Poucos artistas do universo pop se ferraram mais com um assunto tão banal – capas de discos – quanto Jimi Hendrix. Do primeiro álbum do Jimi Hendrix Experience, Are you experienced? (1967) até o último, Band of gypsys (1970), foram várias escolhas infelizes de gravadoras e projetos frustrados do guitarrista.

No caso da estreia, só pra ser ter um excelente exemplo, a capa da edição inglesa era caótica, com uma fonte de letras bizarra e uma foto que não assusta ninguém. Hendrix, puto da vida, tomou a frente da capa da edição americana e meteu lá uma foto da banda com lente olho de peixe. Muito melhor.

Depois vieram outras frustrações, como a capa do disco Axis: Bold as love (1967), que deixou os hindus bastante aborrecidos. E a capa das mulheres peladas de Electric ladyland (1968), invenção da gravadora britânica Track Records, que deixou o guitarrista bastante chateado (“eles conseguiram fazer com que as meninas ficassem feias”, reclamou).

Teve mais: Hendrix havia enviado para a Reprise, sua gravadora nos Estados Unidos, uma carta manuscrita pedindo que a gravadora usasse na capa de Electric ladyland uma foto de Linda Eastman (futura esposa de Paul McCartney) em que a banda posava com crianças na escultura de Alice No País das Maravilhas no Central Park. A Reprise fez questão de ignorar os pedidos de Hendrix e pôs na edição americana uma foto do guitarrista feita por Karl Ferris (o site Dangerous Minds publicou o histórico dessas capas indesejadas do terceiro álbum do Experience, com várias imagens, inclusive da tal carta do guitarrista).

No fim, ainda teve Band of gypsys, último disco de Hendrix, gravado ao vivo com com Billy Cox no baixo e Buddy Miles na bateria, e primeiro álbum sem o Experience. O disco saiu nos EUA pela Capitol com uma foto closada do guitarrista. Já na Inglaterra… Bom, a Track Records decidiu fazer das suas e pôs na capa um cenário que mais lembra um canteiro de obras, ou uma telha de amianto. Na frente, bonecos de Hendrix, Brian Jones, Bob Dylan e do DJ John Peel, meio amontoados. Na contracapa, um boneco de Hendrix. O guitarrista, canhoto, é retratado como destro na imagem.

Se você nunca viu, olha aí em cima. Essas fotos apareceram também na versão australiana e na primeira versão brasileira, lançada pela Polydor, de Band of gypsys. Tanto Hendrix quanto os fãs do músico acharam a foto da capa uma viagem na maionese. A Track desistiu da capa e substituiu a imagem por uma foto do guitarrista no festival da Ilha de Wight.

Os tais bonecos causaram tristeza nos admiradores do guitarrista. Mas tinham como autora uma artista que estava ganhando certa projeção naquela época justamente por fazer bonecos representando gente famosa. Era a artista plástica holandesa Saskia de Boer. Que aparece lá em cima cercada pelos bonecos da capa do disco.

Ela também fez bonecos representando a Mona Lisa de Leonardo Da Vinci e a Primavera de Botticelli.

Tem pouca informação sobre Saskia na internet. Sabe-se que ela nasceu em 22 de abril de 1945 em Amsterdã e volta e meia rolam uns leilões de sua obra. E que ela ainda fez os bonecos dos atores que aparecem nos créditos do filme Amantes infieis (1971), de Dick Clement.

Ela também fez bonecos dos Faces, que apareceram na contracapa do terceiro disco da banda, A nod’s as good as a wink… to a blind horse (1971). Olha o Rod Stewart aí.