Cultura Pop
Andrea True Connection em disco de remixes

O selo Cleopatra Records lança em abril uma coletânea de remixes de Andrea True Connection, projeto de disco music liderado durante os anos 1970 pela cantora e atriz americana Andrea Maria Truden, ou Andrea True (1943-2011). More, more, more vai sair em CD e formato digital, e tem poucas novidades: basicamente são os originais e os remixes dos hits More, more, more, What’s your name, what’s your number e NY, you got me dancing. Mas já é uma forma de relembrar a história de Andrea, que teve uma das carreiras mais marginais da história da disco music.
Andrea, ao passar a cantar, deixou para trás uma carreira de quinze anos como atriz de filmes adultos e pornográficos. Atuou em produções x-rated de gosto duvidosíssimo como Little Orphan Sammy (1977, no qual fez uma dançarina do ventre) e The wetter, the better (1975) – este, sobre cabeleireiras que, no tempo livre, exercem a função de trabalhadoras sexuais. Também dirigiu Once over nightly, filme adulto de 1976, e apareceu num filme que chegou a fazer bastante sucesso: nada menos que Garganta profunda vol. 2.
Ela não estava contente de atuar dessa forma, tanto que acabou adotando o sobrenome artístico True para sua família não perceber nada – mas disse que não tinha nada melhor para fazer, e que percebeu que poderia trabalhar como atriz e aproveitar as oportunidades. Já a maneira como ela acabou virando cantora pop, também foi bastante curiosa: ela foi à Jamaica filmar um comercial e deparou com uma lei nova que a impedia de sair do país levando o cachê que havia ganhado com o trabalho.
Como teria que gastar tudo lá mesmo, alugou um estúdio, pagou a viagem do amigo produtor Gregg Diamond até lá e gravou uma demo de More, more, more. É o hit abaixo que, segundo Andrea, brigou o tempo todo com Silly love songs, dos Wings, pelo sucesso nas paradas.
Andrea teve uma carreira musical bem curta: durou basicamente de 1976 a 1980, com LPs e singles lançados, e alguns hits. Os dois primeiros discos saíram por seu contrato com a Buddah Records, um selo que estourara vários artistas de bubblegum rock e vinha investindo em r&b e disco, mas andava com problemas financeiros. De qualquer jeito, o primeiro disco, por acaso chamado More, more, more (1976), estourou quase tudo. Destaque também para Keep it up longer.
Andrea, que já usava músicos de estúdio ligados ao rock em seus discos (Bruce Kullick, futuro guitarrista do Kiss, havia tocado com ela), fez uma metamorfose no terceiro álbum, War machine, lançado em 1980 pelo selo italiano Ricordi. Abandonou o “Connection” do nome, e abraçou uma mescla de hard rock e new wave. Não fez sucesso, mas a faixa-título ganhou um clipe.
Andrea acabou tendo que abandonar a carreira de cantora após surgir um bócio em suas cordas vocais, mas permaneceu ganhando royalties, inclusive dos filmes que eram lançados em DVD – apesar de estar cansada da carreira de atriz, ela sempre se orgulhou dos filmes e disse que adorava o fato de as pessoas estarem assistindo suas antigas produções.
Também deu algumas entrevistas, entre elas esse papo com o site Rialto Report em que se dizia uma das pioneiras da disco, ao lado de Donna Summer e Village People, e lembrou com saudades da época de fama.; “Estava sempre na estrada, era colocada na primeira classe nos aviões, ia a hotéis cinco estrelas. Namorei várias pessoas famosas, só não vou revelar os nomes”, disse. Andrea deixou o mundo mais triste em 7 de novembro de 2011, quando morreu de insuficiência cardíaca. Ficam aí os hits e algumas lembranças espalhadas pela web.
E isso aí é um clipe bem louco de Andrea no programa italiano Discoring.
Cultura Pop
George Harrison em 2001: “O que é Eminem?”

