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Cultura Pop

O que teve em 2001 na música além dos Strokes: descubra agora!

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O que teve em 2001 na música além dos Strokes: descubra agora!

2001 foi (acima de qualquer coisa) o ano de Is this it, dos Strokes, disco que completou 20 aninhos no dia 30 de julho. e que já ganhou análises excelentes em vários sites – recomendamos os textos de Daniel Setti no Popload, site do jornalista Lucio Ribeiro. Uma coisa que virou quase consenso entre vários fãs e não-fãs dos Strokes, no entanto, é falar que Is this it é o único disco realmente bom dos Strokes. E que a banda não produziu mais nada de tão relevante. Não concordamos, tanto que Room on fire, segundo disco da banda (2003) deve figurar num “várias coisas que você já sabia sobre” em breve aqui no POP FANTASMA.

O ano de 2001 foi também o ano de inúmeras outras coisas na música – algumas delas a gente nem se dá conta de que já rolaram há vinte anos, ou nem sequer pensamos que acontecerem justamente neste ano. Como a gente já viu muita coisa legal sendo falada por aí sobre a estreia dos Strokes, decidimos lembrar outras coisas legais que rolaram naquele ano. Pega aí.

FESTA DO NAPSTER NO ROCK IN RIO 3. O serviço de compartilhamento de arquivos já existia desde 1998, tinha virado assunto de mesa de bar em 2000 quando o Metallica descobriu que uma demo sua estava rolando por lá (e processou o serviço), mas virou festa (do caqui) na terceira edição do festival. Uma reportagem da Folha de S. Paulo assinada por Lucio Ribeiro mostrava que o Napster – que dentro em pouco estaria legalizado e ostentando um belo link da loja CDNow – já estava recebendo os shows internacionais do Rock In Rio rapidíssimo, logo depois deles terem sido apresentados.

ROCK IN RIO 3. Parece que foi há 200 anos (e analisando bem, foi mesmo), mas a terceira edição do festival, realizada entre 12 e 21 de janeiro de 2001, mesmo não tendo o apelo da primeira, é guardada no coração de muita gente com carinho extremado. Afinal, quem esteve lá viu Cássia Eller em seu último ano de vida, Foo Fighters na ponta dos cascos, Beck, R.E.M. tocando músicas que estariam no disco Reveal (lançado em maio), Neil Young…  E o regresso do Guns N Roses, claro.

SOM DA MAÇÃ. Em janeiro de 2001, após anos de desenvolvimento, a Apple apresentou o iTunes e a vida da firma mudaria bastante: da fábrica de computadores à empresa “multimídia”,  que ajudou a criar a ideia do consumidor hipster de música pop, rock indie e até MPB. O reprodutor de música tinha sua história ligada à do SoundJamMP, software com a mesma função, criado por ex-funcionários da Apple, que havia sido comprado pela empresa. E em outubro do mesmo ano, nova reviravolta com o lançamento do eficiente e intuitivo iPod, que virou referência e ganhou quase o mesmo peso, nos anos 2000, que um bom “aparelho de som” tinha para o fã esnobe de música nos anos 1970 e 1980.

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ADEUS, METALLICA. Jason Newsted, baixista do Metallica desde 1986, anunciou seu desligamento da banda em 17 de janeiro de 2001. O músico nunca tinha feito parte de verdade do grupo: compôs pouco, teve seu instrumento apagado da mixagem final de … And justice for all (1989, seu álbum de estreia na banda) e era tão bullynizado e maltratado por seus colegas que, sendo bastante franco, sua saída demorou para acontecer. A razão apresentada por ele foi que Jason queria férias da banda (que usaria para trabalhar em projetos pessoais) e os outros três não quiseram. Logo após sua saída, James Hetfield iria para a clínica de reabilitação e o Metallica ameaçou ir para o saco.

ROCK DO FIDEL. A Folha informava em 19 de fevereiro que o presidente cubano Fidel Castro tinha ido a seu primeiro show de rock: aliás a banda Manic Street Preachers se tornava a primeira banda de rock ocidental a tocar lá. O comandante foi ao show, visitou o camarim e convidou os integrantes para almoçar. Na noite, a banda tocou Baby Elian, música em homenagem a Elián Gonzáles, garoto cubano (oito anos na época) que tinha virado objeto de disputa entre Cuba e EUA.

