Cinema
Quem perder o In-Edit 2021 vai se arrepender amargamente

O festival In-Edit, dedicado a documentários musicais brasileiros e internacionais, começa sua 13ª edição daqui a pouquinho, na quarta-feira que vem (16). Até 27 de junho, o evento vai apresentar uma seleção absolutamente imperdível de filmes, que pode ser assistida no site e na plataforma do festival. Pelo segundo ano consecutivo, devido à covid-19, o festival acontece de forma online, alcançando todo território nacional.
Só para começar, o evento neste ano vai ter homenagem a D.A. Pennebaker, o cara que dirigiu filmes como Don’t look back (1967), sobre a turnê inglesa de Bob Dylan, e Monterey Pop (1968), sobre o festival de rock de mesmo nome, ambos incluídos na programação. Viúva de Pennebaker, a diretora Chris Hegedus vai participar de um bate-papo no festival.
E seguem aí quinze (só quinze, porque tem mais) filmes que você não pode perder no In-Edit de jeito nenhum. Lembrando que todos os filmes do Panorama Brasileiro, os debates e os shows desta edição terão acesso gratuito através do site, da plataforma e das redes sociais do festival. O acesso aos filmes do Panorama Mundial terão custo simbólico de R$ 3.
“SECOS & MOLHADOS”, de Otávio Juliano. Vale muito pelo ineditismo: pela primeira vez o compositor português João Ricardo, criador da banda da qual Ney Matogrosso fez parte, dá sua versão sobre as histórias do grupo.
“SPEEDFREAK$: PSICOPATA CAMARADA”, de Rafa Porto. A história do rapper, compositor e músico, com depoimentos e imagens raras.
“UMA BANDA MADE IN BRAZIL”, de Egler Cordeiro. A história da banda paulista criada pelos irmãos Vecchione (por sinal uma das bandas de rock mais longevas do Brasil).
“JOÃO BOSCO E ALDIR BLANC: PARCERIA É ISSO AÍ”, de Pedro Pontes. Provavelmente vai ser um dos momentos de mais emoção do In-Edit, já que Aldir, além de ter deixado uma das obras mais sólidas da música brasileira, morreu há pouco tempo, de covid-19. Ele e João aparecem falando sobre as músicas que fizeram em dupla.
“JAIR RODRIGUES – DEIXA QUE DIGAM”, de Rubens Rewald. A história do cantor revelado nos anos 1960 e que fez sucesso na era dos festivais. Como diz o próprio site do In-Edit, “um retrato do Brasil que amamos e que não queremos esquecer”.
“VOCÊ NÃO SABE QUEM EU SOU”, de Alexandre Petillo, Rodrigo Cardoso e Rogério Corrêa. A história de Nasi, vocalista do Ira!. O filme será exibido na Sessão Especial do In-Edit.
“AMERICAN RAPSTAR”, de Justin Staple. Pare de repetir coisas como “não entendo o mercado musical de hoje” assistindo a este filme, que mostra como um bando de garotos muito jovens, de uma hora para a outra, passou a mandar no mercado do rap.
“CROCK OF GOLD: A FEW ROUNDS WITH SHANE McGOWAN”, de Julien Temple. Homenagem ao cantor da banda irlandesa Pogues, com produção do cancelado Johnny Depp.
“DON’T GO GENTLE – A FILM ABOUT THE IDLES”, de Mark Archer. A história de uma das bandas britânicas mais bacanas da atualidade.
“FANNY: THE RIGHT TO ROCK”, de Bobbi Jo Hart. A história de uma das bandas femininas mais legais dos anos 1970, com alegrias, tristezas e tudo a que elas tiveram direito.
“MOBY DOC”, de Rob Gordon Bralver. A história do cantor, compositor e DJ, com sucessos, erros, acertos e etc.
“PHIL LYNOTT: SONGS FOR WHILE I’M AWAY”, de Emer Reynolds. Material raro e várias entrevistas com amigos e parceiros do líder do Thin Lizzy, morto há 35 anos.
“POLY STYRENE: I’M A CLICHÉ”, de Celeste Bell e Paul Sng. Dirigido em parte pela filha da cantora, Celeste, esse documentário conta as memórias da líder da banda punk X-Ray Spex.
“SUZI Q.”, de Liam Firmager. A história de uma das mais famosas rockstars de todos os tempos, Suzi Quatro.
