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Cultura Pop

Várias coisas que você já sabia sobre Transa, de Caetano Veloso

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Várias coisas que você já sabia sobre Transa, de Caetano Veloso

Transa, de Caetano Veloso, para inaugurar a nova série de “várias coisas que você já sabia sobre”? Vamos por partes. Foi no fim de 1969 que o Brasil mandou aquele abraço para a Tropicália. Caetano Veloso e Gilberto Gil foram exilados enquanto Gal Costa, Mutantes e Tom Zé lançavam as últimas obras que traziam as características em comum do movimento: capas coloridas de artistas como Albery e Rogério Duarte, guitarras de Lanny Gordin, arranjos de Rogério Duprat e produção de Manoel Barenbein.

Mesmo que pesquisadores e entusiastas afirmem que a obra do movimento se estenda até o ano de 1973, é inegável que a partir de 1969 muita coisa mudou. Os que mais sentiram essas mudanças foram, sem dúvida, Gil e Caetano, expulsos do país pela ditadura militar. Longe da família, dos amigos e em uma terra nova e estranha, a dupla iniciou uma outra viagem em suas carreiras, cada um com sua bagagem nas costas.

Gil aprendeu a tocar guitarra e saiu fazendo jams e aprendendo uma nova abordagem de sua música por Londres. Caetano se tornou mais introspectivo e parecia não haver mais lugar em seu imaginário para canções alegres como Superbacana e Atrás do trio elétrico. Em seu primeiro álbum lançado no exílio, em 1971, o que se ouve é melancolia e a saudade de sua terra.

No LP, que leva o apelido de London London, encontramos a maioria das letras em inglês, citações a canções brasileiras e músicas com tempos longos, fora do padrão comercial das rádios. Com tom triste e crítico, Caetano abre o álbum dizendo que um dia teve que deixar seu país e pede notícias da irmã Maria Bethânia. Mas antes de rever seu sol dourado, Caetano gravou seu segundo álbum na Inglaterra.

Várias coisas que você já sabia sobre Transa, de Caetano Veloso

Quando Transa (1972) foi gravado, o sentimento de tristeza já não era mais dominante em Caetano. Considerado pela crítica e por grande parte de seu público um de seus álbuns mais importantes, é um disco de banda, que pode ser considerado um sucessor direto do álbum de 1971 também em seu conceito e sonoridade.

COMO ASSIM TRANSA? No começo da década de 1970, o verbo ”transar” ou o substantivo “transa” não se referiam somente a sexo – estavam muito mais ligados ao sentido de “transação”. Segundo reportagem da Veja de 19 de abril de 1972 sobre o álbum de Caetano Veloso: “Na linguagem da moda, a palavra ‘transa’ tem a mobilidade das ideias vagas. Em resumo, pode referir-se desde transações comerciais ao negócios mais abstratos, envolvendo ou não duas e mais pessoas. E é nesse vasto campo de possibilidades que se desenham os limites do novo LP de Caetano Veloso”.

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Imagens de shows da época do “Transa” em Paris

O COMEÇO DO REGGAE DO BRASIL pode ser creditado ao Transa. A faixa Nine out of ten começa e termina com alguns compassos inspirados no ritmo jamaicano. A letra abre com Caetano narrando seus passeios pela Portobello Road, rua da capital inglesa que no começo dos anos 1970 possuía lojas que tocavam o som de artistas como Jimmy Cliff.

O CANTOR Péricles Cavalcanti, que sugeriu a inclusão do reggae na música, conta que para fazer a gravação das pequenas passagens foi preciso que o baixista Moacyr Albuquerque aprendesse a tocar o ritmo, já que o estilo não era conhecido no Brasil: “Eu fui com ele em uma loja e nós compramos umas três partituras de ska e através delas ele aprendeu a tocar o ritmo para fazer a gravação”. Caetano considera essa sua melhor canção em inglês e ela esteve presente no repertório do show do álbum Cores, nomes (1982), Zii e zie ao vivo (2010), Dois amigos – Um século de música (2015, com Gilberto Gil). E foi regravada no álbum Velô (1984).