KISS SEM IMAGINAÇÃO. Uma volta na banda mascarada: o solícito Eric Singer pegou o lugar que era de Peter Criss, dez anos depois de ter entrado no Kiss para ocupar o lugar do recém falecido Eric Carr. Em 1991, quando esteve na batera do grupo, o Kiss estava na fase sem-máscara, e Singer não precisou cobrir o rosto. Dessa vez foi diferente: o novo-velho batera acabou até herdando a maquiagem de “homem gato” de Criss, desonrando a tradição da banda de criar maquiagens diferentes para novos integrantes.

RAIMUNDOS SEM RODOLFO. Sim, também rolou nesse ano – foi em junho de 2001, quando a banda estava comemorando o do DVD Ao vivo MTV. O ex-vocalista deu a notícia de que deixaria o grupo justamente na festa de lançamento, na sede da gravadora Warner. “Enquanto Rodolfo passava férias em Camboriú (SC), especulações apontavam sua conversão para uma igreja evangélica como o fator responsável pela saída do vocalista”, afirmava a IstoÉ Gente. Para muita gente, representou o fim de uma era no rock nacional – e o começo de um período que se arrasta até hoje, com bandas menos voltadas para letras engraçadinhas e artistas com menor sede de sucesso.

MORTES DE MARCELO FROMER E CÁSSIA ELLER. A partida do guitarrista dos Titãs (vítima de um atropelamento em 11 de junho) arrasou o grupo e fez com que perdessem seu principal interlocutor junto a empresários e notáveis do mundo musical – e foi embora também um guitarrista e compositor bastante criativo e atuante. Cássia, morta de infarto dois dias antes da apresentação que faria no réveillon de Copacabana, deixou várias perguntas na cabeça dos fãs, já que seu último trabalho havia sido um vitorioso Acústico MTV e um novo disco de inéditas estava sendo ansiosamente esperado. Sua partida entristeceu fãs antigos e admiradores recém-conquistados.

MICHAEL JACKSON VOLTOU. Comemorando 30 anos de carreira, o cantor relançou seus discos da Sony, ganhou concertos-tributo no Madison Square Garden e pôs finalmente nas lojas o disco que vinha gravando desde 1997, Invincible. O disco custou caro demais para todos os padrões da indústria até então (30 milhões de dólares) e não rendeu turnê. No fim, a Sony abortou a promoção do disco e Michael brigou feio com Tommy Mottola, presidente da gravadora, chamando-o de racista.

GENTE SUJA. Se você achava que Led Zeppelin, Black Sabbath e The Who eram farristas contumazes e gente com estilo vida loka brutal, bem vindo à realidade: The dirt, autobiografia coletiva do Mötley Crüe, saiu em 22 de maio de 2001 e carrega em histórias de tietes, goró, drogas, casamentos desfeitos (a história do enlace de Tommy Lee e Pamela Anderson está lá) e nojeiras. Arrebanhou mais fãs para o grupo e virou filme (tá na Netflix) anos depois.

ESTREIA DO GORILLAZ. A banda de pop-rock mais moderna dos anos 2000 não era um grupo “de verdade” – era uma banda virtual, que vinha sendo gestada pelo ex-Blur Damon Albarn e pelo designer e quadrinista Jamie Hewlett desde 1998. Clint Eastwood, o primeiro hit, saiu em 5 de março de 2001, e virou hit, e clássico. O primeiro e epônimo disco, lançado em 26 de março, era punk por dentro, e eclético e variado por fora.

LOS HERMANOS VOLUME 2. Curiosamente pouca gente lembrou disso em 2021: Bloco do eu sozinho, segundo disco do Los Hermanos, saiu em 23 de julho de 2001. O disco foi devagarzinho puxando um bloco (sem trocadilho) no rock brasileiro, com bandas referenciando-se numa mescla de indie rock e MPB setentista. E também criou parâmetros até hoje vigentes não apenas de “rock nacional”, mas também de atitude diante do mercado fonográfico. Na época, causou uma briga enorme na (defunta) gravadora Abril Music, com a empresa querendo obrigar a banda a regravar o álbum e impondo uma nova mixagem – feita pelo produtor Marcelo Sussekind “sem alterar a concepção da produção”, dizia a Folha. A Playboy, analisando o disco anos depois, entregava que só faltara “um atracamento físico” entre banda e gravadora.

