Qualquer pessoa que dê uma olhada distraída nos jornais sabe que o Rio passa por momentos de terror. Em 1983, quando ninguém imaginava que viveríamos situações como as que estamos vivendo hoje, a Rede Globo levou ao ar uma versão, digamos, carioquíssima do conto de terror A pata do macaco, do britânico W.W. Jacobs. Com os saudosos Armando Bogus e Mario Lago entre os papéis principais.

Se você viu a adaptação que foi para os cinemas em 2013, dirigida por Brett Simmons, já tem uma ideia da história. Um sujeito que leva uma vida de merda e mora com a família num local lamacento e afastado, ganha uma pata de macaco que pode lhe conceder três desejos. E pode significar sua mudança para uma vida melhor. Como numa letra do Black Sabbath no estilo de Megalomania, acaba sendo bem pior pra ele. Se você nunca leu o conto de Jacobs, tem uma tradução para o português aqui.

No caso da adaptação pra TV (feita por Doc Comparato), somos de início apresentados a uma família, interpretada por Armando Bogus, Cacilda Lanuza, Marcelo Picchi e uma atriz criança que não consegui identificar. A história de Jacobs é levada para a realidade do Rio: o chefe da família (calma, estamos em 1983…) fica desempregado, a família tem que sobreviver do salário do filho mais velho (que trabalha como mecânico de aviões). E a turma toda precisa se mudar de Botafogo para o Catumbi. Vão morar num apartamento calorento com vista para o cemitério local – que serve de cenário em alguns momentos.

No prédio novo, eles encontram um casal bem esquisito (Mario Lago e Nathalia Timberg) e habitantes mais bizarros ainda, que parecem saber que vai acontecer alguma coisa bem estranha com os novos moradores. A filha mais nova é a primeira a ser atingida por uma espécie de maldição, ao levar um brinquedo, deixado pelo tal casal no quintal do prédio. É aí que surge a tal pata de macaco e as coisas começam a mudar (e não para melhor) para a família.

A Pata do Macaco: terror no Rio e na Globo em 1983

A adaptação brasileira do conto passou na faixa da Terça Nobre, da Globo, em 1983 – e deve ter aterrorizado muita gente. A Wikipedia gringa listou algumas versões do conto feitas em outras mídias e não lembrou dela. Em compensação, tem essa versão radiofônica feita pela BBC em 2004 e narrada por ninguém menos que Christopher Lee. Ouve aí.