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Som

Tears For Fears toca Animal Collective, Arcade Fire e Hot Chip

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Tears For Fears toca Animal Collective, Arcade Fire e Hot Chip

Criado em 2007 para celebrar a figura do pequeno lojista de discos, e hoje comemorado em lojas e eventos em todo o mundo, o Record Store Day é sempre celebrado com vários lançamentos especiais, em tiragens limitadas. No ano passado, os lançamentos exclusivos incluíram um disco de Chuck Berry de sessões realizadas em 1972 em Londres, um relançamento da obscura banda psicodélica The Baroques, um picture disc do Anthrax, um single de Natal de Paul McCartney e vai por aí. Em 2014, quem resolveu contribuir para a data foi o Tears For Fears. Olha aí.

https://www.youtube.com/watch?v=U6kClfR3-H8

Tem muito fã da banda que mal conhece isso, mas em 2014 saiu esse EPzinho aí, com três faixas, Ready boys & girls?. O disco saiu por um selo chamado InGroove em tiragem limitadíssima, só três mil cópias, para comemorar o Record Store Day. No repertóriop, só três covers: My girls (Animal Collective), Ready to start (Arcade Fire) e And I was a boy from the school (Hot Chip).

Quando saíram as músicas novas da coletânea Rule the world, recentemente, saiu por aí que se tratava do primeiro material gravado em dupla desde o disco Everybody loves a happy ending (2004). Não era, não. Na época, chegou a ser divulgado que a banda estava trabalhando em material novo e que My girls, do Animal Collective, lançada em 2013, servia de batedor para um próximo disco.

Aliás, Ready boys & girls anda meio sumido, mas suas músicas estão até no Spotify, entre os singles do Tears For Fears. Pega aí.


Sugestão do amigo Marcos Xi

Crítica

Ouvimos: Bill Ryder-Jones, “Iechyd da”

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Ouvimos: Bill Ryder-Jones, "Iechyd da"
  • Iechyd da é o quinto disco do britânico Bill Ryder-Jones, co-fundador da banda The Coral, na qual esteve até 2008. É o primeiro disco dele em cinco anos. Num papo com o site The Quietus, ele afirma que o novo álbum tem a mesma energia do seu segundo disco solo, A bad wind blows in my heart (2013), gravado com a filarmônica de Liverpool.
  • O título do disco significa “boa saúde” em galês. Manter a saúde em dia tem sido uma preocupação de Bill, que tem síndrome do pânico e se tornou dependente de remédios durante a pandemia, período em que também teve um relacionamento desfeito. Numa ocasião, passou bastante mal ao misturar remédios com bebida alcoólica, e precisou ser hospitalizado – seu amigo Anthony, homenageado no álbum com Thankfully for Anthony, passou em sua casa e o levou.

Iechyd da, novo álbum do cantor britânico Bill Ryder-Jones, talvez apresente a primeira homenagem de um artista estrangeiro a Gal Costa. E que homenagem: I know that it’s like this (Baby) é um folk-rock orquestral, doído de tão melancólico, feito em torno do refrão de Baby, de Caetano Veloso, na versão da cantora baiana gravada em seu epônimo primeiro álbum solo (1969). O refrão “baby, eu sei que é assim” acomoda-se à faixa, e o próprio nome da cantora é citado na letra – como corruptela da palavra “girl”, mas como referência forte no verso “Gal, se você estiver ouvindo, há algo que você deveria saber/eu sei que é assim”.

I know that it’s like this é só o começo de um álbum que soa como um verdadeiro mergulho na música e no imaginário de Bill, um compositor bastante influenciado pelos anos 1960 (Beach Boys, Van Dyke Parks, Mutantes), um cantor na mesma escola rouca de Mark Lanegan e J Mascis, e um letrista que varia entre tristeza, romantismo, otimismo e cinismo em escalas quase iguais. Tanto que Iechyd da fala bastante de recomeços e de esperança, passeando por várias lembranças de bandas queridas de Bill nas letras (como o verso “caminhei a noite toda até a lua assassina”, citando The killing moon, do Echo and The Bunnymen, de This can’t go on).

