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Lançamentos

Radar: Jordan Maye, This House, Chet Faker, J Mascis, Siúcra, Nastyjoe

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Foto (Jordan Maye): Bella Wang / Divulgação

Não decidimos ainda se o Pop Fantasma vai ter um recessinho de Natal – opa, é capaz de ter porque ninguém é de ferro. Mas estamos com algumas coisas que já tavam prontas há um tempinho e uma delas é o Radar internacional de hoje, que abre com o som emotivo de Jordan Maye e Rebecca Soul, e foca mais no rock. Bora ouvir? Ouça e passe adiante!

Texto: Ricardo Schott – Foto (Jordan Maye): Bella Wang / Divulgação

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JORDAN MAYE feat REBECCA SOUL, “THE PUPPETEER”. “Tanto eu quanto a Rebecca sofremos da síndrome do impostor. Acho que é uma experiência universal para artistas. Conversávamos sobre nossas performances e pensávamos nas coisas que fizemos de errado, e isso nos assustava. Sempre haverá pessoas que terão uma opinião negativa sobre você, então é importante focar no positivo”, diz Jordan Maye, roqueira trans de Los Angeles que retorna com cara meio anos 1990, meio soft rock em The puppeteer. Uma música sobre ansiedade e falta de confiança – com participação de Rebecca Soul. Quem curte Fleetwood Mac e Bruce Springsteen (e Heart, como a própria Jordan lembra) vai gostar dessa faixa nova.

THIS HOUSE, “MAN JOKE”. Essa banda faz pós-punk esquisitão e voltado para as armadilhas sonoras herdadas de grupos como The Sound, Wire, Swans e Public Image Ltd – com direito ao vocal quase funéreo de GW Sok . O This House surgiu de um trabalho em dupla realizado por Sok e Ignacio Córdoba (guitarras, sintetizadores, programação, baixo, vocais de apoio). Eles gravaram o disco experimental Is this a house, de 2024, e depois resolveram agrupar todas as suas inquietações sonoras em torno de uma banda, ao lado de Søren Høj (bateria) e dos ocasionais sintetizadores de PJ Fossum.

Com inspiração na poesia Déjeuner du matin, de Jacques Prévert (1945), Man joke fala do café da manhã tenso de um casal decadente. A melodia acompanha o ritmo da letra, com pausas, tensões e estresses sonoros, às vezes parecendo uma valsa no-wave. Soft rains will come, o álbum do grupo, sai em 20 de março de 2026.

CHET FAKER, “CAN YOU SWIM?”. Em fevereiro, sai A love for strangers, o novo disco de Chet Faker – projeto encabeçado pelo músico Nick Murphy. Can you swim?, single recém-lançado, traz uma visão de Nick sobre o amor e toda a vulnerabilidade que envolve os sentimentos, usando a metáfora de enfrentar ondas gigantes e tentar permanecer à tona. O vocal de Nick sai na frente junto do piano, que dominam toda a faixa – mas há alguns efeitos sonoros também. E ainda tem o clipe, que traz o cantor sozinho na paisagem, cantando a música.

J MASCIS, “SAY IT ON”. Essa música foi gravada em 2017, já teve alguns lançamentos em formato físico e sai pela primeira vez em formato digital. Say it on foi gravada pelo líder do Dinosaur Jr durante as sessões do disco Elastic days (2018), saiu num lado-B japonês do cantor, e também na compilação Gimme shelter – Songs for LA fire relief, organizada neste ano pela revista Flood. Soa como uma curiosa canção meio beatle, meio experimental.

SIÚCRA, “PEDRO PASCAL”. Essa banda pós-punk da Irlanda decidiu fazer uma homenagem ao ator chileno, em clima pop e sexy, herdado de The Cure, Madonna e Prince. “Uma produção sensual que homenageia, ouso dizer, um dos homens mais sexy do mundo? Porque não há nada mais sexy do que se sentir confortável na própria pele”, diz o grupo, que prepara o EP Thirst para breve. Detalhe que a banda se define como um “sexteto sexy”.

