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Cultura Pop

Neil Young proibido pela MTV em 1988

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Aquela vez em que a MTV proibiu um clipe de Neil Young

Em 1988, Neil Young, após alguns anos contratado pela Geffen (gravadora na qual viveu uma “fase psicodélica” tardia, com discos experimentais e radicalmente diferentes uns dos outros), voltava para a gravadora na qual havia lançado boa parte de sua discografia, a Reprise.

O retorno de Neil Young não aconteceu na mais completa tranquilidade, por sinal. O cantor vinha acompanhado por um novo grupo, The Bluenotes, com o qual excursionava desde 1987. Mas Young não havia pedido autorização ao grupo Harold Melvin & the Blue Notes para usar tal nome. Isso depois gerou um belo processinho, e o cantor precisou mudar o nome do grupo para Ten Working Man, no meio da turnê.

Ainda assim, deu tempo para Neil Young and The Bluenotes lançarem o disco “do retorno” do cantor à Reprise, This note’s for you. Cujo primeiro single foi a faixa-título, que mesmo não tendo nenhuma imagem tão politicamente incorreta assim, foi banido inicialmente da MTV americana (!).

PROIBIDÃO

Antes de mais nada, vale colocar que, nos anos 1980, não era tão comum assim que clipes fossem inteiramente banidos pela MTV. Mas havia um controle mais ou menos rígido da estação que fazia com que imagens ofensivas fossem cortadas de alguns vídeos.

Isso se tornou mais comum ainda no comecinho da onda do comitê Parents Music Resource Center (que colocava os selos de “música explícita” nos discos), lá por 1985. Mas clipes como o de That’s good, do Devo, eram imediatamente colocados no radar de bizarrices da MTV. No caso, por causa de uma animação em que uma batata frita aparece entrando no buraco de uma rosquinha. Nesse momento, corta para uma mulher seminua jogando os cabelos para trás (lembra quando você leu sobre isso no POP FANTASMA?).

Outro clipe que a MTV olhou de soslaio foi o de The ledge, dos Replacements, canção de trabalho do disco Pleased to meet me (1988). A coisa fedeu não exatamente por causa do vídeo (feito de extrema má vontade pela banda, que só aparecia fumando, comendo, bebendo, sentada em poltronas), mas porque a emissora percebeu que se tratava de uma música sobre suicídio. O clipe foi banido imediatamente (você também já leu sobre isso aqui).

E NEIL YOUNG COM ISSO?

Neil não era exatamente o tipo de artista que iria encher seus vídeos de profanidades ou coisas ofensivas. Mas em This note’s for you, a canção, ele decidiu protestar veementemente contra a comercialização na música. O nome da música vem, claro, do slogan da Budweiser, “this Bud’s for you”.

Se você está achando tudo isso muito estranho, lá vai: nos 1980, dilemas como “vendo minha música para o comercial da marca tal ou não?” faziam bastante sentido. A ponto de gerarem debates, cartas para redações e brigas de artistas com empresários, gravadoras e colegas (de banda, inclusive), numa época em que as grandes corporações ainda aprendiam a lidar com a música, e a música aprendia a lidar com novos formatos.

MICHAEL

Neil ainda continuou com o papo nos versos “I got the real thing, baby” (referência ao “it’s the real thing” da Coca-Cola) e “não estou cantando para Spuds” (Spuds MacKenzie, um bull terrier branco que era o cachorro-símbolo da cerveja Bud Light). Isso na música, porque o clipe seguia um efeito “entendeu ou quer que eu desenhe?”, com um sósia do Spuds cercado de garotas (como nas propagandas da Budweiser). E ainda trazia uma cena cruel que foi usada como álibi para a MTV cortar o clipe de sua programação: um sósia de Michael Jackson cujo cabelo pegava fogo.

