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Cultura Pop

Várias coisas que você já sabia sobre Fun House, dos Stooges

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Várias coisas que você já sabia sobre Funhouse, dos Stooges

O produtor Don Gallucci, que cuidou das gravações de Fun house, segundo disco dos Stooges (1970), já tinha visto a banda ao vivo antes de gravar o disco. Mas só percebeu onde estava se metendo quando Iggy Pop (voz), Ron Asheton (guitarra), Dave Alexander (baixo), Scott Asheton (bateria) e Steve Mackay (sax) entraram no estúdio da Elektra, em Los Angeles, em 11 de maio de 1970.

As paredes do local (que tinha o que havia de melhor em aparelhagem de som) costumavam abrigar gravações de artistas bem mais tranquilos e técnicos. Os Stooges, no entanto, chegaram dispostos a fazer o disco mais sujo e agressivo já feito no mundo, com guitarras no talo e várias distorções. “Isso é um pesadelo!”, chegou a afirmar Gallucci, que por sinal foi tecladista dos Kingsmen, banda cuja gravação de Louie Louie é tida como quase um pré-punk (e influenciara os Stooges). Entre mortos e feridos, surgiu dali um dos discos mais barulhentos da história do rock, e que completou 50 anos em julho.

Várias coisas que você já sabia sobre Funhouse, dos Stooges

O aniversário de Fun house aumentou há pouco a discografia dos Stooges. A Rhino pôs nas lojas uma caixa comemorativa incluindo o disco original em vinil duplo, masterizado em 45 rpm, além de treze (!!) LPs com tudo o que foi gravado nas sessões.

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FUN HOUSE – 50 ANNIVERSARY

Já o selo Third Man, de Jack White, pôs nas lojas o disco Live at Goose Lake – August 8th 1970, com um dos shows mais significativos da época do lançamento do disco, dado no festival de Goose Lake (em Jackson, Michigan), onde tocaram também Jethro Tull, Chicago, Faces, Bob Seger, MC5. Uma gravação do evento foi descoberta e o disco pôde finalmente chegar às lojas (e às plataformas digitais).

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E isso aí é um pouco da história de Fun house.

LADO A/LADO B. Um sobrevoo rápido pelo conteúdo de Fun house. O primeiro lado tem Down on the street (uma das melhores aberturas de disco do mundo), segue com a sacana Loose, com TV eye (cuja letra fala do interesse de Iggy pela irmãzinha dos dois Asheton) e Dirt (que lembra vagamente Doors, mas sem teclado, com baixo e groove). No lado B, 1970 (lançada em single como I feel alright, e uma resposta a 1969, do primeiro disco), Fun house (free jazz com punk, com participação ativa de Mackay no sax) e LA blues (tentativa de reproduzir uma jam barulhenta que encerrava os shows da banda).

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VIDA SAUDÁVEL. Tudo o que está impresso nos sulcos de Fun house foi iniciado por quatro dos Stooges (Iggy, Alexander e os irmãos Asheton) quando todos decidiram morar numa casa numa região semiabandonada de Ann Arbor, Detroit. O local tinha vários quartos gigantescos, um enorme porão e um milharal (!) na parte de trás. Por acaso, os Stooges pagavam a bagatela de US$ 325 por mês para morar lá.

VIDA SAUDÁVEL (2). O dia a dia dos Stooges na casa, segundo o próprio Iggy Pop, consistia nisso. “Havia uma cozinha, sala de recreação, sala de TV, sala de ensaio, dois quartos adequados, dois apartamentos separados e um sótão e porão reformados. Seis de nós dormíamos lá, a maior parte do tempo. Havia muito consumo de drogas, boa escrita e um pouco de ensaio naquela casa que mais tarde ficou conhecida como The Fun house após o álbum”, afirmou.

