Surgiu na web um material bem interessante para fãs da banda punk paulistana Cólera. A jornalista carioca Deise Santos (Revoluta Artes) digitalizou um clipping enorme , compilado pelo criador do grupo, Redson (1962-2011), com toda a história do grupo, além de informações sobre discografia – incluindo as participações da banda em discos coletivos como Grito suburbano (1982) e Sub (1983).

Material raro de imprensa do Cólera ressurge na web

“Numa visita ao Coletivo Pulso, na cidade de Divinópolis (MG), em agosto de 2017, entre uma conversa e outra, soube da existência de um material que o Redson enviou para o Marcelo Manzel, quando este se mostrou interessado em organizar um show da banda na cidade, nos idos anos 2000, época da Caos mental geral tour (do disco de mesmo nome, lançado em 1998)“, recorda Deise, no texto que abre o clipping digitalizado. “Fiquei impressionada com o que vi. O material foi doado para o Coletivo, após o falecimento do Marcelo Manzel. Pedi autorização para digitalizar o book e quando retornei em novembro de 2017, digitalizei, pois acredito que tal material deve ser compartilhado com todos que admiram e respeitam a banda. Cólera, eternamente!”.

O livro inclui reportagens e resenhas que saíram na época de discos como Pela paz em todo o mundo (1986). Numa delas, uma matéria da Bizz, Redson tentava definir o que torna alguém punk.

https://open.spotify.com/album/6xAc9Cw4XKpbePvnMSN6du

“Acho que a vida que você vai levando desde pequeno, repressão sexual, falta de liberdade dentro de casa, repressão escolar… Você nasce, vê o mundo e acha bonito. Mas aí, você vai crescendo e vê um monte de coisa que vai te deixando chocado (…). Aí você vai se identificando com o lado da vida mais pesado. Você vai vendo que a vida que você vai levar desde a sua adolescência até o resto da vida vai ser um negócio mais punk do que fechar os olhos para toda esta realidade”, afirmou Redson.

Uma outra curiosidade do clipping é uma resenha tripla da revista SomTrês, que ensanduícha o primeiro disco do Cólera, Tente mudar o amanhã (1985), com um álbum de Paulinho Boca de Cantor (Carnaval já) e o relançamento de Acabou chorare (segundo disco dos Novos Baianos). “O rock canino que eles fazem não ficaria bem com a capinha de neon de uma grande produção. Essa turma sente ódio. Ao contrário dos pseudo-transgressores, eles cantam canções… Isto é, eles vomitam canções que nenhuma rádio tocam, nenhuma TV quer em seu programa vespertino”, afirmam no texto.

Pega aí.