Cultura Pop
Aquela vez em que bati um papo com MC Bin Laden

Não é pra ninguém estranhar ou achar “aleatório” que o Gorillaz tenha gravado uma música com o MC paulistano Bin Laden. Ele já vinha fazendo shows e estourando hits na Europa havia algum tempo. A história da gravação com o grupo virtual de Damon Albarn (na foto acima, com o MC) já vinha aparecendo em sites e podcasts há algum tempo – a música havia sido gravada em maio de 2022 no Rio de Janeiro. Sobre o estranhamento do público norte-americano com um MC que tem nome de terrorista: ele já havia tido um visto para os EUA recusado em 2016. O Fantástico até deu na época.
Quando MC Bin Laden lançou o hit Tá tranquilo, tá favorável, virou mais do que hit: virou meme, todo mundo repetia, e ninguém conseguia nem sequer pensar em “tá tranquilo” sem pensar no resto da frase. Foi nessa época, 10 de fevereiro de 2016, que fui bater um papo com ele para o jornal O Dia, onde eu trabalhava na época. Na minha lembrança, a conversa demorou pra acontecer, foi adiada, só rolou depois de uma insistência com a assessora dele, e acabou acontecendo ou no Carnaval daquele ano ou bem perto (confiram aí num calendário da época). Mas Bin Laden foi – e é – nota 10.
(Errei: o texto original colocava a Vila Progresso na Zona Sul de São Paulo. Fica na Zona Leste. Consertado aqui)
HOJE UM POPSTAR DO FUNK PAULISTANO, MC BIN LADEN LEMBRA INFÂNCIA POBRE
“Comi até arroz estragado”, conta
“Fala a verdade: você consegue pensar em ‘tá tranquilo’ sem pensar em ‘tá favorável’?”, brinca Jefferson Cristian, 22 anos, funkeiro paulistano conhecido nacionalmente como MC Bin Laden. E que teve a surpresa de ver seu refrão, catapultado por um clipe e por várias postagens no Facebook, passar a fazer parte do dia a dia até de quem nunca ouviu sua música.
E foi bem rápido: em dois meses, o vídeo de Tá tranquilo, tá favorável, gravado durante uma tarde de farras com os amigos na praia de Maresias (em São Sebastião, balneário de São Paulo), ganhou mais de 15 milhões de compartilhamentos, virou meme espalhado pelas redes sociais (e gíria nacional) e ganhou status de hit do Carnaval. “Antes tinha o Bin Laden do mal, agora tem o Bin Laden do bem”, brinca o MC. “Mas tô assustado, cara, ainda não acordei para esse sucesso todo. Estou dando glória a deus, é uma vitória do funk”.
A letra e coreografia brincalhona do hit surgiram como um cruzamento entre o chamado “funk ostentação” paulistano e o espírito alegre do funk carioca. “Resolvi fazer uma música para mostrar pros recalcados que, enquanto eles falavam mal da gente, a gente estava tranquilo. Em vez de mostrar o dedo do meio, a gente faz o hang loose, que é o sinal que o Ronaldinho Gaúcho usa. Depois só colocamos na internet e deus abençoou”, conta.
Os louvores repetidos por ele no papo não vêm à toa: Bin Laden é evangélico, e adotou o codinome por sugestão de sua produtora, a KL, após estourar com o funk Bin Laden não morreu, há dois anos. Até a época, usava o nome artístico MC Jeeh JK.
“Vi uma matéria sobre ele (Bin Laden) na TV e fiz uma música sobre a história dele. Quando cheguei na produtora, já falaram que eu precisava mudar de nome porque era muito fraco”, conta. Após a mudança de nome, músicas como Passinho do faraó também tinham ganhado clipes “teatrais”, de gozação.
“Comecei a cantar no chuveiro, aos oito anos. Montava umas rimas e ia cantar na rua. Na Baixada Santista, esse funk de putaria era uma onda forte. O funk de São Paulo tem essa origem na ostentação: dinheiro, balada, de você conquistar a mulher pelo luxo, pelo poder. Mas não é a minha praia. Se for fazer isso, faço brincando”, conta. O jovem MC foi descobrindo sua cara. “Minha característica sempre foi brincar. Sempre tive vergonha de tirar a camisa e mostrar que eu sou gordinho. Dessa vez, tirei a camisa, raspei debaixo de um sovaco e deixei o outro sem raspar…”, diz.
Criado na Vila Progresso, Zona Leste de São Paulo, Bin Laden teve infância pobre. “Passei fome, não tinha luz em casa. Comi até arroz estragado. Meu pai era viciado em jogo, era separado da minha mãe. Mas isso me ensinou muita coisa. Hoje meu pai está recuperado. Minha mãe parou de fumar”, diz Bin Laden, que ajuda a família com os cachês. “Eu era magrinho porque não tinha o que comer. Fiquei gordinho porque comecei a comer várias coisas que eu não podia antes. Há um ano, eu nunca tinha ido num McDonalds!”.
Santista roxo, Bin Laden foi recentemente na Vila Belmiro e ate tirou fotos com um de seus ídolos, o atacante Gabigol. “Tenho conhecido muita gente do futebol. Sou fã do Neymar, quando meu filho nascer vai se chamar Neymar”, diz Bin Laden, que namora há quatro anos e quer casar em breve. Ele avisa que vem por aí uma parte 2 de Tá tranquilo, tá favorável, e um novo clipe, Só uísque, só malote. “Até fizemos um vídeo que chamamos de parte 2, mas é só brincadeira”, diz. Teve também uma versão axé, que Bin Laden fez com amigos MCs da KL Produções e soltou em sua página do Facebook.
“Rolou muito convite para eu ir a Salvador, a blocos do Rio. O nome Bin Laden até assusta umas pessoas, tem gente que pensa que a gente faz apologia de matar policiais. Mas não é, não. A gente é alegre, adora tirar onda”, diz.
Cultura Pop
No nosso podcast, os erros e acertos dos Foo Fighters

