Crítica
Ouvimos: Budang – “Magia”

RESENHA: Em Magia, álbum de estreia, a banda catarinense Budang une humor, caos e crítica social em 16 faixas com vibe ultrapunk e letras quase em código.
Texto: Ricardo Schott
Nota: 8,5
Gravadora: Deck
Lançamento: 10 de outubro de 2025
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Guilherme Larsen Güths (voz), Vinícius Lunardi (guitarra), Pedro Sabino (baixo) e Felipe “Minhoca” Royg (bateria), os quatro integrantes da banda catarinense Budang, decidiram estrear com um álbum quase em código. As letras das 16 faixas de Magia são gritadas e quase cuspidas, num fluxo desafiador para quem não está de olho no encarte – ou algo parecido com um encarte, enfim.
Quem se dispuser a mergulhar no universo do grupo vai descobrir vários lados diferentes: em Magia, o Budang fala de pejotização (Mágica), azia (Novo cardápio), histórias do under catarinense (Plataforma Rock Bar, 2010), mas também une gírias e expressões de Santa Catarina. A banda liberou os versos das faixas Mágica (uma das músicas mais mobilizadas do disco), Magia e Budangól nos vídeos das canções em seu canal do YouTube.
Nas melodias, Magia expõe influências autoconfessas de Pixies (referência em guitarras como as de T.M.P.D.P.H.S.), Ratos de Porão, Sonic Youth e do Turnstile dos primeiros tempos. A sonoridade nunca é previsível – e é tão rápida que, se você escutar o disco sem olhar a passagem das faixas, vai achar que se trata de uma só faixa punk que vai sendo acrescida de outros elementos. Nessa nuvem de tags, entram as guitarras em estilo pós-punk de Deixa quieto, as batidas de funk do hino Budangól, o hardcore poderoso de Aditivos e o guitar rock ágil de Fala tu – além das quebras rítmicas de Bolsonanny, sobre os golpistas frustrados de 8 de janeiro de 2023.
Também surgem a vibe metalcore-psicodélica de Plataforma Rock Bar, 2010, as diversas partes de Ponto de não-retorno, e a porradaria em letra e música da curtíssima Tempinho bom (que abre logo com um “foda-se / nunca mais faço essa merda / vai se fuder!”, e mete até novelas coreanas no meio da bronca). No final, tem até uma versão de 1406, dos Mamonas Assassinas, em vibe Rage Against The Machine.
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Crítica
Ouvimos: Scrambled Heads – “Inward, then apart” (EP)

RESENHA: No segundo EP, Inward, then apart, o duo curitibano Scrambled Heads mistura emo, pós-hardcore, shoegaze e hardcore dos anos 1990 em músicas sobre dúvidas, inseguranças e culpa, entre peso e melodia.
Texto: Ricardo Schott
Nota: 8
Gravadora: Independente
Lançamento: 7 de agosto de 2026
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Buga (Redlightz, também ex-Abraskadabra) e André Pamplona (ex-Monaco Beach) fizeram do Scrambled Heads um projeto de estúdio, bem diferente das outras bandas que eles já tiveram. Com um bom tempo de experiência no DIY curitibano, eles já passaram por turnês (fora do Brasil inclusive) com sérias restrições orçamentárias, viagens de van por tudo quanto é canto, e o Scrambled Heads vem num momento de sossego para ambos.
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Inward, then apart, segundo EP do grupo investe em uniões de emo, pós-hardcore, shoegaze e hardcore californiano dos anos 1990 – com uma certa pressão nesse terceiro estilo. Não chega a ser um “punk pop”, mas as melodias em sua maioria são ganchudas e cantaroláveis, cabendo boas harmonizações em The observer, linhas vocais bem construídas em Chaos left unsaid e porrada punk em faixas como Wildfire e I build shelter from branches of second-guessing – esta, com andamento sinuoso, meio herdado do skate-rock e do reggae.
As letras acompanham a porrada, falando de dúvidas, inseguranças e sombras – além do fantasma da culpa tomando conta de Guilt trip. Som de peso, em busca da calma.
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Crítica
Ouvimos: 14 Flamingos – “Fine art” (EP)

RESENHA: O coletivo canadense 14 Flamingos, que chega a reunir até 14 músicos em shows, lança em Fine art, EP de três faixas que cruza rock setentista, soul, yacht rock, psicodelia e pós-punk com arranjos expansivos.
Texto: Ricardo Schott
Nota: 8
Gravadora: Independente
Lançamento: 27 de agosto de 2026
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O 14 Flamingos era só uma banda-dupla – depois virou uma banda de verdade, e depois, uma multidão de colaboradores, que chega a somar 14 pessoas dependendo da gravação e do objetivo a alcançar. O EP Fine art, com três faixas, usa essa turma toda para contar histórias através das letras, das melodias e dos arranjos.
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O grupo (que vem do Canadá) é tão bom em bandeirar seu próprio trabalho, que dá até pra deixar a banda falando sobre si própria. Como em Habsburg chin, que eles definem como “imagine um baile em Versalhes, só que a banda foi substituída por um grupo de pessoas que provavelmente entraram pela porta dos fundos de uma taverna” – na verdade é um rock anos 1970, que tem muito de soul e yacht rock, e até das invenções musicais de Kevin Ayers e Tom Waits.
Yesterday’s fair responde pelo lado mais carnavalista do disco, chegando a lembrar Mutantes em alguns momentos. The duke, terceira e última faixa, é uma fanfarra pós-punk, com ritmo funkeado, e a mehor melodia do disco.
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Crítica
Ouvimos: Cella – “Efeito borboleta”

RESENHA: A amazonense Cella estreia com Efeito borboleta, disco de MPB-pop que cruza ritmos nortistas, reggaeton, funk e dance music em canções sobre mudanças, amores e autoconfiança.
Texto: Ricardo Schott
Nota: 8
Gravadora: Urban Pop
Lançamento: 8 de maio de 2026
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Estreia da amazonense Cella, que é cantora e atriz (esteve na montagem carioca da peça Fala sério, mãe, ao lado da autora Thalita Rebouças), Efeito borboleta é um disco de mudanças pessoais em clima de MPB-pop. Cella mistura sons de sua terra e climas de reggaeton e funk, relembrando amores em que precisou se esforçar para caber na vida de outra pessoa (Demais pra você) e de situações bem mais tranquilas e empoderadoras (Encantaria, Meu norte). Mas depois as coisas saem do controle, romanticamente falando, com as lentinhas Veneno (com participação de Doral) e Me ignora.
É um pop correto, brasileiro, bem produzido, com boas canções e cantado em tons de bossa – e que, de certa forma, reapropria muitas vibes sonoras do Norte que volta e meia aparecem em gravações feitas em outros lugares. Lá pelo final, Karma junta dance music, latinidade e riffs de guitarrada, seguida por dois remixes (da própria Karma e de Meu norte).
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