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Samuel Amaro transforma implicância amorosa em clipe inspirado no city pop

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Samuel Amaro - Foto: Lírica Aragão e Pietro Saura / Divulgação

RESUMO: Em Eu ia, Samuel Amaro mistura referências ao city pop e imagens de câmeras antigas para contar uma história de amor reprimido, em que provocar o outro é mais fácil do que admitir os sentimentos.

Texto: Ricardo Schott – Foto: Lírica Aragão e Pietro Saura / Divulgação

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Implicância também pode ser declaração de amor – pelo menos em Eu ia, música do paranaense Samuel Amaro que acaba de ganhar clipe. A faixa faz parte do álbum de estreia Músicas surpreendentemente comuns, melancólicas e feitas para dormir, e seu vídeo mistura referências de city pop dos anos 1980 com uma história sobre gente que prefere provocar a admitir o que sente.

Filmado em Maringá (PR), o clipe acompanha três tentativas do protagonista de se aproximar de seu par romântico. Em todas, o medo de se expor acaba atrapalhando as coisas. A produção é da Bolinha de Gude Produções, com direção e edição de Lírica Aragão e Pietro Saura, e aposta numa imagem inspirada em handycams e câmeras analógicas.

“A ideia do clipe nasceu para traduzir em imagens essa minha obsessão pelo city pop e essa ponte entre o retrô e o contemporâneo. A história retrata esse amor reprimido, daquela pessoa que se irrita e se opõe a tudo que o outro faz só para esconder o que sente, como a Helga faz com o Arnold no desenho dos anos 90. É sobre se proteger atrás da implicância em cena para não ter que lidar com a própria vulnerabilidade”, explica Samuel.

Eu ia foi gravada no home studio do próprio músico, em Maringá. O esquema caseiro acabou chegando também às filmagens: numa das cenas, a equipe precisou segurar manualmente uma cortina que aparece no cenário porque não havia suporte para prender o varão.

Em atividade desde 2018, Samuel lançou anteriormente os EPs Morno (2020) e Sintoma (2022). O músico também produz sob o nome Qumma, projeto voltado ao lo-fi. Eu ia traz João Manoel, da banda Jovens Ateus, na guitarra, Luiz Júnior no baixo e mixagem e masterização de Maurício Mendes.

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Dizturbia mistura punk eletrônico, stoner e conflitos em single duplo, “Trégua”

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Dizturbia - Foto: Daniely Simões / Divulgação

RESUMO: Dani Buarque e Fabrizio Martinelli voltam com o Dizturbia em Trégua, single duplo que mistura eletrônica, guitarras pesadas e punk para falar de relações desgastadas, inadequação e alienação cotidiana.

Texto: Ricardo Schott – Foto: Daniely Simões / Divulgação

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O Dizturbia, projeto de Dani Buarque (The Mönic) e do guitarrista e beatmaker Fabrizio Martinelli (Hateen, Maguerbes, Street Bulldogs), está de volta com o single duplo Trégua. O lançamento traz a faixa-título e Inadequado (Sou um ET) e é o primeiro material da dupla desde o EP de estreia Sabor novidade, lançado pela Deck em 2025.

Dani e Fabrizio vêm compondo juntos há pouco mais de dois anos, conciliando o Dizturbia com seus outros projetos. Nesse período, o material foi se acumulando. “Quando piscamos, já tinham passado todos esses meses, e a gente já tinha 13 músicas feitas e mais umas 10 ideias em andamento”, conta Dani.

Trégua abre uma sequência de seis músicas em português que a dupla pretende lançar antes do primeiro álbum. A faixa nasceu inteira durante uma sessão na casa dos dois, a partir de um beat mais lo-fi criado por Fabrizio, e junta eletrônica e guitarras distorcidas para falar do desgaste provocado por uma relação.

“Ela é especial para a gente. Sou apaixonada pela guitarra que ele fez no refrão, sinto que ela conta a história do jeito dela”, diz Dani. “Sabe aquela sensação de ter um diamante nas mãos, mas sentir o peso de estar em alerta o tempo todo justamente por isso? É quando o esforço para cuidar de algo tão precioso começa a machucar. A música fala desse paradoxo entre o amor e a pressão que o próprio amor pode trazer”.

Já Inadequado (Sou um ET) está entre as primeiras composições do Dizturbia. A música também começou com um beat eletrônico, mas mudou quando Fabrizio resolveu acrescentar mais peso à gravação, chegando a uma mistura de punk eletrônico, stoner e música de pista.