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Caetano e banda gravando em Londres

UM GOSTO DE VIDRO E CORTE reinava nos ensaios para a gravação do LP. No centro de artes londrino Arts Lab, os músicos se reuniam para criar os arranjos e, na mesma época, havia um artista plástico produzindo uma obra com fibras de vidro, que eram cortadas no ambiente. Para desintoxicar do cheiro, Jards Macalé contou em reportagem de Leonardo Lichote que tomavam copos de leite entre as músicas.

ALÉM DE de Jards, que produziu e tocou guitarra e violão no LP, a banda de Transa contou com Tutty Moreno (bateria e percussão), Áureo de Souza (bateria e percussão) e Moacyr Albuquerque (baixo).

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Transa: em Paris com Jards Macalé

A PRIMEIRA VEZ DE ANGELA RO RO em uma gravação foi no Transa. A cantora estava passando uma temporada pela Europa e se encontrou com os baianos durante a viagem. No disco, Ro Ro toca gaita na faixa Nostalgia (That’s what rock n’ roll is all about). Com o cachê da gravação, a autora de Amor, meu grande amor conta que pagou uma semana de aluguel e comprou um par de botas para encarar o frio londrino.

A FICHA TÉCNICA DO DISCO GEROU BRIGAS e manteve muitos pesquisadores confusos por um bom tempo. Para começar, a primeira edição trazia a informação de que Angela Ro Ro havia tocado flauta, ao invés de gaita. Além disso, não havia o nome de Jards Macalé como produtor do álbum, o que foi motivo de afastamento entre ele e Caetano por tempos.

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Caetano ao vivo na época do disco

SEGUNDO o baiano, a justificativa se dá pelo fato de que a cultura de colocar o nome dos músicos nos encartes dos álbuns não era comum nos anos 1970. Em 2006, mais de 30 anos depois, as questões relativas ao encarte foram acertadas, com os créditos corretos aparecendo pela primeira vez na edição em CD do álbum que compõe a caixa Quarenta anos Caetanos 1969-1974.

“DISCOBJETO” foi o título dado para batizar o projeto gráfico da edição original do LP, assinado por Álvaro Guimarães e Aldo Luiz. Em formato trifold (triplo), a capa aberta forma uma espécie de prisma triangular, exibindo fotos do cantor e entregando uma outra interpretação. O álbum posteriormente teve reedições em capas dupla e simples, e fita K7, além de versões (em CD e LP) lançadas em outros países como Uruguai, Japão e Argentina.

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Propaganda da Rolling Stone

TODAS AS versões do álbum costumam ser raras por seu valor histórico e pelo status que recebeu ao longo dos anos de disco mais cultuado da obra de Caetano Veloso. Um exemplar da edição original tem, segundo o Discogs, preço médio de aproximadamente R$500 e já chegou a ser vendido no site por R$750.

UMA FESTIVAL DE CITAÇÕES compõe as letras de Transa. Na maioria das faixas Caetano cita a si mesmo e diversos outros compositores – além de regravar uma versão bastante alternativa do samba Mora na filosofia, de Monsueto. Segue uma lista com toda as citações do álbum:

“YOU DON’T KNOW ME”

“Nasci lá na Bahia de mucama com feitor/o meu pai dormia em cama minha mãe no pisador” foi tirada de Maria Moita (Carlos Lyra/Vinícius de Moraes)

“Laia, ladaia, sabatana, Ave Maria” – veio de Reza (Edu Lobo/Ruy Guerra)

“Eu, você, nós dois, já temos um passado meu amor, um violão guardado, aquela flor, e outras mumunhas mais” – veio de Saudosismo (Caetano Veloso), citada por Gal Costa

“Eu agradeço/ao povo brasileiro/norte, centro, sul inteiro/onde reinou o baião” – veio de Hora do adeus (Luiz Queiroga e Onildo Almeida, gravada por Luiz Gonzaga).

“TRISTE BAHIA”

As duas primeiras estrofes da música são do poema de Gregório de Mattos de mesmo título. Porém, com uma alteração – o original diz “rica te vi eu já”, enquanto Caetano canta “rica te vejo eu já” – causada por um erro de transcrição presente no livro em que o cantor possuía.

