Urgente
The Days Away transforma obsessão em pós-punk ensolarado

RESUMO: The Days Away apresenta Only heaven knows, pós-punk inspirado no cinema gótico que transforma desejo, devoção e obsessão em uma narrativa sombria de final aberto.
Texto: Ricardo Schott – Foto: Divulgação
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“Às vezes só os céus sabem”, diz a banda The Days Away, um trio que vem de Chicago, já apareceu outras vezes por aqui, e é formado por três músicos com raízes portorriquenhas e equatorianas: Danny Maldonado (voz e guitarra), Joanna Maymó (baixo) e Justin German (guitarra solo), acompanhados por uma bateria eletrônica.
O papo em clima contemplativo é por causa do pós-punk Only heaven knows, novo single deles, que eles definem como “uma meditação comovente sobre devoção, desejo e incerteza”, inspirada no cinema gótico clássico e em temas de devoção obsessiva. A ideia deles foi fazer uma música que se parecesse com uma narrativa cinematográfica, com direito a uma tensão que vai crescendo – e um fim deixado em aberto, para que o / a ouvinte decida se o personagem é realmente um romântico à moda antiga ou um ser perverso.
“A letra acompanha um narrador cujo desejo se torna cada vez mais intenso, progredindo da espera ao lado do telefone a ficar parado à porta de alguém e, por fim, permanecer nas sombras”, diz o grupo, que dessa vez faz uma espécie de mistura entre Strokes, The Cure e Elvis Costello, com vibe até bem ganchuda e ensolarada para um tema desses.
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Lydia Lunch e The Art Gray Noizz Quintet releem Magazine e Iggy Pop em modo destruição

RESUMO: Lydia Lunch se junta ao The Art Gray Noizz Quintet para reinventar Permafrost, do Magazine, e Mass production, de Iggy Pop, em um single ruidoso e sombrio.
Texto: Ricardo Schott – Foto: Capa do single
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Esse compactinho demorou a passar pelos nosso ouvidos, mas agora chegou e… grudou. Permafrost / Mass production representa a união da musa no-wave Lydia Lunch com a turma pós-punk-de-terror do The Art Gray Noizz Quintet, que reúne músicos do underground novaiorquino, e já dividiu o palco com bandas como The Scientists e Mudhoney. O criador do grupo é o guitarrista australiano Stuart Gray – o Stu Spasm, que tocou em bandas como Lubricated Goat e The Beasts Of Bourbon, e que ganhou até recentemente um documentário sobre sua vida, I should have been dead years ago (2024).
O single, lançado em versão de sete polegadas e também nas plataformas (e no Bandcamp), traz Lydia e a banda dando um trato especial a Permafrost, clássico da banda de pós-punk Magazine, e a Mass production, música do disco básico The idiot (1977), de Iggy Pop. Duas canções originalmente beem aterrorizantes e contemplativas – e irmãs, com arranjos bem parecidos. O clima de destruição total de Permafrost e a onda industrial, de alienação total, de Mass production casaram muito bem com o instrumental ruidoso do The Art Gray Noizz Quintet, e com a voz diabólica de Lydia. Em Mass, ela divide os vocais com o “mestre de cerimônias” Stuart e o arranjo fica bem fiel ao original,.
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Punk de NYC, The Underbites prepara disco sobre um mundo fora de controle

RESUMO: O punk nova-iorquino The Underbites prepara Out of control, disco sobre desigualdade, vigilância e caos contemporâneo, com riffs rápidos, melodias grudentas e espírito à moda antiga.
Texto: Ricardo Schott – Foto: Divulgação
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The Underbites é uma banda punk de Nova York, mas que está se preparando para lançar seu próximo disco Out of control pelo selo italiano I Buy Records. Alguns singles já saíram de batedor: Ruling class fala desigualdade econômica e da distância entre quem concentra poder e quem precisa lidar com as consequências. Modern times e Panic button (cover da banda britânica Johnny Moped) põem as modernidade mais absurdas dos dias de hoje – todo mundo vigiado pelas big techs, guerras, destruição – no rol de temas.
“O punk sempre foi um lugar onde as pessoas podiam reagir, fazer perguntas e desafiar o status quo”, conta o cantor e guitarrista John Fox, referindo-se especialmente a Ruling class. “Ela fala sobre observar a distância entre as pessoas comuns e aqueles que estão no topo se tornar impossível de ignorar. É uma música raivosa, mas que foi feita para energizar, também”.
- Today: sai mais um single de David Bowie nos anos 1960
O álbum que tá vindo aí foi produzido por Perry Leenhouts e, diz a banda, combina “punk acelerado, melodias grudentas e letras sobre política, divisão social e injustiça econômica”. Ao lado de John, Kurt Feldhun (guitarra), Ethan Rosenblatt (baixo) e Mike Hoffman (bateria) – uma turma bastante influenciada por Ramones, Buzzocks, punk de Nova York e da Inglaterra em geral. Out of control sai em breve nas plataformas. “Um lançamento em vinil é improvável, mas não impossível”, avisa o grupo, que faz punk como antigamente, e prefere também a internet como antigamente – eles têm até um blog.
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Until They Burn Me: skate punk e histórias de sobrevivência em “Addict”

RESUMO: Addict, do Until They Burn Me, mistura garage rock, punk, pós-punk, gótico e rap em uma faixa sobre o amor e o ódio pela dependência química.
Texto: Ricardo Schott – Foto: Divulgação
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Sim, parece aquele tipo de som que você teria descoberto alugando um VHS de skate na locadora, lá pelos anos 1980 / 1990. Addict, novo single dos norte-americanos do Until They Burn Me, é uma mistura bem azeitada de garage rock, punk, riffs de pós-punk e gótico, rap (na letra quase falada) e música para fazer evoluções a bordo de um carrinho de quatro rodas.
O arranjo de Addict tem aquela mesma onda quebra-tudo do skate-punk, mas sem se prender a rótulos. E a letra, vale falar, é séria: Cody Carlyle e Travis Jordan, os dois criadores do grupo, que tocam juntos há 35 anos, foram dependentes químicos e passaram por maus bocados nas mãos das drogas. Chegaram a sobreviver nas ruas, em galpões e em áreas selvagens.
Tanto que Addict explora o doloroso paradoxo de amar e odiar a própria dependência ao mesmo tempo, inspirando-se diretamente nas experiências pessoais de recuperação da dupla. Uma faixa que “fala com quem já enfrentou a escuridão e saiu dela com histórias que merecem ser contadas”, dizem os dois. Um detalhe curioso sobre o som deles é que Addict representa apenas uma face da dupla. Nos álbuns Mud music (2024) e A carnival of reveries (2025), eles são flagrados misturando punk, country sombrio, murder ballads e outros estilos.
Addict tá aí.
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