Crítica
Ouvimos: Bloc Party, “The high life” (EP)

- The high life, novo EP do Bloc Party, sai após seis álbuns. Atualmente o grupo tem Kele Okereke (voz, guitarra, piano), Russell Lissack (guitarra, teclados), Justin Hattis (baixo, synth) e Louise Bartle (bateria).
- Apesar de ser um EP de quatro faixas, duas músicas já haviam saído em singles, High life e Keep it rolling. Essa última com participação de KennyHoopla, cantor e compositor norte-americano que acaba de lançar o álbum Blink and you’ll miss it.
- Recentemente o Bloc Party abriu shows para o Paramore.
Ninguém do Bloc Party nunca gostou de ser comparado à Gang Of Four, mas a verdade é que o grupo britânico nunca deixou de soar como uma revisão atual do velho grupo de pós-punk – com algumas referências de grupos como PiL e Cure pulando aqui e ali. Vale citar que o BP conseguiu atravessar vários anos de carreira fazendo o que muitos de seus contemporâneos não fizeram: gravando discos bons de verdade, atravessando fronteiras musicais e aproveitando hiatos para renovar o som do grupo.
O Bloc Party que emerge de The high life, o novo EP, é meio dance-punk meio punk-pop – com o mesmo clima grandiloquente das bandas que fazem aquela união entre pós-punk e rock clássico estilo Queen que se convencionou chamar de emo. A banda liderada pelo cantor e compositor Kele Okereke retorna fazendo dançar na faixa-título, herdando os violões corridos dos Smiths em The blood moon e berrando as paixões da vida em Keep it rolling e Blue, na segunda volta do grupo depois de Alpha games, álbum de 2022.
Gravadora: BMG/Infectious
Nota: 7
Foto: Reprodução de capa de The high life
Crítica
Ouvimos: Alcateia – “Contra a trupe do camaço”

RESENHA: Em Nada me parece igual, o Alcateia cruza Beatles, psicodelia, country, blues e folk com letras sobre alienação no trabalho, truculência, religião e poder.
Texto: Ricardo Schott
Nota: 8
Gravadora: Independente
Lançamento: 17 de abril de 2026
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Banda da cidade de Ilha Solteira (interior de SP), o Alcateia é uma banda de rock clássico, bastante influenciada por Beatles – chegaram a tocar numa semana dedicada ao som dos quatro de Liverpool em sua cidade. Nada me parece igual chega a ameaçar um shoegaze na abertura, mas vai ganhando clima bem rocker, com direito a cowbell e vibes psicodélicas.
É uma exceção num disco que passeia pelo country e pelo blues com cara beatle (De Liverpool pra você e Cafeína) e cai dentro do blues rock em Homem banal, e do folk quase meditativo em Sina. Nas letras, por sua vez, a banda fala tanto do trabalho como alienação, quanto do estilo de vida destrutivo de quem quer a truculência no poder (“felicidade pra mim é uma arma na cintura / meus brilhantes heróis morreram velhos e impunes”).
A circular Sina, com seis minutos, fala de destinos cruzados num sistema onde confunde-se “ser grosseiro com ser sincero / ser abertamente mau com ser honesto”, e onde deus e estado acabam se misturando. Uma letra que protesta contra algo que já vimos, e nos arriscamos a ver sempre.
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Crítica
Ouvimos: Just Penelope – “Great lake” (EP)

RESENHA: No EP Great lake, o Just Penelope mistura emo, shoegaze, dream pop e pós-punk com mudanças bruscas entre silêncio, melodia e distorção, numa versão própria da fórmula loud-quiet-loud.
Texto: Ricardo Schott
Nota: 8,5
Gravadora: Angel Tapes / Fire Talk
Lançamento: 18 de setembro de 2026
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Na onda atual de artistas dedicados ao shoegaze, tem muita gente que vem se destacando por tentar colocar climas diferentes no estilo. Vindo de Blooomington, Indiana, o Just Penelope faz parte daquela mesma confluência entre emo e shoegaze que vem gerando filhotes até no Brasil, e acrescenta algo próximo de um loud-quiet-loud (a fórmula dos Pixies, copiada pelo Nirvana) que deixa as quatro musicas do EP Great lake bem mais misteriosas.
De modo geral, é como se Ella Curiel (guitarra e voz), Ethan Cantrell (percussão, sintetizador e voz), Theo Erz (guitarra) e Drew Goforth (baixo) não se contentassem com as guitarras emparedadas, e tentassem fotografar musicalmente as sessões para acrescentar efeitos. Sister, na abertura, ganha um segundo de silêncio após o loud e antes da volta do quiet. Copenhagen ganha uma onda quase pop, por causa das linhas vocais doces de Ella, até que a guitarra vem como um motor, enchendo tudo de barulho, peso e beleza.
Great lake abre com um dedilhado bonito e circular, e põe o baixo distorcido quase como um segundo vocal, lado a lado com Ella. É algo quase pós-punk, ganhando distorções e mais peso, além de climas psicodélicos graças às guitarras. After, no final, tem um som mais próximo do emo, mas sem deixar denominações como “shoegaze” e “dream pop” de lado – e vai ganhando distorções e ambiência aos poucos.
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Crítica
Ouvimos: PERNAF – “Casa” (EP)

RESENHA: Projeto solo de Gabriel Perninha, baterista do The Baggios, PERNAF usa cômodos e objetos domésticos como percussão em Casa, EP que cruza eletrônica, jazz, música afro e experimental.
Texto: Ricardo Schott
Nota: 8
Gravadora: Independente
Lançamento: 3 de setembro de 2026
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Dizem por aí que todo baterista um dia foi uma criança batucando nas panelas da mãe, ou que usava as agulhas de tricô da avó como baquetas. PERNAF, o projeto solo de Gabriel Perninha – baterista da banda sergipana The Baggios – volta a essa época. No EP Casa, Gabriel toca bateria e faz uso também de vários objetos de sua (adivinha só) casa como percussão.
No EP, Gabriel assume que bateristas são também compositores e arranjadores, mesmo quando cuidam das batidas das canções. Ele produziu o disco, e deixou todos os outros instrumentos nas mãos de amigos, com quem dividiu as composições: André Lima (trompete e flugelhorn), João Mario (das bandas Renegades Of Punk e Cidade Dormitório, tocou baixo, guitarra e synth) e Rafael Ramos (também do The Baggios, tocou teclados).
Usando os cômodos de sua casa como estúdios, Gabriel faz de Nascimento uma música sombria, eletrônica e meio jazzy – mas com toques de Brian Eno. Cozinha usa objetos da cozinha, além da própria ambiência cheia de eco do local, embicando num rimo afro que vai aumentando. Passagem tem até algo que lembra Kraftwerk e Boards Of Canada, mas os sopros tocados por André Lima fazem a faixa ganhar um ar meio Tijuana Brass.
Chegada, no final, tem beat quase matemático e lembranças tanto da era Sonho 70, de Egberto Gismonti (1970), quanto do álbum do mesmo ano da Orquestra Briamonte – e das faixas do EP, é a que mais se parece com um tema de série ou de novela antiga.
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