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Cultura Pop

Quando o Buzz Bin da MTV decidia o que era legal ver

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Quando o Buzz Bin da MTV decidia o que era legal ver

A informatização das paradas de sucesso nos anos 1990 inventou outras coisas que serviram como sombras para as novidades tecnológicas: bugs, novos jabás, novas formas de fazer o público engolir a mesma música todos os dias, dia após dia. Essa informatização deu numa maior rapidez para verificar quem eram os primeiros lugares das paradas, em vendagens cada vez mais astronômicas, num rolê maior de artistas iniciantes que de uma hora para outras viravam popstars e, cada vez mais, em novas paradas de sucesso, mostrando a todo mundo o que era cool, bacana e descolado na música. E aí surgiu o Buzz Bin, a parada de vídeos da MTV, que fez todo mundo prestar atenção em novos clipes e novos hits da estação.

O Buzz Bin era mais antigo que os estouros dos anos 1990. Surgiu em 1987 e servia para divulgar todo tipo de artista das paradas pop que tivesse algum destaque e começasse a fazer sucesso.  Só que depois dos anos 1990, quando uma série de artistas “alternativos” começaram a vender muitos discos, ele virou a menina dos olhos da emissora e o sonho de qualquer artista novo. Under the bridge, dos Red Hot Chili Peppers, foi clipe Buzz Bin. Give it away, também. Everything is zen, do Bush, idem. Músicas de Nirvana, Stone Temple Pilots, Green Day, Gin Blossoms (lembra?), Arrested Development (lembra?)  e Cracker, idem. Até mesmo Creep, do Radiohead e (pode acreditar) Mother, do Danzig foram Buzz Bin.

A transformação de um clipe em Buzz Bin podia mudar a carreira de uma banda. O The New York Times jurava que o disco dos Red Hot Chili Peppers BloodSugarSexMagic teve sua trajetória mudada após o clipe de Give it away ganhar a honraria. Andy Schuon, vice-presidente sênior de música e programação do canal, costumava se encontrar semanalmente com um comitê de 20 funcionários da emissora para decidir que clipes entrariam nesse esquema de estrelato instantâneo. Nomes de estilos como pop-punk e nu metal começaram a despontar para o sucesso ali.

As estratégias eram discutidas com as gravadoras, que sempre tiveram relação tensa com a MTV. Aliás, desde o começo, quando a emissora queria obrigar os selos a fazerem lançamentos exclusivos lá (por muito pouco, a estação podia deixar um medalhão como Billy Joel ou os Rolling Stones falando com as paredes) e ganhava nariz torcido por não querer investir dinheiro na produção de clipes. Numa matéria, a Entertainment Weekly chamava o Buzz Bin de “melhor amigo do rock alternativo” e Peter Baron, chefe de promoção de vídeo da Geffen Records, dizia que era mais importante ter um clipe Buzz Bin do que ter muita audiência. Andy Schuon dizia na mesma matéria que a parada da estação era “nossa maneira de dizer: ‘De todas as coisas na MTV, aqui está o que você deve prestar atenção'”.

>>> Ei, falando nisso, nosso podcast POP FANTASMA DOCUMENTO tem um episódio com as histórias do comecinho da MTV

Havia problemas (er) conceituais no Buzz Bin, vale dizer. Brad Osborn, Emily Rossin e Kevin Weingarten, três pesquisadores, publicaram um artigo no jornal Music and Science sobre o que tornava um clipe passível de buzz na emissora. Os três assistiram a todos os 288 clipes da série e foram anotando detalhes numa planilha. Para seu conhecimento, lá vai: a primeira camisa de flanela vista num clipe Buzz Bin surge no vídeo de Man in the box, do Alice In Chains. Mulheres só são mostradas tocando instrumentos em cerca de um em cada nove vídeos. Homens negros são mostrados como vocalistas principais com mais frequência do que mulheres negras – uma amostra pequena, de 88 vídeos, por sinal, já que nos restantes, homens brancos lideram os vocais. Se você quiser ler o artigo todo, tá aí.

O Buzz Bin gerou dois CDs – lançados pelo selo Mammoth, que passaria a fazer parte do conglomerado Disney – e durou até bastante tempo. Foi até 2004 e terminou seus dias dividido entre paradas diferentes da MTV e do VH1 (Discover and download e You oughta know, respectivamente). Ficou como retrato de uma época em que, vá lá, uma pessoa poderia surgir do nada, conseguir um contrato e ainda liderar as paradas, sem largar de vez a aparência de “alternativo”.

