Cultura Pop
Iggy Pop lança clipe com imagens inéditas de viagem ao Haiti, em 1982

Vai entender como, mas a fotógrafa Esther Friedman aguentou namorar o malucão Iggy Pop entre 1976 e 1982 – entre idas, vindas, relacionamentos mais intensos ainda do cantor com drogas pesadas, e coisas do tipo. Em abril de 1982, ela achou que seria uma excelente ideia acompanhar o namorado em uma viagem ao Haiti. Lá, eles fariam as fotos para o disco de Iggy que já estava gravado, Zombie birdhouse, e ele terminaria a autobiografia I need more, que escreveu ao lado de Anne Werher.
A viagem já não parecia ser um momento muito glorioso da vida de Iggy, que estava cada vez mais drogado e perturbado, mas a coisa degringolou – pelo menos na lembrança de Esther – assim que o casal decidiu ir a uma sessão de voodoo haitiano. Iggy e Esther estavam quietinhos assistindo aos rituais quando, tomado sabe-se lá por qual força, Iggy resolveu levantar e dançar assim que ouviu os batuques dos músicos.
O sacerdote que tomava conta de tudo ficou bem irritado com a interrupção da cerimônia, Esther resolveu arrastar Iggy para fora dali e a partir daí só rolou coisa ruim. O cantor decidiu distribuir todos os bens e todo o dinheiro que havia levado para o Haiti, Esther precisou arrumar emprego de assistente de dentista (!) para pagar o resto da viagem… Durante um passeio de carro, Esther cismou que ela e Iggy seriam mortos por milicianos e começou a gritar. Assustado, o guia, que dirigia o fusca alugado, bateu com o automóvel num muro.
Teve mais: durante o acidente, Iggy teve a excelente ideia de saltar do carro em movimento, bateu contra o muro e quebrou três costelas. Na sequência, o cantor ficou mais mentalmente perturbado ainda (“doente de verdade”, lembrou ela), passou a dar vários perdidos na namorada e o casal começou a ser alertado de que estavam sendo perseguidos pela milícia local Tonton Macoute. Numa noite, Esther escondeu as roupas de Iggy para que ele não saísse. Em vão: ele vestiu uma das saias dela, pegou o carro alugado (opa, Iggy não sabia dirigir) e bateu com o veículo.
A história de Iggy no Haiti ocupa algumas páginas da biografia Open up and bleed, escrita por Paul Trynka. Mas o que interessa mesmo é que acaba de surgir no YouTube um pedaço do dia a dia do casal por lá. Um clipe de The horse song, música de Zombie, chegou ao YouTube, trazendo fotos inéditas tiradas por Esther durante a viagem. As imagens aparecem misturadas com vídeos feitos pelo cineasta Marcus Richardt entre 2011 e 2013 no Haiti.
“As fotografias usadas neste vídeo foram tiradas durante minhas viagens ao Haiti em 1982 com Iggy. Em 2011 e 2013, o amigo e cineasta Marcus Richardt viajou ao Haiti em nome de ONGs para documentar a situação após o furacão”, conta Esther no texto do vídeo. “No ano passado, durante o confinamento, passando pelas minhas fotos, entrei em contato com Marcus e pedi que ele me ajudasse a montar um vídeo usando minhas fotos e seu material de filme do Haiti, com a música Horse Song como inspiração. Ele teve a ideia de usar animação feita por Jan-Niklas Meyer e trouxe David Rankenhohn a bordo como editor. Embora nossas imagens tenham trinta anos de diferença, elas trabalham juntas para mostrar a graça atemporal e o otimismo do povo haitiano e como um bônus adicional momentos maravilhosos com Iggy”.
Olha o clipe aí.
Cultura Pop
George Harrison em 2001: “O que é Eminem?”