CLIPE. Foi nos fundos da casa, com o milharal de cenário, que Nico gravou em 1969 o clipe da assombrosa The evening of light. Por sinal, o filme, feito pela Elektra para alavancar as vendas do disco Marble index (1968), trazia Iggy como figurante de luxo (você já leu sobre isso no POP FANTASMA). Nico teve um namoro de curta duração com Iggy e chegou a morar na Fun house na época.

PRODUTORES REJEITADOS. A Elektra chegou a considerar alguns outros nomes antes de Don Gallucci virar o produtor de verdade do disco. Meio cansados da associação com MC5 e Velvet Underground, decidiram não apostar novamente em John Cale, do Velvet, que produzira The Stooges (o primeiro disco, de 1969). Jim Peterman, tecladista de Steve Miller e produtor da Elektra, foi cotado pela gravadora. Jackson Browne, que começava carreira de cantor e compositor folk (e também tinha namorado Nico), incrivelmente, também esteve entre os nomes. Eddie Kramer, que cuidara de discos de Jimi Hendrix, também foi cogitado pelo selo. Mas a banda recusou todos.

DON. Além de ter sido tecladista dos Kingsmen, Gallucci – mais uma vez sugestão da gravadora – tinha produzido recentemente um hit para a Elektra. Era a novata banda Crabby Appleton, com Go back. A Elektra emitiu uma passagem para Gallucci assistir a um show da banda em Nova York. O produtor achou que o som dos Stooges fosse “música maquínica” e não gostou de imediato.

“GO BACK” – CRABBY APPLETON

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DEU (ER) BOM. Os Stoones gostaram do fato de Don ter tocado nos Kingsmen (Louie Louie costumava ser tocada pela banda) e já tinham visto o produtor na TV com a banda Don And The Good Times. Don, que achava o som dos Stooges incapaz de ser gravado em estúdio e já tinha avisado isso à gravadora, encarou o trabalho como obrigação profissional. Aliás, elegeu Ron Asheton como seu interlocutor na banda, por achar Iggy maluco demais.

TECLADO. Gallucci tocou órgão numa versão de Down on the street que foi sacada do LP mas acabou lançada como single.
“DOWN ON THE STREET” – SINGLE

DORGAS, MANO. Iggy seria apresentado à cocaína no decorrer do processo de Fun house – seu padrinho no pó foi ninguém menos que Danny Fields, assessor de comunicação da Elektra. Quando foi apresentado a Gallucci e começou o disco com os Stooges, seu negócio era ácido em grandes quantidades. Por sinal, a dificuldade de se comunicar com o produtor vinha do excesso de LSD. Mais tarde, com Fun house já nas lojas, a heroína viraria a droga da vida de Iggy. Que viraria até traficante para sustentar o vício.

COMANDANTE. Quase todo mundo que conversou com Iggy na época de Fun house lembra que boa parte do disco vinha de criações do vocalista, que parecia ter todo o disco na cabeça. O cantor lembra que Ron, guitarrista, não estava sendo tão prolífico porque tinha arrumado uma namorada.

“Eu escreveria um número que achasse que o grupo tocaria bem, traria do meu quarto no sótão e tentaria ensaiar. Uma vez que estivesse sólido, tocaríamos em nossos shows no fim de semana”, lembra Iggy.

MANUAL NO LIXO. Vendo que não dava para gravar os Stooges de forma convencional, Gallucci decidiu tratar Fun house de maneira diferente. E embarcou, a seu modo, na loucura da banda. Botou todos para tocar ao vivo, pôs um microfone na mão de Iggy (em vez do procedimento normal de estúdio) e um PA para o grupo se ouvir.

ENGENHEIRO DE SOM. Brian Ross-Myring, técnico de som do disco, vinha da velha-guarda dos estúdios americanos. E já tinha meia idade quando Fun house começou a ser feito. Fontes garantem que seu último trabalho antes do disco dos Stooges foi com Barbra Streisand. Fuçando rapidamente no Discogs, não se acha o nome dele relacionado a nenhum disco da cantora. Ross-Myring foi fundamental para não deixar a turma perder totalmente a linha no estúdio. “Uma guitarra deve soar como uma guitarra e um sax como um sax. Brian conseguiu isso e também aumentou o calor que buscávamos”, recordou Gallucci.

