Cultura Pop
John Noakes: o herói do “Blue Peter”

No Brasil ninguém (provavelmente) conhece um sujeito chamado John Noakes, que morreu em 29 de maio aos 83 anos. E cuja saída de cena passou quase despercebida na mídia nacional. John Noakes notabilizou-se por ter sido apresentador de um programa de TV britânico chamado Blue Peter. Que vem a ser a atração infantil mais duradoura da televisão britânica – completa 60 anos no ar em 2018. Olha ele aí num vídeo de 1971, junto dos colegas Valerie Singleton e Peter Purves.
Difícil medir a influência de Blue Peter no imaginário das crianças britânicas até hoje. Em formato de revista televisiva, o programa notabilizou-se pelas entrevistas, pelos tutoriais de como fazer coisas (incluindo objetos, desenhos, pequenas esculturas e até bolos) e pelas reportagens ao ar livre. Ficou famoso o dia em que, em 1969, a produção levou um elefante-bebê até o estúdio. O bicho ficou bastante nervoso e jogou o tratador que o acompanhava no chão, divertindo bastante os apresentadores (Noakes entre eles). Olha aí.
John Noakes, que ficou à frente do programa por doze anos – entre 1966 e 1978 – era o cara da ação no Blue Peter. Fã de esportes, ex-mecânico da Força Aérea Real e ator formado, ele curtia fazer na frente das câmeras uma série de coisas no estilo crianças-não-tentem-isso-em-casa. Isso, claro, já garantia a atenção dos telespectadores (e a preocupação dos pais).
Em 1977, para uma matéria do programa, ele deu uma subidinha básica na Coluna de Nelson, monumento com apenas 52 metros de altura, que fica numa praça de Londres. No Blue Peter, ele também se arriscava ao lado dos seus amigos paraquedistas da Força Aérea. Chegou a quebrar o recorde de queda livre em 1973, após uma seção de skydiving.
E Noakes fazia tanto sucesso que ganhou até um programa próprio, Go with Noakes, exibido de 1976 a 1980.
https://www.youtube.com/watch?v=xWXzOWghhKw
Se alguém que estiver lendo o POP FANTASMA teve a sorte de passar uns anos na Inglaterra entre 1966 e 1978, com certeza lembra: Noakes era sempre acompanhado por um cachorro border collie chamado Shep (“get down, Shep!”, John dizia a todo o momento, a ponto da frase virar música). Shep viveu MUITO – nasceu em 1971 e morreu em 1987. Quando Noakes saiu do Blue Peter, a estação deixou que ele levasse Shep com ele, desde que não o usasse em comerciais, o que significava perder bastante dinheiro. E agora?
Sem problemas: Noakes assinou um contrato com uma empresa de ração canina e gravou comerciais com um cachorro igual a Shep (ou quem sabe o próprio), mas cujo nome era… Skep. Foi esperto, mas deu merda: Noakes, que já não se dava bem com a diretora do Blue Peter, Joan Baxter, ficou de fora até da edição de 25 anos do programa, em 1983. Mas o comercial ficou fofo. Olha aí.
E hoje, como vai o Blue Peter? Bom, rolaram diversas mudanças na atração, em 2012 ela passou a ficar na grade do canal infantil CBBC para tentar angariar mais audiência e o Daily Mail chegou a anunciar que o programa vivia tempos complicados. Mas ele resiste. Olha uma edição bem recente aí.
Um detalhe interessante é que de 1979 a 1989 o tema de abertura do programa foi uma composição exclusiva de ninguém menos que Mike Oldfield – o cara que fez o clássico progressivo Tubular bells (1973), usado na trilha do aterrorizante O exorcista. Saiu até um clipe da música na época. Olha só.
Aliás, olha que legal: um telespectador pediu para ver como foi que Mike Oldfield compôs e gravou a música. O pedido dele foi uma ordem.
E um RIP tardio para John Noakes, visto aí com vários ex-apresentadores do Blue Peter há poucos anos numa entrevista.
Cultura Pop
George Harrison em 2001: “O que é Eminem?”

