Connect with us

Cultura Pop

O que teve em 2001 na música além dos Strokes: descubra agora!

Published

on

O que teve em 2001 na música além dos Strokes: descubra agora!

2001 foi (acima de qualquer coisa) o ano de Is this it, dos Strokes, disco que completou 20 aninhos no dia 30 de julho. e que já ganhou análises excelentes em vários sites – recomendamos os textos de Daniel Setti no Popload, site do jornalista Lucio Ribeiro. Uma coisa que virou quase consenso entre vários fãs e não-fãs dos Strokes, no entanto, é falar que Is this it é o único disco realmente bom dos Strokes. E que a banda não produziu mais nada de tão relevante. Não concordamos, tanto que Room on fire, segundo disco da banda (2003) deve figurar num “várias coisas que você já sabia sobre” em breve aqui no POP FANTASMA.

O ano de 2001 foi também o ano de inúmeras outras coisas na música – algumas delas a gente nem se dá conta de que já rolaram há vinte anos, ou nem sequer pensamos que acontecerem justamente neste ano. Como a gente já viu muita coisa legal sendo falada por aí sobre a estreia dos Strokes, decidimos lembrar outras coisas legais que rolaram naquele ano. Pega aí.

FESTA DO NAPSTER NO ROCK IN RIO 3. O serviço de compartilhamento de arquivos já existia desde 1998, tinha virado assunto de mesa de bar em 2000 quando o Metallica descobriu que uma demo sua estava rolando por lá (e processou o serviço), mas virou festa (do caqui) na terceira edição do festival. Uma reportagem da Folha de S. Paulo assinada por Lucio Ribeiro mostrava que o Napster – que dentro em pouco estaria legalizado e ostentando um belo link da loja CDNow – já estava recebendo os shows internacionais do Rock In Rio rapidíssimo, logo depois deles terem sido apresentados.

ROCK IN RIO 3. Parece que foi há 200 anos (e analisando bem, foi mesmo), mas a terceira edição do festival, realizada entre 12 e 21 de janeiro de 2001, mesmo não tendo o apelo da primeira, é guardada no coração de muita gente com carinho extremado. Afinal, quem esteve lá viu Cássia Eller em seu último ano de vida, Foo Fighters na ponta dos cascos, Beck, R.E.M. tocando músicas que estariam no disco Reveal (lançado em maio), Neil Young…  E o regresso do Guns N Roses, claro.

SOM DA MAÇÃ. Em janeiro de 2001, após anos de desenvolvimento, a Apple apresentou o iTunes e a vida da firma mudaria bastante: da fábrica de computadores à empresa “multimídia”,  que ajudou a criar a ideia do consumidor hipster de música pop, rock indie e até MPB. O reprodutor de música tinha sua história ligada à do SoundJamMP, software com a mesma função, criado por ex-funcionários da Apple, que havia sido comprado pela empresa. E em outubro do mesmo ano, nova reviravolta com o lançamento do eficiente e intuitivo iPod, que virou referência e ganhou quase o mesmo peso, nos anos 2000, que um bom “aparelho de som” tinha para o fã esnobe de música nos anos 1970 e 1980.

>>> POP FANTASMA PRA OUVIR: Mixtape Pop Fantasma e Pop Fantasma Documento

ADEUS, METALLICA. Jason Newsted, baixista do Metallica desde 1986, anunciou seu desligamento da banda em 17 de janeiro de 2001. O músico nunca tinha feito parte de verdade do grupo: compôs pouco, teve seu instrumento apagado da mixagem final de … And justice for all (1989, seu álbum de estreia na banda) e era tão bullynizado e maltratado por seus colegas que, sendo bastante franco, sua saída demorou para acontecer. A razão apresentada por ele foi que Jason queria férias da banda (que usaria para trabalhar em projetos pessoais) e os outros três não quiseram. Logo após sua saída, James Hetfield iria para a clínica de reabilitação e o Metallica ameaçou ir para o saco.

