Tem conteúdo extra desta e de outras matérias do POP FANTASMA em nosso Instagram.
Cultura Pop
Kurt Cobain zoando o MTV Headbangers Ball

No começo dos anos 1990, quando o grunge começou a dar as cartas no universo do rock, aconteceu uma coisa meio, er, estranha. Para começar, o estilo musical era visto como uma reação à mania de hard rock e hair metal que dominava as paradas nos anos 1980. Tanto que bandas como Cinderella e Poison começaram a deixar de ser prioridades de seus selos e pôsteres do Nirvana e de seu líder Kurt Cobain passaram a adornar as salas de grandes executivos de gravadoras.
Por outro lado, a chegada de bandas como Soundgarden e Alice In Chains foi fundamental para que o metal se tornasse um estilo “clássico” – e para que bandas como Black Sabbath, outrora desaplaudidas pela crítica (e desacreditadas pelo público por causa das mudanças de formação), voltassem a ganhar popularidade. Foi nessa época, por exemplo, que o Metallica, uma banda que sempre quis estourar, vislumbrou a possibilidade de falar para um público cada vez mais numeroso (e aí chegou às lojas o “álbum preto”, de 1991).
BAILE DOS HEADBANGERS
Ainda assim, quando o Nirvana foi fazer sua primeira apresentação no Headbangers Ball, da MTV, em 25 de outubro de 1991, o clima entre a banda (cujo futuro clássico Nevermind estava nas lojas havia um mês) e o estilo musical não era dos melhores. O vocalista Kurt Cobain, convencido de que ia penetrar no universo da música machona, encarou o apresentador Riki Racthman usando um vestido amarelo-canário (!).
O ambiente estava até bastante amistoso para Kurt e Chris Novoselic (Dave Grohl faltou no dia). Riki fez questão de falar que “todo mundo está falando do Nirvana” e que “nunca tinha visto um barulho tão rápido em relação a uma banda”. O apresentador entrou no clima, elogiou o vestido de Kurt e disse que “seria bom para usar num avião”. “É um vestido de baile, como aqui é o ‘baile dos headbangers’ (Headbangers ball, enfim) vim com ele”, respondeu Kurt.
KURT COBAIN SEM ANIMAÇÃO
O apresentador parecia animado em mostrar a banda. Aliás, disse que o clipe de Smells like teen spirit era a preferência da audiência, e que enxergava o som deles como um “Replacements mais pesado” (muita gente falava isso a respeito do Nirvana, na época). Mas Kurt e Chris não pareciam muito animados. Você consegue ver toda a entrevista legendada (até tirarem do ar) abaixo.
Uma versão um pouco maior do programa no YouTube (mas sem as benditas legendas).
Quando o malfadado programa completou vinte anos, o próprio site da MTV foi bater um papo com Riki para saber o que tinha exatamente pegado naquela época – até porque estava claro que aquilo estava bem esquisito. Riki se recorda que entrou na “sala verde” da emissora, onde as bandas e artistas se encontravam antes para tomar uns drinques e relaxar. Lá, viu Kurt mais do que apenas relaxado. O cantor do Nirvana estava esparramado no chão, na base do “chuta ele aí pra ver se ele está morto”.
‘QUANDO É QUE ISSO VAI ACABAR?’
O apresentador não se sentiu especialmente provocado por causa do vestido de Kurt, mas percebeu rapidamente que a entrevista não iria a lugar nenhum se ele não agisse rápido. “Dava para perceber que ele não queria estar lá. Eu não estava recebendo boas respostas, não estava descobrindo nada sobre eles… Foi como arrancar dentes. Tudo começou como um dia em que eu estava muito animado. Mas logo mudou para um: ‘Quando é que isso vai acabar?'”, recordou.
Rachtman também disse que nunca mais nem viu o programa, justamente por ter sido uma das piores entrevistas que já fez na vida. E que os fãs de metal, ao contrário dele, sentiram-se um tanto quanto afrontados com aquilo. Aliás, até porque já havia o blábláblá de que o grunge tiraria o espaço do som pesado. Mas o apresentador sempre pensou diferente. “As pessoas dizem: ‘O Nirvana matou o heavy metal’. Mas não foi nada disso. Se uma cena é tão fraca que uma banda pode matá-la tocando outro tipo de música, então sua cena, para começar, não é boa o suficiente”, brinca.