RESUMO: Em 2001, George Harrison participou de chats no Yahoo e MSN para divulgar All Things Must Pass; com humor, respondeu fãs poucos meses antes de morrer – e desdenhou Eminem (rs)
Texto: Ricardo Schott – Foto: Reprodução YouTube
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“Que Deus abençoe a todos vocês. Não se esqueçam de fazer suas orações esta noite. Sejam boas almas. Muito amor! George!”. Essa recomendação foi feita por ninguém menos que o beatle George Harrison no dia 15 de fevereiro de 2001 – há 25 anos e alguns dias, portanto – ao participar de dois emocionantes chats (pelo Yahoo e pelo MSN).
O tal bate-papo, além de hoje em dia ser importante pelos motivos mais tristes (George morreria naquele mesmo ano, em 29 de novembro), foi uma raridade causada pelo relançamento remasterizado de seu álbum triplo All things must pass (1970), em janeiro de 2001. George estava cuidando pessoalmente da remasterização de todo seu catálogo e o disco, com capa colorida e fotos reimaginadas, além de um kit de imprensa eletrônico (novidade na época), era o carro-chefe de toda a história. O lançamento de um site do cantor, o allthingsmustpass.com, também era a parada do momento (hoje o endereço aponta para o georgeharrison.com).
Os dois bate-papos tiveram momentos, digamos assim, inesquecíveis. No do Yahoo, George fez questão de dizer que era sua primeira vez num computador: “Sou praticamente analfabeto 🙂 “, escreveu, com emoji e tudo. Ainda assim, um fã meio distraído quis saber se ele surfava muito na internet. “Não, eu nunca surfo. Não tenho a senha”, disse o paciente beatle. Um fã mais brincalhão quis saber das influências dos Rutles, banda-paródia dos Beatles que teve apoio do próprio Harrison, no som dele (“tirei todas as minhas influências deles!”) e outro perguntou sobre a indicação de Bob Dylan ao Oscar (sua Things have changed fazia parte da trilha de Garotos incríveis, de Curtis Hanson). “Acho que ele deveria ganhar TODOS os Oscars, todos os Tonys, todos os Grammys”, exultou.
A conta do Instagram @diariobeatle deu uma resumida no chat do Yahoo e lembrou que George contou sobre a origem dos gnomos da capa de All things must pass, além de associá-los a um certo quarteto de Liverpool. “Originalmente, quando tiramos a foto eu tinha esses gnomos bávaros antigos, que eu pensei em colocar ali tipo… John, Paul, George e Ringo”, disse. “Gnomos são muito populares na Europa. E esses gnomos foram feitos por volta de 1860”.
Ver essa foto no Instagram
A ironia estava em alta: George tambem disse que se começasse um movimento como o Live Aid ajudaria… Bob Geldof (!)., o criador do evento. Perguntado sobre se Paul McCartney ainda o irritava, contemporizou: “Não examine um amigo com uma lupa microscópica: você conhece seus defeitos. Então deixe suas fraquezas passarem. Provérbio vitoriano antigo”, disse. “Tenho certeza de que há coisas suficientes em mim que o irritam, mas acho que já crescemos o suficiente para perceber que nós dois somos muito fofos!”. Um / uma fã perguntou sobre o que ele achava da nominação de Eminem para o Grammy. “O que é Eminem?”, perguntou. “É uma marca de chocolates ou algo assim?”.
Bom, no papo do MSN um fã abusou da ingenuidade e perguntou se o próprio George era o webmaster de si próprio. “Eu não sou técnico. Mas conversei com o pessoal da Radical Media. Eles vieram à minha casa e instalaram os computadores. Os técnicos fizeram tudo e eu fiquei pensando em ideias. Eu não tinha noção do que era um site e ainda não entendo o conceito. Eu queria ver pessoas pequenas se cutucando com gravetos, tipo no Monty Python”, disse.
Pra ler tudo e matar as saudades do beatle (cuja saída de cena também faz 25 anos em 2026), só ir aqui.
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Cultura Pop
No nosso podcast, os erros e acertos dos Foo Fighters

Você pensava que o Pop Fantasma Documento, nosso podcast, não ia mais voltar? Olha ele aqui de novo, por três edições especiais no fim de 2025 – e ano que vem estamos de volta de vez. No terceiro e último episódio, o papo é o começo dos Foo Fighters, e o pedaço de história que vai de Foo Fighters (1995, o primeiro disco) até There’s nothing left to lose (o terceirão, de 1999), esticando um pouco até a chegada de Dave Grohl e seus cometas no ano 2000.
Uma história e tanto: você vai conferir a metamorfose de Grohl – de baterista do Nirvana a rockstar e líder de banda -, o entra e sai de integrantes, os grandes acertos e as monumentais cagadas cometidas por uma das maiores bandas da história do rock. Bora conferir mais essa?
Edição, roteiro, narração, pesquisa: Ricardo Schott. Identidade visual: Aline Haluch (foto: encarte do álbum Foo Fighters). Trilha sonora: Leandro Souto Maior. Vinheta de abertura: Renato Vilarouca. Estamos aqui de quinze em quinze dias, às sextas! Apoie a gente em apoia.se/popfantasma.
(a parte do FF no ano 2000 foi feita com base na pesquisa feita pelo jornalista Renan Guerra, e publicada originalmente por ele neste link)
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Cultura Pop
No nosso podcast, Alanis Morissette da pré-história a “Jagged little pill”

Você pensava que o Pop Fantasma Documento, nosso podcast, não ia mais voltar? Olha ele aqui de novo, por três edições especiais no fim de 2025 – e ano que vem estamos de volta de vez. No segundo e penúltimo episódio desse ano, o papo é um dos maiores sucessos dos anos 1990. Sucesso, aliás, é pouco: há uns 30 anos, pra onde quer que você fosse, jamais escaparia de Alanis Morissette e do seu extremamente popular terceiro disco, Jagged little pill (1995).
Peraí, “terceiro” disco? Sim, porque Jagged era só o segundo ato da carreira de Alanis Morissette. E ainda havia uma pré-história dela, em seu país de origem, o Canadá – em que ela fazia um som beeeem diferente do que a consagrou. Bora conferir essa história?
Edição, roteiro, narração, pesquisa: Ricardo Schott. Identidade visual: Aline Haluch (foto: Capa de Jagged little pill). Trilha sonora: Leandro Souto Maior. Vinheta de abertura: Renato Vilarouca. Estamos aqui de quinze em quinze dias, às sextas! Apoie a gente em apoia.se/popfantasma.
Ouça a gente preferencialmente no Castbox. Mas estamos também no Mixcloud, no Deezer e no Spotify.
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