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Ouvimos: S.E.I.S.M.I.C, “S.E.I.S.M.I.C.”

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Ouvimos: S.E.I.S.M.I.C, “S.E.I.S.M.I.C.”

Vai procurar informações sobre o S.E.I.S.M.I.C por aí? Boa sorte porque é complicado. O grupo de rock espacial vem de Christchurch, Nova Zelândia, faz uma boa mistura de psicodelia e stoner rock, mas prefere definir seu trabalho como “psych fuzz rock direto do planeta Marte”. O álbum epônimo de estreia do grupo, lançado em 23 de maio (e descoberto por acaso pelo Pop Fantasma no Bandcamp) já vinha sendo anunciado desde 2023 com vários singles e lembra um encontro entre Black Sabbath, Kyuss, MC5 e Hawkwind.

As músicas de S.E.I.S.M.I.C., o disco, são curtas (pelo menos mais curtas do que se esperaria no caso de uma banda “espacial”, já que têm cerca de três, quatro minutos). Os vocais, curtos e diretos, têm certa afiliação robótica – como se fossem realmente seres de outro planeta falando sobre suas experiências. Sintetizadores e guitarras com bastante distorção tomam a linha de frente.

Pelo menos uma faixa do disco, Moai masters (referência às cabeças enormes da Ilha de Páscoa, no Chile), tem forte filiação sessentista, com percussão na abertura e andamento lembrando Jimi Hendrix Experience e Kinks – ainda que rajadas de teclados lembrando sons de videogame invadam a música lá pela metade. Boa parte dos hinos do grupo, como Interplanetary colonization, Abduction e Solar gremlin soam como algo perdido entre os anos 1960 e 1970, entre a psicodelia e o pré-punk. O mesmo rola na viajante Martian transmission 1, na meditativa e pesada Sunn god, e no metal-progressivo lascado de Eye of Ra (que encerra com lembranças do final de N.I.B, do Black Sabbath).

Nota: 8
Gravadora: Independente

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Ouvimos: Westside Cowboy – “It goes on”

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Resenha: Westside Cowboy – “It goes on”

RESENHA: No primeiro álbum, It goes on, o Westside Cowboy equilibra country, pós-punk e indie rock, aproximando The Cure, Pixies e The Fall sem abrir mão de uma identidade própria.

Texto: Ricardo Schott

Nota: 8,5
Gravadora: Island
Lançamento: 21 de agosto de 2026

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Com EPs bem experimentais que apontam para uma mescla de country e pós-punk bem bacana (leia aqui e aqui), a banda britânica Westside Cowboy estreia em álbum com It goes on e parece ter equilibrado as coisas mais para o segundo lado – sem que o primeiro seja esquecido. Na real, chegou a uma noção de indie rock em que a faceta contemplativa da banda convive mais ainda com referências de The Cure, Pixies, Strokes e grupos afins.

Essas três referências convivem em faixas como Kick stones (The boys), Paperchains, Well done kid, you did it, o blues-rock Dobro – todas elas buscando uma nova saída para a união punk + country e ainda por cima revelando o que havia de mais “tradicionalista” na música desses grupos. Em algumas faixas, há um “suingue” que não é exatamente funkeado – parece algo bem maquínico e rápido, que pode levar o público mais a pular do que a dançar, e que talvez lembre o The Fall. E sons como Worried age parecem levar contemplação noturna à sonoridade do começo do The Cure.

Se a lentinha Big wheels tem algo de Pixies, o rockão Pin up boys mostra que o Westside Cowboy já criou uma cara própria – que deveria explorar mais, para soar “clássico” e indie ao mesmo tempo. Lembra o David Bowie de The man who sold the world (1970), algo do grunge e até certas coisas da era baggy. O lado baladeiro rende belezas como Patchwork e o country rascunhado de Take my leaving as I love you – que parece com alguém gravando enquanto compõe a música, uma canção de despedida.

