Cultura Pop
Lembra da fase punk do Village People?

Sim, você não leu errado. O Village People, aquele grupo de YMCA e Macho man, teve um namorico com a new wave e com o lado mais comercializado do punk. É só dar uma olhada na capa do disco Renaissance, lançado em 1981, após a banda deixar o selo Casablanca, meca da disco music (mas que andava bem mal das pernas) e ingressar na grandalhona RCA. Olha os topetes molhados da turma.

Food fight, lado B do single 5’o clock in the morning, parece coisa do Blondie. Não, pensando bem, parece coisa do Damned. Cara, na verdade é estranho pra burro imaginar que os caras que dois anos antes faziam sucesso com Go west gravaram isso (mas a música é uma pérola perdida legal).
Food fight foi parar na voz David Hodo, o “pedreiro” do Village People, que bem antes do grupo, manteve uma carreira de ator em Nova York, trabalhando em musicais. Hodo até acha que o disco Renaissance contém músicas legais, mas detesta Food fight e lamenta ter tido que cantar justamente essa. Que ganha contornos hilariantes nessa montagem que alguém fez com uma turma meio new romantic balançando o esqueleto ao som da canção.
Essa estratégia fazia parte de uma nova “proposta” da RCA para a banda. Os tempos de disco music haviam chegado ao fim, estilos como punk, new wave, new romantic e até heavy metal estavam fazendo sucesso – e graças a crossovers com um papa da disco, Giorgio Moroder, o Blondie tinha virado banda de pista de dança. Olha Heart of glass, lançada em 1978, ainda no auge da disco (e que no Brasil entrou até na trilha da novela Pai herói).
Em 1980, um ano antes de Renaissance, a Casablanca e o empresário do Village People, o francês Jaques Morali, decidiram que estava na hora do grupo ir parar nas telonas. Can’t stop the music saiu naquele ano e – eu vi o filme – tinha um roteiro até criativo, que satirizava pessoas próximas ao dia a dia do grupo (a Casablanca Records virava Marrakech Records, entre outras bizarrices). A crítica não caiu nessa: o filme se tornou mais famoso por ter sido o primeiro a ganhar um troféu Framboesa de Ouro. O público também não compareceu às salas de exibição. E o Village People ficou extremamente descontente com o roteiro, feito pelo produtor de Grease, Allan Carr. Olha o trailer aí.
Comprando o Village People em baixa na expectativa de lucrar na alta, a RCA sentiu os ventos e resolveu tascar gel nas cabeleiras do grupo. O modelo que a gravadora seguiu para reembalar a banda não foi, vale citar, o do Blondie. A RCA, segundo Hodo, queria que os rapazes extravagantes do Village People se parecessem com a turma do Spandau Ballet. Ou com Adam Ant.
O single do disco, 5’o clock in the morning, foi bastante fiel a essa proposta, com guitarrinhas econômicas que poderiam estar num disco da fase anos 1980 do Ultravox. Mas não deu muito certo, não. Renaissance permanece hoje em dia mais como uma esquisitice cult do que como um disco realmente memorável.
Os fãs saudosos poderiam respirar aliviados a partir de 1982, já que tudo voltou a ser como era antes. O Village People gravou o disco Fox on the box, que retornava ao som de antes e até tirava uma casquinha da emergente cena do hip hop, com Play Bach.
O grupo recolocava na formação o primeiro vocalista, Victor Willis – o policial (ou marinheiro) do grupo, coautor de clássicos como Y.M.C.A. Hodo, que já costeava o alambrado havia tempos (ele queria ter saído antes de Renaissance e topou ficar), finalmente deixou o grupo. Tentou voltar para o teatro mas encarou o preconceito de vários agentes por ter participado do Village People. Até que em 1987 topou voltar com a banda, para uma turnê de recordações. O show abaixo é dessa época.
Epa, o Village People existe até hoje, com formação bastante modificada (Hodo, por exemplo, já se pirulitou há um tempão). Olha eles aí em 2019.
E, surpresa, a foto principal do Village People no Spotify, vai entender o motivo, é da fase de Renaissance.

Cultura Pop
George Harrison em 2001: “O que é Eminem?”