O som de Iechyd da vai além do “rock adulto” e, em vários momentos, traz curiosas lembranças do pop de rádio dos anos 1960 e 1970. Não fosse pelos vocais graves e quase mastigados, This can’t go on daria uma bela canção de rádio AM ou de trilha antiga de novela, graças às cordas e à presença de um vocal operístico – embora a letra tenha versos impublicáveis como “quero foder, preciso de um pouco de cuidado/preciso disso agora, quero diversão”.

O lado beach boy do disco surge nas belas e sobrenaturais Christinha e We don’t need them. Um clima análogo ao country rock do começo dos anos 1970 aparece em faixas como If tomorrow starts without me e I hold something in my hand. E um lado bem mais introspectivo aparece nas baladas de piano A wind blows in my heart pt 3 e How beautiful I am. A primeira fala sobre o fim de uma relação disfuncional, em que uma pessoa só procura a outra quando precisa dela. A segunda é um reforço na autoestima de Bill (“ela me diz o quão bonito eu sou/eu penso nisso o tempo todo”).

A preocupação evidente de Bill foi a de fazer um disco belo e emocionante, do tipo que pode fazer chorar – e pode dar alento. No final, Thankfully for Anthony, sua homenagem a um amigo que o ajudou na época em que mais precisou de pessoas do seu lado, complementa a mensagem esperançosa do álbum.

Nota: 9
Gravadora: Domino

Foto: Reprodução da capa do álbum.

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Cultura Pop

Brian Wilson no baú: descubra agora!

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Brian Wilson tomando o maior caldo na praia em 1976

Tem um disco “perdido” do gênio Brian Wilson, maior artífice dos Beach Boys, vindo aí. O cantor, que recentemente perdeu a esposa Melinda e foi diagnosticado com demência, anunciou que estava trabalhando em Cows in the pasture, álbum country que ele havia começado a fazer em 1970, e que foi deixado de lado.

Cows não seria um disco comum, nem seria um álbum solo de Brian: seria na verdade a estreia como cantor do empresário dos Beach Boys, Fred Vail, justamente um ex-DJ de música country. O beach boy tinha encasquetado que Vail seria um bom cantor. Fez a proposta a ele, e começou a produzir o disco do amigo, tendo um punhado de feras do estilo no acompanhamento. As trilhas musicais das 14 faixas foram gravadas, sem os vocais.

Na época, Brian acumulava problemas pessoais (abuso de drogas, questões psicológicas e de saúde, problemas conjugais), e os Beach Boys estavam afundados em vendagens ruins. Ao que consta, foi por causa disso que Wilson perdeu o interesse e decidiu abortar o projeto, antes mesmo que o empresário pudesse soltar a voz. Mas, recentemente, um acontecimento ajudou a tirar Cows do arquivo: o produtor Sam Parker ficou amigo de Vail (hoje com 79 anos) e começou a pesquisar para uma série documental sobre a vida do empresário.

“Cada história que ele conta é de cair o queixo. Fred era a mosca na sala em tudo”, contou Parker à Rolling Stone. Uma das histórias foi justamente a produção do disco, que deverá sair em 2025, tendo Brian como produtor executivo. O retrabalho feito nas fitas originais, trazendo um time de lendas do country nos vocais ao lado de Vail, deverá ocupar a parte final do doc.

Cows é apenas uma pequena parte do baú de Wilson, claro – desse arquivo já saiu, após vários anos, Smile, disco abortado dos Beach Boys (1966, lançado regravado em 2004 como Brian Wilson presents Smile). Com o tempo, por uma série de fatores que vão do desgaste pessoal de Wilson, a desgastes de gravadoras com ele e com a banda, outros discos que consumiram meses de trabalho para Brian, para alguns colegas e para seus irmãos, foram sendo acrescentados ao arquivo dele e dos Beach Boys. Conheça alguns deles (e Smile não está na relação porque esse é obrigatório!).

