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Cultura Pop

Quando Suzanne Vega foi a mãe do MP3

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Quando Suzanne Vega foi a mãe do MP3

Em 2008, Suzanne Vega decidiu contar a história de um de seus maiores hits, Tom’s diner. O texto da cantora sobre a canção saiu num blog que existia no New York Times chamado Medida por medida, que contava a história de composições famosas.

Colocamos o vídeo da canção aí em cima, mas impossível que você não lembre da música ou nunca a tenha escutado – até porque, mais do que a própria música, o número de samples que utilizavam o vocal simples e infantil de Suzanne ficou enorme. Lançada como uma vinheta a capella de abertura do seu segundo disco, Solitude standing (1987), Tom’s diner acabou virando hit mesmo na sua releitura dance, lançada em 1990 pela dupla de DJs D.N.A. O sucesso da música acabou afastando de Suzanne a pecha de cantora-de-um-hit-só (no caso Luka, que também havia sido lançada em 1987 no mesmo disco, e ofuscou quase tudo dele).

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A canção tinha sido iniciada quase dez anos antes do sucesso, quando Suzanne estava na faculdade. Por sinal, Tom’s diner fazia referência a um lugar da vida real: o Tom’s Restaurant, na Broadway. Que, olha só, é o mesmo cujo letreiro aparece nos créditos da série Seinfeld.

“Quando eu estava no Barnard College, em Manhattan, eu costumava ir ao Tom’s Restaurant para tomar um café, e depois que me formei, também comi lá antes de ir trabalhar”, escreveu Suzanne. “Era então um lugar barato e gorduroso na Broadway, e ainda é”. Na hora de fazer a letra, Suzanne recorreu às lembranças de um amigo fotógrafo, que disse que “sentia como se visse o mundo através de uma vidraça”.

“Eu estava no Tom e achei que seria divertido escrever uma música que fosse como um pequeno filme, onde o personagem principal vê todas essas coisas, mas não consegue responder a nada, a menos que se relacione diretamente com ele. A parte sobre a morte do ator era verdadeira – era William Holden. Alguns fãs recentemente procuraram o dia em que ele morreu e nomearam no dia seguinte o Tom’s Diner Day”, escreveu.

Tom’s diner foi crescendo, ganhando mais remixes e covers, e abrindo um mundo novo para Suzanne – que passou a ganhar fãs nas áreas de dance music, hip hop, etc. O que ela não esperava era que em 2000, deixando a filha na escola, ganhasse os parabéns do pai de uma colega da menina. O motivo da congratulação era pitoresco: Suzanne estava sendo considerada a “mãe do MP3” por causa de um artigo publicado numa revista.

O que havia acontecido, em linhas gerais: Karl-Heinz Brandenburg, um dos cientistas alemães que trabalhavam na compressão do MP3, tinha escutado Tom’s diner sendo tocada no corredor do seu laboratório de pesquisa, e pensou que o calor natural da voz de Suzanne seria o modelo perfeito para melhorar o algoritmo do MP3. Brandenburg passou meses ouvindo a música e trabalhando em cima dela, até que ficou perfeito.

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“Quando um MP3 player compacta músicas de qualquer pessoa, de Courtney Love a Kenny G, está reproduzindo a maneira como Brandenburg ouviu Suzanne Vega”, dizia o artigo. “Se Brandenburg conseguisse descobrir uma maneira de comprimir uma trilha tão delicada sem diminuir o brilho, ele poderia trabalhar com qualquer coisa”, complementou um texto do site Observer.

Um detalhe curioso é que Suzanne seria convidada, anos depois, a conhecer o Instituto Fraunhofer em Erlangen, Alemanha, onde rolou a criação do MP3 – ela também fala disso no texto. Ouviu os vários experimentos feitos com sua música, alguns bem distorcidos, e chegou a ter uma discussão com dr. Brandenburg sobre a fidelidade da reprodução do MP3.

“‘Todo mundo sabe que um MP3 comprime o som e, portanto, perde um pouco do calor’, insisti. ‘É por isso que algumas pessoas colecionam vinil …’ De repente me peguei, percebendo com quem estava falando na frente de uma sala cheia da mídia alemã”, afirmou, deixando claro que achou melhor não continuar a discussão quando viu que tinha deixado a turma do MP3 meio chocada.

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Cultura Pop

Raridade: recuperaram papo de Ian MacKaye para a revista Panacea, em 1994

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Auto-intitulada “a revista brasileira de quadrinhos (e outros bichos)” a revista Panacea fez muitas cabeças nos anos 1990 – na verdade, foi um zine transformado em revista, pela jornalista Gabriela Dias. hoje colunista da Revista Caju. E foi ela quem conduziu um papo com Ian MacKaye (Fugazi, Minor Threat) em 1994, quando o grupo se apresentou no desbravador festival Belo Horizonte Rock Independente Fest (o popular BHRIF).

Encontrar algum número da Panacea dando sopa é complicado – volta e meia aparece algum à venda no Mercado Livre. Em compensação, pegaram a tal entrevista de Ian MacKaye, bateram tudo e subiram no site Issuu. “Em 2003 copiei o texto, diagramei, imprimi e distribui entre alguns amigos. Na época eu não revisei, também não sabia diagramar e muito menos o que era leiturabilidade”, diz a pessoa, que passou horas batendo a conversa.

Na abertura do papo, Gabriela explica que Ian é “obsessivo, gentil, atencioso”, mas “simples, direto e ríspido”. Os dois lados do músico, conhecido pelo mergulho total na atitude punk e pelo “não se vender” levado à máxima potência, ficam bem claros no papo.

