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Cultura Pop

Relembrando: Thin Lizzy, “Jailbreak” (1976)

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Relembrando: Thin Lizzy, "Jailbreak" (1976)

Sexto álbum da banda irlandesa Thin Lizzy, Jailbreak não foi um dos momentos mais tranquilos na história do grupo. Principalmente, suscitou opiniões bem diferentes dentro da própria banda. Quem ouve não liga muito para isso: é o álbum de The boys are back in town (“única” música que muita gente conhece do grupo), Jailbreak, Romeo and the lonely girl. Lá dentro, tinha o Thin Lizzy quase sendo cortado da Vertigo, sua gravadora, e precisando estourar a todo custo nos Estados Unidos – uma eterna pedra no sapato na história do grupo.

Phil Lynott, vocalista e baixista, era daqueles sujeitos que podiam dar aula de como liderar uma banda: durão, energético, botava os colegas de banda em destaque no palco (nem que fosse preciso puxá-los pela gola da camisa), curtia performances explosivas. Tinha também um lado romântico, galante, que abria espaço para baladas e canções mais introvertidas. Com um hit inicial, a releitura da canção tradicional irlandesa Whiskey in the jar (1973), tinham se tornado uma espécie de atração-oficial-de-abertura de uma série de bandas pesadas veteranas. Mas os discos não vendiam.

O Thin Lizzy valorizava guitarras altas, mas tentava adequar-se a uma sonoridade mais “fácil” (que cortava improvisos guitarrísticos) e causava tristeza em seus próprios músicos. Tanto que foi perdendo guitarristas aos borbotões. Em 1974, Scott Gorham entrou para o grupo, ajudou a criar um esquema de guitarras “gêmeas”,  e a banda passou a ficar mais parecida com a imagem que tem até hoje. O sucesso de Jailbreak foi preparado por um LP vitorioso, Fighting (1975), em cuja capa Phil, Scott, Brian Robertson (guitarra) e Brian Downey (bateria) apareciam prontos para sair na porrada com alguém, em algum canto urbano. Um chamado aos arruaceiros que ainda não haviam sido levados de roldão pelo Motörhead, surgido naquele ano. E um posicionamento que daria imagem heroica ao grupo.

Com Jailbreak (26 de março de 1976) nas lojas, Phil e seus amigos conseguiam simultaneamente soarem parecidos com Status Quo e Bruce Springsteen, com Uriah Heep e Rolling Stones. Era um álbum pesado e clássico, com canções perfeitas como Running back, músicas sensíveis como Romeo and the lonely girl, histórias bem contadas como a de Cowboy song – um aceno ao público norte-americano, falando sobre o dia a dia de um cowboy peregrino, em meio a nuances de country e rock pauleira. Mas tinha lá a fuga espetacular de Jailbreak, o romantismo rueiro de The boys are back in town. Mais do que o sucesso, o entendimento nos Estados Unidos do que era o grupo vinha a cavalo.

As tais “opiniões discordantes” dentro do quarteto criaram climas tensos durante a gravação. John Alcock, o produtor, tinha a missão de deixar o som do Thin Lizzy mais palatável. Ordenou a diminuição dos improvisos e dos solos longos de guitarra (Gorham e Robertson detestaram), pôs um músico de estúdio (Tim Hinckley, espécie de herói do teclado londrino) para amaciar o som da balada Running back com um piano elétrico.

No caso dessa faixa, deu tão certo que The boys quase perdeu o posto de single do álbum. E no caso do álbum, o sucesso era praticamente inevitável. Jailbreak ganhou disco de ouro e abriu caminho para outros discos da mesma estatura: Johnny the fox (1976) e Bad reputation (1977). Pena que brigas, excessos e problemas com a gravadora acabaram tomando quase toda a atenção do grupo daí diante. Acompanhado pelo amigo Midge Ure (Ultravox), Phil iniciou uma inusitada carreira solo no tecnopop e no pós-punk, antes de gravar os últimos discos do Thin Lizzy. Viciado em heroína e acumulando problemas de saúde, morreu em janeiro de 1986. E faz muita falta.