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SAX PUNK. A história de como Steve Mackay entrou (embora não totalmente) para a turma dos Stooges é pitoresca. Ele trabalhava na mesma loja de discos na qual Iggy havia trabalhado anos antes, a Discount, e era amigo do cantor. Foi chamado em cima do laço para viajar para a Califórnia e se juntar à equipe.

“Quando cheguei lá, era óbvio que ele tinha um plano. Me pedia: ‘Toque algo como Maceo Parker no ácido!’. Daí, elaboramos Funhouse e 1970. Eu fiz alguns shows com eles e me apaixonei pelo resto das músicas também”, recordou Mackay, que morreu em 2015.

DESPEDIDO. Mackay, apesar de listado na contracapa como integrante da banda, não aparece nas fotos do disco. Ele foi demitido da banda alguns meses após os primeiros shows de Fun house. Até morrer, afirmava que o pé na bunda tinha sido a melhor coisa que lhe aconteceu, graças aos problemas que os Stooges passariam a enfrentar. “Eu até recuperei meu emprego na loja de discos”, conta.

DROGAS E ORGIA. Na Califórnia, durante a gravação de Fun house, a banda fez shows no Whiskey A Go-Go, em San Francisco. Iggy se entupiu de drogas, foi parar numa orgia gay do grupo de teatro Les Cockettes, se envolveu com prostitutas (uma delas de 14 – ! – anos) e se aproveitou da amizade com Augustus Owsley Stanley III, guru americano do LSD, para passar o tempo todo viajando. De volta a Los Angeles, a banda sentou praça no Tropicana Motel, em West Hollywood, e vivia em festas com as mais variadas groupies. Andy Warhol, que vivia ali pelo hotel, tentou se aproximar da banda, mas não fez sucesso.

VENDAS. Fun house conseguiu vender mais que o primeiro disco, mas não balançou os cofres da Elektra e os Stooges não passariam muito tempo mais lá.

GOOSE LAKE. Os Stooges estavam entre os artistas que tocariam nesse festival. O show acabou rolando de forma bastante problemática, com Iggy apagando no palco por causa do excesso de drogas, e Alexander travando por causa de uma quantidade surreal de maconha e bebida. Iggy demitiu o baixista imediatamente alegando que ele não tocara nada no show. A gravação lançada agora pelo Third Man revela que, sim, Alexander tocou.

“1970 (I FEEL ALRIGHT)”

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E NO BRASIL? Fun house não foi lançado aqui de imediato. Chegou às lojas brasileiras apenas em 1982, numa edição da Warner nacional.

MACKAY. O saxofonista de Fun house morreu de verdade em 2015. Mas boatos sobre uma suposta “morte” sua já circulavam havia tempos. Biografias dos Stooges publicadas em sites grandes afirmavam que ele havia morrido de overdose nos anos 1970 ou de aids. Enfim, em 1999, Steve começou a fazer gravações solo e as notícias falsas foram desmentidas. Depois trabalhou com os Violent Femmes e até com os próprios Stooges.

MAIS BRASIL. A formação com Mackay tocou no Brasil,em 2005, no festival Claro Q É Rock. Mike Watt estava no baixo.

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E já que você chegou até aqui, pega aí uma música que sampleou a introdução de Loose, do Fun house. Nada menos que Manguetown, de Chico Science & Nação Zumbi. Presta atenção no começo de uma e no fim de outra.

Com informações de Mixonline, Punk Globe, Poeira Zine e do próprio Iggy Pop. E do livro Open up and bleed, a vida e a música de Iggy Pop, de Paul Trynka.

