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Ouvimos: Sophia Chablau e Uma Enorme Perda de Tempo, “Música do esquecimento”

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Ouvimos: Sophia Chablau e Uma Enorme Perda de Tempo, "Música do esquecimento"
  • Música do esquecimento é o segundo disco de Sophia Chablau E Uma Enorme Perda de Tempo. O disco começou a surgir na pandemia: o grupo começou a criar arranjos para algumas faixas ao longo de 2020 e 2021. Mas só no fim de 2022 a banda pôde entrar novamente em estúdio.
  • O grupo é formado por Sophia (voz, guitarra, violão, piano), Téo Serson (baixo, piano), Theo Ceccato (bateria) e Vicente Tassara (guitarra). O álbum foi produzido pelo pianista Vitor Araújo e teve pós-produção feita por ele e Ana Frango Elétrico. Sophia é a principal autora do disco, sempre compondo individualmente, mas há espaço para canções de outros integrantes.
  • Negro Leo aparece cantando na faixa Quem vai apagar a luz, e Vitor Araújo, produtor do disco, toca piano em Time to say goodnight.

A melhor maneira de entender Música do esquecimento é compreender que é um disco sobre tesão. Não apenas sobre isso, mas ele está lá, sobrevoando quase todo o álbum, e não apenas no sentido sexual. Por mais que todo mundo fale sobre tesão, há muito para falar sobre ele – provavelmente há mais coisas ainda não faladas sobre desejo sexual do que sobre as armadilhas do amor romântico, embora a maioria das pessoas não esteja realmente preparada para essa conversa.

Não é por acaso que Música do esquecimento termina com um samba chamado Deus tesão – cuja letra é quase uma cantada musicada, pareando a motivação de deus para criar o mundo em sete dias, e o desejo sexual. É a conclusão de um disco que tem faixas como Beijar morder trepar (“rasga minha boca/fura meus olhos/tritura meus ossos”), Baby míssil (“baby, I miss you/quem vai segurar esse míssil?”) e Último sexo. Ou Segredo, música feita tendo em mente o dia-a-dia LGBTQIA+, que fala sobre relações “amorosas” que ficam escondidas por conveniência. Esse tesão também transparece na busca de novas palavras (Qualquer canção, dos versos “eu não vou fazer qualquer canção/só pra dizer o que eu sinto agora”), na procura de amadurecimento e calma no meio do caos (Neurose, Embaraço total), em uma palavra ou outra de cada letra.

Repleto de texturas musicais, Música do esquecimento trafega num corredor que inclui Titãs da era Arnaldo Antunes, The Slits, Brian Eno e cantoras como Judee Sill (esta, parece surgir nos vocais emocionados de Sophia, em algumas faixas). Quem vai apagar a luz, provável futuro hit do disco, soa como um tropicalismo dançante e aproximado do rock britânico sessentista – o mesmo rolando em Baby míssil – e até na MPB-punk Minha mãe é perfeita. Já Segredo é o lado indie e pós-punk do álbum. Qualquer canção é uma balada delicada que impressiona pelos tons orquestrais e pela interpretação de Sophia. Quase um objeto não-identificado no disco, Time to say goodnight é uma peça intrincada de piano, com participação do produtor Vitor Araújo. No princípio era o verbo soa quase ambient, repleta de surpresas. Um disco perturbador, em letra, música e conceito.

Gravadora: Risco
Nota: 8

Foto: Helena Ramos/Divulgação

Crítica

Ouvimos: Limbo7 – “Relíquias do ódio”

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Resenha: Limbo7 – “Relíquias do ódio”

RESENHA: O Limbo7 vem da mesma onda metal mandrake de MC Taya e Isotopxs, e mostra várias relações com o rap, o skate-punk e a música dos anos 1990 em seu álbum Relíquias do ódio.

Texto: Ricardo Schott

Nota: 8,5
Gravadora: Independente
Lançamento: 18 de agosto de 2026

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MC Taya, Isotopxs, Chainsaw Kid, Limbo7… Essa turma se dedica a uma estileira pesada chamada metal mandrake. Ou seja: metal, rap, funk, eletrônica, berros, letras “de rua”, mobilização punk. Vindo de Vitória (ES), o Limbo7 une a isso tudo aí skate-punk à moda de bandas como Charlie Brown Jr e rap-rock a la Pavilhão 9, além de sonoridades latinas. Da galera, talvez seja o nome mais noventista, como mostra em seu segundo álbum, Relíquias do ódio.