A paródia de Michael, vale dizer, daria mais merda hoje em dia para Neil Young do que o mundo pop estava acostumado em 1988. Por sinal, essa história do cabelo queimando aconteceu (e você deve lembrar disso) de verdade. Filmando um comercial ao lado dos irmãos para a Pepsi em janeiro de 1984, Michael Jackson teve seu cabelo atingido por fogos de artifício.

O cabelo do popstar pegou fogo por alguns segundos (durante os quais ele continuou dançando, sem perceber) e as chamas foram apagadas por gente da técnica e por seus irmãos. Jackson foi para o Hospital Cedars-Sinai e teve queimaduras de segundo e terceiro grau. A Pepsi, que já havia desembolsado mais de US$ 5 milhões de cachê para os Jackson, pagou mais US$ 1,5 milhão em indenizações a Michael.

XINGOU MUITO E GANHOU PRÊMIO

A MTV alegou que não queria problemas com o time de advogados de Michael e baniu o clipe. Neil, por sua vez, considerou que a emissora censurou o vídeo e que a emissora estava com medo das paródias de comerciais do vídeo (reclames em que artistas como Eric Clapton e Whitney Houston apareciam também era sacaneados no clipe). Mandou uma carta para a emissora reclamando do corte: “MTV, seus idiotas covardes. Você se recusa a transmitir o clipe porque tem medo de ofender seus patrocinadores. O que significa o ‘M’ na MTV: música ou dinheiro? Vida longa ao rock and roll”.

A Spin, em setembro de 1988, deu as reclamações de Neil Young.

Aquela vez em que a MTV proibiu um clipe de Neil Young

Curiosamente, as coisas mudaram a partir daí: a MTV passou a exibir o clipe direto, nenhum advogado ou popstar importunou Neil Young e This note’s for you ganhou prêmio de “clipe do ano” no MTV Awards (honraria a qual Madonna e Michael Jackson também concorreram). Deu mais merda ainda: Young foi um tantinho cobrado por repórteres e fãs pelo fato de ter aceitado o prêmio sem reclamar. “Eu poderia fazer aquela coisa linha-dura do Marlon Brando, não aceitar o prêmio. Mas isso é muito previsível. Você não consegue nem dinheiro para fazer vídeos se a MTV não os exibir. Ao aceitar o prêmio, achei que poderia fazer mais vídeos e exibi-los”, explicou o cantor.

Tá aí o clipe.

Via Far Out Magazine.

Mais Neil Young no POP FANTASMA aqui.

Tem conteúdo extra desta e de outras matérias do POP FANTASMA em nosso Instagram.

Cultura Pop

Relembrando: Built To Spill e Caustic Resin, “Built to spill caustic resin” (1995)

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Relembrando: "Built to spill caustic resin", Built To Spill e Caustic Resin

Built To Spill e Caustic Resin são duas bandas bem desafiadoras do rock independente norte-americano, ambas vindas de um local pouco usual em se tratando da história do rock (a cidade de Boise, em Idaho), e que permaneceram ligadas por um bom tempo. A primeira, uma multi-formação liderada eternamente pelo músico Doug Martsch, caminhou entre o guitar rock, o punk e o slacker rock (aquele estilo despojado, geralmente usado para classificar o Pavement). A segunda, contando com relativamente poucas mudanças de line-up, dedicou-se a um “metal alternativo” mais próximo de Neil Young, do Grateful Dead e do Velvet Underground do que das noções comuns de música pesada.

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Como costuma acontecer com bandas-irmãs, uma delas foi para cantos um tanto quanto diferentes da outra. O BTP, que, durante shows recentes na América Latina, chegou a contar com dois músicos brasileiros (o baixista João Casaes e o baterista Lê Almeida), foi contratado da grandalhona Warner por duas décadas e fez turnês extensas. O Caustic Resin, que não grava desde 2003 e em tese, está em hiato, passou boa parte do tempo contratado do selo indie californiano Alias.

