A BBC nem sempre foi um grande exemplo de empresa 100% cabeça aberta. A empresa de comunicação britânica já implicou com o conteúdo de algumas músicas, e letras com referências a drogas, muitas vezes, não passavam no crivo dos caciques da estação. O que talvez muita gente não esperasse é que os Beatles, filho mais querido do pop-rock inglês durante os anos 1960, ficassem presos na censura da emissora, e justamente com A day in the life, faixa de encerramento de Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band (1967).

A expressão de A day in the life que causou tristeza na turma da BBC foi o “I’d love to turn you on” (“eu adoraria deixar você ligado”) que aparece antes das duas partes mais orquestrais da música. Na época, o LSD e as substâncias lisérgicas já não eram conto da carochinha e volta e meia surgiam no noticIário de música. No mesmo ano de 1967, a Elektra implicaria com um “she gets high” em Break on through (To the other side), dos Doors.

A BBC estava ligada (er) no assunto e o diretor de transmissão, Frank Gillard, mandou uma carta à banda em 23 de maio de 1967, avisando: “Nunca pensei que chegaria o dia em que teríamos de proibir uma música de um disco da EMI, mas, infelizmente, foi isso que aconteceu nesta faixa. Nós ouvimos várias vezes com muito cuidado, e chegamos à conclusão de que as palavras ‘eu adoraria deixá-lo ligado’, seguidas por aquela montagem de som, têm um significado bastante sinistro”.

“A gravação pode ter sido feita em inocência e boa fé, mas devemos levar em conta a interpretação que muitos jovens inevitavelmente farão. ‘Ligado’ é uma frase que pode ser usada em muitas circunstâncias diferentes, mas está muito em voga no jargão dos viciados em drogas”, escreveu.

Lennon respondeu dizendo que a música foi inspirada por duas notícias que leu no jornal: a morte de Tara Browne, herdeiro da cervejaria Guinness, num acidente de carro; e a existência de quatro mil buracos nas ruas de Blackburn, Lancashire, que precisavam ser tapados. E que o “I’d love to turn you on” foi ideia de Paul McCartney. “Era uma ideia que ele tinha na cabeça e não conseguia usar”, contou. Paul, tido como bom garoto se comparado a Lennon, mandou bala: “Essa faixa é a única no álbum que foi escrita como uma provocação deliberada”, afirmou.

Via Far Out