RESUMO: Em 2001, George Harrison participou de chats no Yahoo e MSN para divulgar All Things Must Pass; com humor, respondeu fãs poucos meses antes de morrer – e desdenhou Eminem (rs)
Texto: Ricardo Schott – Foto: Reprodução YouTube
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“Que Deus abençoe a todos vocês. Não se esqueçam de fazer suas orações esta noite. Sejam boas almas. Muito amor! George!”. Essa recomendação foi feita por ninguém menos que o beatle George Harrison no dia 15 de fevereiro de 2001 – há 25 anos e alguns dias, portanto – ao participar de dois emocionantes chats (pelo Yahoo e pelo MSN).
O tal bate-papo, além de hoje em dia ser importante pelos motivos mais tristes (George morreria naquele mesmo ano, em 29 de novembro), foi uma raridade causada pelo relançamento remasterizado de seu álbum triplo All things must pass (1970), em janeiro de 2001. George estava cuidando pessoalmente da remasterização de todo seu catálogo e o disco, com capa colorida e fotos reimaginadas, além de um kit de imprensa eletrônico (novidade na época), era o carro-chefe de toda a história. O lançamento de um site do cantor, o allthingsmustpass.com, também era a parada do momento (hoje o endereço aponta para o georgeharrison.com).
Os dois bate-papos tiveram momentos, digamos assim, inesquecíveis. No do Yahoo, George fez questão de dizer que era sua primeira vez num computador: “Sou praticamente analfabeto 🙂 “, escreveu, com emoji e tudo. Ainda assim, um fã meio distraído quis saber se ele surfava muito na internet. “Não, eu nunca surfo. Não tenho a senha”, disse o paciente beatle. Um fã mais brincalhão quis saber das influências dos Rutles, banda-paródia dos Beatles que teve apoio do próprio Harrison, no som dele (“tirei todas as minhas influências deles!”) e outro perguntou sobre a indicação de Bob Dylan ao Oscar (sua Things have changed fazia parte da trilha de Garotos incríveis, de Curtis Hanson). “Acho que ele deveria ganhar TODOS os Oscars, todos os Tonys, todos os Grammys”, exultou.
A conta do Instagram @diariobeatle deu uma resumida no chat do Yahoo e lembrou que George contou sobre a origem dos gnomos da capa de All things must pass, além de associá-los a um certo quarteto de Liverpool. “Originalmente, quando tiramos a foto eu tinha esses gnomos bávaros antigos, que eu pensei em colocar ali tipo… John, Paul, George e Ringo”, disse. “Gnomos são muito populares na Europa. E esses gnomos foram feitos por volta de 1860”.
Ver essa foto no Instagram
A ironia estava em alta: George tambem disse que se começasse um movimento como o Live Aid ajudaria… Bob Geldof (!)., o criador do evento. Perguntado sobre se Paul McCartney ainda o irritava, contemporizou: “Não examine um amigo com uma lupa microscópica: você conhece seus defeitos. Então deixe suas fraquezas passarem. Provérbio vitoriano antigo”, disse. “Tenho certeza de que há coisas suficientes em mim que o irritam, mas acho que já crescemos o suficiente para perceber que nós dois somos muito fofos!”. Um / uma fã perguntou sobre o que ele achava da nominação de Eminem para o Grammy. “O que é Eminem?”, perguntou. “É uma marca de chocolates ou algo assim?”.
Bom, no papo do MSN um fã abusou da ingenuidade e perguntou se o próprio George era o webmaster de si próprio. “Eu não sou técnico. Mas conversei com o pessoal da Radical Media. Eles vieram à minha casa e instalaram os computadores. Os técnicos fizeram tudo e eu fiquei pensando em ideias. Eu não tinha noção do que era um site e ainda não entendo o conceito. Eu queria ver pessoas pequenas se cutucando com gravetos, tipo no Monty Python”, disse.
Pra ler tudo e matar as saudades do beatle (cuja saída de cena também faz 25 anos em 2026), só ir aqui.
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Cultura Pop
No nosso podcast, os erros e acertos dos Foo Fighters

Você pensava que o Pop Fantasma Documento, nosso podcast, não ia mais voltar? Olha ele aqui de novo, por três edições especiais no fim de 2025 – e ano que vem estamos de volta de vez. No terceiro e último episódio, o papo é o começo dos Foo Fighters, e o pedaço de história que vai de Foo Fighters (1995, o primeiro disco) até There’s nothing left to lose (o terceirão, de 1999), esticando um pouco até a chegada de Dave Grohl e seus cometas no ano 2000.
Uma história e tanto: você vai conferir a metamorfose de Grohl – de baterista do Nirvana a rockstar e líder de banda -, o entra e sai de integrantes, os grandes acertos e as monumentais cagadas cometidas por uma das maiores bandas da história do rock. Bora conferir mais essa?
Edição, roteiro, narração, pesquisa: Ricardo Schott. Identidade visual: Aline Haluch (foto: encarte do álbum Foo Fighters). Trilha sonora: Leandro Souto Maior. Vinheta de abertura: Renato Vilarouca. Estamos aqui de quinze em quinze dias, às sextas! Apoie a gente em apoia.se/popfantasma.
(a parte do FF no ano 2000 foi feita com base na pesquisa feita pelo jornalista Renan Guerra, e publicada originalmente por ele neste link)
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Cultura Pop
No nosso podcast, Alanis Morissette da pré-história a “Jagged little pill”

Você pensava que o Pop Fantasma Documento, nosso podcast, não ia mais voltar? Olha ele aqui de novo, por três edições especiais no fim de 2025 – e ano que vem estamos de volta de vez. No segundo e penúltimo episódio desse ano, o papo é um dos maiores sucessos dos anos 1990. Sucesso, aliás, é pouco: há uns 30 anos, pra onde quer que você fosse, jamais escaparia de Alanis Morissette e do seu extremamente popular terceiro disco, Jagged little pill (1995).
Peraí, “terceiro” disco? Sim, porque Jagged era só o segundo ato da carreira de Alanis Morissette. E ainda havia uma pré-história dela, em seu país de origem, o Canadá – em que ela fazia um som beeeem diferente do que a consagrou. Bora conferir essa história?
Edição, roteiro, narração, pesquisa: Ricardo Schott. Identidade visual: Aline Haluch (foto: Capa de Jagged little pill). Trilha sonora: Leandro Souto Maior. Vinheta de abertura: Renato Vilarouca. Estamos aqui de quinze em quinze dias, às sextas! Apoie a gente em apoia.se/popfantasma.
Ouça a gente preferencialmente no Castbox. Mas estamos também no Mixcloud, no Deezer e no Spotify.
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