ROCK DO FIDEL. A Folha informava em 19 de fevereiro que o presidente cubano Fidel Castro tinha ido a seu primeiro show de rock: aliás a banda Manic Street Preachers se tornava a primeira banda de rock ocidental a tocar lá. O comandante foi ao show, visitou o camarim e convidou os integrantes para almoçar. Na noite, a banda tocou Baby Elian, música em homenagem a Elián Gonzáles, garoto cubano (oito anos na época) que tinha virado objeto de disputa entre Cuba e EUA.

KISS SEM IMAGINAÇÃO. Uma volta na banda mascarada: o solícito Eric Singer pegou o lugar que era de Peter Criss, dez anos depois de ter entrado no Kiss para ocupar o lugar do recém falecido Eric Carr. Em 1991, quando esteve na batera do grupo, o Kiss estava na fase sem-máscara, e Singer não precisou cobrir o rosto. Dessa vez foi diferente: o novo-velho batera acabou até herdando a maquiagem de “homem gato” de Criss, desonrando a tradição da banda de criar maquiagens diferentes para novos integrantes.

RAIMUNDOS SEM RODOLFO. Sim, também rolou nesse ano – foi em junho de 2001, quando a banda estava comemorando o do DVD Ao vivo MTV. O ex-vocalista deu a notícia de que deixaria o grupo justamente na festa de lançamento, na sede da gravadora Warner. “Enquanto Rodolfo passava férias em Camboriú (SC), especulações apontavam sua conversão para uma igreja evangélica como o fator responsável pela saída do vocalista”, afirmava a IstoÉ Gente. Para muita gente, representou o fim de uma era no rock nacional – e o começo de um período que se arrasta até hoje, com bandas menos voltadas para letras engraçadinhas e artistas com menor sede de sucesso.

MORTES DE MARCELO FROMER E CÁSSIA ELLER. A partida do guitarrista dos Titãs (vítima de um atropelamento em 11 de junho) arrasou o grupo e fez com que perdessem seu principal interlocutor junto a empresários e notáveis do mundo musical – e foi embora também um guitarrista e compositor bastante criativo e atuante. Cássia, morta de infarto dois dias antes da apresentação que faria no réveillon de Copacabana, deixou várias perguntas na cabeça dos fãs, já que seu último trabalho havia sido um vitorioso Acústico MTV e um novo disco de inéditas estava sendo ansiosamente esperado. Sua partida entristeceu fãs antigos e admiradores recém-conquistados.

MICHAEL JACKSON VOLTOU. Comemorando 30 anos de carreira, o cantor relançou seus discos da Sony, ganhou concertos-tributo no Madison Square Garden e pôs finalmente nas lojas o disco que vinha gravando desde 1997, Invincible. O disco custou caro demais para todos os padrões da indústria até então (30 milhões de dólares) e não rendeu turnê. No fim, a Sony abortou a promoção do disco e Michael brigou feio com Tommy Mottola, presidente da gravadora, chamando-o de racista.

GENTE SUJA. Se você achava que Led Zeppelin, Black Sabbath e The Who eram farristas contumazes e gente com estilo vida loka brutal, bem vindo à realidade: The dirt, autobiografia coletiva do Mötley Crüe, saiu em 22 de maio de 2001 e carrega em histórias de tietes, goró, drogas, casamentos desfeitos (a história do enlace de Tommy Lee e Pamela Anderson está lá) e nojeiras. Arrebanhou mais fãs para o grupo e virou filme (tá na Netflix) anos depois.

ESTREIA DO GORILLAZ. A banda de pop-rock mais moderna dos anos 2000 não era um grupo “de verdade” – era uma banda virtual, que vinha sendo gestada pelo ex-Blur Damon Albarn e pelo designer e quadrinista Jamie Hewlett desde 1998. Clint Eastwood, o primeiro hit, saiu em 5 de março de 2001, e virou hit, e clássico. O primeiro e epônimo disco, lançado em 26 de março, era punk por dentro, e eclético e variado por fora.