“Talvez seja a mais electro de todas que a gente já lançou”, diz Dani. A letra parte da sensação de não pertencimento para falar de alienação, anestesia coletiva e de uma realidade em que situações absurdas vão sendo incorporadas ao cotidiano. “Se eu pudesse resumir, é uma música sobre como só não ficou maluco quem não entendeu o que está acontecendo”.

A produção das duas faixas é de Fabrizio, mantendo o esquema DIY adotado pelo Dizturbia desde o início. Trégua já está nas plataformas digitais pela Deck.

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Fontaines D.C.: o que já dá pra esperar do álbum “Dopamine chamber”

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Fontaines D.C. - Foto: Elizaveta Porodina / Divulgação

RESUMO: Em Dopamine chamber, o Fontaines D.C. aprofunda sua transformação com eletrônica, samples, referências cinematográficas e participação de Rosalía. Um disco sobre prazer, alienação e um mundo em colapso.

Texto: Ricardo Schott – Foto: Elizaveta Porodina / Divulgação

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O Fontaines D.C. nunca falou no trabalho do cineasta maldito Kenneth Anger. Pelo menos não que a gente saiba. Mas olhando para a banda hoje em dia, é difícil não pensar de vez em quando no diretor de filmes como Scorpio rising e Lucifer rising: cores irreais, corpos transformados em personagens, rock tratado como iconografia, beleza e ameaça andando juntas, uma sensação de que algo de errado não está certo.

Uma das próprias fotos de divulgação mais recentes da banda (acima) lembra os truques de imagens – e a capa de Dopamine chamber, próximo álbum do grupo, tem algo a ver com o final do curta Invocation of my demon brother, mas em tons de azul. Será?

Pode ser apenas uma associação. Ou Anger pode ser um ancestral distante desse Fontaines cada vez mais cinematográfico, passando pelo glam, goth, pós-punk, industrial e décadas de videoclipes até chegar ali. O fato é que Grian Chatten (vocais), Conor Curley (guitarra), Conor “Deego” Deegan III (baixo), Tom Coll (bateria) e Carlos O’Connell (guitarra) parecem ainda mais interessados nisso em Dopamine chamber, quinto álbum, que sai em 16 de outubro pela XL.

Cinema, pelo menos, está comprovadamente na receita. No disco Romance, o quarto da banda (2024), Carlos O’Connell confirmou que o teaser do disco foi tirado diretamente da cena do elevador do filme O Iluminado, de Stanley Kubrick. A estética do clipe de Starburster, de Danny Boyle, foi comparada a Trainspotting, embora ali a ideia tenha partido do diretor Aube Perrie. Grian Chatten também já citou o anime Akira, de Katsuhiro Otomo, como referência para o universo visual daquela fase. Agora Marianne, primeiro single de Dopamine chamber, nasce parcialmente de Ripley, série de Steven Zaillian baseada no personagem de Patricia Highsmith.

Só que o cinema agora parece estar entrando também no som. Marianne é enorme, fria e meio decadente. Parece a última música a tocar num salão antes da desgraça, do incêndio, do desastre natural… Algo por aí. E Tongue vai para outro lugar: baixo arrastado, bateria com algo de trip-hop, voz de Chatten alterada por sampler e guitarras usadas mais como ruído e textura. O site Stereogum definiu bem a sensação da faixa como uma espécie de borrão químico e depressivo.

Não é exatamente uma surpresa para quem vem acompanhando a transformação do grupo. A estreia Dogrel (2019) era Dublin quase em estado bruto: poesia, pubs, ruas e pós-punk. A hero’s death (2020) começou a abrir espaços e criar atmosferas. O terceiro disco, Skinty fia (2022), jogou tudo no breu e transformou a distância da Irlanda em assunto. Em Romance (2024), Dublin praticamente saiu de cena e entraram arena rock, breakbeats, shoegaze, grunge, eletrônica e uma vontade assumida de construir outro mundo.

Detalhe: agora nem as guitarras estão garantidas. Conor Curley diz que Dopamine chamber continua exatamente de onde Romance parou, deixando os elementos de banda ao vivo aparecerem apenas quando estes são necessários. Há sintetizadores, samples, triggers, cordas inspiradas pelo pop italiano dos anos 1960 e músicas sem guitarra.

