Cultura Pop
E os Scorpions se arrependem da capa de Virgin Killer

Capas de discos sempre foram um calcanhar de aquiles na vida dos Scorpions. A banda alemã detestou o monstrengo com pés de makita do segundo disco, Fly to the rainbow (1974), mas já não podia fazer nada. Já no quarto disco, Virgin killer (1975), o grupo resolveu mandar pro lay out um projeto (da gravadora, diga-se de passagem) que até hoje rende algumas dores de cabeça.
Steffan Böhle, gerente de produto da filial da RCA Records na Alemanha Ocidental, decidiu que seria uma excelente ideia colocar uma imagem de uma menina de 12 anos, nua, como a tal “virgem” do título. Uma imagem de vidro rachado, acrescentada depois, surgia bem no lugar onde apareceria a genitália da menina (que não foi exposta na imagem)
O disco saiu assim na Alemanha, nos Estados Unidos e em vários países do mundo (Brasil inclusive). Os Scorpions estavam saindo de vez do gueto krautrock (o primeiro disco da banda, Lonesome crow, de 1970, era nessa base e tinha produção de Conny Plank), estavam prestes a estourar nos Estados Unidos e a RCA queria usar a capa do álbum de qualquer jeito para fazer a banda virar assunto. Rudolf Schenker, guitarrista, chegou a lembrar de alguém da gravadora dizendo que a chefia da RCA poderia ir até para a cadeia, mas o grupo iria estourar.
A capa de Virgin killer, por sinal, está um tanto quanto banida da internet. Você encontra o lay out original no Google e até no diretório de discos Discogs, mas já apareceu até na lista negra da Internet Watch Foundation. Um monte de sites e revistas já colocaram a imagem como uma das piores ou mais bizarras capas de discos de todos os tempos. A Wikipedia chegou a ser proibida de divulgar a imagem original. Naquela mesma época, já causou problemas: o disco acabou saindo coberto por um plástico preto. Com o tempo, a capa foi sendo substituída por uma foto em que apareciam os integrantes da banda naquela época (é a que aparece, em parte, na foto lá de cima).
A polêmica em torno da capa de Virgin killer acabou desviando a atenção para o fato de que, sim, se tratava do melhor disco da banda até então, e que as portas do mercado americano estariam abertas para os Scorpions – e, enfim, o disco vendeu bem, até por causa desse fala-fala. De qualquer jeito, volta e meia a banda é vista em algumas entrevistas manifestando certo arrependimento por não ter prestado muita atenção de que isso poderia dar merda. O vocalista Klaus Meine disse que “não é algo que realmente nos orgulhe, de jeito nenhum, mas era a nossa gravadora RCA. Eles colocaram a história na mesa, queriam ir para a controvérsia e tornar a banda famosa”.
Uli John Roth, que foi guitarrista do grupo naquela época, lembrou que a ideia do Virgin killer do título foi a de falar de um “demônio de nosso tempo, o lado menos compassivo das sociedades em que vivemos hoje – pisoteando brutalmente o coração e a alma da inocência”. Mas que, enfim, a gravadora levou a história a sério demais.
“Olhar para essa foto hoje me faz estremecer. Foi feito com o pior gosto possível. Naquela época, eu era muito imaturo para ver isso. Que vergonha para mim – eu deveria ter feito tudo ao meu alcance para detê-la”, conta Roth. O músico, por sinal, foi até para o extremo oposto e deu uma defendidinha em Tipper Gore, criadora do polêmico Parents Music Resource Center (PMRC). “Não posso culpar Tipper Gore por exibir a capa da TV como ofensiva. Ela estava completamente certa em fazê-lo e é uma boa pessoa de qualquer maneira, embora provavelmente não tenha se esforçado para conferir a letra, o que coloca uma inclinação diferente em tudo”.
Cultura Pop
George Harrison em 2001: “O que é Eminem?”

