem a ideia de desconstrução de um símbolo gore, vislumbrando que quem assistisse, se deparasse com a imagem como se estivesse diante um espelho”, conta Gilber.

>>> Veja também: POP FANTASMA apresenta Homobono, Subcarioca

Outras ideias foram surgindo e sendo realizadas, como as imagens dos dois como se fossem zumbis. Mas também vieram as inserções de comerciais de mentirinha, como o da proteína de dieta zumbi Doro (uma brincadeira com o sobrenome do diretor). Só que o toque final veio mesmo quando BNegão, que já sabia que a dupla estava fazendo o vídeo, entrou em contato com Gilber e mandou o recado: “Vocês terminaram o vídeo? Tentem colocar a frase que acabei de ver numa postagem, é muito importante: ‘Chegará o dia que os pobres não terão mais nada para comer, a não ser os ricos’”, escreveu o cantor. “Acatamos e tudo fez sentido”, lembra Gilber.

LETRA. Zumbi choppa é basicamente uma música sobre cegueira coletiva, fim dos tempos e estragos causados pelas próprias pessoas em tempos de pandemia. Homobono se sentiu bastante instigado para escrever a letra do novo single do Disstantes, justamente por causa de sua bagagem musical.

“Comecei a construir meu imaginário musical nos anos 1980, então fui muito influenciado pelo punk que as bandas brasileiras traziam no seu bojo de influências. E sentíamos sempre um engajamento político e social nas letras. Isso me influenciou bastante e se tornou uma espécie de diretiva na minha composição. E parece que para o Gilber também. Então, calhou que a pandemia e toda uma penca de assuntos e reflexões atuais influenciasse nosso texto”, conta, dizendo que o tema central da canção é “a ignorância dentro de nós que nos torna suscetíveis a várias manipulações de cunho político e ideológico”.

>>> Veja também no POP FANTASMA: As oitenta edições do fantástico zine Punk Planet estão na web

“Às vezes, parece que tudo vai desabar. Negacionismo, fake news, desinformação e toda sorte de coisas que não dialogam com a criação. Mas que acabam fazendo com que nós, bandas e artistas independentes, não apenas enfrentemos a pandemia, como também comecemos a criar a partir de pedras e destroços. O Disstantes é como exorcizar tudo isso, falando de tudo isso”, completa Gilber, que, aliás, divide seu tempo com o trabalho solo e bandas como BNegão e Seletores de Frequência, Mauk & Os Cadillacs Malditos e Tomba Orquestra.

Advertisement

SEGUNDA MÚSICA. Zumbi choppa é a segunda música do Disstantes – já teve Segunda onda no ano passado. Os dois dizem que adorariam apostar num disco inteiro, mas há outros elementos em jogo, como a urgência de lançar logo as novas canções e a vontade de fazer o trabalho crescer nos olhos do público, de maneira quase experimental. Além disso, outros projetos estão chegando.

“Nós continuamos com nossos trabalhos. Vou lançar coisas novas com os Djangos e Homobono. E também estou num projeto incipiente que pretende fazer pisadinha-core”, avisa Homobono. Gilber produz artistas de Niterói. “E estou concluindo um trabalho focado em cumbia psicodélica em parceria com amigos daqui e Belém do Pará. E sim, já tenho o novo som do Gilber T para lapidar e por no mundo”, conta.

Mais POP FANTASMA APRESENTA aqui.

Advertisement

Destaque

Dan Spitz: metaleiro relojoeiro

Published

on

Se você acompanha apenas superficialmente a carreira da banda de thrash metal Anthrax e sentia falta do guitarrista Dan Spitz, um dos fundadores, ele vai bem. O músico largou a banda em 1995, pouco antes do sétimo disco da banda, Stomp 442, lançado naquele ano. Voltaria depois, entre 2005 e 2007, mas entre as idas e as vindas, o guitarrista arrumou uma tarefa bem distante da música para fazer: ele se tornou relojoeiro (!).

A vida de Dan mudou bastante depois que o músico teve filhos em 1995, e começou a se questionar se queria mesmo aquela vida na estrada. “Fazíamos um álbum e fazíamos turnês por anos seguidos, e então começávamos o ciclo de novo – o tempo em casa não existia. É uma história que você vê em toda parte: tudo virou algo mundano e mais parecido com um trabalho. Eu precisava de uma pausa”, contou Spitz ao site Hodinkee.

>>> Veja também no POP FANTASMA: Rockpop: rock (do metal ao punk) na TV alemã

Na época, lembrou-se da infância, quando ficava sentado com seu avô, relojoeiro, desmontando relógios Patek Philippe, daqueles cheios de pecinhas, molas e motores. “Minha habilidade mecânica vem de minha formação não tradicional. Meu quarto parecia uma pequena estação da NASA crescendo – toneladas de coisas. Eu estava sempre construindo e desmontando coisas durante toda a minha vida. Eu sou um solucionador de problemas no que diz respeito a coisas mecânicas e eletrônicas”, recordou no tal papo.

