Já entrevistei o baixista americano T. M. Stevens. Aliás eu e o Bernardo Costa, editor do site Coisas da Música. Foi em 2010, quando Stevens veio para fazer show no Festival de Jazz & Blues de Rio das Ostras. O músico, hoje afastado dos palcos e estúdios, e lidando com a demência aos 66 anos, fez sucesso nas internas do festival. No hotel em que músicos e imprensa ficaram hospedados, chegou a montar um coral de repórteres à beira da piscina (para cantar No woman, no cry, sucesso de Bob Marley). Além disso, batia papo com hóspedes durante o almoço e dava autógrafos o tempo todo. Inclusive para crianças, que foram até os camarins perguntando pelo “Bob Marley”, já que Stevens usa dreadlocks (coloridos, ao contrário dos do rei do reggae).

E essa vai para baixistas e fãs de baixistas: um usuário do Reddit soltou um vídeo de T. M. feito em 1990, no qual o músico conta sua história, destrói (no bom sentido) o instrumento e ensina um pouco da sua técnica. Olha aí a primeira parte.

Na época Stevens alternava aparições ao vivo e em estúdio com artistas como Cindy Lauper, Joe Cocker e até a banda de hard rock Riot (gravou baixos no disco The privilege of power, de 1990). No vídeo, logo na introdução, passa em segundos do funk-metal herdado do Funkadelic ao som podre de Lemmy Kilmister, do Motörhead. E lembra ter se inspirado para a música por discos de Mahavishnu Orchestra, Miles Davis e Jimi Hendrix. Anos depois, acabou tocando justamente com três ex-Mahavishnu: Al Di Meola, Billy Cobham e Narada Michael Walden.

A história de Stevens, infelizmente, foi interrompida: o músico hoje vive numa casa de repouso e afastou-se das atividades para tratar da demência. O anúncio foi feito pelo amigo guitarrista Ronny Drayton no Facebook. Não rolaram muitas notícias além do circuito de músicos, mas sabe-se que amigos acharam Stevens desmaiado em casa, e que sem isso, ele estaria morto. “Sua memória de curto prazo é limitada, mas ele ainda lembra de coisas mais antigas. A saúde geral é boa”, contou Drayton num post.