RESUMO: Em 2001, George Harrison participou de chats no Yahoo e MSN para divulgar All Things Must Pass; com humor, respondeu fãs poucos meses antes de morrer – e desdenhou Eminem (rs)
Texto: Ricardo Schott – Foto: Reprodução YouTube
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“Que Deus abençoe a todos vocês. Não se esqueçam de fazer suas orações esta noite. Sejam boas almas. Muito amor! George!”. Essa recomendação foi feita por ninguém menos que o beatle George Harrison no dia 15 de fevereiro de 2001 – há 25 anos e alguns dias, portanto – ao participar de dois emocionantes chats (pelo Yahoo e pelo MSN).
O tal bate-papo, além de hoje em dia ser importante pelos motivos mais tristes (George morreria naquele mesmo ano, em 29 de novembro), foi uma raridade causada pelo relançamento remasterizado de seu álbum triplo All things must pass (1970), em janeiro de 2001. George estava cuidando pessoalmente da remasterização de todo seu catálogo e o disco, com capa colorida e fotos reimaginadas, além de um kit de imprensa eletrônico (novidade na época), era o carro-chefe de toda a história. O lançamento de um site do cantor, o allthingsmustpass.com, também era a parada do momento (hoje o endereço aponta para o georgeharrison.com).
Os dois bate-papos tiveram momentos, digamos assim, inesquecíveis. No do Yahoo, George fez questão de dizer que era sua primeira vez num computador: “Sou praticamente analfabeto 🙂 “, escreveu, com emoji e tudo. Ainda assim, um fã meio distraído quis saber se ele surfava muito na internet. “Não, eu nunca surfo. Não tenho a senha”, disse o paciente beatle. Um fã mais brincalhão quis saber das influências dos Rutles, banda-paródia dos Beatles que teve apoio do próprio Harrison, no som dele (“tirei todas as minhas influências deles!”) e outro perguntou sobre a indicação de Bob Dylan ao Oscar (sua Things have changed fazia parte da trilha de Garotos incríveis, de Curtis Hanson). “Acho que ele deveria ganhar TODOS os Oscars, todos os Tonys, todos os Grammys”, exultou.
A conta do Instagram @diariobeatle deu uma resumida no chat do Yahoo e lembrou que George contou sobre a origem dos gnomos da capa de All things must pass, além de associá-los a um certo quarteto de Liverpool. “Originalmente, quando tiramos a foto eu tinha esses gnomos bávaros antigos, que eu pensei em colocar ali tipo… John, Paul, George e Ringo”, disse. “Gnomos são muito populares na Europa. E esses gnomos foram feitos por volta de 1860”.
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A ironia estava em alta: George tambem disse que se começasse um movimento como o Live Aid ajudaria… Bob Geldof (!)., o criador do evento. Perguntado sobre se Paul McCartney ainda o irritava, contemporizou: “Não examine um amigo com uma lupa microscópica: você conhece seus defeitos. Então deixe suas fraquezas passarem. Provérbio vitoriano antigo”, disse. “Tenho certeza de que há coisas suficientes em mim que o irritam, mas acho que já crescemos o suficiente para perceber que nós dois somos muito fofos!”. Um / uma fã perguntou sobre o que ele achava da nominação de Eminem para o Grammy. “O que é Eminem?”, perguntou. “É uma marca de chocolates ou algo assim?”.
Bom, no papo do MSN um fã abusou da ingenuidade e perguntou se o próprio George era o webmaster de si próprio. “Eu não sou técnico. Mas conversei com o pessoal da Radical Media. Eles vieram à minha casa e instalaram os computadores. Os técnicos fizeram tudo e eu fiquei pensando em ideias. Eu não tinha noção do que era um site e ainda não entendo o conceito. Eu queria ver pessoas pequenas se cutucando com gravetos, tipo no Monty Python”, disse.
Pra ler tudo e matar as saudades do beatle (cuja saída de cena também faz 25 anos em 2026), só ir aqui.
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Cultura Pop
No nosso podcast, os erros e acertos dos Foo Fighters

Você pensava que o Pop Fantasma Documento, nosso podcast, não ia mais voltar? Olha ele aqui de novo, por três edições especiais no fim de 2025 – e ano que vem estamos de volta de vez. No terceiro e último episódio, o papo é o começo dos Foo Fighters, e o pedaço de história que vai de Foo Fighters (1995, o primeiro disco) até There’s nothing left to lose (o terceirão, de 1999), esticando um pouco até a chegada de Dave Grohl e seus cometas no ano 2000.
Uma história e tanto: você vai conferir a metamorfose de Grohl – de baterista do Nirvana a rockstar e líder de banda -, o entra e sai de integrantes, os grandes acertos e as monumentais cagadas cometidas por uma das maiores bandas da história do rock. Bora conferir mais essa?
Edição, roteiro, narração, pesquisa: Ricardo Schott. Identidade visual: Aline Haluch (foto: encarte do álbum Foo Fighters). Trilha sonora: Leandro Souto Maior. Vinheta de abertura: Renato Vilarouca. Estamos aqui de quinze em quinze dias, às sextas! Apoie a gente em apoia.se/popfantasma.
(a parte do FF no ano 2000 foi feita com base na pesquisa feita pelo jornalista Renan Guerra, e publicada originalmente por ele neste link)
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Cultura Pop
No nosso podcast, Alanis Morissette da pré-história a “Jagged little pill”

Você pensava que o Pop Fantasma Documento, nosso podcast, não ia mais voltar? Olha ele aqui de novo, por três edições especiais no fim de 2025 – e ano que vem estamos de volta de vez. No segundo e penúltimo episódio desse ano, o papo é um dos maiores sucessos dos anos 1990. Sucesso, aliás, é pouco: há uns 30 anos, pra onde quer que você fosse, jamais escaparia de Alanis Morissette e do seu extremamente popular terceiro disco, Jagged little pill (1995).
Peraí, “terceiro” disco? Sim, porque Jagged era só o segundo ato da carreira de Alanis Morissette. E ainda havia uma pré-história dela, em seu país de origem, o Canadá – em que ela fazia um som beeeem diferente do que a consagrou. Bora conferir essa história?
Edição, roteiro, narração, pesquisa: Ricardo Schott. Identidade visual: Aline Haluch (foto: Capa de Jagged little pill). Trilha sonora: Leandro Souto Maior. Vinheta de abertura: Renato Vilarouca. Estamos aqui de quinze em quinze dias, às sextas! Apoie a gente em apoia.se/popfantasma.
Ouça a gente preferencialmente no Castbox. Mas estamos também no Mixcloud, no Deezer e no Spotify.
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