EXPULSOS E PRESOS. Whitney Houston e Bobby Brown tocaram o rebu no Bel Air Hotel de Hollywood em 31 de março de 2001 – a ponto de serem banidos para sempre do estabelecimento, e presos. O casal destruiu o quarto em que estava hospedado e quebrou eletrodomésticos. Era uma época bastante difícil para a cantora, com direito a abuso de drogas, problemas profissionais (ela havia sido convidada e depois desconvidada do show da cerimônia do Oscar, em 2000) e violência doméstica. Ainda assim o ano reservaria surpresas para ela – uma delas era o contrato com a Arista Records, assinado em 3 de agosto e considerado naquele momento o maior da história da música (US$ 100 milhões para seis álbuns).

ESCRAVA. O PETA (movimento em defesa do tratamento ético dos animais) enlouqueceu quando Britney Spears subiu no palco do Metropolitan Opera House em 6 de setembro de 2001, durante a premiação do Video Music Awards da MTV, para apresentar seu hit I’m a slave 4U. A cantora enrolou-se numa cobra píton e dividiu o palco com tigres enjaulados. Deu merda na época e dá até hoje, mas os fãs ficaram malucos e nunca esqueceram a apresentação – e a canção virou single de sucesso.

HERBERT VIANNA. O acidente de ultraleve que deixou o líder dos Paralamas do Sucesso sem os movimentos das pernas (e matou sua mulher Lucy) aconteceu em 4 de fevereiro de 2001. O vocalista passou 45 dias internado – vinte deles em coma. Reaprendeu a fazer tudo, inclusive cantar e tocar guitarra. E voltou não apenas aos palcos, como à extensa vida de turnê da banda, com shows em lugares variados do Brasil. Longo caminho, disco da volta do grupo (2002) trazia uma canção (Flores no deserto) dedicada a Marcelo Yuka, que levara três tiros em novembro de 2001, pouco antes do acidente de Herbert.

BEE GEES  NA RETA FINAL. Em 2001 saía também o último disco de estúdio dos Bee Gees, This is where I came, tido por muitos fãs e críticos como um retorno à sonoridade original do trio de irmãos, mas que inovava trazendo uma espécie de r&b folk na faixa-título. Em 2003 Maurice Gibb morreria e sobrariam apenas Robin (morto em 2012) e Barry.

GEORGE MORREU. No mundo pop-rock, talvez as mortes mais lamentadas tenham sido a do beatle George Harrison, de câncer, em 29 de novembro – por sinal, dez anos e cinco dias depois da morte de Freddie Mercury, do Queen – e a de Joey Ramone, dia 15 de abril, de linfoma. A lista de finados de 2001 inclui bem mais gente, como os já citados Fromer e Cássia Eller. E foram-se também o bluesman John Lee Hooker, o cantor ítalo-americano Perry Como, o músico alemão Michael Karoli (da banda Can). Morreu também Glenn Hughes – não o cantor e baixista, ex-integrante de bandas como Deep Purple e Black Sabbath, mas sim um xará ilustre dele, o “motociclista” do Village People.

QUASE CANCELADO. Quem também partiu em 2001 (em 18 de março, de insuficiência cardíaca) foi uma figurinha de proa do rock dos anos 1960: John Phillips, criador do The Mamas & The Papas, que vinha de um histórico de abusos cavalares e comportamentos mais abusivos ainda. Alguns anos após sua morte, sua filha Mackenzie Phillips acusou o pai de ter injetado drogas nela, e disse que manteve um relacionamento incestuoso com ele por vários anos – culminando numa gravidez em que ela simplesmente não sabia quem era o pai da criança e havia suspeitas de que fosse o próprio John (que pagou pelo aborto da filha).

ACABOU OU NÃO? As Spice Girls estavam inativas desde 2000, mas até 2001 ainda não se sabia direito se elas haviam encerrado atividade ou não – e elas costumavam negar que estava tudo acabado. Seja como for, Melanie Chrisholm, a Mel C, mandou avisar em 8 de março de 2001 que “não pretendia fazer mais nada” com o grupo.

E TEVE O 11 DE SETEMBRO. Pode esperar que daqui a poucas semanas essa pauta vai render capas de cadernos culturais: a destruição das torres gêmeas teve várias implicações na música. Vários shows foram cancelados, o broadcasting do Grammy Latino foi suspenso, o primeiro show pela internet de Sting (transmitido da Itália) foi resumido a uma só canção (sintomaticamente Fragile) e quem deu o azar de estar lançando disco naquela data correu riscos de passar em branco (Bob Dylan soltou Love and theft). O System Of A Down lançou Toxicity, o segundo e bem sucedido disco, e foi pro index de músicas inapropriadas das rádios com o hit Chop suey! Os Strokes tiveram New York city cops tirada da edição americana de Is this it. O melancólico e corrosivo The disintegration loops, do compositor experimental William Basisnki, foi “cria” do ataque às torres – que ele observou da janela de casa.

