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Crítica

Ouvimos: Badi Assad – “Parte de tudo isso”

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Parte de tudo isso celebra 35 anos de Badi Assad com folk interiorano, vozes etéreas e parcerias fortes, unindo feminismo, introspecção e MPB de clima artesanal.

RESENHA: Parte de tudo isso celebra 35 anos de Badi Assad com folk interiorano, vozes etéreas e parcerias fortes, unindo feminismo, introspecção e MPB de clima artesanal.

Texto: Ricardo Schott

Nota: 9
Gravadora: Ternário Records
Lançamento: 6 de novembro de 2025

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O Brasil, infelizmente, ainda não conhece direito Badi Assad, descendente de família de músicos do interior paulista (sua cidade, São João da Boa Vista, tem o Festival Assad, que homenageia o legado de seus pais Jorge e Ica, além dos irmãos Sergio e Odair), e que completa 35 anos de uma carreira predominantemente independente. Uma independência que rolou até mesmo quando ela passou por grandes gravadoras, fora do país.

O álbum Parte de tudo isso nasceu do encontro de Badi com os produtores Marcus Preto e Tó Brandileone, que tomaram para si a responsabilidade de promover encontros, montar repertório e criar um disco comemorativo com canções de Badi e alguns presentes vindos de amigos. No geral, saiu um disco folk, interiorano, feminista, feminino, em que violão e voz soam como se tivessem sido construídos no ar.

  • Ouvimos: Zécarlos Ribeiro – (Todos os Homens)º = 1

Baladas como Você, cadê? (parceria com Adriana Calcanhotto) e Possível manual do amor (de Paulinho Moska, cantada por Badi com Zelia Duncan, e um grito pelo “amor sem preconceitos”, pelo “amor que grita sua voz de luz”) e canções de vibe jazzística como Na vida do mar (escrita com Otto) são as mais representativas desse universo. A delicada e feminista Ê mulher, de Chico César. junta valsa e Nordeste.

A bordadura serena, parceria com Pedro Luís, é bordada musicalmente, com os vocais soando como um fio que sustenta tudo. Imaterial, de Zé Renato e Nando Reis, não existiria sem que Lô Borges tivesse existido – tem tudo a ver com a musicalidade mais pop do Clube da Esquina. Tororó, de Vicente Barreto e Zeca Baleiro, é um forró teatral e quase concretista.

Parte de tudo isso encerra unindo natureza e introspecção, cruzando jazz e MPB em Ser humano é floresta (parceria com Andre Abujamra), na faixa-título (com Ceumar) e no presente de Ana Costa e Zélia Duncan em Tristeza, nem vem (“se a vida me entristecer, quero inventar prazer / se o momento é cruel vou pensar algum bem”).

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Crítica

Ouvimos: The Fall – “BBC Radio sessions” (EP) / The Wedding Present – “Maxi” (EP)

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Dois clássicos do indie britânico voltam em EPs: sessões inéditas do The Fall na BBC e um Wedding Present revendo o passado com guitarras afiadas.

RESENHA: Dois clássicos do indie britânico voltam em EPs: sessões inéditas do The Fall na BBC e um Wedding Present revendo o passado com guitarras afiadas.

Texto: Ricardo Schott

Notas: 8 (The Fall) e 8,5 (The Wedding Present)
Gravadoras: Beggars Banquet (The Fall) e Scopitones (WP)
Lançamentos: 29 de outubro de 2025 (The Fall) e 5 de dezembro de 2025 (WP).

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Duas bandas do indie rock britânico clássico ressurgem em EPs novos. A primeira delas em caráter basicamente póstumo, já que se trata de um grupo (The Fall) que encerrou atividades após a morte de seu líder – Mark E. Smith, saído de cena em 2018. A outra (The Wedding Present) retornou em 2004 e vem fazendo uma torrente de lançamentos desde então, focando justamente em EPs.

BBC Radio sessions traz o segundo volume de gravações do Fall feitas na BBC – no caso, uma sessão gravada em 28 de abril de 1987 e transmitida pela primeira vez em 11 de maio daquele mesmo ano. O repertório focou em faixas de EPs e singles lançados naquele período, trazendo também a novidade de Athlete cured, faixa que sairia em 1988 no disco The frenz experiment. O curto repertório abre com Australians in Europe, pós-punk de poucos acordes, com ataque de guitarra surpreendentemente metálico lá pelas tantas. Twister, por sua vez, tem vibe krautrock, balanço cerimonial e uma abertura que adianta em alguns anos o som de Jon Spencer Blues Explosion.

O EP é complementado pelo clima boogie e sujo de Guest informant – no qual a voz de Mark lembra a de um Mick Jagger insociável. E por Athlete cured, soando como o encontro entre os beats da Motown e de Bo Diddley com a energia caótica da no wave. Já Maxi, do Wedding Present, é um disco novo que faz referência ao passado – mais detalhadamente ao EP Mini, de 1996. Ambos os discos têm músicas que falam sobre… dirigir.