“THE GO-GO’S”, de Alison Ellwood. Sim, isso mesmo: a história de uma das mais significativas bandas do punk e da new wave dos EUA – e que, aliás, esteve no palco do Rock In Rio.
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Cinema
Urgente!: Show solo de Thom Yorke (Radiohead) na Austrália vira filme

É provável que os fãs do Radiohead estejam esperando BASTANTE por um filme de concerto do grupo – mas pelo menos vem por aí um filme de show de… Thom Yorke, líder da banda. A primeira tour solo do cantor vai ganhar o registro oficial Thom Yorke Live at Sydney Opera House, com os shows que ele fez em novembro de 2024 no Forecourt, pátio da Ópera de Sydney. Detalhe que os fãs não apenas do Radiohead como também de todos os projetos capitaneados por Thom podem esperar para se sentirem contemplados pelo filme. A direção é de Dave May.
Isso porque, segundo o comunicado de lançamento, Thom Yorke Live at Sydney Opera House “abrange todos os aspectos dos mais de trinta anos de carreira de Yorke como artista de gravação, desde uma versão acústica de tirar o fôlego de Let down (Radiohead), até faixas menos conhecidas favoritas dos fãs (como Rabbit in your headlights, do UNKLE) e seleções de seus aclamados álbuns solo com influências eletrônicas”. Ou seja: você confere lá todo o baú de recordações do cantor, que mergulhou também em canções de sua banda paralela Atoms For Peace e de seu projeto em dupla com Mark Pritchard (o disco Tall tales foi resenhado aqui pela gente).
Um outro detalhe que o release promete: mesmo que a casa de shows seja enorme, a sensação é a de assistir a um show bem intimista, tipo “uma noite com Thom Yorke”. “O filme tem ares de um vislumbre íntimo dos bastidores, permitindo testemunhar um mestre em ação. Yorke une as diversas vertentes de sua carreira com seu falsete arrebatador e presença de palco magnética. Para fãs de Radiohead, The Smile e tudo mais, esta é uma experiência cinematográfica imperdível”, dá uma enfeitada o tal texto.
Live at Sydney Opera House estreou no Playhouse da Ópera de Sydney no último dia 20 de janeiro. No dia 6 de março, uma sexta-feira, ele chega nos cinemas da Austrália. Vale aguardar? Confira aí Thom soltando a voz em Back in the game, dele e de Pritchard, e o trailer do filme (e sem esquecer que temos um podcast sobre o começo do Radiohead, que você ouve aqui).
Cinema
Ouvimos: Raveonettes – “PE’AHI II”

RESENHA: Os Raveonettes mergulham de vez no lo-fi e shoegaze em PE’AHI II, disco que soa mais próximo de uma transição do que de uma realização.
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Raveonettes, aquela dupla que misturava distorções a la Jesus and Mary Chain, clima melodioso herdado dos anos 1950 e estética do filme Juventude transviada, lembra? Pois bem, eles guiaram o timão de vez para gêneros como shoegaze e lo-fi. Não é algo estranho ao som deles, vale falar. Climas “serra elétrica” sempre tiveram lugar nos discos de Sune Rose Wagner e Sharin Foo. PE’AHI II, novo disco, é a continuação de PE’AHI, disco de 2014 que já promovia suas invasões nessas áreas. Sem falar que 2016 atomized – disco anterior de inéditas da banda, 2017 – surfava essa onda.
Só que o Raveonettes de 2025 chega a soar experimental, mesmo quando abre o novo disco com uma balada nostálgica e melancólica, Strange. E na sequência, o ruído programado de Blackest soa como uma curiosa mescla de blackgaze e pop de câmara. Já Killer é uma nuvem de microfonias que lembra bandas como Drop Nineteens, só que com mais cuidado na melodia.
Entre as outras curiosidades do disco, estão o noise rock programado de Dissonant, a viagem sonora e distorcida de Sunday school e a onda sonora de microfonia (alternada com toques dream pop) de Ulrikke. O resultado final deixa um ar de EP, de mixtape, mais do que de um álbum completo e realizado dos Raveonettes. Ainda que PE’AHI II tenha momentos ótimos, soa mais como uma transição para o que vem por aí.
Texto: Ricardo Schott
Nota: 7,5
Gravadora: Beat Dies Records
Lançamento: 25 de abril de 2025
Cinema
Urgente!: Cinema pop – “Onda nova” de volta, Milton na telona

Por muito tempo, Onda nova (1983), filme dirigido por Ícaro Martins e José Antonio Garcia – e censurado pelo governo militar –, foi jogado no balaio das pornochanchadas e produções de sacanagem.