Naquele mesmo dia, por sinal, o Headbanger’s ball apreesentaria uma entrevista com o Sepultura, estouradíssimo com o disco Arise, o segundo pela Roadrunner. Max Cavalera, então vocalista da banda, esteve com o Nirvana no camarim. “Kurt ficava dormindo a maior parte do tempo e acho que ele estava pegando pesado na heroína nessa época”, recordou.
VEJA TAMBÉM NO POP FANTASMA:
– Nirvana em 1988 num show especial da Sub Pop, apresentando o futuro hit School
– Nirvana ao vivo, um dia antes do lançamento de Nevermind
– Por que será que o Nirvana resolveu tocar em alguns shows um trecho da ópera Carmen?
Cultura Pop
George Harrison em 2001: “O que é Eminem?”

RESUMO: Em 2001, George Harrison participou de chats no Yahoo e MSN para divulgar All Things Must Pass; com humor, respondeu fãs poucos meses antes de morrer – e desdenhou Eminem (rs)
Texto: Ricardo Schott – Foto: Reprodução YouTube
- Quer receber nossas descobertas musicais direto no e-mail? Assine a newsletter do Pop Fantasma e não perca nada.
“Que Deus abençoe a todos vocês. Não se esqueçam de fazer suas orações esta noite. Sejam boas almas. Muito amor! George!”. Essa recomendação foi feita por ninguém menos que o beatle George Harrison no dia 15 de fevereiro de 2001 – há 25 anos e alguns dias, portanto – ao participar de dois emocionantes chats (pelo Yahoo e pelo MSN).
O tal bate-papo, além de hoje em dia ser importante pelos motivos mais tristes (George morreria naquele mesmo ano, em 29 de novembro), foi uma raridade causada pelo relançamento remasterizado de seu álbum triplo All things must pass (1970), em janeiro de 2001. George estava cuidando pessoalmente da remasterização de todo seu catálogo e o disco, com capa colorida e fotos reimaginadas, além de um kit de imprensa eletrônico (novidade na época), era o carro-chefe de toda a história. O lançamento de um site do cantor, o allthingsmustpass.com, também era a parada do momento (hoje o endereço aponta para o georgeharrison.com).
Os dois bate-papos tiveram momentos, digamos assim, inesquecíveis. No do Yahoo, George fez questão de dizer que era sua primeira vez num computador: “Sou praticamente analfabeto 🙂 “, escreveu, com emoji e tudo. Ainda assim, um fã meio distraído quis saber se ele surfava muito na internet. “Não, eu nunca surfo. Não tenho a senha”, disse o paciente beatle. Um fã mais brincalhão quis saber das influências dos Rutles, banda-paródia dos Beatles que teve apoio do próprio Harrison, no som dele (“tirei todas as minhas influências deles!”) e outro perguntou sobre a indicação de Bob Dylan ao Oscar (sua Things have changed fazia parte da trilha de Garotos incríveis, de Curtis Hanson). “Acho que ele deveria ganhar TODOS os Oscars, todos os Tonys, todos os Grammys”, exultou.
A conta do Instagram @diariobeatle deu uma resumida no chat do Yahoo e lembrou que George contou sobre a origem dos gnomos da capa de All things must pass, além de associá-los a um certo quarteto de Liverpool. “Originalmente, quando tiramos a foto eu tinha esses gnomos bávaros antigos, que eu pensei em colocar ali tipo… John, Paul, George e Ringo”, disse. “Gnomos são muito populares na Europa. E esses gnomos foram feitos por volta de 1860”.
Ver essa foto no Instagram
A ironia estava em alta: George tambem disse que se começasse um movimento como o Live Aid ajudaria… Bob Geldof (!)., o criador do evento. Perguntado sobre se Paul McCartney ainda o irritava, contemporizou: “Não examine um amigo com uma lupa microscópica: você conhece seus defeitos. Então deixe suas fraquezas passarem. Provérbio vitoriano antigo”, disse. “Tenho certeza de que há coisas suficientes em mim que o irritam, mas acho que já crescemos o suficiente para perceber que nós dois somos muito fofos!”. Um / uma fã perguntou sobre o que ele achava da nominação de Eminem para o Grammy. “O que é Eminem?”, perguntou. “É uma marca de chocolates ou algo assim?”.