“LEI’D IN HAWAII” (1967). Era para ser o primeiro álbum ao vivo dos Beach Boys, trazendo a gravação de dois shows no Honolulu International Center Arena. Duas apresentações que tiveram uma novidade: a volta breve de  Brian Wilson, que havia deixado de excursionar com o grupo. Circulava também a ideia de fazer um filme com os shows. Mas nada disso foi feito: o excesso de LSD e o despreparo da banda nas duas apresentações acabaram deixando todo mundo insatisfeito. E o disco, que era para ter saído logo após Smiley smile (1967), foi engavetado.

O grupo chegou a pensar numa saída bem 171 para colocar Lei’d in Hawaii nas lojas: trancou-se num estúdio em Hollywood para gravar todo o álbum, com a ideia de acrescentar palmas falsas depois. Mas acabaram desistindo de tudo para gravar e lançar Wild honey (1967). O material foi largamente pirateado e saiu também em álbuns como 1967 – Sunshine tomorrow, 1967 – Sunshine tomorrow 2: The studio sessions e 1967 – Live sunshine.

“ADULT/CHILD” (1977). Preparado para ser lançado em setembro de 1977, Adult/child era quase um disco solo de Wilson, que andava influenciadíssimo (ao extremo) pelas teorias de seu então psicólogo Eugene Landy. O doutor dizia a ele que “há duas partes de uma personalidade: um adulto que quer estar no comando e uma criança que quer ser cuidada, um adulto que conhece as regras e uma criança que está aprendendo e testando regras”.

A visão de mundo que o líder dos Beach Boys tinha na época, transparecia em músicas como Still I dream of it (“quando eu era mais novo, minha mãe me ensinou que Jesus ama o mundo/se isso é verdade, porque ele não me ajudou a encontrar uma garota para mim?”, cantava o trintão Brian), na desastrada Hey little tomboy (na qual Wilson tenta azarar uma garota que anda de skate e joga beisebol, com versos pra lá de machistas) e na anti-maconha Live is for the living. Adult/child foi considerado um baita vacilo pelo seu eterno algoz Mike Love (que, assim como todos os BB, foi relegado aos vocais) e pela Reprise, gravadora da banda na época.

“MERRY CHRISTMAS FROM THE BEACH BOYS” (1978). A Reprise já estava mesmo descontente com os Beach Boys – tanto que vetou um disco de Natal do grupo, feito basicamente para cumprir contrato. Ao que consta, a gravadora não curtiu as colaborações de Brian em seu próprio álbum (!) e mandou tudo pro arquivo. O material foi saindo aos poucos depois em coletâneas e discos piratas.

BRIAN WILSON E ANDY PALEY (anos 1990). Havia o risco do álbum divido por Wilson com o compositor e produtor norte-americano Andy Paley virar uma espécie de Smile 2, já que os dois amigos trabalharam juntos entre 1992 e 1997, assim que o ex-psicólogo de Brian, Eugene Landy, saiu da vida do cantor (além de “cuidar da mente” de Wilson, ele era seu empresário e detinha várias parcelas de copyright).

O material novo, variando entre rock e baladas, era mais “adulto” do que muita coisa que Wilson havia feito durante os anos 1970 e começo dos 1980, e prometia. Mas acabou igualmente engavetado – Brian já estava com  cabeça em outros projetos e, afirma-se, foi bastante influenciado por sua esposa e por amigos a abandonar o trabalho com Paley, a quem considerava um “grande gênio musical”. Depois, foi tudo saindo em CDs piratas.