NASTYJOE, “HOLE IN THE PICTURE”. Nomes como The Cure e Fontaines DC estão entre as influências desse grupo francês, que volta com música e clipe incendiários, falando sobre rejeitar padrões, aceitar imperfeições e seguir em frente. O grupo se define como ligado aos anos 1990 – mas são os anos 1990 do Blur, do Suede e do art rock da época. Ouça no volume máximo.

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Urgente!: Loucura à vista – álbum de estreia dos Fcukers chega em março

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Fcukers (foto: Jeton Bakalli)

Entre 2024 e 2025, você deve lembrar, começou uma boa onda de gente seguindo os passos da loucura de Charli XCX no disco Brat. A dupla (e ex-trio) de dance-rock Fcukers, vinda de Nova York, foi um desses nomes. Shanny Wise e Jackson Walker Lewis, ainda acompanhados do baterista Ben Scharf, lançaram em 2024 o EP Baggy$$, que foi resenhado até aqui no Pop Fantasma. Na época, o que se comentava é que essa turma era inicialmente apenas ser um projetinho que lançava músicas para os amigos ouvirem, mas que virou hype e estourou.

Você decide se quer acreditar nisso ou não, mas num papo do ano passado com a Rolling Stone, Shanny e Jackson revelaram que essa despretensão estava por trás até da escolha do nome. “Ele encapsulava perfeitamente a vibe que nós dois queríamos, no sentido de que pensávamos: ‘Não estamos nem aí. Não vamos ter uma carreira musical. Quem se importa? Vamos fazer exatamente o que quisermos’”, disse Lewis. O grupo só foi se conscientizar de que aquilo não era só uma zoeira de amigos quando deu o primeiro show.

O sucesso veio inesperadamente, já que a apresentação ganhou até resenhas. As encrencas também foram surgindo: o single Homie don’t shake sampleava uma parte de Devill’s haircut, de Beck. O papo com o cantor foi de boa: Lewis diz ter pedido a ele “não me processe!” e Beck soltou um “tudo bem” – e não processou. Já Van Morrison (o próprio) abiscoitou 50% da música do Fcukers – isso porque a banda não sabia que Beck tinha sampleado uma guitarra do Them, ex-banda de Van, em Devil’s haircut.

O clipe da faixa, por sua vez, alterou as definições comuns de “relação custo-beneficio”, já que basicamente Shanny embarcou num ônibus, ligou a câmera do celular e ficou dublando Homie enquanto viajava no coletivo pela Primeira Avenida, em Nova York. Custo: uma passagem de ônibus.

Enfim, o fato é que, agora sem Scharf (que, diz o grupo, deixou a banda para voltar a estudar e não estava contente de ser um músico de palco, sem participação conceitual), o Fcukers vem ao Brasil abrir os shows de Harry Styles no no Estádio MorumBIS, em São Paulo, nos dias 17, 18, 21 e 24 de julho. E antes disso, no dia 27 de março, lançam Ö, o álbum de estreia, que sai pelo selo Ninja Tune. O disco traz os recém lançados singles Play me e I like it like that.

O disco foi produzido por Kenneth Blume (FKA Kenny Beats) e gravado no ano passado em uma intensa sessão de estúdio de duas semanas, após um primeiro encontro entre o trio. A mixagem foi feita por Tom Norris (Lady Gaga, Charli XCX, The Weeknd e muitos outros), com produção adicional de Dylan Brady, do 100 Gecs, em três faixas. Provavelmente vem por aí um disco tão louco quanto a história e os shows da dupla. Você confere a capa e a lista de faixas abaixo.