Outras citações presentes na música:

“Eu já vivo tão cansado/ De viver aqui na Terra/ […] Minha mãe eu vou pra lua/ E seja o que Deus quiser” – Eu já vivo enjoado (Mestre Pastinha, com adaptações)

“Ê galo cantou/Ê galo cantou camará” – Quando eu fui pra liberdade (canto tradicional de capoeira)

“Ê vamos nos embora/ ê pelo mundo afora” – Capoeira do Arnaldo (Paulo Vanzolini)

“Bandeira branca enfiada em pau forte/ trago no peito a estrela do norte” – Ponto do guerreiro Branco (canto tradicional, gravado também por Maria Bethânia em seu álbum de 1969).

“O vapor de cachoeira não navega mais no mar” – Canto tradicional, gravado também por Maria Bethânia em Cirandas, no álbum Dentro do mar tem rio (2007).

“Pé dentro, pé fora/quem tiver pé pequeno vai embora” – Canto tradicional de capoeira, gravado também por Tom Zé em Lavagem da Igreja de Irará, no álbum Correio da Estação do Brás (1978).

“Ó virgem mãe puríssima” – Hino a Nossa Senhora da Purificação

“IT’S A LONG WAY”

“O zóio da cobra verde/[..] não amava quem amei”; “Arrenego de quem diz/que o nosso amor se acabou” – Sôdade, meu bem, sôdade (Zé do Norte), gravada por Vanja Orico para a trilha de O cangaceiro, filme de Lima Barreto (1953), e por Nana Caymmi no álbum Renascer (1976).

“Água com areia/brinca na beira do mar/a água passa a areia fica no lugar” – Água com areia (Jair Amorim/Jacobina). Também gravada com alterações em outras versões registradas antes do lançamento de Transa, como a de Pery Ribeiro (1961).

“E se não tivesse o amor/E se não tivesse essa dor” – Consolação (Baden Powell/Vinícius de Moraes)

“No Abaeté tem uma lagoa escura/arrudiada de areia branca! – A lenda do Abaeté (Dorival Caymmi)

“NEOLITHIC MAN”

“Quem tem vovó/ Pelanca só” – Palavras atribuídas ao canto do Sabiá da Mata, pássaro muito comum na Bahia.

OS BEATLES APARECEM NO DISCO em duas citações: It’s a long way (The long and winding road, 1970) e em Neolithic man (You won’t see me, 1966).

MARIA BETHÂNIA além de ter gravado algumas das músicas citadas em Transa, gravou o álbum Drama também em 1972 com os músicos Moacyr Albuquerque (baixo) e Tutti Moreno (bateria). Além disso, o LP possui produção do mano Caetano e o primeiro registro da música Anjo exterminado, de autoria de Jards Macalé.

CAETANO REJEITOU PARCERIA COM BOWIE na época em que estava exilado. Acontece que Ralph Mace, que produziu Transa, já havia trabalhado com o cantor britânico (é ele o responsável pelos teclados no álbum The man who sold the world, de 1970) e queria unir os dois talentos.

MACE levou o baiano até um show de David Bowie na Round House. Em entrevistas, Caetano revela que não gostou do show e que no camarim ele e o “Camaleão” apenas se cumprimentaram cordialmente. Enquanto o cantor recorda que Ralph queria que ele contribuísse com as músicas de David, o produtor revela o que gostaria de propor a Bowie que traduzisse as letras do artista brasileiro.

O PRODUTOR SE CHATEOU COM CAETANO, não por conta da rejeição à parceria com Bowie, mas porque logo após a finalização das gravações de Transa, houve a possibilidade do cantor voltar ao Brasil e ele assim fez. Ralph queria que o artista continuasse em Londres para divulgar Transa e produzir outros trabalhos, mas ele foi irredutível. Além do mal estar entre os dois, a decisão fez com que o LP não fosse lançado na Inglaterra naquele momento e até hoje não existe uma edição lançada no país.

NA CHEGADA AO BRASIL, O SHOW FOI UM SUCESSO. Mesmo ainda sem os LPs nas lojas, Caetano fez o show com as faixas de Transa assim que voltou do exílio para o Brasil, em Janeiro de 1972. Se em Londres os músicos tocaram no Queen Elizabeth Hall e até em cima de um caminhão, o primeiro destino no Brasil foi o Teatro João Caetano, no centro do Rio de Janeiro.