Bom, no papo do MSN um fã abusou da ingenuidade e perguntou se o próprio George era o webmaster de si próprio. “Eu não sou técnico. Mas conversei com o pessoal da Radical Media. Eles vieram à minha casa e instalaram os computadores. Os técnicos fizeram tudo e eu fiquei pensando em ideias. Eu não tinha noção do que era um site e ainda não entendo o conceito. Eu queria ver pessoas pequenas se cutucando com gravetos, tipo no Monty Python”, disse.
Pra ler tudo e matar as saudades do beatle (cuja saída de cena também faz 25 anos em 2026), só ir aqui.
- Gostou do texto? Seu apoio mantém o Pop Fantasma funcionando todo dia. Apoie aqui.
- E se ainda não assinou, dá tempo: assine a newsletter e receba nossos posts direto no e-mail.
Cultura Pop
No nosso podcast, os erros e acertos dos Foo Fighters

Você pensava que o Pop Fantasma Documento, nosso podcast, não ia mais voltar? Olha ele aqui de novo, por três edições especiais no fim de 2025 – e ano que vem estamos de volta de vez. No terceiro e último episódio, o papo é o começo dos Foo Fighters, e o pedaço de história que vai de Foo Fighters (1995, o primeiro disco) até There’s nothing left to lose (o terceirão, de 1999), esticando um pouco até a chegada de Dave Grohl e seus cometas no ano 2000.
Uma história e tanto: você vai conferir a metamorfose de Grohl – de baterista do Nirvana a rockstar e líder de banda -, o entra e sai de integrantes, os grandes acertos e as monumentais cagadas cometidas por uma das maiores bandas da história do rock. Bora conferir mais essa?
Edição, roteiro, narração, pesquisa: Ricardo Schott. Identidade visual: Aline Haluch (foto: encarte do álbum Foo Fighters). Trilha sonora: Leandro Souto Maior. Vinheta de abertura: Renato Vilarouca. Estamos aqui de quinze em quinze dias, às sextas! Apoie a gente em apoia.se/popfantasma.
(a parte do FF no ano 2000 foi feita com base na pesquisa feita pelo jornalista Renan Guerra, e publicada originalmente por ele neste link)
Ouça a gente preferencialmente no Castbox. Mas estamos também no Mixcloud, no Deezer e no Spotify.
Mais Pop Fantasma Documento aqui.
Cultura Pop
No nosso podcast, Alanis Morissette da pré-história a “Jagged little pill”

Você pensava que o Pop Fantasma Documento, nosso podcast, não ia mais voltar? Olha ele aqui de novo, por três edições especiais no fim de 2025 – e ano que vem estamos de volta de vez. No segundo e penúltimo episódio desse ano, o papo é um dos maiores sucessos dos anos 1990. Sucesso, aliás, é pouco: há uns 30 anos, pra onde quer que você fosse, jamais escaparia de Alanis Morissette e do seu extremamente popular terceiro disco, Jagged little pill (1995).
Peraí, “terceiro” disco? Sim, porque Jagged era só o segundo ato da carreira de Alanis Morissette. E ainda havia uma pré-história dela, em seu país de origem, o Canadá – em que ela fazia um som beeeem diferente do que a consagrou. Bora conferir essa história?
Edição, roteiro, narração, pesquisa: Ricardo Schott. Identidade visual: Aline Haluch (foto: Capa de Jagged little pill). Trilha sonora: Leandro Souto Maior. Vinheta de abertura: Renato Vilarouca. Estamos aqui de quinze em quinze dias, às sextas! Apoie a gente em apoia.se/popfantasma.
Ouça a gente preferencialmente no Castbox. Mas estamos também no Mixcloud, no Deezer e no Spotify.
Mais Pop Fantasma Documento aqui.








