>>> Apoia a gente aí: catarse.me/popfantasma

Cultura Pop

No nosso podcast, os erros e acertos dos Foo Fighters

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Você pensava que o Pop Fantasma Documento, nosso podcast, não ia mais voltar? Olha ele aqui de novo, por três edições especiais no fim de 2025 – e ano que vem estamos de volta de vez. No terceiro e último episódio, o papo é o começo dos Foo Fighters, e o pedaço de história que vai de Foo Fighters (1995, o primeiro disco) até There’s nothing left to lose (o terceirão, de 1999), esticando um pouco até a chegada de Dave Grohl e seus cometas no ano 2000.

Uma história e tanto: você vai conferir a metamorfose de Grohl – de baterista do Nirvana a rockstar e líder de banda -, o entra e sai de integrantes, os grandes acertos e as monumentais cagadas cometidas por uma das maiores bandas da história do rock. Bora conferir mais essa?

Edição, roteiro, narração, pesquisa: Ricardo Schott. Identidade visual: Aline Haluch (foto: encarte do álbum Foo Fighters). Trilha sonora: Leandro Souto Maior. Vinheta de abertura: Renato Vilarouca. Estamos aqui de quinze em quinze dias, às sextas! Apoie a gente em apoia.se/popfantasma.

(a parte do FF no ano 2000 foi feita com base na pesquisa feita pelo jornalista Renan Guerra, e publicada originalmente por ele neste link)

Ouça a gente preferencialmente no Castbox. Mas estamos também no Mixcloud, no Deezer e no Spotify.

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Cultura Pop

No nosso podcast, Alanis Morissette da pré-história a “Jagged little pill”

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No nosso podcast, Alanis Morissette da pré-história a "Jagged little pill"

Você pensava que o Pop Fantasma Documento, nosso podcast, não ia mais voltar? Olha ele aqui de novo, por três edições especiais no fim de 2025 – e ano que vem estamos de volta de vez. No segundo e penúltimo episódio desse ano, o papo é um dos maiores sucessos dos anos 1990. Sucesso, aliás, é pouco: há uns 30 anos, pra onde quer que você fosse, jamais escaparia de Alanis Morissette e do seu extremamente popular terceiro disco, Jagged little pill (1995).

Peraí, “terceiro” disco? Sim, porque Jagged era só o segundo ato da carreira de Alanis Morissette. E ainda havia uma pré-história dela, em seu país de origem, o Canadá – em que ela fazia um som beeeem diferente do que a consagrou. Bora conferir essa história?

Edição, roteiro, narração, pesquisa: Ricardo Schott. Identidade visual: Aline Haluch (foto: Capa de Jagged little pill). Trilha sonora: Leandro Souto Maior. Vinheta de abertura: Renato Vilarouca. Estamos aqui de quinze em quinze dias, às sextas! Apoie a gente em apoia.se/popfantasma.

Ouça a gente preferencialmente no Castbox. Mas estamos também no Mixcloud, no Deezer e no Spotify.

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Cultura Pop

No nosso podcast, Radiohead do começo até “OK computer”

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Radiohead no nosso podcast, o Pop Fantasma Documento

Você pensava que o Pop Fantasma Documento, nosso podcast, não ia mais voltar? Olha ele aqui de novo, por três edições especiais no fim de 2025 – e ano que vem estamos de volta de vez. Para abrir essa pequena série, escolhemos falar de uma banda que definiu muita coisa nos anos 1990 – aliás, pra uma turma enorme, uma banda que definiu tudo na década. Enfim, de técnicas de gravação a relacionamento com o mercado, nada foi o mesmo depois que o Radiohead apareceu.

E hoje a gente recorda tudo que andava rolando pelo caminho de Thom Yorke, Jonny Greenwood, Colin Greenwood, Ed O’Brien e Phil Selway, do comecinho do Radiohead até a era do definidor terceiro disco do quinteto, OK computer (1997).

Edição, roteiro, narração, pesquisa: Ricardo Schott. Identidade visual: Aline Haluch (foto: reprodução internet). Trilha sonora: Leandro Souto Maior. Vinheta de abertura: Renato Vilarouca. Estamos aqui de quinze em quinze dias, às sextas! Apoie a gente em apoia.se/popfantasma.

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