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Porrada bedroom: disco novo de Ecca Vandal foi gravado no quartinho de infância do produtor

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Ecca Vandal (Foto: Sean McDonald / Divulgação)

Considerada uma cantora que busca referências tanto na elegância de Nina Simone quanto na raiva emocionada do Fugazi, Ecca Vandal acabou de anunciar seu novo disco Looking for people to unfollow para 22 de maio – um álbum, segundo ela, que propõe o corte de laços com o que drena sua energia. Tipo “os sistemas. As tendências. As ilusões de conexão. Eu encontro força em ser alta e barulhenta, especialmente como uma mulher neste momento global que cresceu em uma cultura que me disse que eu não poderia ser essas coisas”, conta ela.

E outra novidade é a chegada de Sorry! Crash!, novo single de Ecca, às plataformas – uma canção intensa, entre o emo e o rock alternativo dos anos 1990, mas com uma certa maldade a mais nos ritmos e nas texturas sonoras (confira a gravação de vocais). Ela vem depois de Molly, Cruising to self soothe, Bleeed but never die e Then there’s one, já lançadas em single. Os fãs já conheciam a música antes do lançamento oficial, já que ela vinha sendo apresentada ao vivo.

Um detalhe sobre Looking for é que, mesmo com todo o peso, é um disco intenso gerado em clima bedroom: ele foi gravado e produzido por Richie Buxton e Ecca Vandal no quarto de infância de Buxton, nas “profundezas da região costeira de Melbourne” (Ecca nasceu na África do Sul, mas vive na Austrália).

“Nós eliminamos tudo que não nos servia, os cronogramas, as métricas, a pressão para ‘permanecer visível’ online. Nós nos desconectamos do feed e voltamos para dentro. No quarto de infância de Richie, construímos um pequeno estúdio caseiro, quatro paredes que se tornaram um universo. A internet era dolorosamente lenta, então estávamos realmente desconectados do jogo online”, conta ela no texto de lançamento. “Aquele pequeno quarto se tornou nosso mundo inteiro por quase dois anos. Ele abrigou todo o nosso caos e toda a nossa clareza, um pequeno ‘cercadinho’ onde podíamos viver, brincar e experimentar como adolescentes novamente”.

Deve rolar saudades das gravações – ainda mais que Ecca e Buxton fizeram das sessões o ato de cagar solenemente para as pressões da indústria. “Queríamos celebrar o formato longo, a ideia de um álbum como uma obra completa, enquanto o mundo corria atrás de trechos de 15 segundos e ruídos amigáveis ao algoritmo”, completa. “Então deixamos para trás a sala cheia de conversas da indústria e opiniões, e criamos nosso próprio pequeno refúgio. E, honestamente, foi mágico. A melhor decisão que já tomamos”.

Dia 22 de maio Looking for people to unfollow sai pela Loma Vista Recordings. E aí embaixo você confere a lista de faixas do disco e a capa do álbum, além do vídeo de Sorry! Crash!. No release, todas as músicas vieram em caixa alta e deixamos assim (er, confessamos que bateu preguiça de mudar).

Texto: Ricardo Schott – Foto: Sean McDonald / Divulgação

1. AIRPLANE MODE
2. EYES SHUT
3. SORRY! CRASH!
4. VERTICAL WORLDS
5. BLEED BUT NEVER DIE
6. CRUISING TO SELF SOOTHE
7. MOLLY
8. OKAY NOT TO BE OKAY
9. LEVITATE PART 1 & 2
10. LOOKING FOR PEOPLE TO UNFOLLOW
11. THEN THERE’S ONE
12. BLEACH
13. DID A LITTLE MORE TO FORGET
14. DO IT ANYWAY
15. DANCE IN DEBT
16. GHOSTS
17. CAME HERE FOR THE LOOT

Capa do álbum Looking for people to unfollow, de Ecca Vandal

Uma das apresentações ao vivo da canção rolou no ano passado no festival de Reading.

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Rodrigo Campello transforma a arte de Banksy (e os textos de Maíra Knox) em caos urbano eletrônico

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O que mais tem por aí é jornal querendo revelar a identidade do artista de rua Banksy – a agência Reuters, uma das mais interessadas no assunto, acredita que ele pode ter adotado um novo nome legal para continuar trabalhando. Uma turma enorme diz que a verdadeira identidade dele é Robin Gunningham, um britânico de 51 anos, do qual se conseguiu até uma foto de escola.