RESUMO: Em 2001, George Harrison participou de chats no Yahoo e MSN para divulgar All Things Must Pass; com humor, respondeu fãs poucos meses antes de morrer – e desdenhou Eminem (rs)
Texto: Ricardo Schott – Foto: Reprodução YouTube
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“Que Deus abençoe a todos vocês. Não se esqueçam de fazer suas orações esta noite. Sejam boas almas. Muito amor! George!”. Essa recomendação foi feita por ninguém menos que o beatle George Harrison no dia 15 de fevereiro de 2001 – há 25 anos e alguns dias, portanto – ao participar de dois emocionantes chats (pelo Yahoo e pelo MSN).
O tal bate-papo, além de hoje em dia ser importante pelos motivos mais tristes (George morreria naquele mesmo ano, em 29 de novembro), foi uma raridade causada pelo relançamento remasterizado de seu álbum triplo All things must pass (1970), em janeiro de 2001. George estava cuidando pessoalmente da remasterização de todo seu catálogo e o disco, com capa colorida e fotos reimaginadas, além de um kit de imprensa eletrônico (novidade na época), era o carro-chefe de toda a história. O lançamento de um site do cantor, o allthingsmustpass.com, também era a parada do momento (hoje o endereço aponta para o georgeharrison.com).
Os dois bate-papos tiveram momentos, digamos assim, inesquecíveis. No do Yahoo, George fez questão de dizer que era sua primeira vez num computador: “Sou praticamente analfabeto 🙂 “, escreveu, com emoji e tudo. Ainda assim, um fã meio distraído quis saber se ele surfava muito na internet. “Não, eu nunca surfo. Não tenho a senha”, disse o paciente beatle. Um fã mais brincalhão quis saber das influências dos Rutles, banda-paródia dos Beatles que teve apoio do próprio Harrison, no som dele (“tirei todas as minhas influências deles!”) e outro perguntou sobre a indicação de Bob Dylan ao Oscar (sua Things have changed fazia parte da trilha de Garotos incríveis, de Curtis Hanson). “Acho que ele deveria ganhar TODOS os Oscars, todos os Tonys, todos os Grammys”, exultou.
A conta do Instagram @diariobeatle deu uma resumida no chat do Yahoo e lembrou que George contou sobre a origem dos gnomos da capa de All things must pass, além de associá-los a um certo quarteto de Liverpool. “Originalmente, quando tiramos a foto eu tinha esses gnomos bávaros antigos, que eu pensei em colocar ali tipo… John, Paul, George e Ringo”, disse. “Gnomos são muito populares na Europa. E esses gnomos foram feitos por volta de 1860”.
Ver essa foto no Instagram
A ironia estava em alta: George tambem disse que se começasse um movimento como o Live Aid ajudaria… Bob Geldof (!)., o criador do evento. Perguntado sobre se Paul McCartney ainda o irritava, contemporizou: “Não examine um amigo com uma lupa microscópica: você conhece seus defeitos. Então deixe suas fraquezas passarem. Provérbio vitoriano antigo”, disse. “Tenho certeza de que há coisas suficientes em mim que o irritam, mas acho que já crescemos o suficiente para perceber que nós dois somos muito fofos!”. Um / uma fã perguntou sobre o que ele achava da nominação de Eminem para o Grammy. “O que é Eminem?”, perguntou. “É uma marca de chocolates ou algo assim?”.
Bom, no papo do MSN um fã abusou da ingenuidade e perguntou se o próprio George era o webmaster de si próprio. “Eu não sou técnico. Mas conversei com o pessoal da Radical Media. Eles vieram à minha casa e instalaram os computadores. Os técnicos fizeram tudo e eu fiquei pensando em ideias. Eu não tinha noção do que era um site e ainda não entendo o conceito. Eu queria ver pessoas pequenas se cutucando com gravetos, tipo no Monty Python”, disse.
Pra ler tudo e matar as saudades do beatle (cuja saída de cena também faz 25 anos em 2026), só ir aqui.
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Cultura Pop
No nosso podcast, os erros e acertos dos Foo Fighters

Você pensava que o Pop Fantasma Documento, nosso podcast, não ia mais voltar? Olha ele aqui de novo, por três edições especiais no fim de 2025 – e ano que vem estamos de volta de vez. No terceiro e último episódio, o papo é o começo dos Foo Fighters, e o pedaço de história que vai de Foo Fighters (1995, o primeiro disco) até There’s nothing left to lose (o terceirão, de 1999), esticando um pouco até a chegada de Dave Grohl e seus cometas no ano 2000.
Uma história e tanto: você vai conferir a metamorfose de Grohl – de baterista do Nirvana a rockstar e líder de banda -, o entra e sai de integrantes, os grandes acertos e as monumentais cagadas cometidas por uma das maiores bandas da história do rock. Bora conferir mais essa?
Edição, roteiro, narração, pesquisa: Ricardo Schott. Identidade visual: Aline Haluch (foto: encarte do álbum Foo Fighters). Trilha sonora: Leandro Souto Maior. Vinheta de abertura: Renato Vilarouca. Estamos aqui de quinze em quinze dias, às sextas! Apoie a gente em apoia.se/popfantasma.
(a parte do FF no ano 2000 foi feita com base na pesquisa feita pelo jornalista Renan Guerra, e publicada originalmente por ele neste link)
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Cultura Pop
No nosso podcast, Alanis Morissette da pré-história a “Jagged little pill”

Você pensava que o Pop Fantasma Documento, nosso podcast, não ia mais voltar? Olha ele aqui de novo, por três edições especiais no fim de 2025 – e ano que vem estamos de volta de vez. No segundo e penúltimo episódio desse ano, o papo é um dos maiores sucessos dos anos 1990. Sucesso, aliás, é pouco: há uns 30 anos, pra onde quer que você fosse, jamais escaparia de Alanis Morissette e do seu extremamente popular terceiro disco, Jagged little pill (1995).
Peraí, “terceiro” disco? Sim, porque Jagged era só o segundo ato da carreira de Alanis Morissette. E ainda havia uma pré-história dela, em seu país de origem, o Canadá – em que ela fazia um som beeeem diferente do que a consagrou. Bora conferir essa história?
Edição, roteiro, narração, pesquisa: Ricardo Schott. Identidade visual: Aline Haluch (foto: Capa de Jagged little pill). Trilha sonora: Leandro Souto Maior. Vinheta de abertura: Renato Vilarouca. Estamos aqui de quinze em quinze dias, às sextas! Apoie a gente em apoia.se/popfantasma.
Ouça a gente preferencialmente no Castbox. Mas estamos também no Mixcloud, no Deezer e no Spotify.
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