LOS HERMANOS VOLUME 2. Curiosamente pouca gente lembrou disso em 2021: Bloco do eu sozinho, segundo disco do Los Hermanos, saiu em 23 de julho de 2001. O disco foi devagarzinho puxando um bloco (sem trocadilho) no rock brasileiro, com bandas referenciando-se numa mescla de indie rock e MPB setentista. E também criou parâmetros até hoje vigentes não apenas de “rock nacional”, mas também de atitude diante do mercado fonográfico. Na época, causou uma briga enorme na (defunta) gravadora Abril Music, com a empresa querendo obrigar a banda a regravar o álbum e impondo uma nova mixagem – feita pelo produtor Marcelo Sussekind “sem alterar a concepção da produção”, dizia a Folha. A Playboy, analisando o disco anos depois, entregava que só faltara “um atracamento físico” entre banda e gravadora.

EXPULSOS E PRESOS. Whitney Houston e Bobby Brown tocaram o rebu no Bel Air Hotel de Hollywood em 31 de março de 2001 – a ponto de serem banidos para sempre do estabelecimento, e presos. O casal destruiu o quarto em que estava hospedado e quebrou eletrodomésticos. Era uma época bastante difícil para a cantora, com direito a abuso de drogas, problemas profissionais (ela havia sido convidada e depois desconvidada do show da cerimônia do Oscar, em 2000) e violência doméstica. Ainda assim o ano reservaria surpresas para ela – uma delas era o contrato com a Arista Records, assinado em 3 de agosto e considerado naquele momento o maior da história da música (US$ 100 milhões para seis álbuns).

ESCRAVA. O PETA (movimento em defesa do tratamento ético dos animais) enlouqueceu quando Britney Spears subiu no palco do Metropolitan Opera House em 6 de setembro de 2001, durante a premiação do Video Music Awards da MTV, para apresentar seu hit I’m a slave 4U. A cantora enrolou-se numa cobra píton e dividiu o palco com tigres enjaulados. Deu merda na época e dá até hoje, mas os fãs ficaram malucos e nunca esqueceram a apresentação – e a canção virou single de sucesso.

HERBERT VIANNA. O acidente de ultraleve que deixou o líder dos Paralamas do Sucesso sem os movimentos das pernas (e matou sua mulher Lucy) aconteceu em 4 de fevereiro de 2001. O vocalista passou 45 dias internado – vinte deles em coma. Reaprendeu a fazer tudo, inclusive cantar e tocar guitarra. E voltou não apenas aos palcos, como à extensa vida de turnê da banda, com shows em lugares variados do Brasil. Longo caminho, disco da volta do grupo (2002) trazia uma canção (Flores no deserto) dedicada a Marcelo Yuka, que levara três tiros em novembro de 2001, pouco antes do acidente de Herbert.

BEE GEES  NA RETA FINAL. Em 2001 saía também o último disco de estúdio dos Bee Gees, This is where I came, tido por muitos fãs e críticos como um retorno à sonoridade original do trio de irmãos, mas que inovava trazendo uma espécie de r&b folk na faixa-título. Em 2003 Maurice Gibb morreria e sobrariam apenas Robin (morto em 2012) e Barry.

GEORGE MORREU. No mundo pop-rock, talvez as mortes mais lamentadas tenham sido a do beatle George Harrison, de câncer, em 29 de novembro – por sinal, dez anos e cinco dias depois da morte de Freddie Mercury, do Queen – e a de Joey Ramone, dia 15 de abril, de linfoma. A lista de finados de 2001 inclui bem mais gente, como os já citados Fromer e Cássia Eller. E foram-se também o bluesman John Lee Hooker, o cantor ítalo-americano Perry Como, o músico alemão Michael Karoli (da banda Can). Morreu também Glenn Hughes – não o cantor e baixista, ex-integrante de bandas como Deep Purple e Black Sabbath, mas sim um xará ilustre dele, o “motociclista” do Village People.

