Cultura Pop
E quando o disco do Capital Inicial foi proibido para menores de 18 anos?

O rock nacional dos anos 80 foi testemunha ocular e auditiva da agonizante Censura Federal, que teve seu encerramento tardio no dia 3 de agosto de 1988. Até lá, muitos artistas sofreram com as imposições ridículas de tal instituição, tendo uma ou outra canção “proibida a radiodifusão e a execução pública em todo território nacional” (era assim que vinha escrito no label do vinil). Dentre elas, algumas se tornaram clássicas do nosso cancioneiro, como Faroeste caboclo, da Legião Urbana (“general de dez estrelas que fica atrás da mesa com o cu na mão” foi demais para os caras), Bichos escrotos, dos Titãs, e até a semi-infantil Marylou, do Ultraje A Rigor.
Mas poucas vezes na História da música brasileira a censura pegou tão pesado quanto com o primeiro disco do Capital Inicial, proibindo o INTEIRO para menores de 18 anos. Sim, logo com eles. Mas o que houve?
O ano era 1986 e as gravadoras estavam empolgadas com as bandas vindas de Brasília. Inicialmente puxadas pelo sucesso dos Paralamas, abrindo caminho para a Plebe Rude e, sobretudo, consolidando tal cenário com a Legião Urbana, os executivos voltaram seus olhos para o Distrito Federal, região até então praticamente nula culturalmente. E nada mais apropriado que a bola da vez fosse o Capital Inicial, cujos irmãos e integrantes Flávio (baixo) e Fê Lemos (bateria) haviam tocado no lendário Aborto Elétrico junto com Renato Russo. Aliás, pra melhorar a situação, o Capital herdara três composições com o dedo do vocalista legionário: Fátima, Veraneio vascaína e Música urbana. Esta última, que abria o disco, foi a faixa de trabalho do álbum: mesmo com seu refrão enigmático (“por toda plataforma/você não vê a torre”), a interpretação de Dinho e o carismático arranjo garantiram-lhe ser o primeiro hit da banda.
E, assim, o LP é lançado em agosto de 1986. Mas aí veio a má notícia: o disco foi obrigado a ser vendido lacrado e com um adesivo dizendo: “proibida a radiodifusão e a execução pública da faixa Veraneio vascaína. Venda proibida a menores de 18 anos”. E por que tal arbitrariedade?
Veraneio vascaína foi uma das canções mais punks que Renato Russo já escreveu. O título se refere à caminhonete da Chevrolet que servia de camburão nos anos 70 e 80, e que continha as cores do citado time carioca. Segundo o site Letras.com.br, a música foi inspirada numa experiência real vivida pelo vocalista, quando estava com um grupo de amigos indo a uma festa. “Vestidos com camisetas escritas à mão, acabaram sendo parados pela polícia. Era muito comum grupinhos de jovens se divertindo serem abordados. Eles pediram documentos, porém Renato perguntou qual era o signo dos policiais”. Após levar um tabefe de um meganha, os omi “prenderam Renato só pra impor respeito e dar aquele sustinho, mas ele foi liberado e se inspirou no ocorrido”. Por isto, não são à toa versos como “cuidado, pessoal, lá vem vindo a Veraneio / Toda pintada de preto, branco, cinza e vermelho / Com números do lado, dentro dois ou três tarados / Assassinos armados, uniformizados”.
O fato é que por causa de uma faixa, vetaram o disco inteiro. Mas, como todo ato truculento é burro, a proibição só fez gerar uma curiosidade em torno do álbum. Numa peça de publicidade bastante esperta, o Capital Inicial propunha que o seu irmão mais velho comprasse o LP por você (veja abaixo). Resultado: disco de platina, com mais de 250 discos vendidos.