Spitz acabou no Programa de Treinamento e Educação de Relojoeiros da Suíça, o WOSTEP, onde basicamente passou a não fazer mais nada a não ser mexer em relógios horrivelmente difíceis o dia inteiro, aprender novas técnicas e tentar alcançar os alunos mais rápidos e mais ágeis da instituição.

>>> Veja também no POP FANTASMA: Discos de 1991 #9: “Metallica”, Metallica

A música ainda estava no horizonte. Tanto que, trabalhando como relojoeiro em Genebra, pensou em largar tudo ao receber um telefonema do amigo Dave Mustaine (Megadeth) dizendo para ele esquecer aquela história e voltar para a música. Olhou para o lado e viu seu colega de bancada trabalhando num relógio super complexo e ouvindo Slayer.

Advertisement

O músico acha que existe uma correlação entre música e relojoaria. “Aprender a tocar uma guitarra de heavy metal é uma habilidade sem fim. É doloroso aprender. É isso que é legal. O mesmo para a relojoaria – é uma habilidade interminável de aprender”, conta ele. “Você tem que ser um artista para ser o melhor – seja na relojoaria ou na música. Você precisa fazer isso por amor”.

>>> POP FANTASMA PRA OUVIR: Mixtape Pop Fantasma e Pop Fantasma Documento
>>> Saiba como apoiar o POP FANTASMA aqui. O site é independente e financiado pelos leitores, e dá acesso gratuito a todos os textos e podcasts. Você define a quantia, mas sugerimos R$ 10 por mês.
Continue Reading

Cinema

Bead game: desenho animado sobre agressividade

Published

on

Bead game: desenho animado sobre agressividade

Em 1977, o diretor de cinema Ishu Patel fez o curta-metragem de animação Bead game, que foi relançado recentemente pelo National Film Board of Canada.

Para mostrar como a agressividade pode chegar a níveis inimagináveis, ele criou uma animação que usa apenas contas coloridas, que ganham a forma de vários objetos, animais, pessoas e monstros – um lado sempre tentando derrotar o outro. E quando você nem imagina que a briga pode ficar maior ainda, ela fica.

Via Laughing Squid

>>> POP FANTASMA PRA OUVIR: Mixtape Pop Fantasma e Pop Fantasma Documento
>>> Saiba como apoiar o POP FANTASMA aqui. O site é independente e financiado pelos leitores, e dá acesso gratuito a todos os textos e podcasts. Você define a quantia, mas sugerimos R$ 10 por mês.
Continue Reading

Cultura Pop

Bad Radio: no YouTube, a banda que Eddie Vedder teve antes do Pearl Jam

Published

on

Bad Radio: no YouTube, a banda que Eddie Vedder teve antes do Pearl Jam

Em 1986, surgiu uma banda de rock chamada Bad Radio, em San Diego, Califórnia. Foi um grupo que fez vários shows, ganhou fãs e se notabilizou como uma boa banda de palco da região. Mas que se notabilizou mais ainda por ter tido ninguém menos que o futuro cantor do Pearl Jam, Eddie Vedder, nos vocais.

Eddie Vedder, que é lá mesmo de San Diego, aportou por lá em 1988 e ficou até 1990. Conseguiu fazer uma mudança geral no grupo, que tinha uma sonoridade bem mais new wave com a formação anterior, com Keith Wood nos vocais, Dave George na guitarra, Dave Silva no baixo e Joey Ponchetti na bateria. Wood saiu do grupo e com Vedder, a banda passou a ter uma cara bem mais funk metal, e mais adequada aos anos 1990.

>>> Veja também no POP FANTASMA: Discos de 1991 #5: “Ten”, Pearl Jam

E essa introdução é só para avisar que jogaram no YouTube a última apresentação do Bad Radio com Vedder nos vocais. Rolou no dia 11 de fevereiro de 1990, pouco antes de Eddie se mandar para Seattle e virar o cantor de uma banda chamada Mookie Blaylock – que depois virou Pearl Jam. A gravação inclui as faixas What the funk, Answer, Crossroads, Just a book, Money, Homeless, Believe you me, What e Wast my days. O show foi dado no Bacchanal, em San Diego.

Com a saída de Vedder, o Bad Radio ainda continuou um pouco com o próprio Keith Wood, de volta, nos vocais. Segundo uma matéria publicada pela Rolling Stone (e que tem detalhes contestados pelos ex-integrantes do Bad Radio), Vedder não foi apenas cantor da banda: ele virou assessor de imprensa, empresário, produtor e o que mais aparecesse. A lgumas testemunhas dizem que a banda não era favorável ao lado ativista de Eddie (que costumava dedicar músicas e shows aos sem-teto), o que ex-integrantes do Bad Radio negam (tem mais sobre isso aqui).

Advertisement
>>> POP FANTASMA PRA OUVIR: Mixtape Pop Fantasma e Pop Fantasma Documento
>>> Saiba como apoiar o POP FANTASMA aqui. O site é independente e financiado pelos leitores, e dá acesso gratuito a todos os textos e podcasts. Você define a quantia, mas sugerimos R$ 10 por mês.
Continue Reading
Advertisement

Trending