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Bono trapalhão? U2 antes da fama, na TV irlandesa, usando fantasias de palhaço

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Bono trapalhão? U2 antes da fama, na TV irlandesa, usando fantasias de palhaço

RESUMO: Antes da fama, o U2 tocou Out of control na TV irlandesa vestido de palhaço. Tem gente achando que é obra da IA, mas não é não.

Texto: Ricardo Schott – Foto: Reprodução

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No comecinho de sua história, prestes a fazer as primeiras gravações, o U2 fez um vídeo de Out of control na TV irlandesa em clima de circo, com maquiagens faciais e roupas de palhaço. Tá aí o vídeo.

O vídeo é de 1979 e pertence aos arquivos da RTÉ, emissora pública irlandesa – e pelo que a emissora diz, apareceu no programa Our times. Já teve gente levantando a hipótese de ser obra de IA. Não é, pelo visto. “Embora a estética crua e a qualidade amadora das possam levar os espectadores a questionar a sua autenticidade, este vídeo específico foi documentado e discutido pela comunidade de fãs do U2 como uma peça genuína da história da banda”, diz um comentário publicado no canal do YouTube @DutchU2Fan.

Não foi a primeira vez que a banda esteve na atração: em 13 de novembro de 1978, tocaram a música The fool, numa apresentação que acabou sendo reprisada em 27 de novembro. Aliás, a primeira vez que Bono, The Edge, Larry Mullen e Adam Clayton foram à RTE rolou em 2 de março de 1978, quando ainda se chamavam The Hype – na ocasião, foram a programa Youngline e cantaram Street mission.

Além das maquiagens, Bono surge usando apetrechos teatrais e fazendo caras e bocas para a câmera – em alguns momentos, tudo parece uma cena de humorístico brasileiro dos anos 1970. E naquela altura, Out of control era praticamente o cartão de visitas do U2. Em agosto de 1979, o radialista Dave Fanning apresentou três músicas do grupo em seu programa na RTÉ — Out of control, Stories for boys e Boy/Girl — e deixou os ouvintes escolherem qual delas deveria ocupar o lado A do primeiro lançamento da banda. Out of control venceu. No mês seguinte, as três músicas apareceram no EP Three, cuja primeira edição teve mil cópias numeradas.

A canção também tinha uma origem bastante pessoal. Bono a escreveu quando completou 18 anos, pensando no desconforto de perceber que dois dos acontecimentos mais importantes da existência estão totalmente fora das nossas mãos: ninguém decide nascer e, em última instância, também não controla a própria morte.

Agora: por que diabos eles estão vestidos daquele jeito?

Bom, não há, pelo menos na documentação conhecida sobre a apresentação, uma explicação de Bono, The Edge, Adam Clayton ou Larry Mullen Jr. para as roupas, mas maquiagens e os apetrechos. Também não aparece nos arquivos disponibilizados pela RTÉ uma justificativa para o figurino. Pode ter sido uma ideia do programa, uma brincadeira da própria banda ou simplesmente parte da estética daquela atração

O vídeo pertence a uma fase realmente embrionária do U2, que ainda traria uma apresentação no programa Aspects Of rock em setembro de 1979, tocando Life on a distant planet. Em janeiro de 1980, a banda chegou ao Late late show com Stories for boys. E pouco depois, aquela banda de garotos que ainda podia surgir fantasiada na televisão começaria a gravar a estreia Boy, lançada em outubro de 1980. Um primeiro passo na construção do U2 que a gente conhece hoje.

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Cultura Pop

Video Vanguard Award: afinal, que prêmio é esse que o Nirvana recebeu?

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Video Vanguard Award: afinal, que prêmio é esse que o Nirvana recebeu?

RESUMO: O Nirvana recebeu o Video Vanguard Award no VMA e entrou numa história que começou em 1984 com Beatles e David Bowie. Entenda como surgiu e por que o prêmio mudou ao longo das décadas.