Vale frisar aqui que, mesmo se você torce o nariz para o Capital (o que é compreensível), o disco homônimo de 1986 é um bom álbum de estreia, com momentos bem interessantes. Confira abaixo.
Cultura Pop
No nosso podcast, os erros e acertos dos Foo Fighters

Você pensava que o Pop Fantasma Documento, nosso podcast, não ia mais voltar? Olha ele aqui de novo, por três edições especiais no fim de 2025 – e ano que vem estamos de volta de vez. No terceiro e último episódio, o papo é o começo dos Foo Fighters, e o pedaço de história que vai de Foo Fighters (1995, o primeiro disco) até There’s nothing left to lose (o terceirão, de 1999), esticando um pouco até a chegada de Dave Grohl e seus cometas no ano 2000.
Uma história e tanto: você vai conferir a metamorfose de Grohl – de baterista do Nirvana a rockstar e líder de banda -, o entra e sai de integrantes, os grandes acertos e as monumentais cagadas cometidas por uma das maiores bandas da história do rock. Bora conferir mais essa?
Edição, roteiro, narração, pesquisa: Ricardo Schott. Identidade visual: Aline Haluch (foto: encarte do álbum Foo Fighters). Trilha sonora: Leandro Souto Maior. Vinheta de abertura: Renato Vilarouca. Estamos aqui de quinze em quinze dias, às sextas! Apoie a gente em apoia.se/popfantasma.
(a parte do FF no ano 2000 foi feita com base na pesquisa feita pelo jornalista Renan Guerra, e publicada originalmente por ele neste link)
Ouça a gente preferencialmente no Castbox. Mas estamos também no Mixcloud, no Deezer e no Spotify.
Mais Pop Fantasma Documento aqui.
Cultura Pop
No nosso podcast, Alanis Morissette da pré-história a “Jagged little pill”

Você pensava que o Pop Fantasma Documento, nosso podcast, não ia mais voltar? Olha ele aqui de novo, por três edições especiais no fim de 2025 – e ano que vem estamos de volta de vez. No segundo e penúltimo episódio desse ano, o papo é um dos maiores sucessos dos anos 1990. Sucesso, aliás, é pouco: há uns 30 anos, pra onde quer que você fosse, jamais escaparia de Alanis Morissette e do seu extremamente popular terceiro disco, Jagged little pill (1995).
Peraí, “terceiro” disco? Sim, porque Jagged era só o segundo ato da carreira de Alanis Morissette. E ainda havia uma pré-história dela, em seu país de origem, o Canadá – em que ela fazia um som beeeem diferente do que a consagrou. Bora conferir essa história?
Edição, roteiro, narração, pesquisa: Ricardo Schott. Identidade visual: Aline Haluch (foto: Capa de Jagged little pill). Trilha sonora: Leandro Souto Maior. Vinheta de abertura: Renato Vilarouca. Estamos aqui de quinze em quinze dias, às sextas! Apoie a gente em apoia.se/popfantasma.
Ouça a gente preferencialmente no Castbox. Mas estamos também no Mixcloud, no Deezer e no Spotify.
Mais Pop Fantasma Documento aqui.
Cultura Pop
No nosso podcast, Radiohead do começo até “OK computer”

Você pensava que o Pop Fantasma Documento, nosso podcast, não ia mais voltar? Olha ele aqui de novo, por três edições especiais no fim de 2025 – e ano que vem estamos de volta de vez. Para abrir essa pequena série, escolhemos falar de uma banda que definiu muita coisa nos anos 1990 – aliás, pra uma turma enorme, uma banda que definiu tudo na década. Enfim, de técnicas de gravação a relacionamento com o mercado, nada foi o mesmo depois que o Radiohead apareceu.
E hoje a gente recorda tudo que andava rolando pelo caminho de Thom Yorke, Jonny Greenwood, Colin Greenwood, Ed O’Brien e Phil Selway, do comecinho do Radiohead até a era do definidor terceiro disco do quinteto, OK computer (1997).
Edição, roteiro, narração, pesquisa: Ricardo Schott. Identidade visual: Aline Haluch (foto: reprodução internet). Trilha sonora: Leandro Souto Maior. Vinheta de abertura: Renato Vilarouca. Estamos aqui de quinze em quinze dias, às sextas! Apoie a gente em apoia.se/popfantasma.
Ouça a gente preferencialmente no Castbox. Mas estamos também no Mixcloud, no Deezer e no Spotify.
Mais Pop Fantasma Documento aqui.






































