A verdade está no quadro de medalhas: o alemão Frank Farian é um gigante da indústria fonográfica. Já vendeu mais de 850 milhões de discos em todo o mundo. Os métodos que ele utilizou em alguns casos para conseguir sucesso é que costumam gerar bastante polêmica, já que ele foi o criador do Milli Vanilli, dupla cujos integrantes não soltaram a voz em nenhum momento da gravação de seu primeiro disco, de 1988. Bem antes disso, Farian foi o responsável pela pérola disco Boney M, cujo sucesso “Daddy cool” (1976) virou dance-rock nas mãos do Placebo, em 2003. E cujo “vocalista”, o DJ caribenho Bobby Farrell, não cantava nada nos discos do grupo – na maioria das vezes o próprio Frank assumia a tarefa. Na época, não era segredo para ninguém.

Quem amava rock e detestava disco music na época em que ela fazia sucesso, ganhou um motivo para espumar de ódio em 1980 quando o Boney M decidiu fazer sua versão de nada menos que “In-a-gadda-da-vida”, clássico hard-psicodélico da banda americana Iron Butterfly, lançado em 1968.

Disco music e hard rock: Boney M leva Iron Butterfly para as pistas

Não era tão incomum assim que artistas da disco pegassem clássicos do rock e pusessem batidas dançantes em cima. A francesa Nadine Expert fez um (bizarro) medley de canções dos Rolling Stones chamado “I wanna be a Rollin’ Stone” e o trio vocal alemão Silver Convention fez o mesmo com as músicas dos Beatles no comportadinho “The boys from Liverpool”. E nem o Kiss deixou de aderir à disco. A releitura do Boney M em particular chamava a atenção por alguns motivos: 1) O nome foi reduzido para “Gadda-da-vida”; 2) Frank dispensou os cantores usuais, convidou um trio feminino chamado La Mamma e usou um vocoder (voz de robô) para fazer o refrão; 3) O grupo fez algumas apresentações de “Gadda-da-vida” na TV, lançou a música num single com lado A duplo e depois a música acabou sumindo das lojas, porque o disco subsequente do grupo, “Boonoonoonoos”, atrasou em mais de um ano e só saiu em setembro de 1981.

Assim como o original do Iron Butterfly, a releitura do Boney M também saiu em duas versões, uma editada, de rádio, e uma maiorzinha, para as pistas (e aqui no POP FANTASMA, a gente é tão fã do Boney M. quanto do Butterfly).