Cultura Pop
Quando botaram o Soundgarden para abrir para o Guns N Roses e deu m…

No começo, parecia uma boa ideia unir o Soundgarden ao Guns N Roses. O grupo do saudoso cantor Chris Cornell era aquele chapa quietão que todas as bandas mainstream queriam ter do lado – havia inspirado o riff de Enter sandman, do Metallica, estava conseguindo se manter na A&M (tinha sido a primeira banda de Seattle a conseguir um contrato com uma gravadora grande) e geralmente era citado como a novidade preferida de vários grupos mais conhecidos.
O que importava era que justamente no período que o The Guardian definiu com a frase “Nevermind não importava;1991 foi o ano do Guns N Roses”, Axl Rose e seus parceiros de trabalho tinham resolvido, no fim daquele ano, chamar justamente o Soundgarden para ser a banda de abertura de seus shows. A única coisa que ninguém tinha pensado: o Guns estava em plena fase de devassidão total, tomando drogas como se fossem Mentos, frequentado boates de strip tease e fazendo festas animais (que comiam boa parte do orçamento da turnê) entre um show e outro. E o Soundgarden, mesmo fazendo um som pesado que agradava aos fãs do Guns, era uma banda sorumbática da região de Seattle.
Susan Silver, empresária do Soundgarden lembrou no livro Everybody loves our town: A history of grunge, de Mark Yarm, que a notícia de que o grupo tinha recebido uma oferta para abrir para o Guns não havia sacudido os corações dos músicos. “Cheguei com uma caixa cheia de camisetas e novos designs para a banda, e estava super animada com a notícia”, contou. Após ouvirem a oferta que a empresária havia recebido, silêncio de trinta segundos, até que um deles disse: “E o que tem na caixa?”.
O baixista Ben Shepherd foi bem direto e disse no mesmo livro: sou um cara do punk, sou fã de Black Flag, não curto esse tipo de butt rock. “A turnê foi uma extravagância do metal, um circo do metal. Não queria tocar em estádios, você fica longe dos fãs e o som é uma porcaria. Daí estava lá eu, exposto ao mesmo tipo de butt rocker que tentava me bater quando eu era um punk”, contou. Matt Cameron, baterista, se recorda do backstage ser um “pesadelo”, especialmente porque o Guns chegava atrasado e pagava multa em todos os lugares em que se apresentava. E viu Axl ameaçar não subir no palco e acabar com o grupo nos bastidores.
O grupo socializava um pouco com Slash e com o baixista Duff McKagan, mas a coisa não rolava a contento – a ponto do Guns perceber e botar no Soundgarden o apelido de Frowngarden (algo como “jardim dos cara-feia”). O guitarrista diz em Slash, a autobiografia, escrito com Anthony Bozzio, que entendia o Soundgarden, até porque o Guns era uma usina de encrencas e um monstro que sugava tudo a seu redor na época.
Mas, além do tal apelido, rolaram outras zoações: no último show com Chris Cornell e seus amigos, em 1 de fevereiro de 1992 no Arizona, Slash, Duff e Matt Sorum (bateria) subiram ao palco com bonecas infláveis. “Que eu me lembre, eu era o único completamente pelado”, contou. “O Soundgarden ficou mortificado. Olharam para o lado e estávamos sacudindo bonecas infláveis em volta dele”.
E já que você chegou até aqui, pega aí o Guns relendo Black hole sun, do Soundgarden.
Cultura Pop
George Harrison em 2001: “O que é Eminem?”