Texto: Ricardo Schott – Foto: Reprodução

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O Nirvana voltou ao VMA neste domingo (27) para receber um prêmio que, de certa forma, conta a própria história da MTV. Dave Grohl, Krist Novoselic e Pat Smear subiram ao palco para buscar o Video Vanguard Award, homenagem pelo conjunto da obra audiovisual da banda.

Recebendo a honraria, os mais ilustres três ex-integrantes vivos da baanda entraram numa lista que começou com Beatles e David Bowie e, ao longo de mais de quatro décadas, passou por Madonna, Michael Jackson, R.E.M., Beastie Boys, U2, Beyoncé e vários outros.

Mas o que exatamente é o Video Vanguard? Bom, temos duas respostas, uma curta e uma longa. A resposta curta: é uma espécie de prêmio pelo conjunto da obra do VMA, dedicado a artistas que tiveram impacto importante sobre o videoclipe e a cultura pop. Não está ligado a um vídeo específico lançado naquele ano e nem sequer é entregue em todas as edições.

A resposta longa é… a própria história do prêmio. E é a melhor resposta, já que o prêmio nasceu junto com o próprio VMA, em 1984. E não custa lembrar que nessa época videoclipe ainda era uma linguagem em formação e a MTV tinha apenas três anos. Na primeira cerimônia, só pra você ter uma ideia, David Bowie ganhou o prêmio, e houve menção especial aos Beatles e a Richard Lester, que dirigiu os filmes Help e A hard days night, do quarteto.

No caso dos Beatles e Lester, a escolha reconhecia especialmente a importância dos filmes do grupo para aquilo que, anos depois, se consolidaria como a linguagem do videoclipe – e da mesma forma, Bowie havia desenvolvido muito do idioma dos clipes vários anos antes. Na real, como ainda nem sequer havia uma “história” do videoclipe, era fundamental apontar quem havia ajudado a inventar aquela nova linguagem.

Nos anos seguintes, por sua vez, já estava claro que o grande lance era premiar quem já estava fazendo história ali mesmo, com a linguagem dos clipes. Em 1985, ganharam o prêmio David Byrne (então apenas o líder dos Talking Heads) e os diretores Russell Mulcahy e Godley & Creme. Madonna recebeu em 1986. Peter Gabriel, em 1987.

Detalhe: Michael Jackson ganhou em 1988 e, a partir de 1991, seu nome passou a ser associado oficialmente à honraria, que durante décadas ficou conhecida como Michael Jackson Video Vanguard Award. Em 2019, a MTV silenciosamente, mas nem tanto, tirou o nome do astro do prêmio. Nesse ano, a vencedora foi a rapper Missy Elliott.

Na década seguinte, a lista parece quase um resumo do período em que rock e MTV andavam grudados. Bon Jovi recebeu o Vanguard em 1991; Guns N’ Roses, em 1992; Tom Petty e Rolling Stones, em 1994; R.E.M., em 1995; Red Hot Chili Peppers, em 2000; U2, em 2001; e Duran Duran, em 2003. Exceções à regra: em 1997 o rapper LL Cool J levou a estatueta pra casa. No ano seguinte, os Beastie Boys ganharam o prêmio.

Depois, o perfil foi mudando junto com a própria MTV e com a cultura pop. Britney Spears, Justin Timberlake, Beyoncé, Kanye West, Rihanna, Pink, Jennifer Lopez e Missy Elliott estão entre os homenageados. Nos últimos anos vieram Nicki Minaj, Shakira, Katy Perry e Mariah Carey. Agora o prêmio volta ao rock com o Nirvana.

Dá pra dizer que poucos grupos carregam uma ligação tão evidente com a era clássica da MTV. Smells like teen spirit não apenas virou um dos clipes mais associados aos anos 1990 como ajudou a transformar a imagem do rock no canal. Come as you are, In bloom e Heart-shaped box reforçaram uma identidade visual que misturava estranheza, humor, desconforto e uma boa dose de antipatia pelos padrões do estrelato.

No VMA deste ano, coube a Chuck D, do Public Enemy, entregar o prêmio. Novoselic aproveitou o discurso para colocar Kurt Cobain no centro da história e lembrou que muitas ideias dos vídeos vinham da visão artística do vocalista. Para ele, a permanência do Nirvana também tem relação com uma busca do público por autenticidade.

Grohl, Novoselic e Smear receberam a homenagem sem Cobain, morto em 1994, mas com sua imagem aparecendo durante a cerimônia. A escolha fecha um círculo curioso: uma banda que ajudou a definir a MTV dos anos 1990 recebe, mais de três décadas depois, um prêmio criado justamente para reconhecer quem mudou a maneira de juntar música e imagem.