>>> Veja também no POP FANTASMA: Quando Guy Picciotto (Fugazi) cantou enfiado numa cesta de basquete

MacKaye recusa-se a dar conselhos aos repórteres sobre como fazer a cena independente funcionar no Brasil (“vocês não precisam de um americano para dizer como fazer as coisas”, esbraveja) e foge de fazer comentários sobre colegas, mesmo que positivos. Mas diz que Henry Rollins, quando foi cantor do Black Flag, foi roubado pelos donos da gravadora SST. E reclama que as majors, uma tentação a qual o Fugazi nunca cedeu, são ambiciosas demais. “A especialidade delas é pegar um pedaço de merda, dar uma polida e fazer um disco”, diz ele, por sinal amigo de Rollins desde a infância.

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“Não é interessante ser parte de uma major. É chato. Às vezes eu penso: ‘Deus, todos os meus amigos são milionários e famosos, e eu sou este carinha que é fiel ao próprio mundo. As pessoas pensam que uma banda como Rage Against The Machine é que é radical. Como se pode ter raiva da máquina quando se é parte dela?”, prega Ian.

Tá aqui a conversa toda. Leia antes que suma.

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Cultura Pop

Bob Dylan elogiando Madonna

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Bob Dylan elogiando Madonna

Em 1991, Bob Dylan afirmava à American Songwriter que desprezava o pop. O cantor, que tinha lançado um ano antes o disco Under the red sky, elogiou compositores como Brian Wilson e Randy Newman, e disse que ninguém deve se guiar pelas canções de um arista pop. Mas falou bem de ninguém menos que Madonna.

“O entretenimento pop não significa nada para mim. Nenhuma coisa. Você sabe, Madonna é boa. Madonna é boa, ela é talentosa, ela une todos os tipos de coisas, ela aprendeu suas coisas … Mas é o tipo de coisa que leva anos e anos da sua vida para você ser capaz de fazer. Você tem que se sacrificar muito para fazer isso. Sacrifício. Se você quer se tornar grande, você tem que sacrificar muito. É tudo igual, é tudo igual”, disse, rindo.

Bob também fez um comentário bem interessante sobre Jim Morrison quando ouviu que o hoje negacionista militante Van Morrison o considerava o maior poeta vivo. “Os poetas costumam ter finais muito infelizes. Veja a vida de Keats. Olhe para Jim Morrison, se você quiser chamá-lo de poeta. Olhe para ele. Embora algumas pessoas digam que ele está realmente nos Andes”, afirmou.

O repórter da revista perguntou se ele achava que isso era verdade e Dylan saiu fora da resposta. “Bom, nunca passou pela minha cabeça pensar de uma forma ou de outra sobre isso, mas você ouve isso por aí. Pegando carona nos Andes. Montando um burro”, disse.

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Uma revelação que Bob fez no papo é a de que ele prefere, no piano, as teclas pretas para trabalhar. “E elas soam melhor na guitarra também. Às vezes, quando uma música tem uma tonalidade bemol, digamos Si bemol, leve para o violão, você pode querer colocá-la em Lá”, diz. “Quando você pega uma música de tecla preta e a coloca no violão, o que significa que você está tocando em lá bemol, muitas pessoas não gostam de tocar nessas teclas. Para mim não importa”.

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Cultura Pop

Quando Syd Barrett fez resenha de David Bowie

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Quando Syd Barrett fez resenha de David Bowie

A Melody Maker, publicação britânica de música, tinha o hábito de pedir a artistas conhecidos que comentassem lançamentos da época. Em 1967, Paul McCartney chegou a fazer uma resenha (falando bem) de Purple haze, single do Jimi Hendrix Experience. E caiu para ninguém menos que o novato (na época) Syd Barrett analisar um single de um cantor mais novato ainda: Love you till tuesday, de David Bowie.

Segundo a Far Out Magazine, algum emissário da revista visitou o Pink Floyd durante a gravação do single Bike, levou a canção para Syd ouvir e extraiu dele várias opiniões sobre o disco. “Sim, é um número de piada. Piadas são boas. Todo mundo gosta de piadas. O Pink Floyd gosta de piadas”, escreveu/falou o cantor da banda. “É muito casual. Se você tocar uma segunda vez, pode ser ainda mais uma piada”.

A animação de Barrett terminou aí. O cantor ainda disse que as pessoas iriam gostar da letra e de suas brincadeiras com os dias da semana. Mas… “Muito alegre, mas não acho que meus dedos do pé estavam batendo”, afirmou. Ironicamente, Barrett era uma das maiores referências de Bowie em sua primeira fase de carreira, e continuaria sendo uma sombra enorme no trabalho dele por vários anos. Olha Bowie nos anos 1970 cantando See Emily play, do Pink Floyd.

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“Syd foi uma grande inspiração para mim Ele era tão carismático e um compositor surpreendentemente original”, afirmou Bowie em 2006, quando Barrett morreu. “Além disso, junto com Anthony Newley, ele foi o primeiro cara que ouvi cantar pop ou rock com sotaque britânico. Seu impacto em meu pensamento foi enorme. Um grande pesar é que nunca o conheci. Um diamante, de fato”.

Seja como for, nem Love you till tuesday nem o primeiro disco de Bowie, The world of David Bowie (1967) fizeram sucesso algum. E olha que o cantor e seu empresário tentaram, já que saiu até um filme com pequenos clipes do disco. A gente falou disso aqui.

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