Connect with us

Crítica

Ouvimos: Omni, “Souvenir”

Published

on

Ouvimos: Omni, “Souvenir”
  • Souvenir é o quarto álbum do Omni, trio de Atlanta, Georgia, ligado ao pós-punk clássico. Entre as bandas preferidas deles estão REM, The Cure, Big Audio Dynamite, e “clássicos do college radio”. Na formação do trio hoje, Philip Frobos nos vocais e baixo, Frankie Broyles na guitarra e teclado, e Chris Yonker na bateria.
  • O novo álbum é o segundo deles pela Sub Pop. O grupo tem influências dos anos 1970/1980 mas não se considera purista em nada “Nem sequer gravamos em tape ou algo assim. Mas gostamos de cair dentro de tudo e fazermos nós mesmos”, diz Frobos ao site Kiyi Music.
  • Com Souvenir, Frobos, que foi bartender durante a pandemia, estreia como músico em tempo integral. “Nada de errado com isso também. Conheço músicos muito maiores do que a nossa banda que têm contrato com grandes gravadoras e trabalham em segundo emprego apenas para manter o dinheiro fluindo. Infelizmente, é disso que todos precisamos. Faça o seu melhor e mantenha suas expectativas sonhadoras, mas realistas. E não tenha medo”, aconselha.

Quase impossível não pensar numa versão mais robótica do Television ao ouvir o som do Omni. As referências são bem claras: além do grupo de Tom Verlaine, nomes como Talking Heads, The Cure, Gang Of Four, Devo, Buzzcocks e certa dose de The Clash batem ponto no som desse grupo da Georgia, promovendo uma fusão exatíssima de punk britânico e norte-americano, ambos setentistas e clássicos.

Em Souvenir, o quarto disco, o som do Omni ressurge filtrado pelo indie rock dos anos 2000, nos riffs ágeis de Exacto e Plastic pyramid – esta, com Izzy Glaudini, do Automatic, dialogando nos vocais, e um certo ar hard rock nos solos de guitarra. E pelos ritmos e andamentos inusitados e quebrados de Common mistakes, uma espécie de canção de paquera no isolamento, ou algo do tipo. A letra, com versos como “se você não tem vontade de falar enquanto está no trabalho/faça seu trabalho, pessoa bonita/a vida é apenas uma tarefa”, parece um daqueles comentários bizarros feitos por Jonathan Richman nas músicas dos Modern Lovers.

  • Apoie a gente e mantenha nosso trabalho (site, podcast e futuros projetos) funcionando diariamente.

INTL waters parece uma espécie de união XTC + Gang Of Four, com agilidade complementada pelo arranjo cheio de surpresas, pelas partes diferentes da melodia, e pela letra revoltada (“caçando oligarcas/pegue todos eles pelo que eles têm/e isso é muito”). Já faixas como PG, a funkeada To be rude e Double negative soam como o King Crimson soaria se fosse produzido por Tom Verlaine. Ou o Television por Robert Fripp, quem sabe (não é difícil de imaginar, já que uma velha lenda diz que Fripp se convidou para entrar para o Television como terceiro guitarrista, mas Tom e Richard Lloyd não acharam a ideia boa).

Rola um tom quase no wave no disco em músicas como Granite kiss e Verdict, por causa dos ritmos inusitados e das experimentações em arranjos e composição. Mas tem ainda F1 que quase ameaça um punk progressivo, se é que isso é possível. E tem o final, com a sinuosa Compliment, que escancara de vez o quanto essa turma reza no altar do Television, mas deixa a impressão de que Black Sabbath está na playlist deles. Ouça essa banda com bastante atenção.

Nota: 10
Gravadora: Sub Pop

Crítica

Ouvimos: The Spoiled – “When it rains”

Published

on

Resenha: The Spoiled – “When it rains”

RESENHA: Darkwave italiano do The Spoiled aposta em clima sombrio, referências clássicas e pouca originalidade, mas constrói um disco coeso e atmosférico com When it rains.

