Nos 50 anos do hit (Sittin’ on) The doc of the bay, de Otis Redding, tá chegando aí um lançamento de ouro para fãs do cantor. A Rhino/Warner empacotou os sete álbuns de Otis numa caixa, The definitive studio album collection. Tudo saiu com a arte original dos selos da Stax/Volt e com o som mono dos LPs da época. Olha aí.

Morto em um acidente de avião em 9 de dezembro de 1967, um mês antes do lançamento do single, Otis não pôde ver o quanto The doc of the bay impactou a cultura pop. Tida como uma daquelas canções que explicitam qualquer tipo de sentimento – da felicidade no amor à melancolia pura – ela vendeu cerca de quatro milhões de cópias em todo o mundo. O álbum The doc of the bay saiu na sequência e virou o primeiro LP póstumo a liderar as paradas britânicas. O site Dangerous Minds fez há alguns dias um bom histórico da música.

Steve Cropper, guitarrista de estúdio da Stax e músico de Booker T. and The MG’s, produzira e co-escrevera a canção com Otis. Após a morte do cantor, ficou responsável por finalizar a mixagem. E incluiu na faixa um aspecto sonoro que fez toda a diferença: barulhos de gaivotas e de ondas batendo. A ideia era reproduzir os sons que Otis ouvia em sua casa flutuante na Califórnia, onde começou a compor a canção. No Brasil, existe pelo menos um filhote dessa gravação. São os barulhos marítimos de Gaivotas, uma balada que Antonio Marcos compôs para Roberto Carlos.

Agora, além disso tudo, o que interessa é: a turma que opera as redes sociais de diversos artistas tem muito a aprender com a família de Redding. O Instagram do cantor faz um favorzaço investindo em vídeos raros, imagens antigas, fotos de amigos e parentes, e todo tipo de memorabília. Olha aí.

Fotos de Redding, tendo como fundo o maior hit do cantor.

Queremos alguns itens desses de presente: tem a tal caixa comemorativa de Otis, camisetas, moletons e até um single dourado.

Otis, o segundo da esquerda, ao lado dos amigos Ben E. King, Johnnie Taylor, Arthur Conley, e Percy Sledge.

Dá para dizer que é o encontro de duas lendas. Trata-se da foto da assinatura de contrato de Otis com Phil Walden, chefe da Capricorn Records. Até morrer, em 2006, Phil cuidou das carreiras de artistas como Allman Brothers Band, Lynyrd Skynyrd e até bandas mais recentes como Gov’T Mule e Cake.

Tá vindo por aí mais uma edição o Otis Music Camp, acampamento de férias para adolescentes que estudam música. É um iniciativa da Otis Redding Foundation, criada pela viúva do cantor, Zelma Redding, e que foca em projetos educacionais e humanitários para jovens. No acampamento, rolam desde aulas com músicos até palestras e sessões de Q&A com notáveis do mercado. A iniciativa surgiu de um desejo expressado por Otis nas últimas conversas com amigos e familiares.

Já viu o compacto original da música?

Nos anos 1960 e 1970 era comum que artistas afro-americanos fossem ludibriados por seus empresários. Quase sempre, o que acontecia era que assinassem contratos do tipo até-o-fim-da-vida, com cláusulas leoninas, “vendas” de músicas e a promessa de, sabe-se lá quando, gravarem um disco. E o tal disco geralmente era um compacto que mal chegava ao público. Quem quiser saber mais sobre isso, pode encontrar mais detalhes na série Vinyl, da HBO. Otis foi um dos primeiros artistas a virar esse jogo. Faz todo sentido que o contrato que assinou – ao lado do amigo Steve Cropper – para a gravação do hit Mr Pitiful seja um item histórico. E peça de museu.

O lado Zé Buscapé de Redding, um sujeito que antes de morrer pretendia gravar um disco de música country vertida para o idioma soul.

Olha o tal compactinho dourado aí. É uma versão ultralimitada de (Sittin’ on) The doc of the bay.

A viúva e a filha de Otis recebem um prêmio pela platina tripla conquistada pelo single (Sittin’ on) The doc of the bay.

Quando Cher gravou Otis. Versão lindíssima.

Sugestão da amiga Flávia Durante