Verdade ou não, a identidade do artista continua sendo um dos segredos mais bem guardados do mundo – na real, melhor que seja assim. Essa combinação de criatividade e ligação com vida urbana foi uma das inspirações para que o músico Rodrigo Campello resolvesse dedicar a Banksy o terceiro volume de sua série de EPs Peças de uma exposição (Luna Music).

E, bom, o misteriosíssimo grafiteiro britânico foi uma das inspirações de Campello, porque o ponto de partida mesmo foram os textos da DJ, chef de cozinha e compositora Maíra Knox (foto ao lado), cuja voz narra todas as histórias contadas nas três faixas.

“A colagem dadaísta dos textos de Maíra me levam direto ao trabalho e à posição desse artista fantástico, atual, que joga com a própria identidade (quem é Banksy?) e com a eterna luta entre o velho, passado e o novo. Mas, como disse o poeta, o novo sempre vem”, explica Rodrigo.

E de fato, os textos de Maíra soam como colagens de sentimentos, situações e visões, sempre pela perspectiva feminista – e sempre pelo ponto de vista de quem enxerga a opressão nos padrões da sociedade, nas superficialidades de Coisa fútil (“ela se fudeu com a sua vaidade / gastou um monte de beijos, grana, tempo e volta no mesmo lugar”), nas incertezas do dance-punk Pra quê?, e nos desejos e ambiguidades de Désirs incertains. Essa última, por sinal, a melhor faixa: uma canção experimental e falada feita sobre uma inversão da melodia de Je t’aime… moi non plus, de Serge Gainsbourg.

Já no disco como um todo, Rodrigo, que cuidou de produção, gravação e masterização, acrescentou vários outros sons, desde uma arminha de brinquedo até transmissões radiofônicas. Maira, por sua vez, ficou com a função de traduzir a vida urbana e todo o caos do dia a dia em várias “verdades inconvenientes” – como um grafite no muro que põe todo mundo pra pensar, e como a obra do próprio Banksy,

Texto: Ricardo Schott – Fotos Rodrigo e Maíra: Divulgação

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Coquetel Molotov lança coletânea e joga luz na nova geração feminina de Pernambuco

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Coquetel Molotov lança coletânea e joga luz na nova geração feminina de Pernambuco - Foto: Hannah Carvalho / Divulgação

Tem coisa nova e boa vindo de Pernambuco: o selo do festival Coquetel Molotov juntou cinco artistas mulheres da nova geração local para uma coletânea que funciona quase como um retrato rápido (e bem vivo) do que anda rolando por lá. Dimitria, Renna, Luísa Cunha, Dandara MC e Rayssa Dias gravaram músicas inéditas depois de passarem alguns dias em imersão no estúdio Criatório, em Gravatá, dentro da Incubadora Musical do festival. Aliás, é a terceira edição da Incubadora, vale lembrar.

A ideia do projeto é dar estrutura, tempo e troca para artistas em momentos diferentes de carreira, além de empoderar e profissionalizar talentos femininos no cenário musical de Pernambuco – inclusive, a iniciativa ofereceu, além das gravações, algumas oficinas e consultorias/mentorias individuais. A produção ficou nas mãos de IDLibra, com mixagem de Benke Ferraz, e o resultado passeia por indie, rap, metal e pop, em boa convivência musical. Tudo isso saiu via edital Inova Mulher, da Sudene.

As faixas já estão no Bandcamp e o processo rendeu também um mini doc dirigido por Domar no YouTube, que mostra o trabalho como um laboratório mesmo, desses que revelam caminhos tão interessantes quanto o produto final em si.

“A Incubadora foi uma das experiências artisticamente mais imersivas que já vivi. O fato das artistas escolhidas terem estilos tão diferentes foi muito desafiador, mas ainda mais interessante para dar unidade nas produções de cada um dos trabalhos. Benke foi um grande parceiro nesse processo, e viver tudo isso no Criatório foi muito especial”, relata IDLibra, fotografada acima numa roda com as cinco artistas por Hannah Carvalho.

Benke Ferraz, que foi produtor musical das duas edições anteriores da Incubadora (e agora fez a mixagem das faixas), alegra-se com a mistura sonora do projeto. “Trabalhamos nessa edição com nomes das diversas cenas da música Pernambucana: indie, metal, pop, rap. Mas desta vez contamos com artistas mais experientes, que buscavam se reinventar ao se abrirem para a musicalidade de ADLibra”.