RESUMO: Em 2001, George Harrison participou de chats no Yahoo e MSN para divulgar All Things Must Pass; com humor, respondeu fãs poucos meses antes de morrer – e desdenhou Eminem (rs)
Texto: Ricardo Schott – Foto: Reprodução YouTube
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“Que Deus abençoe a todos vocês. Não se esqueçam de fazer suas orações esta noite. Sejam boas almas. Muito amor! George!”. Essa recomendação foi feita por ninguém menos que o beatle George Harrison no dia 15 de fevereiro de 2001 – há 25 anos e alguns dias, portanto – ao participar de dois emocionantes chats (pelo Yahoo e pelo MSN).
O tal bate-papo, além de hoje em dia ser importante pelos motivos mais tristes (George morreria naquele mesmo ano, em 29 de novembro), foi uma raridade causada pelo relançamento remasterizado de seu álbum triplo All things must pass (1970), em janeiro de 2001. George estava cuidando pessoalmente da remasterização de todo seu catálogo e o disco, com capa colorida e fotos reimaginadas, além de um kit de imprensa eletrônico (novidade na época), era o carro-chefe de toda a história. O lançamento de um site do cantor, o allthingsmustpass.com, também era a parada do momento (hoje o endereço aponta para o georgeharrison.com).
Os dois bate-papos tiveram momentos, digamos assim, inesquecíveis. No do Yahoo, George fez questão de dizer que era sua primeira vez num computador: “Sou praticamente analfabeto 🙂 “, escreveu, com emoji e tudo. Ainda assim, um fã meio distraído quis saber se ele surfava muito na internet. “Não, eu nunca surfo. Não tenho a senha”, disse o paciente beatle. Um fã mais brincalhão quis saber das influências dos Rutles, banda-paródia dos Beatles que teve apoio do próprio Harrison, no som dele (“tirei todas as minhas influências deles!”) e outro perguntou sobre a indicação de Bob Dylan ao Oscar (sua Things have changed fazia parte da trilha de Garotos incríveis, de Curtis Hanson). “Acho que ele deveria ganhar TODOS os Oscars, todos os Tonys, todos os Grammys”, exultou.
A conta do Instagram @diariobeatle deu uma resumida no chat do Yahoo e lembrou que George contou sobre a origem dos gnomos da capa de All things must pass, além de associá-los a um certo quarteto de Liverpool. “Originalmente, quando tiramos a foto eu tinha esses gnomos bávaros antigos, que eu pensei em colocar ali tipo… John, Paul, George e Ringo”, disse. “Gnomos são muito populares na Europa. E esses gnomos foram feitos por volta de 1860”.
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A ironia estava em alta: George tambem disse que se começasse um movimento como o Live Aid ajudaria… Bob Geldof (!)., o criador do evento. Perguntado sobre se Paul McCartney ainda o irritava, contemporizou: “Não examine um amigo com uma lupa microscópica: você conhece seus defeitos. Então deixe suas fraquezas passarem. Provérbio vitoriano antigo”, disse. “Tenho certeza de que há coisas suficientes em mim que o irritam, mas acho que já crescemos o suficiente para perceber que nós dois somos muito fofos!”. Um / uma fã perguntou sobre o que ele achava da nominação de Eminem para o Grammy. “O que é Eminem?”, perguntou. “É uma marca de chocolates ou algo assim?”.
Bom, no papo do MSN um fã abusou da ingenuidade e perguntou se o próprio George era o webmaster de si próprio. “Eu não sou técnico. Mas conversei com o pessoal da Radical Media. Eles vieram à minha casa e instalaram os computadores. Os técnicos fizeram tudo e eu fiquei pensando em ideias. Eu não tinha noção do que era um site e ainda não entendo o conceito. Eu queria ver pessoas pequenas se cutucando com gravetos, tipo no Monty Python”, disse.
Pra ler tudo e matar as saudades do beatle (cuja saída de cena também faz 25 anos em 2026), só ir aqui.
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Cultura Pop
No nosso podcast, os erros e acertos dos Foo Fighters

Você pensava que o Pop Fantasma Documento, nosso podcast, não ia mais voltar? Olha ele aqui de novo, por três edições especiais no fim de 2025 – e ano que vem estamos de volta de vez. No terceiro e último episódio, o papo é o começo dos Foo Fighters, e o pedaço de história que vai de Foo Fighters (1995, o primeiro disco) até There’s nothing left to lose (o terceirão, de 1999), esticando um pouco até a chegada de Dave Grohl e seus cometas no ano 2000.
Uma história e tanto: você vai conferir a metamorfose de Grohl – de baterista do Nirvana a rockstar e líder de banda -, o entra e sai de integrantes, os grandes acertos e as monumentais cagadas cometidas por uma das maiores bandas da história do rock. Bora conferir mais essa?
Edição, roteiro, narração, pesquisa: Ricardo Schott. Identidade visual: Aline Haluch (foto: encarte do álbum Foo Fighters). Trilha sonora: Leandro Souto Maior. Vinheta de abertura: Renato Vilarouca. Estamos aqui de quinze em quinze dias, às sextas! Apoie a gente em apoia.se/popfantasma.
(a parte do FF no ano 2000 foi feita com base na pesquisa feita pelo jornalista Renan Guerra, e publicada originalmente por ele neste link)
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Cultura Pop
No nosso podcast, Alanis Morissette da pré-história a “Jagged little pill”

Você pensava que o Pop Fantasma Documento, nosso podcast, não ia mais voltar? Olha ele aqui de novo, por três edições especiais no fim de 2025 – e ano que vem estamos de volta de vez. No segundo e penúltimo episódio desse ano, o papo é um dos maiores sucessos dos anos 1990. Sucesso, aliás, é pouco: há uns 30 anos, pra onde quer que você fosse, jamais escaparia de Alanis Morissette e do seu extremamente popular terceiro disco, Jagged little pill (1995).
Peraí, “terceiro” disco? Sim, porque Jagged era só o segundo ato da carreira de Alanis Morissette. E ainda havia uma pré-história dela, em seu país de origem, o Canadá – em que ela fazia um som beeeem diferente do que a consagrou. Bora conferir essa história?
Edição, roteiro, narração, pesquisa: Ricardo Schott. Identidade visual: Aline Haluch (foto: Capa de Jagged little pill). Trilha sonora: Leandro Souto Maior. Vinheta de abertura: Renato Vilarouca. Estamos aqui de quinze em quinze dias, às sextas! Apoie a gente em apoia.se/popfantasma.
Ouça a gente preferencialmente no Castbox. Mas estamos também no Mixcloud, no Deezer e no Spotify.
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