Cultura Pop

No nosso podcast, os erros e acertos dos Foo Fighters

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Você pensava que o Pop Fantasma Documento, nosso podcast, não ia mais voltar? Olha ele aqui de novo, por três edições especiais no fim de 2025 – e ano que vem estamos de volta de vez. No terceiro e último episódio, o papo é o começo dos Foo Fighters, e o pedaço de história que vai de Foo Fighters (1995, o primeiro disco) até There’s nothing left to lose (o terceirão, de 1999), esticando um pouco até a chegada de Dave Grohl e seus cometas no ano 2000.

Uma história e tanto: você vai conferir a metamorfose de Grohl – de baterista do Nirvana a rockstar e líder de banda -, o entra e sai de integrantes, os grandes acertos e as monumentais cagadas cometidas por uma das maiores bandas da história do rock. Bora conferir mais essa?

Edição, roteiro, narração, pesquisa: Ricardo Schott. Identidade visual: Aline Haluch (foto: encarte do álbum Foo Fighters). Trilha sonora: Leandro Souto Maior. Vinheta de abertura: Renato Vilarouca. Estamos aqui de quinze em quinze dias, às sextas! Apoie a gente em apoia.se/popfantasma.

(a parte do FF no ano 2000 foi feita com base na pesquisa feita pelo jornalista Renan Guerra, e publicada originalmente por ele neste link)

Ouça a gente preferencialmente no Castbox. Mas estamos também no Mixcloud, no Deezer e no Spotify.

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No nosso podcast, Alanis Morissette da pré-história a “Jagged little pill”

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No nosso podcast, Alanis Morissette da pré-história a "Jagged little pill"

Você pensava que o Pop Fantasma Documento, nosso podcast, não ia mais voltar? Olha ele aqui de novo, por três edições especiais no fim de 2025 – e ano que vem estamos de volta de vez. No segundo e penúltimo episódio desse ano, o papo é um dos maiores sucessos dos anos 1990. Sucesso, aliás, é pouco: há uns 30 anos, pra onde quer que você fosse, jamais escaparia de Alanis Morissette e do seu extremamente popular terceiro disco, Jagged little pill (1995).

Peraí, “terceiro” disco? Sim, porque Jagged era só o segundo ato da carreira de Alanis Morissette. E ainda havia uma pré-história dela, em seu país de origem, o Canadá – em que ela fazia um som beeeem diferente do que a consagrou. Bora conferir essa história?

Edição, roteiro, narração, pesquisa: Ricardo Schott. Identidade visual: Aline Haluch (foto: Capa de Jagged little pill). Trilha sonora: Leandro Souto Maior. Vinheta de abertura: Renato Vilarouca. Estamos aqui de quinze em quinze dias, às sextas! Apoie a gente em apoia.se/popfantasma.

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Cultura Pop

No nosso podcast, Radiohead do começo até “OK computer”

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Radiohead no nosso podcast, o Pop Fantasma Documento

Você pensava que o Pop Fantasma Documento, nosso podcast, não ia mais voltar? Olha ele aqui de novo, por três edições especiais no fim de 2025 – e ano que vem estamos de volta de vez. Para abrir essa pequena série, escolhemos falar de uma banda que definiu muita coisa nos anos 1990 – aliás, pra uma turma enorme, uma banda que definiu tudo na década. Enfim, de técnicas de gravação a relacionamento com o mercado, nada foi o mesmo depois que o Radiohead apareceu.

E hoje a gente recorda tudo que andava rolando pelo caminho de Thom Yorke, Jonny Greenwood, Colin Greenwood, Ed O’Brien e Phil Selway, do comecinho do Radiohead até a era do definidor terceiro disco do quinteto, OK computer (1997).

Edição, roteiro, narração, pesquisa: Ricardo Schott. Identidade visual: Aline Haluch (foto: reprodução internet). Trilha sonora: Leandro Souto Maior. Vinheta de abertura: Renato Vilarouca. Estamos aqui de quinze em quinze dias, às sextas! Apoie a gente em apoia.se/popfantasma.

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