Você pensava que o Pop Fantasma Documento, nosso podcast, não ia mais voltar? Olha ele aqui de novo, por três edições especiais no fim de 2025 – e ano que vem estamos de volta de vez. No terceiro e último episódio, o papo é o começo dos Foo Fighters, e o pedaço de história que vai de Foo Fighters (1995, o primeiro disco) até There’s nothing left to lose (o terceirão, de 1999), esticando um pouco até a chegada de Dave Grohl e seus cometas no ano 2000.
Uma história e tanto: você vai conferir a metamorfose de Grohl – de baterista do Nirvana a rockstar e líder de banda -, o entra e sai de integrantes, os grandes acertos e as monumentais cagadas cometidas por uma das maiores bandas da história do rock. Bora conferir mais essa?
Edição, roteiro, narração, pesquisa: Ricardo Schott. Identidade visual: Aline Haluch (foto: encarte do álbum Foo Fighters). Trilha sonora: Leandro Souto Maior. Vinheta de abertura: Renato Vilarouca. Estamos aqui de quinze em quinze dias, às sextas! Apoie a gente em apoia.se/popfantasma.
(a parte do FF no ano 2000 foi feita com base na pesquisa feita pelo jornalista Renan Guerra, e publicada originalmente por ele neste link)
Ouça a gente preferencialmente no Castbox. Mas estamos também no Mixcloud, no Deezer e no Spotify.
Mais Pop Fantasma Documento aqui.
Cultura Pop
No nosso podcast, Alanis Morissette da pré-história a “Jagged little pill”

Você pensava que o Pop Fantasma Documento, nosso podcast, não ia mais voltar? Olha ele aqui de novo, por três edições especiais no fim de 2025 – e ano que vem estamos de volta de vez. No segundo e penúltimo episódio desse ano, o papo é um dos maiores sucessos dos anos 1990. Sucesso, aliás, é pouco: há uns 30 anos, pra onde quer que você fosse, jamais escaparia de Alanis Morissette e do seu extremamente popular terceiro disco, Jagged little pill (1995).
Peraí, “terceiro” disco? Sim, porque Jagged era só o segundo ato da carreira de Alanis Morissette. E ainda havia uma pré-história dela, em seu país de origem, o Canadá – em que ela fazia um som beeeem diferente do que a consagrou. Bora conferir essa história?
Edição, roteiro, narração, pesquisa: Ricardo Schott. Identidade visual: Aline Haluch (foto: Capa de Jagged little pill). Trilha sonora: Leandro Souto Maior. Vinheta de abertura: Renato Vilarouca. Estamos aqui de quinze em quinze dias, às sextas! Apoie a gente em apoia.se/popfantasma.
Ouça a gente preferencialmente no Castbox. Mas estamos também no Mixcloud, no Deezer e no Spotify.
Mais Pop Fantasma Documento aqui.
Cultura Pop
No nosso podcast, Radiohead do começo até “OK computer”

Você pensava que o Pop Fantasma Documento, nosso podcast, não ia mais voltar? Olha ele aqui de novo, por três edições especiais no fim de 2025 – e ano que vem estamos de volta de vez. Para abrir essa pequena série, escolhemos falar de uma banda que definiu muita coisa nos anos 1990 – aliás, pra uma turma enorme, uma banda que definiu tudo na década. Enfim, de técnicas de gravação a relacionamento com o mercado, nada foi o mesmo depois que o Radiohead apareceu.
E hoje a gente recorda tudo que andava rolando pelo caminho de Thom Yorke, Jonny Greenwood, Colin Greenwood, Ed O’Brien e Phil Selway, do comecinho do Radiohead até a era do definidor terceiro disco do quinteto, OK computer (1997).
Edição, roteiro, narração, pesquisa: Ricardo Schott. Identidade visual: Aline Haluch (foto: reprodução internet). Trilha sonora: Leandro Souto Maior. Vinheta de abertura: Renato Vilarouca. Estamos aqui de quinze em quinze dias, às sextas! Apoie a gente em apoia.se/popfantasma.
Ouça a gente preferencialmente no Castbox. Mas estamos também no Mixcloud, no Deezer e no Spotify.
Mais Pop Fantasma Documento aqui.








