MUITO COMENTADA na imprensa, a temporada teve dias com ingressos esgotados sem que as portas do teatro foram abertas, para que, além dos 1500 pagantes, outras pessoas pudessem acompanhar o espetáculo. Caetano abria os show com Bim-bom, de João Gilberto, e o repertório incluía músicas que não estavam em Transa, como Você não entende nada, Maria Bethânia, Preta pretinha (Novos Baianos), Que tudo mais vá pro inferno (Roberto Carlos), um pout-pourri de músicas de carnaval e encerrava com Eu e a brisa, de Johnny Alf.

A CRÍTICA elogiou bastante o show, que também teve temporada em São Paulo (no teatro Tuca, onde Caetano foi bastante vaiado em 1968 pela apresentação da música É proibido proibir) e retornou ao Rio ainda em janeiro para mais três shows resultantes da grande procura por parte do público.

O ÁLBUM TAMBÉM DIVIDIU OPINIÕES na imprensa. O número 487 da revista Intervalo 2000, em matéria sobre o lançamento do LP garantiu: “Não tenham dúvida: já pode ser considerado o disco do ano”. Outra edição, de número 500, lançada em agosto de 1972, dizia que “Nostalgia”, faixa que encerra o disco, estava fazendo um grande sucesso. Em O Jornal, a crítica foi dura: “Este LP não é, de modo algum, um produto do talento com T maiúsculo do Caetano”.

UMA QUANTIDADE GRANDE DE LPS VEIO EMPENADA DE FÁBRICA em uma edição recente fabricada na Alemanha. Lançado pela gravadora Universal Music em 2012, o disco recria o “discobjeto” e teve problemas por conta de sua plastificação. Com a capa feita de um papel de alta gramatura e com o plástico lacrado de forma muito apertada, várias unidades tiveram o vinil entortado pela pressão.

HEITOR Trengrouse, proprietário da loja de discos Tracks, no Rio de Janeiro, teve essa edição a venda e comenta: “Praticamente todas as unidades que recebemos desse LP vieram com esse problema, o que é lamentável porque é um disco histórico e que foi poucas vezes relançado. Eu acredito que o motivo de ele ter saído também em capas duplas e simples tenha a ver com a complexidade dessa capa. Os próprios lojistas deveriam reclamar porque é um disco difícil de acomodar nas prateleiras com esse padrão diferente”.

O CANTOR PAULISTANO ROMULO FRÓES estreou em junho de 2014 um show em que apresenta as canções de Transa na íntegra. Inicialmente parte do projeto Radiola Urbana 1972 (em que 20 artistas diferentes interpretaram álbuns que estavam então completando 40 anos), a apresentação contou com o guitarrista Kiko Dinucci (Metá Metá), o saxofonista Thiago França (Metá Metá); o violonista e guitarrista Rodrigo Campos; o baixista Marcelo Cabral (Passo Torto); e o baterista Pedro Ito (do grupo de jazz Improvisado).

A BANDA das apresentações contou com outras formações, que incluíram músicos como o guitarrista Guilherme Held, o baixista Marcos Gerez e o baterista Richard Ribeiro. A sonoridade é completamente diferente do que está no álbum, o que torna o show muito interessante. Rômulo e os músicos mudam a roupagem das colagens sonoras de Caetano e fazem versões totalmente imersas na estética da geração atual da música de São Paulo.

CAETANO DISSE QUE NÃO FARÁ UM SHOW COM O REPERTÓRIO DO ÁLBUM mesmo com abaixo-assinados para a realização do show terem circulado na internet. O cantor considera Transa um disco de banda e disse que não tem intenção de se reunir sem o músico Moacyr Albuquerque, falecido em outubro de 2000.

APESAR de não fazer um show com o repertório do álbum, algumas músicas do LP apareceram em shows da trilogia Cê. Na versão ao vivo do álbum Cê (2007) Caetano canta Nine out of ten (que também fez parte do show Dois amigos, um século de música, com Gilberto Gil) e You don’t know me e em Abraçaço ao vivo (2014) foi incluída a música Triste Bahia.

HOJE Transa é considerado um dos mais importantes da música popular brasileira e da discografia de Caetano. Segundo reportagem de Marcus Preto, a adoração se intensificou tanto no público quanto entre músicos na década de 1990. Em entrevista a Marcelo Perrone, o cantor revelou: “Eu gostei dele quando o fiz. Mas o achei mais satisfatório com o passar do tempo. Mas o fato é que não ouço meus discos quase nunca. Então, não sei direito”.

Mais várias coisas que você já sabia sobre aqui.