O curioso é que, segundo Carlos O’Connell contou recentemente à revista espanhola Mondo Sonoro, o plano inicial era quase o contrário: fazer um disco simples, com amplificadores, bateria e os cinco tocando juntos numa sala. Eles tentaram. Não funcionou porque a banda que fazia discos daquele jeito aparentemente já não existia.

O que dá pra entender é que o Fontaines não está acrescentando eletrônica ao seu rock. Está tentando readaptar a banda e descobrir o que significa serem eles mesmos hoje em dia. Griann dá uma medida estranhamente precisa para isso. Para ele, Romance era “60% humano e 40% corrompido pela automação e pela perda de sensibilidade”. No novo disco, a proporção virou, já que parece mais “60% corrompido. A máscara está vestindo o rosto um pouco mais”.

Se você precisava de um pouco de esperança, aliás, pode tirar o cavalinho da chuva: a banda avisa que Dopamine chamber veio da necessidade de fazer um disco que soasse “como um alerta catastrófico”. Daí o título. “O álbum em si é uma câmara de dopamina”, diz Chatten. “Você entra e nós testamos essas diferentes peças musicais que alteram a mente ou o humor em você”. Prazer, hedonismo, telas, inteligência artificial, crise ambiental e violência política, tudo junto no mesmo fluxo de informação.

Um detalhe interessante é que Rosalía participa do disco, na faixa Where is gone?, que será a primeira faixa de um álbum do Fontaines com alguém de fora cantando. E a parceria não caiu do céu. O’Connell contou à Mondo Sonoro que é fã da espanhola desde Los Ángeles, seu disco de 2017, e que ele já havia falado com ela sobre fazer algo juntos quando Fontaines e Rosalía tocaram no mesmo palco no festival de Glastonbury, em 2019 – ou seja, bem antes da “Rosalía mania”. A revista compara a faixa aos duetos de Lee Hazlewood e Nancy Sinatra (eita).

Dá pra dizer que Rosalía – homenageada pelo U2 na faixa The mirror maker (Rosalía), de seu próximo álbum Carnaval de luz, previsto para 13 de novembro – foi desmontando tudo até chegar a uma música que pode ser pop, flamenco, clássico, eletrônico, ruído ou tudo ao mesmo tempo. E vai daí que o Fontaines está fazendo algo parecido com o que ela fez, mas com sua própria identidade. Ou seja: faz total sentido que banda e cantora se encontrem numa gravação.

Conor Deegan resume a trajetória de outro jeito: “Nossos álbuns sempre questionaram uma sensação de pertencimento a um lugar. Primeiro Dublin; depois estar longe de Dublin – e então tentar encontrar o romance em outro lugar. Neste disco, a pergunta passou a ser: para onde você foge?”. Vai ver, Dopamine chamber é justamente o disco em que eles descobrem que não existe mais lugar nenhum para onde fugir. Mas agora, só aguardando!

(abaixo, os dois singles já lançados, a capa do disco, e a lista de faixas!)

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Capa do álbum Dopamine Chamber, da banda Fontaines D.C.

 

LISTA DE FAIXAS:
01. Six shot morning
02. Marianne
03. Mimesis
04. Happy for you
05. Demolition
06. Tongue
07. One man
08. Where is gone? (feat Rosalía)
09. You miss me
10. Japan

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Tony Iommi: o que já dá pra esperar do álbum “From the dark”

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Tony Iommi - Foto: Ross Halfin / Divulgação

RESUMO: Aos 78 anos, Tony Iommi tem na agulha From the dark, disco que passeia pelo doom e pelo metal mais veloz, recupera ecos da fase Dio do Black Sabbath e traz Jørn Lande nos vocais.

Texto: Ricardo Schott – Foto: Ross Halfin / Divulgação

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Não perguntem a Tony Iommi o que vem depois do heavy metal – ele não parece nada interessado nesse tipo de assunto. Aos 78 anos, o guitarrista que ajudou a inventar o negócio está fazendo justamente aquilo que se espera dele. E que é (ora ora…) heavy metal. Inclusive já dá pra perceber, pelas duas músicas já lançadas de From the dark, seu terceiro disco solo – prometido pela BMG para 23 de outubro – que ele não vai suavizar em nada o pacote.