RESUMO: Em 2001, George Harrison participou de chats no Yahoo e MSN para divulgar All Things Must Pass; com humor, respondeu fãs poucos meses antes de morrer – e desdenhou Eminem (rs)
Texto: Ricardo Schott – Foto: Reprodução YouTube
- Quer receber nossas descobertas musicais direto no e-mail? Assine a newsletter do Pop Fantasma e não perca nada.
“Que Deus abençoe a todos vocês. Não se esqueçam de fazer suas orações esta noite. Sejam boas almas. Muito amor! George!”. Essa recomendação foi feita por ninguém menos que o beatle George Harrison no dia 15 de fevereiro de 2001 – há 25 anos e alguns dias, portanto – ao participar de dois emocionantes chats (pelo Yahoo e pelo MSN).
O tal bate-papo, além de hoje em dia ser importante pelos motivos mais tristes (George morreria naquele mesmo ano, em 29 de novembro), foi uma raridade causada pelo relançamento remasterizado de seu álbum triplo All things must pass (1970), em janeiro de 2001. George estava cuidando pessoalmente da remasterização de todo seu catálogo e o disco, com capa colorida e fotos reimaginadas, além de um kit de imprensa eletrônico (novidade na época), era o carro-chefe de toda a história. O lançamento de um site do cantor, o allthingsmustpass.com, também era a parada do momento (hoje o endereço aponta para o georgeharrison.com).
Os dois bate-papos tiveram momentos, digamos assim, inesquecíveis. No do Yahoo, George fez questão de dizer que era sua primeira vez num computador: “Sou praticamente analfabeto 🙂 “, escreveu, com emoji e tudo. Ainda assim, um fã meio distraído quis saber se ele surfava muito na internet. “Não, eu nunca surfo. Não tenho a senha”, disse o paciente beatle. Um fã mais brincalhão quis saber das influências dos Rutles, banda-paródia dos Beatles que teve apoio do próprio Harrison, no som dele (“tirei todas as minhas influências deles!”) e outro perguntou sobre a indicação de Bob Dylan ao Oscar (sua Things have changed fazia parte da trilha de Garotos incríveis, de Curtis Hanson). “Acho que ele deveria ganhar TODOS os Oscars, todos os Tonys, todos os Grammys”, exultou.
A conta do Instagram @diariobeatle deu uma resumida no chat do Yahoo e lembrou que George contou sobre a origem dos gnomos da capa de All things must pass, além de associá-los a um certo quarteto de Liverpool. “Originalmente, quando tiramos a foto eu tinha esses gnomos bávaros antigos, que eu pensei em colocar ali tipo… John, Paul, George e Ringo”, disse. “Gnomos são muito populares na Europa. E esses gnomos foram feitos por volta de 1860”.
Ver essa foto no Instagram
A ironia estava em alta: George tambem disse que se começasse um movimento como o Live Aid ajudaria… Bob Geldof (!)., o criador do evento. Perguntado sobre se Paul McCartney ainda o irritava, contemporizou: “Não examine um amigo com uma lupa microscópica: você conhece seus defeitos. Então deixe suas fraquezas passarem. Provérbio vitoriano antigo”, disse. “Tenho certeza de que há coisas suficientes em mim que o irritam, mas acho que já crescemos o suficiente para perceber que nós dois somos muito fofos!”. Um / uma fã perguntou sobre o que ele achava da nominação de Eminem para o Grammy. “O que é Eminem?”, perguntou. “É uma marca de chocolates ou algo assim?”.
Bom, no papo do MSN um fã abusou da ingenuidade e perguntou se o próprio George era o webmaster de si próprio. “Eu não sou técnico. Mas conversei com o pessoal da Radical Media. Eles vieram à minha casa e instalaram os computadores. Os técnicos fizeram tudo e eu fiquei pensando em ideias. Eu não tinha noção do que era um site e ainda não entendo o conceito. Eu queria ver pessoas pequenas se cutucando com gravetos, tipo no Monty Python”, disse.
Pra ler tudo e matar as saudades do beatle (cuja saída de cena também faz 25 anos em 2026), só ir aqui.
- Gostou do texto? Seu apoio mantém o Pop Fantasma funcionando todo dia. Apoie aqui.
- E se ainda não assinou, dá tempo: assine a newsletter e receba nossos posts direto no e-mail.
Cultura Pop
No nosso podcast, os erros e acertos dos Foo Fighters

Você pensava que o Pop Fantasma Documento, nosso podcast, não ia mais voltar? Olha ele aqui de novo, por três edições especiais no fim de 2025 – e ano que vem estamos de volta de vez. No terceiro e último episódio, o papo é o começo dos Foo Fighters, e o pedaço de história que vai de Foo Fighters (1995, o primeiro disco) até There’s nothing left to lose (o terceirão, de 1999), esticando um pouco até a chegada de Dave Grohl e seus cometas no ano 2000.
Uma história e tanto: você vai conferir a metamorfose de Grohl – de baterista do Nirvana a rockstar e líder de banda -, o entra e sai de integrantes, os grandes acertos e as monumentais cagadas cometidas por uma das maiores bandas da história do rock. Bora conferir mais essa?
Edição, roteiro, narração, pesquisa: Ricardo Schott. Identidade visual: Aline Haluch (foto: encarte do álbum Foo Fighters). Trilha sonora: Leandro Souto Maior. Vinheta de abertura: Renato Vilarouca. Estamos aqui de quinze em quinze dias, às sextas! Apoie a gente em apoia.se/popfantasma.
(a parte do FF no ano 2000 foi feita com base na pesquisa feita pelo jornalista Renan Guerra, e publicada originalmente por ele neste link)
Ouça a gente preferencialmente no Castbox. Mas estamos também no Mixcloud, no Deezer e no Spotify.
Mais Pop Fantasma Documento aqui.
Cultura Pop
No nosso podcast, Alanis Morissette da pré-história a “Jagged little pill”

Você pensava que o Pop Fantasma Documento, nosso podcast, não ia mais voltar? Olha ele aqui de novo, por três edições especiais no fim de 2025 – e ano que vem estamos de volta de vez. No segundo e penúltimo episódio desse ano, o papo é um dos maiores sucessos dos anos 1990. Sucesso, aliás, é pouco: há uns 30 anos, pra onde quer que você fosse, jamais escaparia de Alanis Morissette e do seu extremamente popular terceiro disco, Jagged little pill (1995).
Peraí, “terceiro” disco? Sim, porque Jagged era só o segundo ato da carreira de Alanis Morissette. E ainda havia uma pré-história dela, em seu país de origem, o Canadá – em que ela fazia um som beeeem diferente do que a consagrou. Bora conferir essa história?
Edição, roteiro, narração, pesquisa: Ricardo Schott. Identidade visual: Aline Haluch (foto: Capa de Jagged little pill). Trilha sonora: Leandro Souto Maior. Vinheta de abertura: Renato Vilarouca. Estamos aqui de quinze em quinze dias, às sextas! Apoie a gente em apoia.se/popfantasma.
Ouça a gente preferencialmente no Castbox. Mas estamos também no Mixcloud, no Deezer e no Spotify.
Mais Pop Fantasma Documento aqui.








