Veja também no POP FANTASMA:
– Demos o mesmo tratamento a Physical graffiti (Led Zeppelin), a Substance (New Order), ao primeiro disco do Black Sabbath, a End of the century (Ramones), ao rooftop concert, dos Beatles, e a London calling (Clash).
– Demos uma mentidinha e oferecemos “coisas que você não sabe” ao falar de Rocket to Russia (Ramones) e Trompe le monde (Pixies).

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Cultura Pop

Chico & Caetano de volta na Globoplay

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Chico & Caetano de volta na Globoplay

A entrada de Chico & Caetano na Globoplay traz de volta um momento (er) diferente na cultura pop nacional oitentista. Todo mundo quando lembra da década, pensa primeiro no rock nacional, no Rock In Rio, etc. Dessa vez, estavam lá na telinha da TV (em pleno ano de 1986) dois grandes nomes de um estilo musical que não era bem a cara dos anos 1980, apresentando ao vivo (não era gravação, não!) artistas de música brasileira, rock nacional (Rita Lee, Legião Urbana, Paralamas do Sucesso e RPM foram lá) e música latina (Mercedes Sosa e Pablo Milanés estiveram no palco do antigo Teatro Fênix).

O primeiro programa, se você não assina a Globoplay, está inteiro no YouTube. A atração abre com clima de convescote global (com vários atores e cantores chegando para assistir e/ou participar) e com as carteirinhas funcionais dos dois compositores/apresentadores. Entre os destaques, tem um raro momento em que Caetano aparece empunhando uma guitarra, numa versão axé-ambient de Milagres do povo.

As relações de Caetano Veloso com a Globo tinham sido relativamente tranquilas durante os anos 1970 e 1980 – com o baiano aparecendo constantemente nos programa da casa, mas criticando a emissora (e todas as outras) quando era necessário. Já Chico Buarque, mesmo ocasionalmente surgindo em trilhas de novelas, tinha ficado de fora da emissora por vários anos.

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Anos depois, num artigo para o próprio jornal O Globo, afirmou que “nos anos 70 a TV Globo me proibiu. Foi além da Censura, proibiu por conta própria imagens minhas e qualquer menção ao meu nome”. O retorno de Chico à emissora foi gradual, incluindo especiais de TV, gravações pela Som Livre (gravadora da emissora), clipes no Fantástico (alguns vazaram até para o horário “jovem” da emissora, no Clip clip) e, finalmente, Chico & Caetano, que durou de 25 de abril a 26 de dezembro de 1986, em poucas edições.

O fato de Caetano, bem mais desinibido, ter aceitado participar, contribuiu para o “sim” de Chico – que já havia tentado ser apresentador de TV nos anos 1960 ao lado de Nara Leão, sem sucesso. Mas Chico e Caetano, vale dizer, eram dois talentos que foram lançados ao grande público pela televisão (via festivais da Record), e já haviam gravado um disco juntos (Chico e Caetano juntos e ao vivo, de 1972). Apresentarem um programa juntos era a combinação mais natural do mundo. Daniel Filho, o diretor, queixava-se por sinal da ausência de Chico na série Grandes Nomes, de musicais televisivos, feita pela Globo poucos anos antes.

“Mas tudo mudou: saiu Figueiredo, entrou Sarney”, revelava ao Jornal do Brasil em 17 de março de 1986. A ideia de levar astros da música latino-americana, mais do que meramente musical, era política. “Temos uma grande preocupação com o terceiro mundo. Procuramos trazer a música de povos machucados como nós”, contou o diretor Roberto Talma a O Globo em 20 de abril de 1986. O roteiro do programa era de Nelson Motta.

Apesar do programa ser um bom mostruário de MPB (incluindo a participação de Elza Soares, que retornava com um disco pela Som Livre e uma participação em Língua, sucesso de Caetano, após um período de sumiço), muita gente reclamou da ausência de alguns nomes. Thomas Pappon entrevistou Chico para a Bizz em abril de 1988 e aproveitou para dizer que não tinha visto Luiz Melodia por lá.