Em 1995, pouco antes do Built To Spill partir rumo a Warner e deixar o selo Up Records, de Seattle (por onde o Caustic Resin também havia passado), as duas bandas se juntaram num EP igualmente lançado pela Up. A junção dos nomes das duas bandas no título fez o EP se chamar literalmente Built to spill caustic resin (“construído para derramar resina cáustica”, em português), o que já dava uma imagem do aspecto corrosivo que a música poderia ter. Na formação, Doug (voz e guitarra) ao lado de dois integrantes do Caustic, James Dillion (bateria) e Tom Romich (baixo), além de um membro comum às duas bandas (Brett Nelson, voz e guitarra).

O EP reúne em quatro faixas as características das duas bandas: os ganchos musicais do Built e as viagens sonoras pesadas do Caustic. Duas das faixas, a irônica When not being stupid is not enough e She’s real, são bem extensas. Na prática, boa parte do material tem até mais a ver com o som que o Built vinha fazendo em sua primeira fase, de discos como a estreia Ultimate alternative wavers (1993), que tinha músicas repletas de partes diferentes. Mesmo quando surge uma música creditada ao Caustic e que tem bastante a cara deles, a psicodélica e gritada Shit brown eyes. O longo power pop She’s real, que encerra o disquinho lembrando uma versão zoada do Weezer, é creditado ao músico e artista visual Tae Won Yu, e foi composto quando ele fazia parte da banda indie Kicking Giant, liderada pela musicista Rachel Carns.

Mesmo sendo um EPzinho independente e, de certa forma, restrito, Built to spill caustic resin teve lá sua cota de problemas. A foto da capa, trazendo ovos de peixe e duas simpáticas larvinhas, teve que ser mudada assim que o autor da imagem descobriu o disco. Já a história da Up Records, que lançou discos de artistas como Quasi, Tad e Modest Mouse, durou até o licenciamento de seu catálogo para a Sub Pop, em 2018.

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Cultura Pop

Relembrando: Interpol, “Turn on the bright lights” (2002)

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E os 20 anos de Turn On The Bright Lights, estreia do Interpol?

Mal dá para crer que a banda novaiorquina Interpol não chegou a ter problemas com a organização policial americana. Mais inacreditável ainda é a lembrança de que o grupo fazia shows concorridíssimos no começo da carreira, quando eram estudantes universitários, mas não tinha um nome. Ao optarem por Interpol, justamente no comecinho da web 2.0, Paul Banks (voz, guitarra, hoje baixista), Sam Fogarino (bateria), Daniel Kessler (guitarra solo, voz) e Carlos D (baixo) não escaparam de receber várias mensagens por engano, de gente que pensava mesmo estar falando com a polícia americana, e não com uma banda iniciante (há um tempinho, isso rolou de novo, e no Brasil).

“Recebi alguns e-mails sérios sobre pessoas que se perderam, que outras pessoas estavam tentando encontrar, ou e-mails sobre golpes em que as pessoas caíram”, contou Kessler ao Pitchfork em janeiro de 2003, poucos meses após lançarem a estreia Turn on the bright lights (de 20 de agosto de 2002). “Um dos e-mails foi ‘meu carro foi roubado’”, contou.

A estreia do Interpol devolvia ao cenário novaiorquino muitas das influências que bandas como Velvet Underground tiveram sob os grupos ingleses. Em pleno retorno da sonoridade do pós-punk, marcada pela chegada ao mercado americano de bandas como Strokes, o Interpol assemelhava-se a bandas como Joy Division, Echo and The Bunnymen e nomes mais recentes como Ride.

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Os vocais de Banks, mesmo sendo mais empostados, são até hoje bastante comparados aos de Ian Curtis, e no disco do Interpol havia Obstacle 1 e Obstacle 2 como havia Exercise one na obra do JD. A canção da banda inglesa era bem mais assustadora do que o pós-punk marcial e volumoso do Interpol, claro, mas a letra de Obstacle 1 é igualmente sombria (“você vai se esfaquear no pescoço/mas é diferente agora que estou pobre e envelhecendo/nunca mais verei esse lugar”).