Texto: Ricardo Schott

Nota: 8
Gravadora: Avant! Records
Lançamento: 17 de abril de 2026

  • Quer receber nossas descobertas musicais direto no e-mail? Assine a newsletter do Pop Fantasma e não perca nada.

E o darkwave italiano, como vai? A julgar por When it rains, álbum do The Spoiled – projeto do músico, cantor e compositor Giovanni Santolla – vai bem, obrigado. O som do The Spoiled tá bem longe de ser original, mas por outro lado, darkwave está bem distante de ser um desses estilos que fabricam uma banda original a cada esquina.

O clima é aquele comum ao estilo: teclados, baixo à frente, guitarra econômica, beat motorizado próximo do punk, em faixas como Sad eyes, angry eyes, Not my cure, Fall in love with a ghost e a faixa-título. Muita coisa em When it rains segue aquela onda de sangue e terror comumente associada ao universo gótico – afinal, é o disco da já citada Fall in love with a ghost, da cerimonial Two souls apart (frases convidativas como “puxe a faca e me veja sangrar”, “me esfaqueie pelas costas”, entre os versos), do sofrimento de The night you burn e da ameaçadora Watch me bleed.

  • Ouvimos: Friko – Something worth waiting for

Lembranças de bandas com The Cure, Nine Inch Nails, Sisters of Mercy (essa, especialmente em Dead wasted girl) e até o New Order do álbum Movement (1981) são o motor do The Spoiled, musicalmente falando – com direito a vocais que lembram diretamente os de Trent Reznor em The fault was you e um som bastante linkado ao Cure na eletrônica Crush e na deprê pós-punk de Say goodbye. Tem ainda Just a dream away, que apesar do nome, é uma vinheta com total clima de pesadelo. The Spoiled é um universo sombrio muito bem montado.

  • Gostou do texto? Seu apoio mantém o Pop Fantasma funcionando todo dia. Apoie aqui.
  • E se ainda não assinou, dá tempo: assine a newsletter e receba nossos posts direto no e-mail.

 

Continue Reading

Crítica

Ouvimos: Dusty Lucite – “Shmaltz”

Published

on

Resenha: Dusty Lucite – “Shmaltz”

RESENHA: Dusty Lucite, projeto de HL Stratton-Kuhta, lança Shmaltz: nove faixas sobre o amor em várias formas, entre psicodelia, grunge, folk e lo-fi.

Texto: Ricardo Schott

Nota: 8,5
Gravadora: Lawn Moaner Records
Lançamento: 1º de maio de 2026

  • Quer receber nossas descobertas musicais direto no e-mail? Assine a newsletter do Pop Fantasma e não perca nada.

A banda Dusty Lucite, de Portland, é uma criação da guitarrista HL Stratton-Kuhta, com colaborações do marido (N. Kuhta) e do filho (EA Kuhta). HL faz som na guitarra desde 1996, veio do “berço suburbano do movimento grunge de Seattle” e foi bastante influenciada por uma show do Radiohead que assistiu na adolescência, mas sua banda surgiu só há dez anos, quando conseguiu uma interface de áudio.

Após abordar os horrores da pandemia no álbum Normal harder (2024), HL volta resolvendo uma questão pessoal séria em Shmaltz, o novo disco. Recebeu uma mensagem de uma parceira musical que dizia: “na dúvida, faça canções de amor” – e temas românticos, particularmente, nunca a haviam interessado, até porque achava que num mundo musical predominantemente masculino, era o que se esperava de uma mulher compositora.

  • Ouvimos: Webb Chapel – Vernon manner

O resultado são as nove canções de Shmaltz, disco que vê o amor por um ponto de vista bem completo, já que fala de “amor verdadeiro, amor materno, amor fadado ao fracasso, toda a gama de possibilidades do amor”, em clima meio psicodélico + sixties, meio punk. Soa às vezes como um B-52s minimalista, como em Heroic dose, música sobre uma espécie de dating psicodélico. The gloss if unshed tears (In Paul Giamatti’s eyes), uma baladinha psicodélica, é amor cagado virando raiva (“seus olhos me perfuraram e apagaram o amor que costumávamos compartilhar, e eu desapareci / não há como prever o que acontecerá conosco”).