“Ele não foi, mas se você for contar todas as pessoas que não foram convidadas veria que não cabiam em nove programas”, disse Chico, revelando que a ideia era só fazer poucos programas mesmo – e que nem teria como produzir mais do que isso, porque era a atração mais cara da Globo naquele momento. O cantor de Juventude transviada não foi o único ausente. O MPB 4 não foi convidado e, por causa disso, teria rolado uma mágoa com Chico, revelada no livro sobre o cantor da série Perfis do Rio, de Regina Zappa. Tim Maia foi ensaiar, não foi à transmissão e a emissora mandou as imagens do ensaio para o ar. O Camisa de Vênus foi convidado para encerrar o programa com o hit Só o fim, e recusou o convite.

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Chico & Caetano fez sucesso, mas saiu bem na época em que a Rede Manchete prosseguia no objetivo de aporrinhar a Globo – após a encrenca do Carnaval 1986, quando a emissora dos Bloch conseguiu transmitir a festa com exclusividade, a novela Dona Beija roubou parte da audiência do programa. E sim, teve ainda um caso interessante ligado a Chico & Caetano que foi a tal música Merda, composta por Caetano para a atração. A canção saiu no disco que a Som Livre lançou com os melhores momentos do programa (interpretada por Chico, Caetano, Rita Lee e Luiz Caldas), mas foi proibida para exibição na TV pelo diretor de censura, Coriolano Fernandes, alegando que “se liberar pra Globo, o pessoal abusa”. Enfim, merda mesmo era a censura.

De passar para a história do pop nacional, tiveram as reações de Chico (um olhar de “quando é que isso acaba?”) e de Caetano (o “adorei aquilo!” do baiano) à apresentação da Legião Urbana no programa.

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Cultura Pop

Billy Idol: descubra agora!

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Billy Idol: descubra agora!

Peraí: alguém precisa mesmo descobrir Billy Idol? Bom, nem tanto: o astro punk fez bastante sucesso nos anos 1980 como cantor solo (e já vinha de uma carreira bem bacana com a banda Generation X), vendeu milhares de discos em sua carreira e recentemente dividiu o palco com Miley Cyrus na 55ª edição do Super Bowl. E acaba de lançar um EP, The roadside. O repertório do disco foi inspirado no acidente de moto que quase lhe custou uma perna em 1990 – e que acabou por quase deixar o cantor fora do elenco de The Doors, filme de Oliver Stone (seu papel, que era para ser o de um parça de Jim Morrison, foi reduzido a bem menos espaço).

Enfim: tivemos uma semana de redescobertas na obra de Billy Idol, a partir do novo EP, e decidimos dividir algumas canções com os leitores do site. Pega aí.

“YOUR GENERATION” (single do Generation  X, de 1977). Formado de uma defecção da banda punk Chelsea (a formação inteira deixou o líder Gene October sozinho no grupo), o Generation X estourou rapidamente: foi contratado pela Chrysalis, ofendido por Elton John (que chamou o som do grupo de “lixo horrível”) e lançou o single Your generation no programa de curta duração que Marc Bolan teve na TV britânica. Marc era ídolo de Idol (opa), que se lembrou por vários anos de ter ido a um festival de rock em que Bolan, em começo de carreira, estava se apresentando e foi vaiado. “Ele disse à plateia: ‘Por que vocês não vão se f…?’”, contou em 1986.

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“READY STEADY GO” (single do Generation X, 1978). Faixa de lançamento do LP de estreia da banda, epônimo. Era uma referência real oficial ao clássico programa musical da TV inglesa – há um verso que fala em “ready steady Who”, lembrando que o The Who era um dos principais atos da atração, e Billy diz na letra que não quer saber de programas como Juke box jury (game show de artistas da BBC) porque “ama Cathy McGowan” (apresentadora do Ready steady go!). Entre o lançamento do single e o do álbum, Idol, durante um show em Derby, foi socado com tanta violência por um Hell’s Angel presente na plateia, que voou pelo palco e foi parar na bateria.