World alone é a mais rápida das duas já lançadas. Iommi toca como se estivesse parado naquela esquina entre os anos 1970 e 1980, época em que o hard rock endurecia de vez e bandas como Judas Priest aceleravam o metal. Jørn Lande, recrutado para cantar no disco, ajuda bastante nisso aí: é possível ouvir alguma coisa de Rob Halford naquele vozeirão, só que com um pouco mais de ferrugem e menos cerimônia.

O próprio Iommi contou à Rolling Stone que costuma cair naturalmente no lado doom da coisa e que precisa lembrar a si mesmo de escrever músicas mais rápidas. “Eu sempre começo pelas coisas doom. Sempre fui assim. Fico absorvido pelos riffs doom”, disse. World alone nasceu justamente da tentativa de sair desse primeiro impulso. A revista ouviu ecos do hit Mob rules (1981) na música — e faz sentido. A aproximação com a fase Ronnie James Dio do Black Sabbath é bem maior do que com a era Ozzy.

Stormwatcher, segundo aperitivo, muda um pouco a paisagem. É mais épica, mais pesada e deixa espaço para aquela grandiosidade que o Sabbath desenvolveu tanto com Dio quanto em momentos mais lustrosos de discos como Sabotage (1975). O riff é imediatamente reconhecível como coisa de Iommi, e os solos continuam o fino.

Lande também está longe de ser apenas o sujeito contratado para cantar. Ele divide a composição das oito faixas com Iommi e contou que sua preocupação foi encontrar melodias vocais que servissem aos riffs e arranjos do guitarrista, sem tentar encaixar o trabalho antecipadamente em algum estilo. Não deixa de ser curioso que Iommi tenha escolhido justamente uma voz com parentesco evidente com Dio: ele já conhecia Lande desde o tributo ao cantor realizado em 2010 e diz que gostou de sua voz desde aquela ocasião.

E olha que From the dark quase nem teve cantor. Iommi revelou à Loudwire que começou o projeto pensando num álbum instrumental e chegou a gravar duas músicas dessa maneira. Depois mudou de ideia e chamou Lande. O núcleo ficou completo com a baixista Becky Baldwin, atualmente no Mercyful Fate, e Karl Brazil na bateria. Mike Exeter, colaborador antigo de Iommi, divide a produção.

O álbum também não nasceu depois da morte de Ozzy Osbourne. Iommi já vinha acumulando ideias havia anos e explicou que trabalhava nelas sem prazo, normalmente entrando no estúdio de casa com Exeter às segundas e terças. “Não havia pressão”, resumiu. Ainda assim, From the dark inevitavelmente ganha outro peso: é seu primeiro grande trabalho a chegar depois da morte do velho parceiro. Iommi diz que ainda custa acreditar que Ozzy se foi. “Parece que ele ainda está aqui”, contou à Rolling Stone.

Até a capa estabelece uma ligação involuntária com essa história. A cruz, símbolo inseparável da imagem de Iommi, remete aos crucifixos que Jack Osbourne, pai de Ozzy, fez para os integrantes do Sabbath nos primeiros tempos da banda. Segundo o próprio site oficial de Ozzy, eram cruzes de alumínio, posteriormente benzidas e usadas pelo grupo como proteção.

O restante do disco promete aprofundar esse lado pesado. Dizem as resenhas já publicadas que Beyond The dead reduz o andamento e acrescenta orquestrações, enquanto Return of the arbalist volta a acelerar. E Legacy, com sete minutos, encerra o álbum em escala épica, formando o que já estão chamando de alternância entre velocidade, peso e atmosfera. Tem ainda Brian May, amicíssimo de Iommi: o guitarrista do Queen aparece em Death wake, faixa que Iommi descreveu como puro doom. May foi convidado a tocar em outras músicas, mas recusou. “É o seu álbum”, respondeu ao amigo.

A melhor pista sobre From the dark está com certeza numa frase bem simples de Iommi: “Não estamos tentando provar nada”. Depois de World alone e Stormwatcher, dá para acrescentar: aparentemente ele também não está tentando agradar ninguém fora do heavy metal. E, se me permitem o clichê, tá tudo bem.

Abaixo, confira as duas já lançadas, a capa e a lista de faixas de From the dark.

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Capa do disco From The Dark, de Tony Iommi

LISTA DE FAIXAS:
01. Over the violent sun
02. Black times
03. World alone
04. Beyond the dead
05. Stormwatcher
06. Death wake
07. Return of the arbalist
08. Legacy

(a edição deluxe em CD tem ainda as faixas Scent of dark e Deified)

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