  • Ouvimos: Jody Glenham – Still here (EP)

All you love’n é college rock anos 1990, só que referenciado em girl groups de três décadas antes, para falar de um amor que é “como uma revolução” e que acaba saindo pior que a encomenda (“você me manipula como um tambor, eu acabo atordoada, completamente entorpecida / eu ando de um lado para o outro nessas noites sem dormir”). Vai por aí o clima de Shmaltz, disco que fala de paixões, amores e outras obsessões de uma maneira bem pouco usual, emendando na poesia grunge a la PJ Harvey no dream pop Wooden pins, num clima mais reconfortante na faixa-título (uma balada escapista de clima folk e etéreo) e numa vibe sombria na letra de Butternut squash (cuja melodia é de canção soul lo-fi).

Essa onda “baixa fidelidade” dá as caras também em faixas como All I need e na vibe fugitiva de Doesn’t matter, um folk-rock a la Pixies (“encontre seu lugar a tempo de ver botas militares marchando / abrindo um pequeno caminho / e então o mar o leva embora / eles estão lá fora, vivendo a vida, cegos pela tensão / mas não importa agora, não importa”). Tudo termina com o clima punk de A piece of my mind, guitar rock que parece uma tentativa de anarquizar a herança de bandas como Aerosmith e Led Zeppelin.

  • Gostou do texto? Seu apoio mantém o Pop Fantasma funcionando todo dia. Apoie aqui.
  • E se ainda não assinou, dá tempo: assine a newsletter e receba nossos posts direto no e-mail.

Continue Reading

Crítica

Ouvimos: Blood Wizard – “Lucky life” (EP)

Published

on

Resenha: Blood Wizard – “Lucky life” (EP)

RESENHA: Lucky life, novo EP do Blood Wizard, mistura pós-punk, folk e dream pop, com clima de dúvida e espera. Curto, mas variado e bem amarrado.

Texto: Ricardo Schott

Nota: 8,5
Gravadora: Sad Club
Lançamento: 16 de abril de 2026

  • Quer receber nossas descobertas musicais direto no e-mail? Assine a newsletter do Pop Fantasma e não perca nada.

“O som do Blood Wizard opera em linhas nada finas localizadas entre Lou Reed e Mazzy Star, entre Primal Scream e Velvet Underground, entre o indie britânico dos anos 1980 e o vanguardismo de David Bowie nos anos 1970”. Foi o que falamos desse grupo criado pelo músico Cai Burns quando resenhamos o álbum Grinning william (2024). Lucky life, EP novo do grupo – primeiro lançamento desde o álbum anterior – vai nessa onda, com algumas variações.

  • Ouvimos: Crocodylus – Limbo, please be good to me

É um disco de pós-punk, ainda que as maquinações do estilo apareçam unidas a outras estileiras sonoras. E o “vida sortuda” do nome soa mais como uma brincadeira em que Cai e a cantora Faye Rita Robinson parecem estar eternamente esperando pelo dia de amanhã – como no indie rock doce e tranquilo da faixa-título. I know you well, pós-punk com cara folk e um riff de teclado meio anos 1980, é uma canção misteriosa, em que conhecer bem alguém é sinal de que você sabe como se aproveitar dessa pessoa.

Essas dúvidas surgem a todo momento no disco. Scared of the dark, por exemplo, não é nem um pouco reconfortante para quem está com medo do escuro. Essa balada shoegaze está mais para aqueles momentos em que não há saída a não ser deitar na cama e pensar em como as coisas deveriam ser. A bela Daydreaming, balada-blues com certa cara de R.E.M., é sobre querer muito voltar pra casa – mas lá pelas tantas rola um certo ar de que só restou aquilo… Com essas faixas e com o dream pop celestial e voador de Lick the big star, dá pra dizer que o Blood Wizard fez um disco curto e completo.

  • Gostou do texto? Seu apoio mantém o Pop Fantasma funcionando todo dia. Apoie aqui.
  • E se ainda não assinou, dá tempo: assine a newsletter e receba nossos posts direto no e-mail.

 

Continue Reading

Acompanhe pos RSS