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Cultura Pop

“Poor devil”: a sitcom satanista de Sammy Davis Jr.

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"Poor devil": a sitcom satanista de Sammy Davis Jr.

Para quem via televisão lá pelos anos 1970, Poor devil, sitcom demoníaca protagonizada por Sammy Davis Jr, não é algo tão estranho assim, não. O filme, exibido no dia dos namorados de 1973 pela emissora americana NBC, passou algumas vezes na TV daqui com o nome de Pobre diabo e possivelmente o subtexto do filme passou despercebido para muita gente.

Para começar porque Sammy, cristão por nascimento e judeu por conversão, não escolheu uma ida ao inferno à toa. O ator realmente tinha ficado amigo de Anton LaVey, o criador da igreja de Satã, em 1968, após conhecê-lo numa festa-ritual numa boate. Sammy passou a frequentar as festas e orgias da turma de LaVey, e tornou-se simpatizante do satanismo.

Nos anos 1970, Sammy (que, vale dizer, era desde sempre uma grande força na luta contra o racismo em Hollywood) acrescentou mais uma ~travessura~ a seu currículo. Ficou amigo da estrela pornô do momento, Linda Lovelace, do sucesso Garganta profunda. Acabou tendo um caso com ela – a relação, numa determinada noite em que estava todo mundo mais alegrinho, acabou incluindo o marido da atriz, o cineasta Chuck Traynor. Linda descreveu toda a cena em sua autobiografia, Ordeal (1980), numa história que lembra mais as “orgias cênicas” dirigidas pelo psicopata Charles Manson com sua família de malucos.

Foi nessa onda que apareceu Poor devil, comédia diabólica estrelada por Sammy e que, apesar de não ter sido dirigida nem roteirizada por ele, se relacionava bastante com essa fase “gente aberta” do ator. O filme, feito para TV, teve bastante audiência e foi lançado em contexto apropriado, já que havia muita gente interessada em filmes de terror (1973 também foi o ano de O exorcista) e em experiências meio esquisitas.

Na história, Sammy faz um funcionário do inferno, que ganha a chance de subir na empresa. Só que para isso, ele precisa comprar a alma de um contador de São Francisco, Burnett J. Emerson (Jack Klugman). O personagem de Sammy, curiosamente, se chama “Sammy” mesmo. E o patrão, Lucifer, é interpretado por ninguém menos que Christopher Lee. Por acaso, Poor devil apresentou, talvez pela primeira vez numa comédia de TV, gente fazendo o sinal dos chifrinhos com as mãos, e gente usando colares com pentagrama invertido.

O sucesso do filme – dizem – chegou aos ouvidos do próprio LaVey. Michael Aquino, colaborador do chefe da igreja de Satã, escreveu uma carta para o líder falando sobre a série e dizendo que “aquilo era uma grande propaganda para a igreja”. Sammy ganhou um convite para ser um dos membros da igreja em definitivo e recebeu até LaVey num show na Bay Area. Anos depois, Sammy disse em entrevistas que essas experiências fizeram parte de uma fase experimental que ele teve na vida, e que passou.

Mesmo com a audiência, Poor devil não deu tão certo assim. A ideia original de Sammy e seus colaboradores era que a sitcom virasse uma série de TV, mas a NBC achou o conteúdo afrontoso demais e ficou com medo de uma revolta de espectadores religiosos. O filme já reapareceu em VHS e DVD no mercado pirata e virou uma recordação da fase anos 1970 de Sammy. Que mesmo afastado de LaVey e sua turma, afirmou nos anos 1980 que ainda mantinha amigos na igreja.

E tá aí o filme.

Via Vice

Cultura Pop

George Harrison em 2001: “O que é Eminem?”

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George Harrison (Reprodução YouTube)

RESUMO: Em 2001, George Harrison participou de chats no Yahoo e MSN para divulgar All Things Must Pass; com humor, respondeu fãs poucos meses antes de morrer – e desdenhou Eminem (rs)

Texto: Ricardo Schott – Foto: Reprodução YouTube

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“Que Deus abençoe a todos vocês. Não se esqueçam de fazer suas orações esta noite. Sejam boas almas. Muito amor! George!”. Essa recomendação foi feita por ninguém menos que o beatle George Harrison no dia 15 de fevereiro de 2001 – há 25 anos e alguns dias, portanto – ao participar de dois emocionantes chats (pelo Yahoo e pelo MSN).

O tal bate-papo, além de hoje em dia ser importante pelos motivos mais tristes (George morreria naquele mesmo ano, em 29 de novembro), foi uma raridade causada pelo relançamento remasterizado de seu álbum triplo All things must pass (1970), em janeiro de 2001. George estava cuidando pessoalmente da remasterização de todo seu catálogo e o disco, com capa colorida e fotos reimaginadas, além de um kit de imprensa eletrônico (novidade na época), era o carro-chefe de toda a história. O lançamento de um site do cantor, o allthingsmustpass.com, também era a parada do momento (hoje o endereço aponta para o georgeharrison.com).