“DANCING WITH MYSELF” (single do Gen X, 1980). Com o nome mudado para o  apelido Gen X, o Generation X lançou esse último single em 1980, inspirado pela visão de pessoas dançando “com as paredes” em discotecas em Tóquio. Não fez sucesso com a banda, mas Idol, já solo, pediu ao produtor Keith Forset para remixar e retrabalhar a faixa – que, aí sim, fez sucesso nos EUA e ganhou as paradas.

“WHITE WEDDING” (do disco Billy Idol, de 1982). Terceiro hit de Idol (ainda teve Hot in the city como single do primeiro álbum), foi lançado com um baita clipe, com participação da então namorada do cantor, Perri Lister – que se cortou e sangrou de verdade numa das cenas, usando uma aliança de casamento feita de arame farpado. O clipe trazia um casamento em tons góticos e chocou por causa de uma cena em que os convidados faziam uma saudação nazista aos noivos (o diretor David Mallet nega que seja uma saudação e alega que os figurantes estavam apenas esticando suas mãos).

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“REBEL YELL” (do disco Rebel yell, de 1983). Inspirada por uma marca de uísque de mesmo nome (?), virou a canção mais popular de Billy – até hoje, nas plataformas digitais. Também foi bastante parodiada, inclusive num quadro da Vila Sésamo, com direito a um sósia de Billy Idol em estilo muppet. A ideia original era que a música fosse uma espécie de rock eletrônico, com guitarra, teclado e bateria eletrônica. Thommy Price, baterista de estúdio, acrescent0u o instrumento depois.

“EYES WITHOUT A FACE” (do disco Rebel yell, de 1983). Inspirado por um filme de terror francês de 1960 chamado Les yeux sans visage (o nome é repetido no refrão),  Billy fez essa letra que, aparentemente, não combina coisa com coisa – mas que, segundo ele, falava da roda viva de drogas, tietes animadinhas e festas de arromba que ele vivia em Nova York. “Pode ser que eu estivesse refletindo sobre minhas infidelidades nas turnês. Isso pode deixar você se sentindo sem nenhuma alma, especialmente se você está num relacionamento”, disse na biografia Dancing with myself.

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“SWEET SIXTEEN” (do disco Whiplash smile, de 1986). Billy Idol compôs essa música inspirado por um episódio do programa In search of… – exibido na TV americana a partir de 1977 e apresentado por ninguém menos que o ator Leonard Nimoy – que falava sobre a construção do Castelo de Coral, na Flórida. O castelo tinha sido construído por um imigrante letão, Edward Leedskalnin, abandonado pela futura esposa – que ele chamava de “my sweet sixteen”. A música ganhou dois clipes, um deles, colorido, filmado nas cercanias do castelo. Whiplash smile, feito após algumas crises criativas de Idol (que se desesperava por causa da duração extensa de algumas músicas), acabou virando sucesso.

“CRADLE OF LOVE” (do disco Charmed life, de 1990). Rolaram algumas mudanças nesse quarto disco de Billy, que não contava com Steve Stevens na guitarra. O texano Mark Younger-Smith tocou o instrumento e dividiu parcerias. Quatro baixistas (entre eles o próprio Mark) participaram do álbum. Charmed life (que é mais conhecido pela versão de LA woman, dos Doors) foi gravado em meio a uma vida cada vez mais decadente, repleta de drogas, problemas pessoais e auto-abandono, com Billy cada vez mais distante dos dois filhos pequenos. “Conforme eles cresciam, eu via que a coisa que eles menos queriam era um pai drogado, alcoólatra e viciado em sexo”, disse.