QUASE CANCELADO. Quem também partiu em 2001 (em 18 de março, de insuficiência cardíaca) foi uma figurinha de proa do rock dos anos 1960: John Phillips, criador do The Mamas & The Papas, que vinha de um histórico de abusos cavalares e comportamentos mais abusivos ainda. Alguns anos após sua morte, sua filha Mackenzie Phillips acusou o pai de ter injetado drogas nela, e disse que manteve um relacionamento incestuoso com ele por vários anos – culminando numa gravidez em que ela simplesmente não sabia quem era o pai da criança e havia suspeitas de que fosse o próprio John (que pagou pelo aborto da filha).

ACABOU OU NÃO? As Spice Girls estavam inativas desde 2000, mas até 2001 ainda não se sabia direito se elas haviam encerrado atividade ou não – e elas costumavam negar que estava tudo acabado. Seja como for, Melanie Chrisholm, a Mel C, mandou avisar em 8 de março de 2001 que “não pretendia fazer mais nada” com o grupo.

E TEVE O 11 DE SETEMBRO. Pode esperar que daqui a poucas semanas essa pauta vai render capas de cadernos culturais: a destruição das torres gêmeas teve várias implicações na música. Vários shows foram cancelados, o broadcasting do Grammy Latino foi suspenso, o primeiro show pela internet de Sting (transmitido da Itália) foi resumido a uma só canção (sintomaticamente Fragile) e quem deu o azar de estar lançando disco naquela data correu riscos de passar em branco (Bob Dylan soltou Love and theft). O System Of A Down lançou Toxicity, o segundo e bem sucedido disco, e foi pro index de músicas inapropriadas das rádios com o hit Chop suey! Os Strokes tiveram New York city cops tirada da edição americana de Is this it. O melancólico e corrosivo The disintegration loops, do compositor experimental William Basisnki, foi “cria” do ataque às torres – que ele observou da janela de casa.

>>> Saiba como apoiar o POP FANTASMA aqui. O site é independente e financiado pelos leitores, e dá acesso gratuito a todos os textos e podcasts. Você define a quantia, mas sugerimos R$ 10 por mês.

Cultura Pop

Brian Wilson no baú: descubra agora!

Published

on

Brian Wilson tomando o maior caldo na praia em 1976

Tem um disco “perdido” do gênio Brian Wilson, maior artífice dos Beach Boys, vindo aí. O cantor, que recentemente perdeu a esposa Melinda e foi diagnosticado com demência, anunciou que estava trabalhando em Cows in the pasture, álbum country que ele havia começado a fazer em 1970, e que foi deixado de lado.

Cows não seria um disco comum, nem seria um álbum solo de Brian: seria na verdade a estreia como cantor do empresário dos Beach Boys, Fred Vail, justamente um ex-DJ de música country. O beach boy tinha encasquetado que Vail seria um bom cantor. Fez a proposta a ele, e começou a produzir o disco do amigo, tendo um punhado de feras do estilo no acompanhamento. As trilhas musicais das 14 faixas foram gravadas, sem os vocais.

Na época, Brian acumulava problemas pessoais (abuso de drogas, questões psicológicas e de saúde, problemas conjugais), e os Beach Boys estavam afundados em vendagens ruins. Ao que consta, foi por causa disso que Wilson perdeu o interesse e decidiu abortar o projeto, antes mesmo que o empresário pudesse soltar a voz. Mas, recentemente, um acontecimento ajudou a tirar Cows do arquivo: o produtor Sam Parker ficou amigo de Vail (hoje com 79 anos) e começou a pesquisar para uma série documental sobre a vida do empresário.

“Cada história que ele conta é de cair o queixo. Fred era a mosca na sala em tudo”, contou Parker à Rolling Stone. Uma das histórias foi justamente a produção do disco, que deverá sair em 2025, tendo Brian como produtor executivo. O retrabalho feito nas fitas originais, trazendo um time de lendas do country nos vocais ao lado de Vail, deverá ocupar a parte final do doc.