“SWEET INSANITY” (1991). Assim que saiu Brian Wilson, estreia solo do beach boy (1988), a gravadora Sire aguardou ansiosamente uma continuação. Sweet insanity começou a ser gravado em 1990 (com aproveitamento de faixas gravadas entre 1986 e 1989). Na época, Wilson não era mais paciente de Eugene Landy, mas este ainda empresariava e produzia o primeiro – tanto que Landy produziu o disco com Brian. Mas o segundo disco de Brian Wilson pela Sire acabou nunca saindo.

O cantor reclamou que as fitas de Sweet insanity desapareceram – mas existem discos piratas com as canções. O que aconteceu de verdade foi que a Sire odiou o disco e, em especial, detestou as letras feitas por Landy – pois é, ele (ainda por cima) era parceiro do cantor. Smart girls, uma tentativa de Wilson de fazer rap, era uma dessas canções feitas com Eugene, e virou folclore por vários anos. Horrorizada, a Sire preferiu rescindir contrato com Brian.

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Cultura Pop

Relembrando: Primal Scream, “Sonic flower groove” (1987)

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Relembrando: Primal Scream, "Sonic flower groove" (1987)

Durante vários anos, Bobby Gillespie, líder do Primal Scream, duvidou da capacidade de seu próprio primeiro álbum, Sonic flower groove (5 de outubro de 1987). A banda escocesa, que batalhou por vários anos em inúmeras áreas da neo psicodelia – e começou a se encontrar no dançante terceiro álbum, Screamadelica, de 1991 – não era aquele tipo de grupo que, na estreia, já tinha certeza do que estava fazendo. Vale citar que a insegurança era tanta que a banda encerrou atividades logo após o primeiro disco, para reorganizar todo o projeto.

Em Sonic flower groove, o Primal Scream era uma cuidadosa e inovadora banda de jangle pop – aquela revisão college do som de bandas como The Byrds, que virou um pequeno foco de mania durante os anos 1980. No caso do Primal, isso acontecia com direito a guitarra Rickenbacker de 12 cordas, vocais bastante melódicos, e design sonoro psicodélico, mas bastante moderno. Tão moderno que chegou a irritar a banda.

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Gillespie, analisando o disco anos depois (quando estava fazendo sua biografia Garoto do cortiço), confessou que não gostava “daquele som de bateria dos anos 1980” do disco. Também adoraria acrescentar harmonias nas músicas, já que acha que a inexperiência do grupo atrapalhou tudo. Nem tanto: músicas como as sessentistas Gentle tuesday (primeiro e único single do álbum) e as beatlemaníacas May the sun shine bright for you e Leaves,  Treasure trip (essa, numa onda meio The Who, meio Kinks), além da contemplativa Love you, são bastante harmônicas. E soam no máximo como uma versão um pouco mais ingênua do grupo que lançou Screamadelica (o que vá lá, deve tirar o sono de Bobby até hoje).

Uma boa parte do álbum – e pode ser que isso tenha deixado Bobby frustrado naquela época – cai dentro da marola power pop que já surgia em discos de bandas como Replacements e o próprio R.E.M. Tinha isso na bela Sonic sister love, em Silent spring, em Aftermath, e até na balada sixties We go down slowly rising. Já a bela Imperial é uma das músicas do álbum mais identificadas com a junção de pós-punk e neo-psicodelia.

Sonic flower groove foi um dos dois únicos álbuns lançados pela Elevation, uma joint-venture entre a indie Creation e a grandalhona WEA, que não deu certo porque a multinacional esperava que o selo descobrisse futuros hits. Após o álbum, Gillespie (voz e guitarra) encerrou a formação que incluía Jim Navajo (guitarra de 12 cordas), Robert Young (baixo) e Andrew Innes (guitarra base, até hoje presente na banda ao lado de Bobby), além de alguns bateristas convidados. Voltou em 1989 com outra formação, com uma cara mais garageira, e gravou Primal Scream, pela Creation, que virou a casa da banda. Também não fez sucesso, mas Screamadelica viria em 1991, o jogo virou e o resto é história.

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