Cultura Pop
Fitas de rolo: tem gente dizendo que elas vão voltar

Enquanto você tá aí ouvindo música do Spotify, tem uma turminha muito louca por aí que resolveu que as antigas fitas de rolo, ou reel-to-reel (formato de audiofilia avançada muito comum há umas quatro, cinco décadas), são o novo vinil. Serinho: em 2015 a Verge chegou a publicar uma reportagem dizendo que esse tipo de formato tinha tudo para chegar no mesmo nível de hipsterização e gourmetização dos LPs. Tá aqui pra ninguém duvidar (texto em inglês).
Tá pensando que é brincadeira? O texto da Verge diz que “uma questão, no entanto, foi resolvida: fita ou vinil? Mesmo os críticos mais duvidosos não encontram ambiguidade aqui. A fita soa melhor do que o vinil e ponto final”. Se você for procurar em sites como o eBay, vai achar gente vendendo fitas de rolo que rodam em 7 1/s, de discos de bandas como The Who, Beatles e Rolling Stones, a preços que passam dos cem euros.
Lá fora, soa nostálgico. No Brasil, esse tipo de formato nunca pegou, muito embora quando o canal Viva reprisa uma novela muito antiga da Rede Globo, seja possível ver que os personagens mais abastados sempre têm um gravador desses em casa.
O canal de antiguidades tecnológicas Techmoan deu uma ilustrada na história mostrando como funcionavam os vários tipos de fitas, e repassando a história do formato. Hoje pouca gente lembra disso, mas quase todos os grandes discos de rock, pop e jazz saíram em tape, dos anos 1950 até o comecinho da década de 1980. Era um formato tido como melhor ainda que todos os outros, por causa da redução de ruídos.
Só que ao contrário do que acontecia com os discos de vinil e com as fitas K7 (e os CDs), dava trabalho para ser reproduzido e ficava obsoleto rápido. Com o passar dos tempos, os tapes foram sendo vendidos em velocidades diferentes para reduzir espaço e custos, e para acomodar novidades como o som estéreo. Daí o som de um tape lançado nos anos 1980 era bem pior do que um lançado em, sei lá, 1957. Para piorar só um pouco: aparelho e fitas eram ambos caros pra cacete.
Caso você se anime com a novidade, vai aí mais uma: tem uma gravadora novíssima, lá da Itália, especializada em lançamentos em tape. A Analogy Records lança música clássica, jazz, folk, world music e estilos afins, sempre trabalhando com fitas master originais – não é uma mera reprodução, eles afirmam. “Numa época em que o modo de ouvir música está piorando por causa do uso de alguns codecs que reduzem a qualidade, senti o desejo de produzir artistas e álbuns para uma audiência refinada e exigente, que preste atenção em detalhes e nuances , usando a melhor mídia analógica disponível: a fita”, conta o chefão do selo, Roberto “Robbo” Vigo. Ele nasceu em Gênova em 1972 e fez curso de técnicas de estúdio com o engenheiro de som de Jimi Hendrix, Eddie Kramer.
Tá a fim de conhecer o catálogo da Analogy? Se prepara pra gastar: alguns itens do catálogo do selo chegam a 335 euros. Olha tudo sobre eles aqui.
Cultura Pop
George Harrison em 2001: “O que é Eminem?”