Cows é apenas uma pequena parte do baú de Wilson, claro – desse arquivo já saiu, após vários anos, Smile, disco abortado dos Beach Boys (1966, lançado regravado em 2004 como Brian Wilson presents Smile). Com o tempo, por uma série de fatores que vão do desgaste pessoal de Wilson, a desgastes de gravadoras com ele e com a banda, outros discos que consumiram meses de trabalho para Brian, para alguns colegas e para seus irmãos, foram sendo acrescentados ao arquivo dele e dos Beach Boys. Conheça alguns deles (e Smile não está na relação porque esse é obrigatório!).

“LEI’D IN HAWAII” (1967). Era para ser o primeiro álbum ao vivo dos Beach Boys, trazendo a gravação de dois shows no Honolulu International Center Arena. Duas apresentações que tiveram uma novidade: a volta breve de  Brian Wilson, que havia deixado de excursionar com o grupo. Circulava também a ideia de fazer um filme com os shows. Mas nada disso foi feito: o excesso de LSD e o despreparo da banda nas duas apresentações acabaram deixando todo mundo insatisfeito. E o disco, que era para ter saído logo após Smiley smile (1967), foi engavetado.

O grupo chegou a pensar numa saída bem 171 para colocar Lei’d in Hawaii nas lojas: trancou-se num estúdio em Hollywood para gravar todo o álbum, com a ideia de acrescentar palmas falsas depois. Mas acabaram desistindo de tudo para gravar e lançar Wild honey (1967). O material foi largamente pirateado e saiu também em álbuns como 1967 – Sunshine tomorrow, 1967 – Sunshine tomorrow 2: The studio sessions e 1967 – Live sunshine.

“ADULT/CHILD” (1977). Preparado para ser lançado em setembro de 1977, Adult/child era quase um disco solo de Wilson, que andava influenciadíssimo (ao extremo) pelas teorias de seu então psicólogo Eugene Landy. O doutor dizia a ele que “há duas partes de uma personalidade: um adulto que quer estar no comando e uma criança que quer ser cuidada, um adulto que conhece as regras e uma criança que está aprendendo e testando regras”.

A visão de mundo que o líder dos Beach Boys tinha na época, transparecia em músicas como Still I dream of it (“quando eu era mais novo, minha mãe me ensinou que Jesus ama o mundo/se isso é verdade, porque ele não me ajudou a encontrar uma garota para mim?”, cantava o trintão Brian), na desastrada Hey little tomboy (na qual Wilson tenta azarar uma garota que anda de skate e joga beisebol, com versos pra lá de machistas) e na anti-maconha Live is for the living. Adult/child foi considerado um baita vacilo pelo seu eterno algoz Mike Love (que, assim como todos os BB, foi relegado aos vocais) e pela Reprise, gravadora da banda na época.

“MERRY CHRISTMAS FROM THE BEACH BOYS” (1978). A Reprise já estava mesmo descontente com os Beach Boys – tanto que vetou um disco de Natal do grupo, feito basicamente para cumprir contrato. Ao que consta, a gravadora não curtiu as colaborações de Brian em seu próprio álbum (!) e mandou tudo pro arquivo. O material foi saindo aos poucos depois em coletâneas e discos piratas.

BRIAN WILSON E ANDY PALEY (anos 1990). Havia o risco do álbum divido por Wilson com o compositor e produtor norte-americano Andy Paley virar uma espécie de Smile 2, já que os dois amigos trabalharam juntos entre 1992 e 1997, assim que o ex-psicólogo de Brian, Eugene Landy, saiu da vida do cantor (além de “cuidar da mente” de Wilson, ele era seu empresário e detinha várias parcelas de copyright).

O material novo, variando entre rock e baladas, era mais “adulto” do que muita coisa que Wilson havia feito durante os anos 1970 e começo dos 1980, e prometia. Mas acabou igualmente engavetado – Brian já estava com  cabeça em outros projetos e, afirma-se, foi bastante influenciado por sua esposa e por amigos a abandonar o trabalho com Paley, a quem considerava um “grande gênio musical”. Depois, foi tudo saindo em CDs piratas.

