Se você quer comprar discos, camisetas, bonecos e até um caixão (!!) do Kiss, você pode. Talvez seja uma das bandas que mais valorizam a venda de produtos licenciados com seu nome. Há também livros, brinquedos e outras lembrancinhas do Kiss à venda por aí. O grupo também sempre foi esperto o suficiente para fazer um bom link com seus fãs e seus fãs-clubes, desde bem antes da internet.

Incrivelmente, nem sempre foi assim. Ao contrário do que muita gente imagina, o Kiss não foi uma banda montada em torno dos merchans e dos produtos com o nome do grupo – pelo contrário, os próprios integrantes, como Paul Stanley, dizem que o Kiss passou por um período duradouro de ingenuidade no que dizia respeito a explorar o próprio material. O grupo não era um sucesso evidente até o duplo ao vivo Alive (1975). A ponto de a gravadora Casablanca não estar tão certa assim de que foi bom negócio contratar a banda.

Algumas coisas definiram o sucesso do Kiss e a volta por cima (pois é, a banda teve uma volta por cima) nos anos 1970. A primeira delas, claro, foi o lançamento de Alive. A segunda foi que o empresário do Kiss, Bill Aucoin, decidiu finalmente ajudar a banda a explorar seu próprio nome em produtos para os fãs em 1976. A primeira peça de merchandising do Kiss foi…

… um programa de turnê, em 1976. O das imagens abaixo.

Quando a primeira peça de merchandising do Kiss era um programa de turnê

Quando a primeira peça de merchandising do Kiss era um programa de turnê Quando a primeira peça de merchandising do Kiss era um programa de turnê Quando a primeira peça de merchandising do Kiss era um programa de turnê Quando a primeira peça de merchandising do Kiss era um programa de turnê

Sim, em 1976 o Kiss não tinha ainda brinquedos, camisetas, fivelas de cinto. Isso tudo foi pensado depois, à medida em que os fãs foram curtindo o programa, aprovadíssimo pela própria banda. O mimo foi lançado em 25 de janeiro de 1976, época de um show do Kiss no Cobo Hall, em Detroit.

E diga-se de passagem, não era uma ideia desconectada da realidade, não – uma vez que programas de turnê faziam sucesso entre os fãs. Os Rolling Stones também ofereceram o da sua Tour of the Americas, em 1975, que hoje vale uma grana boa e volta e meia aparece em leilão. O Led Zeppelin dedica uma área de seu site oficial a programas. No Brasil teve gente que fez o mesmo: olha só esse programa da turnê Refazenda, de Gilberto Gil.

Para seguir uma mania da época, o programa tinha um formulário de associação do “exército do Kiss”, e um outro para compras. Não era uma ideia nova. Discos de David Bowie e Todd Rundgren também incluíam formulários para os mais variados fins: recebimento de pôsteres, associação a fãs-clubes, etc. No Brasil, até mesmo o Casa das Máquinas pediu na contracapa do disco Casa de rock (1976) que os fãs escrevessem cartas para fazerem parte da “família Casa das Máquinas”.

Dois anos depois, a relação do Kiss com o merchandising estava plenamente resolvida. Essa reportagem de 1979 da ABC News intitulada mui apropriadamente Kiss & sell mostrava que em 1978 as vendas dos diversos produtos com o nome da banda tinham batido recordes. Paul Stanley e Gene Simmons, que não mostravam as caras sem maquiagem, davam entrevistas de costas (!) e diziam que tinham realizado seus grandes sonhos como rockstars (Simmons, já devidamente maquiado, falava que o Kiss “era a melhor coisa que havia”).

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