Com uma formação recente turbinada pela guitarrista Rachael Wood, o WP surge variando entre a balada pós-punk e um clima próximo do rock pauleira nos quase sete minutos de Scream if you want to go faster – música que ainda ganha um clima meio psicodélico graças às guitarras e teclados do arranjo. Grand prix é meio jangle pop, mas faz lembrar bandas como XTC e Joy Division, nos vocais e no arranjo, Hot wheels, por sua vez, é punk e ágil, com ótimo trabalho nas guitarras.

Cruzamentos entre jangle pop e pós-punk aparecem também em Two for the road e na ágil e terna Silver shadow. E igualmente em Interceptor, canção que lá pelas tantas, ganha peso no estilo do Black Sabbath – voltando depois ao som comum do grupo.

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Ouvimos: Cat Arcade – “Fragmentada”

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Cat Arcade foge do shoegaze padrão em Fragmentada, misturando ruído, pós-punk e melodia, com vocal dramático e identidade própria.

RESENHA: Cat Arcade foge do shoegaze padrão em Fragmentada, misturando ruído, pós-punk e melodia, com vocal dramático e identidade própria.

Texto: Ricardo Schott

Nota: 8,5
Gravadora: Independente
Lançamento: 2 de dezembro de 2025

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Banda gaúcha formada em 2019, o Cat Arcade lança o segundo álbum, Fragmentada, e marca algumas diferenças em meio à onda shoegaze que assola o rock nacional (e o internacional). O grupo não mira em paredes ruidosas de guitarras: o foco é em climas ruidosos entre Sonic Youth e o pós-punk, como na base de guitarra e nos riffs com eco de Sem rumo e Labirintos, que abrem o novo álbum. O vocal de Nina Barcellos é agudo e dramático, nada da vibe etérea dos sons ruidosos.

O grupo surpreende mais ainda com Videomaker, canção que tem algo de pop adulto anos 1980 (Marina Lima, Claudio Zoli, Vinicius Cantuária), mas traduzido para a atmosfera gélida do pós-punk – vale citar que até o título da faixa lembra a década em que criadores de conteúdo eram conhecidos como “videomakers” mesmo. Interrompida tem dramaticidade lembrando The Cure, enquanto Teste de sanidade tem até um certo clima de MPB “roqueira” dissolvido em meio a uma cara college rock – abrindo com um tom meio hispânico, e ganhando mais peso e melodia na sequência.

No fim do disco, Asas dá uma cara mais simples e melódica a Fragmentada, com evocações de Smiths e The Cure, ótimas guitarras e riff que chama a atenção. Um álbum que encontra identidade própria no ruído, no drama e na melodia.

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Ouvimos: Varanda – “Rebarba” (EP)

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O Varanda retrabalha sobras do ótimo álbum Beirada no EP Rebarba, focando no lado mais ruidoso, experimental e multifacetado da banda mineira.

RESENHA: O Varanda retrabalha sobras do ótimo álbum Beirada no EP Rebarba, focando no lado mais ruidoso, experimental e multifacetado da banda mineira.

Texto: Ricardo Schott

Nota: 8,5
Gravadora: Independente
Lançamento: 14 de outubro de 2025

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A banda mineira Varanda lançou a ótima estreia Beirada em 2024, e agora, pouco mais de um ano depois, sai Rebarba, EP com quatro sobras do álbum, retrabalhadas agora para lançamento. Não é raro que bandas e artistas mexam em sobras de seus álbuns para trabalhar como singles e EPs – Nilüfer Yanya fez isso recentemente – ou até mesmo como edições deluxe, o que é até bem mais comum. O Varanda, uma banda bastante multifacetada, escolheu determinadas faces de seu som para focar no EP.

Rebarba começa com o jazz rock indie de Não me – música que ao final, vai ficando saturada, como numa gravação com defeitos, mas que depois volta ao normal, como se Mario Lorenzi, Amélia do Carmo, Augusto Vargas e Bernardo Merhy desejassem que a última mensagem da música ficasse na mente. Espelho é pós-punk-MPB, um som bonito e mágico, baseado num riff grave e numa letra imagética (“me faltou o Carnaval / mas rolaram as fantasias”), além de quebras rítmicas, como numa valsa pós-hardcore. Cores no céu soa como um ensaio gravado, mas ganha um som meio maquínico e um clima lembrando o pop adulto nacional dos anos 1980.

Sol ameaça um blues na abertura, mas vai mexendo com métricas pouco usuas e focando na experimentação rítmica. Ela já me ama encerra o disco de modo bem despojado, com efeitos de teclados e um resultado bem próximo do noise rock – com direito a vocais esgoelados, lembrando Pavement, Nirvana e Sonic Youth. A julgar pela Rebarba, tudo indica um futuro bem ruidoso e experimental pro Varanda nos próximos discos.

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