Capa do álbum "Ö", dos Fcukers

Beatback
L.U.C.K.Y
Butterflies
if you wanna party, come over to my house
Play me
Shake it up
I like it like that
TTYGF
Lonely
Getaway
Feel the real

Texto: Ricardo Schott – Foto: Jeton Bakalli / Divulgação

 

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Crítica

Ouvimos: Megadeth – “Megadeth” (2026)

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Último - ao que consta - disco do Megadeth soa melancólico e repetitivo, com bons momentos isolados, letras amargas e um adeus mais preso ao passado que ao impacto.

RESENHA: Último – ao que consta – disco do Megadeth soa melancólico e repetitivo, com bons momentos isolados, clima amargo e um adeus mais preso ao passado que ao impacto.

Texto: Ricardo Schott

Nota: 5,5
Gravadora: Frontiers
Lançamento: 23 de janeiro de 2026

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Nunca foi molezinha lidar com Dave Mustaine, vocalista e líder do Megadeth. Um conhecido que trabalhava numa revista cobriu uma coletiva do grupo no Brasil, e levou uns exemplares com a banda na capa para dar de presente a eles. Um dos integrantes (não me lembro mais qual, mas essa história é relativamente conhecida) pegou uma das revistas para ler, e permaneceu lendo quando a coletiva começou. Silêncio total logo que a primeira pergunta foi feita: Mustaine estava encarando firmemente o tal integrante, igualzinho à sua professora da quinta série quando ela queria que você percebesse sozinho que sua conversa ou bagunça atrapalhava a aula.

A tal história também acabou como uma bronca silenciosa e humilhante de quinta série: sem falar nada, Dave esticou o braço, o integrante lhe estendeu as revistas e ele confiscou todas, para garantir a ordem e a atenção no recinto. Fim. Em outra ocasião, ninguém menos que Kiko Loureiro, brasileiro que tocou guitarra alguns anos com o Megadeth, foi bastante sincero comigo quando lhe perguntei (numa entrevista que saiu no jornal O Dia em 2017, e que, não sei o motivo, está na internet assinada por outra jornalista) sobre como eram os papos internos sobre política na banda.

“Ano passado, teve o impeachment (da presidenta Dilma Rousseff) e eu contei um pouco para eles. Na época, estava tendo a eleição do Trump e os caras são totalmente american way of life, aquela coisa de ‘a América é o melhor lugar do mundo’. O (Dave) Ellefson (ex-baixista) é o cara que gosta de ouvir as opiniões mais abertas”, disse, afirmando também que “o Dave costuma dizer que o que sai da boca dele, ele nem sabe. É uma coisa de cara que foi criado na rua, de falar na hora. Às vezes, ele até pergunta se falou besteira, se estava tudo bem”.

Em resumo: você provavelmente não iria gostar de encarar Dave Mustaine numa briga – como músico da banda dele, prepare-se para andar na linha ou seja atropelado. Como fã, dependendo do seu posicionamento político, você se arrisca a escutar um chorrilho de besteiras de vez em quando, todas apontando para o conservadorismo ou para o mais deslavado negacionismo. Quando a música vale, todo mundo sai ganhando.

Agora corta para 2026 e para este Megadeth, alegadamente o último disco do grupo. Mustaine adiantou a despedida, ao que consta, por motivos de saúde: já venceu um câncer na garganta, mas enfrenta agora a artrite e a contratura de Dupuytren, enfermidade que faz com que os dedos se dobrem em direção à palma da mão. O problema é que nem sempre a música vence: o último disco do grupo norte-americano é uma despedida bem melancólica.

Talvez os fãs roxos do grupo deixem isso pra lá, ou discordem, mas Megadeth dá a impressão de ouvir a mesma faixa do começo ao fim, com poucas variações. Faixas como Tipping point, I don’t care e Let there be shred, repletas de palhetadas e vocais sujos, reforçam essa impressão e fazem todo mundo esquecer que, há vários anos, o Megadeth era o complemento “quase punk” do Metallica, banda da qual ele fez parte – hoje parece mais uma espécie de primo quieto de si próprio.