Havia muito ali também de bandas geralmente pouco comentadas, como The Sound (o clima cavernoso dos vocais e das melodias era herdeiro direto deles). A paixão de alguns integrantes do Interpol por música eletrônica fazia com que Turn on the bright lights fosse um disco cheio de climas diferentes, e que funcionasse como um relógio. embora a estreia da banda fosse bastante orgânica, maturada pelo uso do estúdio como um instrumento musical,  durante seis semanas de isolamento.

Untitled surgia em tom de abertura de filme, preparando o ouvinte para músicas como Obstacle 1, NYC (uma balada shoegaze que mostra o lado sombrio da “cidade que nunca dorme” e que cita o título do disco), PDA (a canção mais ligada ao rock de Manchester já produzida por uma banda americana), Stella was a diver and she was always down (essa poderia estar no Heaven up here, segundo LP do Echo and The Bunnymen). Tudo em Turn on tinha um certo ar de desilusão com as luzes de Nova York, um sentimento que fazia todo sentido no pós-11 de setembro.

Há quem defenda que Turn on the bright lights acaba na nona faixa, a ágil e meio punk Roland, com letra sanguinolenta falando sobre um açougueiro polonês que seccionava pessoas – um personagem aparentemente de ficção, mas que dizem ter sido inspirado no assassino americano Richard Kuklinski, morto em 2006. Os próprios integrantes viam The new e Leif Erikson, as duas verdadeiras últimas músicas, como separadas do disco – a última, em particular, soa como um pop sessentista sombrio, herdado do Velvet Underground e de Nico, encerrado por uma parede de guitarra e voz.

A estreia do Interpol foi um excelente exercício, que gerou imediatamente um grande prosseguimento, Antics (2004), e um disco mais controverso e um tanto mais sombrio, Our love to admire (2007). E a história do Interpol continua, com a banda reduzida ao trio Paul Banks, Daniel Kessler e Sam Fogarino. Rolou inclusive uma vinda há algumas semanas ao Brasil.

Ah, sim: quando o disco completou 20 anos, a banda pôs no YouTube o vídeo de divulgação do álbum, lançado na época apenas como um EPK para a imprensa. Pode ser visto abaixo.

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Cultura Pop

No nosso podcast, o começo dos Stone Temple Pilots

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No nosso podcast, o começo dos Stone Temple Pilots

Não era nada fácil ser integrante dos Stone Temple Pilots nos anos 1990. Os discos vendiam e os shows lotavam, mas não havia muito respeito da crítica, e a cada disco parecia sempre que uma nova chance estava sendo dada ao grupo de Scott Weiland, Dean DeLeo, Robert DeLeo e Eric Kretz. Pior: de tempos em tempos, as turnês eram canceladas e a banda tinha que parar tudo, já que Scott volta e meia precisava encarar uma internação para reabilitação.

Hoje a gente dá uma volta no tempo e faz um sobrevoo no começo do STP. Falamos de tudo (ou quase tudo) que estava acontecendo na vida deles, e damos uma olhada por trás dos discos Core (1992), Purple (1994) e Tiny music: Songs from the Vatican gift shop (1996). E encerramos essa temporada do nosso podcast, o Pop Fantasma Documento, falando de uma das nossas bandas preferidas.

Século 21 no podcast: Billy Tibbals e A Última Gangue.

Estamos no Castbox, no Mixcloud, no Spotify, no Deezer e no Google Podcasts. 

Edição, roteiro, narração, pesquisa: Ricardo Schott. Identidade visual: Aline Haluch (foto: Divulgação). Trilha sonora: Leandro Souto Maior. Vinheta de abertura: Renato Vilarouca. Estamos aqui de quinze em quinze dias, às sextas! Apoie a gente em apoia.se/popfantasma.

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