Mais do que um troféu para quem acumulou clipes famosos, o Video Vanguard começou como uma homenagem a quem empurrou o videoclipe para algum lugar novo. E sua lista de vencedores acabou registrando também as mudanças da própria MTV: dos Beatles e dos diretores pioneiros ao domínio do rock, daí às grandes estrelas do pop e do hip hop.

Agora o Nirvana entrou nessa história. Digamos que, para uma banda que chegou à MTV parecendo não pertencer àquele mundo, demorou bastante.

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Cultura Pop

Qual é a do The Coverups, banda de covers de Billie Joe (Green Day) e amigos?

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The Coverups: Billie Joe recebe Bruce Dickinson (Foto: Reprodução Internet)

Antes de Bruce Dickinson, cantor do Iron Maiden, aparecer de surpresa no palco em Québec, o The Coverups já dava muitos sinais de vida havia anos. O projeto paralelo de Billie Joe Armstrong continua funcionando exatamente como nasceu: como uma desculpa para tocar músicas que seus integrantes amam, sem a pressão de lançar discos ou sair em turnê.

Criado em 2018, o grupo reúne integrantes e colaboradores do Green Day em apresentações pequenas, normalmente em clubes da Califórnia. A formação original contava com Billie Joe Armstrong (voz e guitarra), Mike Dirnt (baixo e voz), Jason White (guitarra), Bill Schneider (baixo) e Chris Dugan (bateria) – Mike e Jason são os únicos que fazem parte também do Green Day, sendo que Jason atua como músico de turnê. Nos últimos anos, porém, Dirnt deixou de participar dos shows, e o The Coverups passou a atuar como quarteto.

O repertório é uma carta de amor ao rock e ao punk. Clássicos de Ramones, David Bowie, The Clash, Cheap Trick, Joan Jett, Tom Petty, Misfits, Nirvana, Rolling Stones e até Strokes costumam aparecer nas apresentações, que muitas vezes são anunciadas poucas horas antes de acontecer. Diferentemente de outros projetos paralelos de Billie Joe, como Foxboro Hot Tubs e The Longshot, o The Coverups nunca teve a intenção de gravar músicas próprias. A proposta é apenas revisitar clássicos em um ambiente intimista, recriando um pouco da atmosfera dos primeiros dias do Green Day nos clubes da região de Berkeley e Oakland.

Mesmo sem lançar um único álbum de estúdio, a banda conquistou um público fiel justamente por isso: oferece a rara oportunidade de ver Billie Joe tocando as músicas que ajudaram a moldar sua formação musical, longe das grandes produções e da rotina de estádios do Green Day.

Nos últimos meses, o The Coverups voltou a fazer apresentações esporádicas na Califórnia, mantendo esse espírito despretensioso. Não havia qualquer indicação de mudanças de rumo, nem anúncios de gravações ou turnês. A maior novidade acabou sendo justamente a participação-surpresa de Bruce Dickinson em um show realizado em Québec. Sem aviso prévio, o vocalista do Iron Maiden subiu ao palco para cantar All the young dudes, clássico do Mott the Hoople escrito por David Bowie, num encontro improvável que reuniu dois dos nomes mais conhecidos do rock em um contexto bastante informal.

Houve uma outra novidade recente, que rolou durante o show da banda no Roxy, na Califórnia, dia 21, uma segunda-feira. Antes de tocar Drain you, clássico do Nirvana (do disco Nevermind, de 1991), Armstrong dedicou a música a Jennifer Finch, baixista do L7, que morreu recentemente. Antes, Adrienne Armstrong, esposa do músico, havia doado US$ 5 mil para uma campanha criada para ajudar a custear o tratamento de Finch.

De qualquer jeito, Bruce fi a primeira participação especial de grande repercussão na história recente do The Coverups e, naturalmente, chamou muito mais atenção do que os próprios shows da banda. Ainda assim, tudo indica que o projeto continuará exatamente como sempre foi: um grupo de amigos reunidos para tocar os discos que mudaram suas vidas, sem maiores pretensões além da diversão.

Ah, sim: importante falar que All the young dudes faz parte do repertório solo de Bruce há bastante tempo. Ele a havia regravado em seu primeiro álbum solo, Tattoed millionaire, de 1990. Na época, teve até clipe da faixa.

Foto: Reprodução Internet

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