O que tem de bom em Megadeth surge em faixas como Hey god?!, Puppet parade, a melódica e bonita I am war, e a motörheadiana Made to kill – ainda assim, não é o melhor do grupo. Tem um aceno ao passado em The last note, que é a verdadeira despedida de Mustaine, e que faz lembrar momentos gloriosos da banda, com uma letra que (compreensivelmente) insere um pouco de drama na história: “agora são apenas memórias em minha mente / apenas luzes e nomes se apagando / se eu algum dia tocar novamente / que esta última nota jamais morra”.

E tem um momento de birra na versão de Ride the lightning, música do Metallica, ex-banda de Mustaine, e uma das canções do grupo para a qual ele contribuiu. Não é uma releitura memorável – na verdade soa mais como um pé na bunda jamais superado, e que ainda dói muito. Já nas letras, Mustaine mistura temas existenciais, versos de protesto e notas mentais de puro “anarquismo conservador”, como no foda-se geral de I don’t care e no irredentismo individualista de Puppet parade e Obey the call. No geral, uma despedida sem sal. E bem amarga.

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Ouvimos: The Damned – “Not like everybody else”

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Com uma de suas formações mais clássicas, o Damned lança Not like everybody else: tributo ao guitarrista Brian James, com covers 60s/70s e espírito punk-gótico intacto.

RESENHA: Com uma de suas formações mais clássicas, o Damned lança Not like everybody else: tributo ao guitarrista Brian James, com covers 60s/70s e espírito punk-gótico intacto.

Texto: Ricardo Schott

Nota: 9
Gravadora: earMUSIC / Edel
Lançamento: 23 de janeiro de 2026

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Desde 2024, a veterana banda punk The Damned está novamente com a formação que gravou os discos The black album (1980) e Strawberries (1982): Dave Vanian (voz), Captain Sensible (guitarra), Paul Gray (baixo) e Rat Scabies (bateria), acrescida de Monty Oxymoron, um cara que além de tocar teclados, trabalhou um bom tempo como enfermeiro psiquiátrico (tudo a ver com uma banda cujo repertório inclui clássicos da loucura punk como There’s no sanity clause e Stab your back).

Essa re-formação ainda não havia gravado discos novos, até que chegou a notícia da morte de Brian James, guitarrista que gravou os dois primeiros álbuns do Damned, e autor de nada menos que o primeiro hit do grupo, New rose. Brian, fã de pré-punk, de psicodelia e de sons dos anos 1960 em geral, morreu aos 74 em 6 de março de 2025. Not like everybody else talvez nem seja o retorno que os fãs aguardavam, já que não é um disco de inéditas. Mas é um manifesto afetivo feito pelo quinteto, já que, no disco, o Damned fez versões de dez das músicas preferidas do músico.

O Damned tem entre seus hits duas versões de hits da era de ouro da psicodelia: Alone against or, do Love, e White rabbit, do Jefferson Airplane, ambos transformados em canções próximas do gótico. O formato é conhecido da banda e de seu público, daí Not like everybody else, antes de tudo, é um disco seguro, do tipo “não tem como errar”. Não tem erro mesmo: o grupo volta lembrando a época de Machine gun etiquette (o terceiro disco, de 1979) nas versões de Summer in the city (Lovin’ Spoonful), Gimme danger (Iggy Pop & Stooges), See Emily play (Pink Floyd) e Making time (The Creation), e faz lembrar um Hoodoo Gurus do mal em There’s a ghost in my house (R. Dean Taylor).

O repertório destaca ainda o clima quase pré-britpop de I’m not like everybody else (Kinks) e o peso de When I was young (The Animals), aberta com algo parecido com a intro de Iron man (Black Sabbath) e encerrada com guitarras lembrando The Who. Além disso, fãs da banda vão curtir a aparição de Brian James nas guitarras de The last time (Rolling Stones), em versão gravada num show de reunião em 2022. Enquanto muita gente insiste até hoje no discurso de que o punk foi uma “ruptura”, bandas como o Damned provam que não era bem assim.

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