Um tempo atrás me marcaram no Facebook num desses desafios de “melhores discos”. Eu decidi fazer diferente e resolvi escrever, nessa época, sobre discos controversos que, por algum motivo ou outro, eu achava que as pessoas deveriam dar uma segunda chance. Enfim, discos da discórdia (um belo dum trocadalho do carilho, enfim).

Como recentemente aqui no POP FANTASMA eu pus no ar uma série sobre lendas urbanas e umas das diretrizes editoriais (eita!) do site é fazer mais séries sobre assuntos diversos da cultura pop, resolvi transformar os textos numa série com dez álbuns que não são lá grandes campeões de aceitação por parte da crítica, mas que mereciam um pouco mais da sua atenção. O sétimo disco da série mostrou um astro do rock em fase, er, renovada.

SÓ ALEGRIA COM “EMPIRE BURLESQUE”, DE BOB DYLAN (1985)

Discos da discórdia 7: Bob Dylan, com "Empire burlesque"

Empire burlesque saiu em 1985 e foi o segundo disco de Bob Dylan após largar aquela pilha errada de evangelismo cristão. Tem teclados a rodo e sons mais dançantes. E hits bacanas como Tight connection to my heart (Has anybody seen my love) – em cujo clipe o astro aparece todo pontudão, se engraçando com duas gatas. Mas o álbum não é bem visto por boa parte da crítica e dos fãs antigos. Que aliás o consideram uma tentativa mal sucedida de abraçar a sonoridade dos anos 1980.

O fato de não ser um disco naturalmente provocador (uma resenha publicada na Bizz dizia que “Ronald Reagan podia ficar sossegado” com o novo disco de Bob Dylan) e de ter um tom mais pop e romântico deixou muita gente chateada. A capa também tem aquela poluição visual e aquele mau-gostismo típicos das primeiras produções gráficas feitas com computador.

A vida amorosa do cantor voltava também a ficar movimentada. Dylan poderia dar várias opções a uma tia que lhe perguntasse “e as namoradinhas?”. Em 1986, iniciaria um relacionamento dos mais esquisitos com uma de suas vocalistas, Carolyn Dennis. O casal nunca apareceu junto em lugar algum, mas os dois ficaram juntos por quatro anos e tiveram uma filha. A boa fase, claro, vazou para as letras.

MUITO TEMPO NO ESTÚDIO

Outra novidade na vida de Dylan é que a produção de seus discos passaria a seguir processos muito loucos. Em Empire burlesque, o cantor gastaria tempo e grana em sessões intermináveis com vários músicos de estúdio diferentes, sem garantir que o material seria aproveitado ou não. Nunca um álbum de Bob Dylan havia sido tão dispendioso.

A turma que gravou com ele incluiu ratos de estúdio como os bateras Anton Fig e Jim Keltner, o ex-guitarrista dos Rolling Stones Mick Taylor e os magos do dub Sly & Robbie. Nesse entra e sai de gente, que se tornaria padrão, até mesmo Steve Jones (guitarra, Sex Pistols) viraria colaborador de Bob Dylan num disco posterior (falamos disso aqui).

Pega Empire burlesque aí.

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