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Bono trapalhão? U2 antes da fama, na TV irlandesa, usando fantasias de palhaço

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Bono trapalhão? U2 antes da fama, na TV irlandesa, usando fantasias de palhaço

RESUMO: Antes da fama, o U2 tocou Out of control na TV irlandesa vestido de palhaço. Tem gente achando que é obra da IA, mas não é não.

Texto: Ricardo Schott – Foto: Reprodução

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No comecinho de sua história, prestes a fazer as primeiras gravações, o U2 fez um vídeo de Out of control na TV irlandesa em clima de circo, com maquiagens faciais e roupas de palhaço. Tá aí o vídeo.

O vídeo é de 1979 e pertence aos arquivos da RTÉ, emissora pública irlandesa – e pelo que a emissora diz, apareceu no programa Our times. Já teve gente levantando a hipótese de ser obra de IA. Não é, pelo visto. “Embora a estética crua e a qualidade amadora das possam levar os espectadores a questionar a sua autenticidade, este vídeo específico foi documentado e discutido pela comunidade de fãs do U2 como uma peça genuína da história da banda”, diz um comentário publicado no canal do YouTube @DutchU2Fan.

Não foi a primeira vez que a banda esteve na atração: em 13 de novembro de 1978, tocaram a música The fool, numa apresentação que acabou sendo reprisada em 27 de novembro. Aliás, a primeira vez que Bono, The Edge, Larry Mullen e Adam Clayton foram à RTE rolou em 2 de março de 1978, quando ainda se chamavam The Hype – na ocasião, foram a programa Youngline e cantaram Street mission.

Além das maquiagens, Bono surge usando apetrechos teatrais e fazendo caras e bocas para a câmera – em alguns momentos, tudo parece uma cena de humorístico brasileiro dos anos 1970. E naquela altura, Out of control era praticamente o cartão de visitas do U2. Em agosto de 1979, o radialista Dave Fanning apresentou três músicas do grupo em seu programa na RTÉ — Out of control, Stories for boys e Boy/Girl — e deixou os ouvintes escolherem qual delas deveria ocupar o lado A do primeiro lançamento da banda. Out of control venceu. No mês seguinte, as três músicas apareceram no EP Three, cuja primeira edição teve mil cópias numeradas.

A canção também tinha uma origem bastante pessoal. Bono a escreveu quando completou 18 anos, pensando no desconforto de perceber que dois dos acontecimentos mais importantes da existência estão totalmente fora das nossas mãos: ninguém decide nascer e, em última instância, também não controla a própria morte.

Agora: por que diabos eles estão vestidos daquele jeito?

Bom, não há, pelo menos na documentação conhecida sobre a apresentação, uma explicação de Bono, The Edge, Adam Clayton ou Larry Mullen Jr. para as roupas, mas maquiagens e os apetrechos. Também não aparece nos arquivos disponibilizados pela RTÉ uma justificativa para o figurino. Pode ter sido uma ideia do programa, uma brincadeira da própria banda ou simplesmente parte da estética daquela atração

O vídeo pertence a uma fase realmente embrionária do U2, que ainda traria uma apresentação no programa Aspects Of rock em setembro de 1979, tocando Life on a distant planet. Em janeiro de 1980, a banda chegou ao Late late show com Stories for boys. E pouco depois, aquela banda de garotos que ainda podia surgir fantasiada na televisão começaria a gravar a estreia Boy, lançada em outubro de 1980. Um primeiro passo na construção do U2 que a gente conhece hoje.

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Video Vanguard Award: afinal, que prêmio é esse que o Nirvana recebeu?

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Video Vanguard Award: afinal, que prêmio é esse que o Nirvana recebeu?

RESUMO: O Nirvana recebeu o Video Vanguard Award no VMA e entrou numa história que começou em 1984 com Beatles e David Bowie. Entenda como surgiu e por que o prêmio mudou ao longo das décadas.

Texto: Ricardo Schott – Foto: Reprodução

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O Nirvana voltou ao VMA neste domingo (27) para receber um prêmio que, de certa forma, conta a própria história da MTV. Dave Grohl, Krist Novoselic e Pat Smear subiram ao palco para buscar o Video Vanguard Award, homenagem pelo conjunto da obra audiovisual da banda.

