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Cultura Pop

Discos da discórdia 6: Ira!, com “Você não sabe quem eu sou”

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Discos da discórdia 6: Ira!, com "Você não sabe quem eu sou"

Um tempo atrás me marcaram no Facebook num desses desafios de “melhores discos”. Eu decidi fazer diferente e resolvi escrever, nessa época, sobre discos controversos que, por algum motivo ou outro, eu achava que as pessoas deveriam dar uma segunda chance. Enfim, discos da discórdia (um belo dum trocadalho do carilho, enfim).

Como recentemente aqui no POP FANTASMA eu pus no ar uma série sobre lendas urbanas e umas das diretrizes editoriais (eita!) do site é fazer mais séries sobre assuntos diversos da cultura pop, resolvi transformar os textos numa série com dez álbuns que não são lá grandes campeões de aceitação por parte da crítica, mas que mereciam um pouco mais da sua atenção. O sexto disco da série fez muito fã de rock ficar meio puto e deixou uma turma aí precisando abrir os ouvidos…

A AVENTURA DE “VOCÊ NÃO SABE QUEM EU SOU”, DO IRA! (1998)

Discos da discórdia 6: Ira!, com "Você não sabe quem eu sou"

Você não sabe quem eu sou (1998) é um disco bastante desconhecido do Ira!. E para muita gente, faz jus ao nome: se você conhece a banda só dos hits, provavelmente você não sabe que disco é esse (duh). A MTV tocou um pouco a versão em português deles para I can’t explain, do Who (Eu não sei). E Correnteza apareceu um pouco em algumas rádios. E só.

De novidade, tem o fato de que é um dos mais arrojados discos de rock brasileiro a fazerem experimentações com música eletrônica. Às vezes de vez em quando abre com um baita esporro de bateria, guitarra e ruídos. Músicas como Descendo o Mississippi e Justiça civil, justiça militar são cheias de programações. E a própria Eu não sei vai nessa linha. Seja como for, o álbum tem um dos sons mais poderosos da história da banda (Correnteza, com alguns dos solos mais legais de Edgard Scandurra). E encerra com uma espécie de dance-rock psicodélico, A natureza sobre nós, que dá lá seus traços com os Stone Roses.

Isso fez com que muitos fãs radicais detestassem o disco. A própria banda declarou que “não seria a gente que iria liderar a renovação da música eletrônica no Brasil”. E que não tinham abraçado o som eletrônico para “virar quatro DJs”, mas para dar uma renovada no próprio som. Em alguns shows – como numa apresentação da banda no Bem Brasil, da TV Cultura, que ficou famosa – alguns fãs radicais fizeram malcriações como vaiar ou ficar de costas para o palco. Na época, críticos pegaram no pé da banda por causa de versos meio redundantes como “nos jornais/há notícias más e boas” (de Vou me encontrar) e tem até hoje quem discuta se a versão de Miss Lexotan 6 mg, de Júpiter Maçã, fazia sentido ou não.

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Você não sabe quem eu sou foi lançado por uma gravadora que fazia sucesso no mercado fonográfico brasileiro lá por 1998, a Paradoxx Music. Tinha sido fundada no comecinho dos anos 1990 e trabalhou durante vários anos quase que exclusivamente com dance music. Em meados da década, Tutinha, presidente da rádio Jovem Pan, brigou com todas as gravadoras, tornou-se sócio da Paradoxx e passou a tocar só o repertório dançante do selo. Vinham dessa associação aqueles CDs de Só as melhores da Pan, Iô iô dance e outras coisas que você achava de baciada nas Lojas Americanas.

De qualquer jeito, em dada altura dos anos 1990, a Paradoxx tinha um cast tão eclético que Toquinho, Ratos de Porão, Peninha e Dominó gravaram por lá. O Ira! havia entrado no selo dois anos antes, lançando um disco razoável (Ira! 7), mas que marcou o retorno da banda ao mercado fonográfico, após três anos de sumiço. Após Você não sabe quem eu sou, começou a rolar uma primeira onda de interesse histórico pelo rock dos anos 1980, com bandas nacionais incluídas aí. O Ira! foi para a Deck lançar o disco de releituras Isso é amor e voltou a tocar bastante em rádio. Mas aí são outras histórias.

Você não sabe quem eu sou, assim como tudo da Paradoxx, está fora das plataformas digitais. Pega aí no YouTube.

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Veja todos os Discos da Discórdia aqui.

Cultura Pop

Tem XTC no podcast do POP FANTASMA

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XTC

É a banda de Making plans for Nigel e King for a day! A banda britânica XTC deixou saudade na gente e em mais um monte de fãs. No nosso podcast POP FANTASMA DOCUMENTO, recordamos alguns dos momentos mais maravilhosos (nada de “melhores momentos”, XTC só tem música maravilhosa) desse grupo, liderado pelos gênios Andy Partridge e Colin Moulding, que acabou de forma misteriosa e deixou vários álbuns que todo mundo tem que conhecer. E convidamos o amigo DJ e músico Pedro Serra (Estranhos Românticos, O Branco E O Índio, Rockarioca) para ajudar a explicar porque é que você tem que parar tudo e ouvir o som deles agora mesmo.