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“SHOCK TO THE SYSTEM” (do disco Cyberpunk, de 1993). Um dia, nos anos 1990, Billy acordou e viu que se tivesse que mostrar ao mundo o que era punk naqueles tempos, deveria começar pela tecnologia. “Sou um punk de 1977 vendo Courtney Love falando sobre punk, Kurt Cobain falando sobre punk, e essa é minha resposta”, disse ao New York Times. Cyberpunk surgiu numa época em que Billy, cheio de pinos na perna após um malfadado acidente de moto, estava lendo livros de autores como William Gibson e pesquisando tudo a respeito de ciborgues, tecnologia e ficção cyberpunk. O álbum é experiência um tanto quanto chata, mas rendeu esse single legal. Para Billy, Cyberpunk representou uma ruína pessoal: o disco foi tão mal recebido que ele se sentiu humilhado, e decidiu sumir.

“YELLIN’ AT THE CHRISTMAS TREE” (do álbum Devil’s playground, de 2005). Após vários anos sumido do mundo da música, com poucos shows e poucas aparições em público, Billy voltou com um novo parceiro (o baterista Brian Tichy) e trouxe Steve Stevens de volta como guitarrista, além de Keith Forsey como produtor.  Seu (bom) sexto disco desde 1982 rendeu críticas mistas e trazia uma sonoridade mais próxima do pop punk, e das canções dos primeiros álbuns. Billy recebeu até um Ramones rápido num dos singles do álbum.

“EYES WIDE SHUT” (do disco Kings & queens of the underground, de 2014). Em seu oitavo disco (antes desse, o cantor lançou um curioso disco de canções natalinas, Happy holidays, em 2006), Idol dividiu parcerias com Steve e com outro guitarrista, Billy Morrison. Boa parte do álbum soava como uma boa volta ao passado (opa, a faixa-título é um curioso interlúdio folk-psicodélico), e as letras eram quase autobiográficas. Se não ouviu na época, pode ouvir hoje sem susto. Comece por esta balada.

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“BITTER TASTE” (do EP The roadside, 2021). As lembranças de quase ter perdido a vida numa estrada voltaram à mente de Idol e ele lançou esse novo EP. O cantor volta mais reflexivo, e numa entrevista à Rolling Stone, explicou que nasceu de novo após aquilo. “Deixei para trás o jovem irreverente Billy e abri a porta para um pai mais atencioso e um músico mais sensível”, disse.

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No podcast do POP FANTASMA, Stranglers!

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Nada pode parar os Stranglers e impedir uma das maiores bandas da história do rock britânico de fazer bonito – e tem disco novo deles rolando nas plataformas, Dark matters. Recentemente, a covid levou o tecladista do grupo, Dave Greenfield, um desses músicos que estavam sempre algumas jogadas à frente no tabuleiro. O Stranglers, que vinha ficando acostumado a mudanças na formação desde a saída do vocalista Hugh Cornwell, em 1990, hoje é um trio comandado pelo baixista e vocalista Jean Jacques Burnel, o único a permanecer na banda desde o comecinho.

Na nona edição do Pop Fantasma Documento, nosso podcast, lembramos a carreira dos Stranglers, um pouco das histórias de discos clássicos como No more heroes (1977), Black and white (1978) e La folie (1981) e falamos um pouco das novidades da banda. Ah, cansamos um pouco de falar para as paredes e dessa vez tem convidado: o músico, produtor e jornalista André Mansur ajuda a falar da história da banda e do impacto dos Stranglers no rock brasileiro (sim, teve!).

O Pop Fantasma Documento é o podcast semanal do site Pop Fantasma. Episódios novos todas as sextas-feiras. Roteiro, apresentação, edição, produção: Ricardo Schott. Músicas do BG tiradas do disco Jurassic rock, de Leandro Souto Maior. Estamos no SpotifyDeezerCastbox Mixcloud: escute, siga e compartilhe!

Apoia a gente aí: catarse.me/popfantasma

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Mais Stranglers no POP FANTASMA aqui.

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