Recebendo a honraria, os mais ilustres três ex-integrantes vivos da baanda entraram numa lista que começou com Beatles e David Bowie e, ao longo de mais de quatro décadas, passou por Madonna, Michael Jackson, R.E.M., Beastie Boys, U2, Beyoncé e vários outros.

Mas o que exatamente é o Video Vanguard? Bom, temos duas respostas, uma curta e uma longa. A resposta curta: é uma espécie de prêmio pelo conjunto da obra do VMA, dedicado a artistas que tiveram impacto importante sobre o videoclipe e a cultura pop. Não está ligado a um vídeo específico lançado naquele ano e nem sequer é entregue em todas as edições.

A resposta longa é… a própria história do prêmio. E é a melhor resposta, já que o prêmio nasceu junto com o próprio VMA, em 1984. E não custa lembrar que nessa época videoclipe ainda era uma linguagem em formação e a MTV tinha apenas três anos. Na primeira cerimônia, só pra você ter uma ideia, David Bowie ganhou o prêmio, e houve menção especial aos Beatles e a Richard Lester, que dirigiu os filmes Help e A hard days night, do quarteto.

No caso dos Beatles e Lester, a escolha reconhecia especialmente a importância dos filmes do grupo para aquilo que, anos depois, se consolidaria como a linguagem do videoclipe – e da mesma forma, Bowie havia desenvolvido muito do idioma dos clipes vários anos antes. Na real, como ainda nem sequer havia uma “história” do videoclipe, era fundamental apontar quem havia ajudado a inventar aquela nova linguagem.

Nos anos seguintes, por sua vez, já estava claro que o grande lance era premiar quem já estava fazendo história ali mesmo, com a linguagem dos clipes. Em 1985, ganharam o prêmio David Byrne (então apenas o líder dos Talking Heads) e os diretores Russell Mulcahy e Godley & Creme. Madonna recebeu em 1986. Peter Gabriel, em 1987.

Detalhe: Michael Jackson ganhou em 1988 e, a partir de 1991, seu nome passou a ser associado oficialmente à honraria, que durante décadas ficou conhecida como Michael Jackson Video Vanguard Award. Em 2019, a MTV silenciosamente, mas nem tanto, tirou o nome do astro do prêmio. Nesse ano, a vencedora foi a rapper Missy Elliott.

Na década seguinte, a lista parece quase um resumo do período em que rock e MTV andavam grudados. Bon Jovi recebeu o Vanguard em 1991; Guns N’ Roses, em 1992; Tom Petty e Rolling Stones, em 1994; R.E.M., em 1995; Red Hot Chili Peppers, em 2000; U2, em 2001; e Duran Duran, em 2003. Exceções à regra: em 1997 o rapper LL Cool J levou a estatueta pra casa. No ano seguinte, os Beastie Boys ganharam o prêmio.

Depois, o perfil foi mudando junto com a própria MTV e com a cultura pop. Britney Spears, Justin Timberlake, Beyoncé, Kanye West, Rihanna, Pink, Jennifer Lopez e Missy Elliott estão entre os homenageados. Nos últimos anos vieram Nicki Minaj, Shakira, Katy Perry e Mariah Carey. Agora o prêmio volta ao rock com o Nirvana.

Dá pra dizer que poucos grupos carregam uma ligação tão evidente com a era clássica da MTV. Smells like teen spirit não apenas virou um dos clipes mais associados aos anos 1990 como ajudou a transformar a imagem do rock no canal. Come as you are, In bloom e Heart-shaped box reforçaram uma identidade visual que misturava estranheza, humor, desconforto e uma boa dose de antipatia pelos padrões do estrelato.

No VMA deste ano, coube a Chuck D, do Public Enemy, entregar o prêmio. Novoselic aproveitou o discurso para colocar Kurt Cobain no centro da história e lembrou que muitas ideias dos vídeos vinham da visão artística do vocalista. Para ele, a permanência do Nirvana também tem relação com uma busca do público por autenticidade.

Grohl, Novoselic e Smear receberam a homenagem sem Cobain, morto em 1994, mas com sua imagem aparecendo durante a cerimônia. A escolha fecha um círculo curioso: uma banda que ajudou a definir a MTV dos anos 1990 recebe, mais de três décadas depois, um prêmio criado justamente para reconhecer quem mudou a maneira de juntar música e imagem.