RESUMO: Em 2001, George Harrison participou de chats no Yahoo e MSN para divulgar All Things Must Pass; com humor, respondeu fãs poucos meses antes de morrer – e desdenhou Eminem (rs)
Texto: Ricardo Schott – Foto: Reprodução YouTube
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“Que Deus abençoe a todos vocês. Não se esqueçam de fazer suas orações esta noite. Sejam boas almas. Muito amor! George!”. Essa recomendação foi feita por ninguém menos que o beatle George Harrison no dia 15 de fevereiro de 2001 – há 25 anos e alguns dias, portanto – ao participar de dois emocionantes chats (pelo Yahoo e pelo MSN).
O tal bate-papo, além de hoje em dia ser importante pelos motivos mais tristes (George morreria naquele mesmo ano, em 29 de novembro), foi uma raridade causada pelo relançamento remasterizado de seu álbum triplo All things must pass (1970), em janeiro de 2001. George estava cuidando pessoalmente da remasterização de todo seu catálogo e o disco, com capa colorida e fotos reimaginadas, além de um kit de imprensa eletrônico (novidade na época), era o carro-chefe de toda a história. O lançamento de um site do cantor, o allthingsmustpass.com, também era a parada do momento (hoje o endereço aponta para o georgeharrison.com).
Os dois bate-papos tiveram momentos, digamos assim, inesquecíveis. No do Yahoo, George fez questão de dizer que era sua primeira vez num computador: “Sou praticamente analfabeto 🙂 “, escreveu, com emoji e tudo. Ainda assim, um fã meio distraído quis saber se ele surfava muito na internet. “Não, eu nunca surfo. Não tenho a senha”, disse o paciente beatle. Um fã mais brincalhão quis saber das influências dos Rutles, banda-paródia dos Beatles que teve apoio do próprio Harrison, no som dele (“tirei todas as minhas influências deles!”) e outro perguntou sobre a indicação de Bob Dylan ao Oscar (sua Things have changed fazia parte da trilha de Garotos incríveis, de Curtis Hanson). “Acho que ele deveria ganhar TODOS os Oscars, todos os Tonys, todos os Grammys”, exultou.
A conta do Instagram @diariobeatle deu uma resumida no chat do Yahoo e lembrou que George contou sobre a origem dos gnomos da capa de All things must pass, além de associá-los a um certo quarteto de Liverpool. “Originalmente, quando tiramos a foto eu tinha esses gnomos bávaros antigos, que eu pensei em colocar ali tipo… John, Paul, George e Ringo”, disse. “Gnomos são muito populares na Europa. E esses gnomos foram feitos por volta de 1860”.
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A ironia estava em alta: George tambem disse que se começasse um movimento como o Live Aid ajudaria… Bob Geldof (!)., o criador do evento. Perguntado sobre se Paul McCartney ainda o irritava, contemporizou: “Não examine um amigo com uma lupa microscópica: você conhece seus defeitos. Então deixe suas fraquezas passarem. Provérbio vitoriano antigo”, disse. “Tenho certeza de que há coisas suficientes em mim que o irritam, mas acho que já crescemos o suficiente para perceber que nós dois somos muito fofos!”. Um / uma fã perguntou sobre o que ele achava da nominação de Eminem para o Grammy. “O que é Eminem?”, perguntou. “É uma marca de chocolates ou algo assim?”.
Bom, no papo do MSN um fã abusou da ingenuidade e perguntou se o próprio George era o webmaster de si próprio. “Eu não sou técnico. Mas conversei com o pessoal da Radical Media. Eles vieram à minha casa e instalaram os computadores. Os técnicos fizeram tudo e eu fiquei pensando em ideias. Eu não tinha noção do que era um site e ainda não entendo o conceito. Eu queria ver pessoas pequenas se cutucando com gravetos, tipo no Monty Python”, disse.
Pra ler tudo e matar as saudades do beatle (cuja saída de cena também faz 25 anos em 2026), só ir aqui.
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Cultura Pop
No nosso podcast, os erros e acertos dos Foo Fighters

Você pensava que o Pop Fantasma Documento, nosso podcast, não ia mais voltar? Olha ele aqui de novo, por três edições especiais no fim de 2025 – e ano que vem estamos de volta de vez. No terceiro e último episódio, o papo é o começo dos Foo Fighters, e o pedaço de história que vai de Foo Fighters (1995, o primeiro disco) até There’s nothing left to lose (o terceirão, de 1999), esticando um pouco até a chegada de Dave Grohl e seus cometas no ano 2000.
Uma história e tanto: você vai conferir a metamorfose de Grohl – de baterista do Nirvana a rockstar e líder de banda -, o entra e sai de integrantes, os grandes acertos e as monumentais cagadas cometidas por uma das maiores bandas da história do rock. Bora conferir mais essa?
Edição, roteiro, narração, pesquisa: Ricardo Schott. Identidade visual: Aline Haluch (foto: encarte do álbum Foo Fighters). Trilha sonora: Leandro Souto Maior. Vinheta de abertura: Renato Vilarouca. Estamos aqui de quinze em quinze dias, às sextas! Apoie a gente em apoia.se/popfantasma.
(a parte do FF no ano 2000 foi feita com base na pesquisa feita pelo jornalista Renan Guerra, e publicada originalmente por ele neste link)
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Cultura Pop
No nosso podcast, Alanis Morissette da pré-história a “Jagged little pill”

Você pensava que o Pop Fantasma Documento, nosso podcast, não ia mais voltar? Olha ele aqui de novo, por três edições especiais no fim de 2025 – e ano que vem estamos de volta de vez. No segundo e penúltimo episódio desse ano, o papo é um dos maiores sucessos dos anos 1990. Sucesso, aliás, é pouco: há uns 30 anos, pra onde quer que você fosse, jamais escaparia de Alanis Morissette e do seu extremamente popular terceiro disco, Jagged little pill (1995).
Peraí, “terceiro” disco? Sim, porque Jagged era só o segundo ato da carreira de Alanis Morissette. E ainda havia uma pré-história dela, em seu país de origem, o Canadá – em que ela fazia um som beeeem diferente do que a consagrou. Bora conferir essa história?
Edição, roteiro, narração, pesquisa: Ricardo Schott. Identidade visual: Aline Haluch (foto: Capa de Jagged little pill). Trilha sonora: Leandro Souto Maior. Vinheta de abertura: Renato Vilarouca. Estamos aqui de quinze em quinze dias, às sextas! Apoie a gente em apoia.se/popfantasma.
Ouça a gente preferencialmente no Castbox. Mas estamos também no Mixcloud, no Deezer e no Spotify.
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