O som, de certa forma, tem muito dos artistas de funk e rap que enveredam pelo metal e pelo punk, cabendo o peso sinuoso (às vezes próximo do Sepultura) de Neblina, o rap-thrash de Encruzilhada, o death-funk-core de Abaporu (“é que cês fala demais / foi assim que o peixe se tornou defunto”, ameaçam, numa música que fala de guerrilhas latinoamericanas e fodelança imperialista), o metal-rap latino e guerreiro de Cova rasa.

MC Taya surge em Chora agora, ri depois, metal com percussão e sample de Originais do Samba. No repertório, tem também o ambient infernal de Eu tenho um tesão do krl em ver tu se fuder (com lembranças do Sepultura de músicas como Lookaway e Manifest), o funkão-metal De copão em copão e a raiva oprimida de Da lama ao concreto (sobre chuvas, alagamentos e desabrigados no Sul) e de Zoonoses.

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Ouvimos: Jubba & Samyr – “Até que foi bom, sabe?”

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Resenha: Jubba & Samyr – “Até que foi bom, sabe?”

RESENHA: Dividido entre São Paulo e Paraíba, o duo Jubba e Samyr reúne em Até que foi bom, sabe? slowcore, soul, trip hop, city pop, folk-rock e trap em um álbum experimental sobre perdas, obsessões e recomeços.

Texto: Ricardo Schott

Nota: 8
Gravadora: Slowrecords
Lançamento: 23 de março de 2026

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Dupla dividida entre São Paulo e Paraíba, Jubba e Samyr decidiram fundir sonoridades e experiências de vida nos climas experimentais e psicodélicos do álbum Até que foi bom, sabe?. Um disco que já começa entre estalos que lembram um disco de vinil, partindo depois para a balada slowcore + soul Quando tudo ficou leve, eu quase flutuei – com toques de guitarra a lembrar um Pink Floyd vaporwave. E para o trip hop cheio de estranhezas de Desassossego, falando do sonho tenso com um amor que já se foi.

O disco é dividido em faixas com letra e vocal, e temas intermediários, como o city pop sombrio de 2406, o charminho lo-fi de K e o instrumental noturno e tranquilo de Vila Aurora. A união de estilos dos dois traz músicas como o folk-rock espacial e lisérgico de Coração de aço (cuja letra fala sobre a primazia de corações fortes e vencedores), o trap loucão de Cicatrizes e obsessões, o instrumental voador e urbano de Onsra.

Até que foi bom, sabe? chega ao fim com o bilhete triste de Dissolução, emoldurado por uma espécie de ambient guitarrístico. E com os quase seis minutos de Inércia, um trip hop que fala em ciclos fechados e recomeços, mas sem deixar a deprê ir embora.

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Ouvimos: Septik – “World of turmoil” (EP)

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Resenha: Septik – “World of turmoil” (EP)

RESENHA: No novo EP, World of turmoil, o Septik mistura crossover, thrash metal, punk e metalcore em faixas rápidas e agressivas, com referências a Megadeth, Sepultura, Ratos de Porão e Metallica.

Texto: Ricardo Schott

Nota: 8
Gravadora: REDSUN Records
Lançamento: 27 de agosto de 2026

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Com um álbum e alguns EPs e singles na bagagem, o Septik vem de Houston e aposta em sons extremamente rápidos, agressivos e ríspidos em seu novo EP, World of turmoil. Mesmo podendo ser definida como “crossover”, pelo cruzamento entre metal e punk a banda tem até alguma ligação com climas mais clássicos do metal, embora vá fundo numa receita anárquica para unir tudo.

Tipo na curta Oblivion, que abre em clima de metalzão, tem algo de Megadeth (a banda de Dave Mustaine volta e meia surge como referência em algumas guitarras do disco) mas encerra com arrotos, lamentos e um clima de possessão demoníaca. Mind the silence tem algo de rap nos vocais e ganha até certo suingue, com uma cara punk vindo depois. A faixa-título tem vocais rappeados e um clima meio metalcore.

O final de World of oblivion expõe influências de Sepultura e Ratos de Porão, e do metal dos anos 1990 em geral – Without a trace tem muito de Dead embryonic cells, do Sepultura. Dá até para ver algo de Metallica no refrão de Vanish point, embora a principal onda da música seja ter um beat quase punk, bem ágil. Como o rock dos anos 1990 tem se tornado o paraíso idealizado de um monte de bandas e artistas (do rock e do pop), normal o metal ir pelo mesmo caminho. No caso do Septik, vem dando certo.

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