Mais do que um troféu para quem acumulou clipes famosos, o Video Vanguard começou como uma homenagem a quem empurrou o videoclipe para algum lugar novo. E sua lista de vencedores acabou registrando também as mudanças da própria MTV: dos Beatles e dos diretores pioneiros ao domínio do rock, daí às grandes estrelas do pop e do hip hop.

Agora o Nirvana entrou nessa história. Digamos que, para uma banda que chegou à MTV parecendo não pertencer àquele mundo, demorou bastante.

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Cultura Pop

Qual é a do The Coverups, banda de covers de Billie Joe (Green Day) e amigos?

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The Coverups: Billie Joe recebe Bruce Dickinson (Foto: Reprodução Internet)

Antes de Bruce Dickinson, cantor do Iron Maiden, aparecer de surpresa no palco em Québec, o The Coverups já dava muitos sinais de vida havia anos. O projeto paralelo de Billie Joe Armstrong continua funcionando exatamente como nasceu: como uma desculpa para tocar músicas que seus integrantes amam, sem a pressão de lançar discos ou sair em turnê.

Criado em 2018, o grupo reúne integrantes e colaboradores do Green Day em apresentações pequenas, normalmente em clubes da Califórnia. A formação original contava com Billie Joe Armstrong (voz e guitarra), Mike Dirnt (baixo e voz), Jason White (guitarra), Bill Schneider (baixo) e Chris Dugan (bateria) – Mike e Jason são os únicos que fazem parte também do Green Day, sendo que Jason atua como músico de turnê. Nos últimos anos, porém, Dirnt deixou de participar dos shows, e o The Coverups passou a atuar como quarteto.

O repertório é uma carta de amor ao rock e ao punk. Clássicos de Ramones, David Bowie, The Clash, Cheap Trick, Joan Jett, Tom Petty, Misfits, Nirvana, Rolling Stones e até Strokes costumam aparecer nas apresentações, que muitas vezes são anunciadas poucas horas antes de acontecer. Diferentemente de outros projetos paralelos de Billie Joe, como Foxboro Hot Tubs e The Longshot, o The Coverups nunca teve a intenção de gravar músicas próprias. A proposta é apenas revisitar clássicos em um ambiente intimista, recriando um pouco da atmosfera dos primeiros dias do Green Day nos clubes da região de Berkeley e Oakland.

Mesmo sem lançar um único álbum de estúdio, a banda conquistou um público fiel justamente por isso: oferece a rara oportunidade de ver Billie Joe tocando as músicas que ajudaram a moldar sua formação musical, longe das grandes produções e da rotina de estádios do Green Day.

Nos últimos meses, o The Coverups voltou a fazer apresentações esporádicas na Califórnia, mantendo esse espírito despretensioso. Não havia qualquer indicação de mudanças de rumo, nem anúncios de gravações ou turnês. A maior novidade acabou sendo justamente a participação-surpresa de Bruce Dickinson em um show realizado em Québec. Sem aviso prévio, o vocalista do Iron Maiden subiu ao palco para cantar All the young dudes, clássico do Mott the Hoople escrito por David Bowie, num encontro improvável que reuniu dois dos nomes mais conhecidos do rock em um contexto bastante informal.

Houve uma outra novidade recente, que rolou durante o show da banda no Roxy, na Califórnia, dia 21, uma segunda-feira. Antes de tocar Drain you, clássico do Nirvana (do disco Nevermind, de 1991), Armstrong dedicou a música a Jennifer Finch, baixista do L7, que morreu recentemente. Antes, Adrienne Armstrong, esposa do músico, havia doado US$ 5 mil para uma campanha criada para ajudar a custear o tratamento de Finch.

De qualquer jeito, Bruce fi a primeira participação especial de grande repercussão na história recente do The Coverups e, naturalmente, chamou muito mais atenção do que os próprios shows da banda. Ainda assim, tudo indica que o projeto continuará exatamente como sempre foi: um grupo de amigos reunidos para tocar os discos que mudaram suas vidas, sem maiores pretensões além da diversão.

Ah, sim: importante falar que All the young dudes faz parte do repertório solo de Bruce há bastante tempo. Ele a havia regravado em seu primeiro álbum solo, Tattoed millionaire, de 1990. Na época, teve até clipe da faixa.

Foto: Reprodução Internet

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