You could have died there on the dancefloor, uma das melhores faixas da história do grupo, encerra It goes on com a ideia de ser a faceta Velvet Underground do Westside Cowboy – ou pelo menos uma demosnstração de como eles assimilam as influências do Velvet. Tem quem ande comparando também com Horsegirl, e faz todo sentido. Na real, é uma música em que a banda assume que é o que é, e tá tudo bem, e é “sobre isso”. O Westside Cowboy conseguiu se tornar uma banda bastante discutida sendo exatamente aquilo que sempre quis ser. Deve haver alguma lição nisso.

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Ouvimos: Red Recluse – “Orange”

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Resenha: Red Recluse - "Orange"

RESENHA: O misterioso Red Recluse lança Orange, disco que mistura punk, Stooges, stoner, country-punk e hard rock setentista em uma coleção de faixas sujas e perigosas.

Texto: Ricardo Schott

Nota: 8,5
Gravadora: Transient Industries
Lançamento: 4 de julho de 2026

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Mais underground que o próprio underground, o Red Recluse se define como “uma espécie de gravação de campo com um elenco global de convidados: correm rumores de que ex-integrantes do Drunks With Guns, Thee Hypnotics e Drones (de Melbourne) estão entre os participantes”. A banda é criação de um sujeito chamado Red Graves, que trabalha ao lado de colaboradores.

O projeto tem dois discos, White (de 2023, com capa branca) e este Orange – o som é basicamente punk sob uma perspectiva rocker, que se assemelha a Stooges, Iggy Pop, bandas de stoner rock, algo de rock pauleira, vibes de country-punk e coisas do tipo. Uma união que rende clássicos da leseira gelada como Knock it off, o country-jazz-punk de Billy Bad Ass, o true crime de Skin walker. Além da pauleira anti-militarista Lick my boots, do som marcial de Red Recluse stomp, e do mistério pós-punk-metal de The elegy of hop head.

Funcionando como uma marca registrada da banda, as músicas têm efeitos sonoros e riffs de baixo distorcido, além de um clima de perigo herdado do hard rock dos anos 1970. Por acaso, olha só que banda eles escolheram pra fazer uma cover: The Sensational Alex Harvey Band tem sua Midnight Moses relida pelo Red Recluse, com a participação de amigos como James McCann (James McCann and Selfish Gene, Death Groupie) e Stuart Gray (Art Gray Noizz Quintet).

Na segunda metade de Orange, uma vibe bem mais próxima do desert rock passa por músicas como Black daisy e a percussiva e hendrixiana Circe, além da noturna e blueseira Let’s build an ark. Encerrando, algo entre Iggy Pop e The Cars, em All atomic blonde.

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Ouvimos: DJ Dengue – “dnb”

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Resenha: DJ Dengue – “dnb”

RESENHA: No álbum dnb, DJ Dengue transforma metrô, barcas, trânsito e volta para casa em paisagens sonoras que cruzam jungle, breakbeat, drum’n bass e ambient.

Texto: Ricardo Schott

Nota: 8,5
Gravadora: Independente
Lançamento: 18 de agosto de 2026

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“Um mosquito fazendo barulho desde 2014”, diz o Instagram de DJ Dengue, que vem de Maricá (RJ), e une no álbum dnb estileiras como jungle, ambient, breakbeat e drum’n bass num clima de trilha sonora para o dia a dia. Ruídos de metrô, barcas, pessoas passando na rua… Tudo isso ganha um tom dramático, diferente, como numa música feita para acompanhar pensamentos a caminho do trabalho ou de casa.

A faixa Terceiro espaço leva o / a ouvinte à estação do metrô Praça da Bandeira (perto da Tijuca, na Zona Norte do Rio), em clima de breakbeat melancólico. Guitarras dedilhadas e circulares ganham espaço na fantasmagórica Barcas, assim como a mistura de samba-soul e batidões corridos, com bpm altíssimo, conduzem TRJG. Cansada é o remix da música lançada por Carol Vieira, originalmente uma baladinha de piano em tons gospel, sobre amores pra lá de mal resolvidos – agora virou um dreampop sintetizado

Sexta à noite e Paradoxo do transporte põem em tema instrumental o compasso de espera pela volta pra casa, assim como o dub Fim de Linha, com Crizin da Z.O., (que traz letra e diálogos sobre trens e ônibus lotados). Eterna rotina põe um pouco de tranquilidade ambient no clima de dnb, com áudios maternos e lembranças boas.

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