Se a ideia do diretor Norman Z. MacLeod era assustar as crianças, conseguiu assustar até os adultos. Em 1933, ele dirigiu uma versão bizarra do conto Alice no País das Maravilhas, de Lewis Carroll, que deve ter sido o filme mais bizarro já produzido a partir de uma história infantil. As máscaras dos personagens, as aparências, os figurinos… tudo era um pesadelo daqueles. Nomes conhecidos como Cary Grant e Gary Cooper estavam também no elenco.

A menina que faz a Alice, por sinal, é uma garota chamada Charlotte Henry, nascida em 1914, e que era modelo e atriz desde criança. Em 1928 ela atuou na Broadway numa peça chamada Courage, que dois anos depois ganhou uma versão cinematográfica,também com ela no elenco. Após sua ida para Hollywood, para onde foi levada por sua mãe, atuou em mais dois filmes antes de Alice: Huckleberry Finn (1931) e Lena Rivers (1932). Mas foi a peça Courage que definiu sua entrada em Alice, já que o diretor viu o espetáculo e selecionou Charlotte para ser testada entre cerca de 6.800 garotas.

Olha aí o trailer.

Se você nunca tinha ouvido falar de Charlotte, ela depois fez outro sucesso: Babes in toyland, filme da dupla O Gordo e O Magro (1934), na qual ela representou a menina Bo Peep. Só que, infelizmente, Alice fez a carreira dela despencar. A releitura cinematográfica do clássico de Carroll teve alto orçamento, foi um filme bastante esperado, mas decepcionou muita gente – justamente porque as caracterizações, mais do que assustadoras, eram ruins a ponto de ninguém conseguir se lembrar direito quem era quem.

Anos depois, Charlotte disse que o papel acabou virando uma ruína e que isso já estava claro na época das filmagens. “Eu não existia mais como Charlotte Henry”, disse ela. “As pessoas acabaram me transformando na criatura sobre a qual leram quando crianças. Minha identidade se foi”. Ela morreu em 1980 afastada do cinema e quando perguntada sobre o assunto, declarava apenas que perdeu o interesse.

Olha aí o filme dividido em duas partes.

Via Geekytyrant