Fácil entender o motivo: recheado de cenas de sexo e nudez, o longa funciona como uma espécie de Malhação Múltipla Escolha subversivo, acompanhando o dia a dia de uma turma jovem e nada comportada – o Gayvotas Futebol Clube, time de futebol formado só por garotas, e que promovia eventos bem avançadinhos, como o jogo entre mulheres e homens vestidos de mulher. Por acaso, Onda nova foi financiado por uma produtora da Boca do Lixo (meca da pornochanchada paulistana) e acabou atropelado pela nova onda (sem trocadilho) de filmes extremamente explícitos.
O elenco é um espetáculo à parte. Além de Carla Camuratti, Tânia Alves, Vera Zimmermann e Regina Casé, aparecem figuras como Osmar Santos, Casagrande e até Caetano Veloso – que protagoniza uma cena soft porn tão bizarra quanto hilária. Durante anos, o filme sobreviveu em sessões televisivas da madrugada, mas agora ressurge restaurado e remasterizado em 4K, estreando pela primeira vez no circuito comercial brasileiro nesta quinta-feira (27).
Meu conselho? Esqueça tudo o que você já ouviu sobre Onda nova (ou qualquer lembrança de sessões anteriores). Entre de cabeça nessa comédia pop carregada de referências roqueiras da época, um cruzamento entre provocação punk e ressaca hippie. O filme abre com Carla Camuratti e Vera Zimmermann empunhando sprays de tinta para pixar os créditos, mostra Tânia Alves cantando na noite com visual sadomasoquista, segue com momentos dignos de um musical glam – cortesia da cantora Cida Moreyra, que brilha em várias cenas – e trata com surpreendente modernidade temas como maconha, cultura queer, relacionamentos sáficos, mulheres no poder, amores fluidos e, claro, futebol feminino.
Se fosse um disco, Onda nova seria daqueles para ouvir no volume máximo, prestando atenção em cada detalhe e referência. A trilha sonora passeia entre o boogie oitentista e o synthpop, com faixas de Michael Jackson e Rita Lee brotando em alguns momentos. E o que já era provocação nos anos 1980 agora ressurge como registro de uma juventude que chutava o balde sem medo. Vá assistir correndo.
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Já Milton Bituca Nascimento, de Flavia Moraes, que estreou na última semana, segue outro caminho: o da reverência, mesmo que seja um filme documental. Durante dois anos, Flavia seguiu Milton de perto e produziu um retrato que, mais do que um relato biográfico, é uma celebração. E uma hagiografia, aquela coisa das produções que parecem falar de santos encarnados.
A narração de Fernanda Montenegro dá um tom solene – e, enfim, logo no começo, fica a impressão de um enorme comercial narrado por ela, como os daquele famoso banco que não patrocina o Pop Fantasma. Aos poucos, vemos cenas da última turnê, reações de fãs, amigos contando histórias. Marcio Borges lê matérias do New York Times sobre Milton, para ele. Wagner Tiso chora. Quincy Jones sorri ao falar dele. Mano Brown solta uma pérola: Milton o ensinou a escutar. E Chico Buarque assiste ao famigerado momento do programa Chico & Caetano em que se emociona ao vê-lo cantar O que será – um vídeo que virou meme recentemente.
Isso tudo é bastante emocionante, assim como as cenas em que a letra da canção Morro velho é recitada por Djavan, Criolo e Mano Brown – reforçando a carga revolucionária da música, que usava a imagem das antigas fazendas mineiras para falar de racismo e capitalismo. Mas, no fim, o que fica de Milton Bituca Nascimento é a certeza de que Milton precisava ser menos mitificado e mais contado em detalhes. Vale ver, e a música dele é mito por si só, mas a sensação é a de que faltou algo.
Por acaso, recentemente, Luiz Melodia – No coração do Brasil, de Alessandra Dorgan, investiu fundo em imagens raras do cantor, em que a história é contada através da música, sem nenhum detalhe do tipo “quem produziu o disco tal”. Mas o homem Luiz Melodia está ali, exposto em entrevistas, músicas, escolhas pessoais e atitudes no palco e fora dele. Quem não viu, veja correndo – caso ainda esteja em cartaz.
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