O Pop Fantasma Documento é o podcast semanal do site Pop Fantasma. Episódios novos todas as sextas-feiras. Roteiro, apresentação, edição, produção: Ricardo Schott. Músicas do BG tiradas do disco Jurassic rock, de Leandro Souto Maior. Arte: Aline Haluch. Estamos no SpotifyDeezerCastbox Mixcloud: escute, siga e compartilhe! Ah, apoia a gente aí: catarse.me/popfantasma.

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Cinema

No podcast do POP FANTASMA, a redescoberta de Jim Morrison em 1991

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No podcast do POP FANTASMA, a redescoberta de Jim Morrison em 1991

Indo na onda do documentário Val, sobre o ator Val Kilmer, e recordando os 50 anos da morte de Jim Morrison, lembramos no nosso podcast, o POP FANTASMA DOCUMENTO, aquela época em que Val virou Jim. O ator de filmes como Top Secret interpretou o cantor no filme The Doors (1991), dirigido por Oliver Stone. E, de uma hora para outra, mais uma vez (e vinte anos após a partida de Jim Morrison), uma geração nova descobria canções como Light my fire, Break on through e L.A. woman.

No podcast do POP FANTASMA, a redescoberta de Jim Morrison em 1991

O Pop Fantasma Documento é o podcast semanal do site Pop Fantasma. Episódios novos todas as sextas-feiras. Roteiro, apresentação, edição, produção: Ricardo Schott. Músicas do BG tiradas do disco Jurassic rock, de Leandro Souto Maior. Arte: Aline Haluch. Estamos no SpotifyDeezerCastbox Mixcloud: escute, siga e compartilhe! Ah, apoia a gente aí: catarse.me/popfantasma.

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Cultura Pop

Quando pegaram Gary Cherone (Extreme) para Cristo

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Em 1994, pouco antes de gravar o quarto disco com sua banda Extreme (o pseudo-conceitual Waiting for the punchline, de 1995) e de fazer uma tentativa de virar o vocalista do Van Halen (que deu no disco Van Halen III, de 1998, e numa turnê), o cantor Gary Cherone encontrou Jesus. Bom, mais que isso: ele se tornou Jesus, como ator da ópera-rock Jesus Christ Superstar, mas apenas nas montagens da peça em Boston, em 1994, 1996 e 2003.

O papel de Gary incluiu a crucificação e tudo, e o cantor chegou a declarar que a peça era uma antiga obsessão sua. “Sempre adorei a música dessa peça”, contou. O musical foi uma produção da Boston Rock Opera, trazia ainda Kay Hanley (Letters To Cleo) como Maria Madalena, e participação de vários roqueiros locais. Gary realmente curtia Jesus Christ Superstar: segundo uma matéria do The Boston Globe, a equipe que fazia o musical estava pensando em não apresentar nada na páscoa de 1994. Só que Gary não deixou: tinha visto uma encenação em Boston em 1993, gostou do que viu, passou a mão no telefone e ligou pessoalmente para a turma oferecendo-se para o papel.

A equipe ouviu o pedido do vocalista do Extreme, achou que ser maluquice não aproveitar a oferta do cantor e partiu para os ensaios. Detalhe que Gary, depois de três temporadas sendo crucificado, se preparava para outro desafio na mesma peça: iria interpretar Judas, o amigo da onça de Jesus. “Gosto do papel de Jesus, mas Judas tem músicas mais pesadas”, chegou a dizer.

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Isso de Gary resolver interpretar Judas e gostar do lado meio pesado da história (e ele fez mesmo o papel em 2000) reacendeu uma velha polêmica em relação a Jesus Christ Superstar. Criada por Andrew Lloyd Webber e Tim Rice inicialmente como uma ópera-rock lançada apenas em disco (ninguém tinha grana para levar aquilo tudo ao palco e não surgiam produtores interessados), a história discutia os papéis de Jesus Cristo e de seus apóstolos durante sua última semana de vida. E quando a peça foi à Broadway, com Jeff Fenholt como Jesus e Ben Vereen como Judas, não faltou gente reclamando que Judas parecia bastante simpático na peça.

Interpretando Jesus, por sinal, Gary encarou um papel que já foi vivido por outro vocalista de rock. Ninguém menos que Ian Gillan, que foi Jesus no LP da ópera-rock, feito quando ainda não havia planos para levá-la aos palcos. Mas Gillan não quis subir ao palco quando a montagem começou a ser feita, alegando que não queria virar ator. Um tempo depois, o papel de Jesus passou a ser tão cobiçado por roqueiros que até Sebastian Bach (o próprio) interpretou o papel.

Se você mal pode esperar para ver o ex-Skid Row interpretando o papel (bom, vai demorar pro POP FANTASMA fazer outra matéria sobre o mesmo assunto…) tá aí.

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