“SWEET INSANITY” (1991). Assim que saiu Brian Wilson, estreia solo do beach boy (1988), a gravadora Sire aguardou ansiosamente uma continuação. Sweet insanity começou a ser gravado em 1990 (com aproveitamento de faixas gravadas entre 1986 e 1989). Na época, Wilson não era mais paciente de Eugene Landy, mas este ainda empresariava e produzia o primeiro – tanto que Landy produziu o disco com Brian. Mas o segundo disco de Brian Wilson pela Sire acabou nunca saindo.

O cantor reclamou que as fitas de Sweet insanity desapareceram – mas existem discos piratas com as canções. O que aconteceu de verdade foi que a Sire odiou o disco e, em especial, detestou as letras feitas por Landy – pois é, ele (ainda por cima) era parceiro do cantor. Smart girls, uma tentativa de Wilson de fazer rap, era uma dessas canções feitas com Eugene, e virou folclore por vários anos. Horrorizada, a Sire preferiu rescindir contrato com Brian.

Continue Reading

Crítica

Ouvimos: Sonic Youth, “Walls have ears”

Published

on

Ouvimos: Sonic Youth, "Walls have ears"
  • Walls have ears é a “oficialização” de um disco pirata do Sonic Youth, lançado originalmente em 1986, e que traz uma coletânea de shows do grupo na Inglaterra.
  • No disco, as faixas de 1 a 7 foram gravadas em 30 de outubro de 1985, em Londres. A faixa 8 foi gravada ao vivo em 8 de novembro de 1985, em Brighton. Da 9 a 17, tudo foi gravado em Londres em 28 de abril de 1985.
  • Na época, o Sonic Youth tinha Lee Ranaldo (guitarra, voz), Thurston Moore (guitarra, voz), Kim Gordon (baixo, voz) e Bob Bert (bateria).
  • Separado desde 2011, quando Kim descobriu um caso extra-conjugal de Thurston (tal fato acabou com a banda e, claro, com o casamento dos dois), o SY vem fazendo alguns lançamentos “póstumos”. A banda já lançou um disco com um show em Moscou em 1989 e uma apresentação em Chicago em 1995, por exemplo.

O Sonic Youth lá por 1985, quando ainda era um prodígio do rock independente norte-americano, e especializava-se mais em táticas de choque musical, era uma banda bem diferente. O SY nunca deixou de ser uma banda que usa o barulho pra se comunicar, mas era um grupo mais ruidoso, mais provocador, com uma política mais demolidora – expressada no terceiro disco, Bad moon rising, um ataque às obsessões dos Estados Unidos e à história do colonialismo, e até hoje um dos álbuns mais instigantes do grupo.

Justamente por isso, vá com calma a Walls have ears, álbum pirata com gravações de 1985 feitas na Inglaterra, lançado oficialmente apenas agora. É basicamente uma onda meio no wave meio pré-punk, tirada diretamente do palco para vinil, CD ou plataforma digital – e com estridência suficiente para assustar quem ouve de fone, e para atordoar quem ouve tudo no volume máximo.

O noise rock que o grupo fazia nessa época, pode acreditar, veio de uma decisão comercial – o grupo fazia um som bem mais anticomercial ainda, e decidiu chegar perto do experimentalismo “novaiorquino”, com ligeiras tendências a soar próximo também das bandas de Detroit (o terror espacial de Starship, música de 1969 do MC5, parecia ter dado o tom de boa parte das músicas do SY nessa época).

Já que uma música do clássico Kick out the jams, do MC5, foi citada, vale dizer que Walls have ears, assim como o disco da banda pré-punk, começa com um falatório – na verdade, um discurso de dois minutos do punk norte-americano Claude Bessy, reclamando que o selo britânico Rough Trade se recusara a lançar um disco do SY na Inglaterra por causa de sua capa, considerada obscena. Na sequência, o repertório da fase inicial da banda surge entre aplausos e vinhetas, incluindo Kill yr idols, I love her all the times, Death Valley 69, a barulheira de Brother James, em versão bem mais furiosa do que a registrada em disco.