E você conhece cada uma das artistas do projeto aí embaixo:

Rayssa Dias soma nove anos no brega, com letras fortes e presença em festivais como Afropunk, Rec-Beat e Latinidades. Tem música como Nós a gestão e Mulher Maravilha, e lançou o EP Independente, reforçando sua autonomia no brega-funk.

Luísa Cunha é nome ativo do rock indie pernambucano, à frente da banda Odiosa há sete anos. Lança o projeto solo LUCTRIA e já passou por festivais como Abril Pro Rock e Hellfemme, além de atuar como artista visual em projetos ligados à música.

Dimitria canta, toca e compõe desde 2015, integra a banda SURT e desenvolve carreira solo. Já lançou EPs com o grupo e prepara novos trabalhos próprios, após passagem por palcos como o No Ar Coquetel Molotov, mostrando versatilidade no rock.

Renna é artista multifacetada que cruza música, poesia e cinema. Já teve clipes premiados, participou de projetos no Itaú Cultural e dirigiu o espetáculo GYRA. Sua obra explora identidade e diversidade em diferentes linguagens e formatos.

Dandara MC desponta no rap pernambucano desde 2020, com presença no circuito underground e em festivais. Já passou por eventos como Rec’n’Play e Festival da Juventude, venceu o festival Vozes da Independência e segue ampliando seu espaço na cena.

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Bob Dylan, autor independente: cantor e escritor lançou um Patreon

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Bob Dylan, autor independente: cantor e escritor lançou um Patreon

Sabe quando um programa de TV pede um minutinho para “uma palavrinha dos nossos patrocinadores”? Bom, o nosso patrocinador é o (você deve saber) apoia.se/popfantasma. E ninguém menos que Bob Dylan acaba de lançar o seu (digamos) patrocinador: uma conta no Patreon.

Anúncio do patreon de Bob Dylan nos stories do Instagram

Anúncio do patreon de Bob Dylan nos stories

Por enquanto, a história está meio na encolha: o site do cantor nem lista o lance na aba de “novidades”. Mas na tarde deste domingo, ele anunciou num story de seu instagram a série “Lectures from the grave” (“palestras da sepultura”), exclusiva para assinantes do seu Patreon. Para assinar e ter acesso aos textos, custa 5 dólares por mês.

O site Pitchfork entrou no tal Patreon de Dylan e viu que a atual fase de autor independente do cantor já inclui algumas publicações: um vídeo de uma apresentação ao vivo de Mahalia Jackson, além de três publicações com ensaios em áudio sobre o ex-vice-presidente Aaron Burr, o fora da lei do século XIX Frank James e o herói folclórico do Velho Oeste americano Wild Bill.

“Esses trechos, com duração entre 15 e 67 minutos, parecem ser lidos em voz alta por uma voz de inteligência artificial. Dylan compartilhou trechos de dois desses ensaios em áudio no Instagram nos últimos meses”, diz o site.

Mas o fino da história é uma série chamada Cartas Nunca Enviadas, que provavelmente incorpora o tal conceito das “palestras da sepultura”. Por enquanto, tem lá uma carta fictícia do escritor Mark Twain para Rodolfo Valentino, ator italiano da época do cinema mudo.

Valentino tinha 14 anos quando Twain morreu em 1910. A carta termina com a assinatura cursiva de Twain, e toda a correspondência é atribuída ao pseudônimo Herbert Foster. Um trecho: “Caso esta carta chegue de alguma forma ao seu endereço celestial, gostaria de saber como é ser lembrado principalmente por romances. Autores são lembrados por suas frases, o que é uma tarefa bem menos lisonjeira; os leitores as destrincham, as citam de forma inadequada e culpam o escritor quando elas se tornam antiquadas”.

Você acha lá também o conto Bull rider, de sete páginas, creditado a Marty Lombard como autor – a história é a de um homem que procura um rodeio no Texas para tentar montar touros. O site Stereogum, com a graça que lhe é peculiar, anuncia o pacote como “Bob Dylan entra para o Patreon com fanfic histórica”. Os leitores do site, por sua vez, caíram na zoeira, com observações como “adorei o fato de ele não ter conseguido o nome de usuário ‘bobdylan’ no Patreon. Ele teve que procurar no final da lista até encontrar ‘bobdylan180′”.

Uma outra pessoa observou que “o cara usou o SparkNotes para a palestra dele quando recebeu o Nobel há dez anos, não me surpreende que ele esteja optando por um método tão ruim agora” (na época em que fez o discurso de recebimento do prêmio, o cantor foi acusado de plagiar um texto publicado no site de estudos).

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