Os dois bate-papos tiveram momentos, digamos assim, inesquecíveis. No do Yahoo, George fez questão de dizer que era sua primeira vez num computador: “Sou praticamente analfabeto 🙂 “, escreveu, com emoji e tudo. Ainda assim, um fã meio distraído quis saber se ele surfava muito na internet. “Não, eu nunca surfo. Não tenho a senha”, disse o paciente beatle. Um fã mais brincalhão quis saber das influências dos Rutles, banda-paródia dos Beatles que teve apoio do próprio Harrison, no som dele (“tirei todas as minhas influências deles!”) e outro perguntou sobre a indicação de Bob Dylan ao Oscar (sua Things have changed fazia parte da trilha de Garotos incríveis, de Curtis Hanson). “Acho que ele deveria ganhar TODOS os Oscars, todos os Tonys, todos os Grammys”, exultou.

A conta do Instagram @diariobeatle deu uma resumida no chat do Yahoo e lembrou que George contou sobre a origem dos gnomos da capa de All things must pass, além de associá-los a um certo quarteto de Liverpool. “Originalmente, quando tiramos a foto eu tinha esses gnomos bávaros antigos, que eu pensei em colocar ali tipo… John, Paul, George e Ringo”, disse. “Gnomos são muito populares na Europa. E esses gnomos foram feitos por volta de 1860”.

A ironia estava em alta: George tambem disse que se começasse um movimento como o Live Aid ajudaria… Bob Geldof (!)., o criador do evento. Perguntado sobre se Paul McCartney ainda o irritava, contemporizou: “Não examine um amigo com uma lupa microscópica: você conhece seus defeitos. Então deixe suas fraquezas passarem. Provérbio vitoriano antigo”, disse. “Tenho certeza de que há coisas suficientes em mim que o irritam, mas acho que já crescemos o suficiente para perceber que nós dois somos muito fofos!”. Um / uma fã perguntou sobre o que ele achava da nominação de Eminem para o Grammy. “O que é Eminem?”, perguntou. “É uma marca de chocolates ou algo assim?”.

Bom, no papo do MSN um fã abusou da ingenuidade e perguntou se o próprio George era o webmaster de si próprio. “Eu não sou técnico. Mas conversei com o pessoal da Radical Media. Eles vieram à minha casa e instalaram os computadores. Os técnicos fizeram tudo e eu fiquei pensando em ideias. Eu não tinha noção do que era um site e ainda não entendo o conceito. Eu queria ver pessoas pequenas se cutucando com gravetos, tipo no Monty Python”, disse.

Pra ler tudo e matar as saudades do beatle (cuja saída de cena também faz 25 anos em 2026), só ir aqui.

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Cultura Pop

No nosso podcast, os erros e acertos dos Foo Fighters

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Você pensava que o Pop Fantasma Documento, nosso podcast, não ia mais voltar? Olha ele aqui de novo, por três edições especiais no fim de 2025 – e ano que vem estamos de volta de vez. No terceiro e último episódio, o papo é o começo dos Foo Fighters, e o pedaço de história que vai de Foo Fighters (1995, o primeiro disco) até There’s nothing left to lose (o terceirão, de 1999), esticando um pouco até a chegada de Dave Grohl e seus cometas no ano 2000.

Uma história e tanto: você vai conferir a metamorfose de Grohl – de baterista do Nirvana a rockstar e líder de banda -, o entra e sai de integrantes, os grandes acertos e as monumentais cagadas cometidas por uma das maiores bandas da história do rock. Bora conferir mais essa?

Edição, roteiro, narração, pesquisa: Ricardo Schott. Identidade visual: Aline Haluch (foto: encarte do álbum Foo Fighters). Trilha sonora: Leandro Souto Maior. Vinheta de abertura: Renato Vilarouca. Estamos aqui de quinze em quinze dias, às sextas! Apoie a gente em apoia.se/popfantasma.

(a parte do FF no ano 2000 foi feita com base na pesquisa feita pelo jornalista Renan Guerra, e publicada originalmente por ele neste link)

Ouça a gente preferencialmente no Castbox. Mas estamos também no Mixcloud, no Deezer e no Spotify.

Mais Pop Fantasma Documento aqui.

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Cultura Pop

No nosso podcast, Alanis Morissette da pré-história a “Jagged little pill”

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No nosso podcast, Alanis Morissette da pré-história a "Jagged little pill"

Você pensava que o Pop Fantasma Documento, nosso podcast, não ia mais voltar? Olha ele aqui de novo, por três edições especiais no fim de 2025 – e ano que vem estamos de volta de vez. No segundo e penúltimo episódio desse ano, o papo é um dos maiores sucessos dos anos 1990. Sucesso, aliás, é pouco: há uns 30 anos, pra onde quer que você fosse, jamais escaparia de Alanis Morissette e do seu extremamente popular terceiro disco, Jagged little pill (1995).

Peraí, “terceiro” disco? Sim, porque Jagged era só o segundo ato da carreira de Alanis Morissette. E ainda havia uma pré-história dela, em seu país de origem, o Canadá – em que ela fazia um som beeeem diferente do que a consagrou. Bora conferir essa história?

Edição, roteiro, narração, pesquisa: Ricardo Schott. Identidade visual: Aline Haluch (foto: Capa de Jagged little pill). Trilha sonora: Leandro Souto Maior. Vinheta de abertura: Renato Vilarouca. Estamos aqui de quinze em quinze dias, às sextas! Apoie a gente em apoia.se/popfantasma.

Ouça a gente preferencialmente no Castbox. Mas estamos também no Mixcloud, no Deezer e no Spotify.

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