O Sonic Youth estava começando sua carreira como uma espécie de cópia em negativo de Bruce Springsteen, um artista que por mais que seja crítico em relação à sua terra, transpira orgulho. O SY, por outro lado, se dedicava a mexer em fantasmas norte-americanos dos mais esquisitos, e a incomodar quem ainda tinha um pouco de esperança no futuro do país. Virou um baluarte do rock alternativo (título dado a eles pela MTV) e um farol para muitas bandas novas – foi por vários anos um grupo alternativo que havia sobrevivido numa gravadora de porte, a Geffen. É a história contada, em seu começo, aqui.

Nota: 8
Gravadora: Goofin’ Records

Foto: Reprodução da capa do álbum.

Continue Reading

Cultura Pop

Relembrando: Primal Scream, “Sonic flower groove” (1987)

Published

on

Relembrando: Primal Scream, "Sonic flower groove" (1987)

Durante vários anos, Bobby Gillespie, líder do Primal Scream, duvidou da capacidade de seu próprio primeiro álbum, Sonic flower groove (5 de outubro de 1987). A banda escocesa, que batalhou por vários anos em inúmeras áreas da neo psicodelia – e começou a se encontrar no dançante terceiro álbum, Screamadelica, de 1991 – não era aquele tipo de grupo que, na estreia, já tinha certeza do que estava fazendo. Vale citar que a insegurança era tanta que a banda encerrou atividades logo após o primeiro disco, para reorganizar todo o projeto.

Em Sonic flower groove, o Primal Scream era uma cuidadosa e inovadora banda de jangle pop – aquela revisão college do som de bandas como The Byrds, que virou um pequeno foco de mania durante os anos 1980. No caso do Primal, isso acontecia com direito a guitarra Rickenbacker de 12 cordas, vocais bastante melódicos, e design sonoro psicodélico, mas bastante moderno. Tão moderno que chegou a irritar a banda.

  • Apoie a gente e mantenha nosso trabalho (site, podcast e futuros projetos) funcionando diariamente.

Gillespie, analisando o disco anos depois (quando estava fazendo sua biografia Garoto do cortiço), confessou que não gostava “daquele som de bateria dos anos 1980” do disco. Também adoraria acrescentar harmonias nas músicas, já que acha que a inexperiência do grupo atrapalhou tudo. Nem tanto: músicas como as sessentistas Gentle tuesday (primeiro e único single do álbum) e as beatlemaníacas May the sun shine bright for you e Leaves,  Treasure trip (essa, numa onda meio The Who, meio Kinks), além da contemplativa Love you, são bastante harmônicas. E soam no máximo como uma versão um pouco mais ingênua do grupo que lançou Screamadelica (o que vá lá, deve tirar o sono de Bobby até hoje).

Uma boa parte do álbum – e pode ser que isso tenha deixado Bobby frustrado naquela época – cai dentro da marola power pop que já surgia em discos de bandas como Replacements e o próprio R.E.M. Tinha isso na bela Sonic sister love, em Silent spring, em Aftermath, e até na balada sixties We go down slowly rising. Já a bela Imperial é uma das músicas do álbum mais identificadas com a junção de pós-punk e neo-psicodelia.

Sonic flower groove foi um dos dois únicos álbuns lançados pela Elevation, uma joint-venture entre a indie Creation e a grandalhona WEA, que não deu certo porque a multinacional esperava que o selo descobrisse futuros hits. Após o álbum, Gillespie (voz e guitarra) encerrou a formação que incluía Jim Navajo (guitarra de 12 cordas), Robert Young (baixo) e Andrew Innes (guitarra base, até hoje presente na banda ao lado de Bobby), além de alguns bateristas convidados. Voltou em 1989 com outra formação, com uma cara mais garageira, e gravou Primal Scream, pela Creation, que virou a casa da banda. Também não fez sucesso, mas Screamadelica viria em 1991, o jogo virou e o resto é história.

Continue Reading
Advertisement

Trending