Urgente
E a música nova do Modest Mouse?

E eis que o Modest Mouse volta – mas daquele jeito: uma volta rápida, meio torta e com um certo gosto amargo. O grupo lançou o single Look how far…, primeira música inédita desde o álbum The golden casket, de 2021. A faixa já vinha aparecendo em alguns shows recentes, mas agora ganha versão oficial. Por sinal, uma música curta e urgente, com menos de dois minutos, e letra quase declamada.
A gravação traz um detalhe curioso na formação: a bateria é de Janet Weiss, conhecida por seu trabalho no Sleater-Kinney e atualmente no Quasi. A presença dela dá à música um ritmo nervoso e preciso, enquanto Isaac Brock conduz a faixa com seu habitual sarcasmo.
A letra parece um recado muito bem dado a pessoas que se acham ungidas por algum poder divino: “Você disse que é parente de antigos reis ou czares / por que você não constrói uma máquina do tempo e mostra a eles o quanto você caiu? / veja o quão longe chegamos / meu deus, somos tão burros”.
O lançamento novo tem peso simbólico: a banda completa três décadas de discos em 2026. Desde o começo com This is a long drive for someone with nothing to think about, em 1996, até a popularidade indie alcançada com o álbum Good news for people who love bad news (2004), o Modest Mouse atravessou várias fases sem perder o gosto pelo desconforto e pela ironia.
Look how far… parece lembrar exatamente disso — uma banda veterana que continua olhando para o mundo com o mesmo olhar meio torto de sempre. Pode ser que 2026 veja brotar mais lançamentos do grupo. Talvez, quem sabe.
Foto: Divulgação
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Adult Leisure lança “The light you attract” e fala de ciclos difíceis de romper

A banda britânica Adult Leisure volta com música nova poucos meses depois do lançamento do primeiro álbum, The things you don’t know yet, que saiu em 2025 e já foi resenhado pela gente aqui. Agora o grupo apresenta o single The light you attract, uma faixa que mergulha na dinâmica de relacionamentos complicados – daqueles em que todo mundo sabe que algo está errado, mas mesmo assim insiste em voltar.
A música foi gravada e mixada com o produtor Ollie Searle e masterizada por John Webber, conhecido por trabalhos com nomes como David Bowie e Duran Duran. O resultado é um som tenso, mas contido. Já a letra fala daquele momento meio desconfortável em que alguém percebe que não está apenas preso ao caos de outra pessoa – mas também ajuda a mantê-lo. Segundo o guitarrista David Woolford, a música fala justamente sobre reconhecer padrões que se repetem e entender que, muitas vezes, existe uma escolha em voltar para situações que já deram errado antes.
Musicalmente, o Adult Leisure mantém o clima atmosférico que apareceu no disco de estreia, equilibrando intensidade e contenção. As letras funcionam quase como um mecanismo de defesa: ao mesmo tempo em que expõem fragilidade, também servem como comentário ácido sobre relações de poder, manipulação e desgaste emocional.
Além da nova música, o Adult Leisure tem mais novidades: o grupo foi recentemente pela primeira vez aos EUA participar do New Colossus Festival, em Nova York, e do SXSW, em Austin. Olha eles tocando em Austin!
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Radiohead volta em 2027 para fazer “vinte shows por ano”, diz Ed O’Brien

Lembra quando Phillip Selway, baterista do Radiohead, disse que a banda se reuniria apenas para fazer aqueles shows do ano passado, e mais nada? Mas deixou uma portinhola aberta com a frase “mas quem sabe onde isso vai dar?”. O “onde” chegou agora com o aviso do guitarrista Ed O’Brien de que a banda vai retomar os shows em 2027 – e estão planejando turnês na América do Norte, América do Sul e Ásia/Oceania para ano que vem.
“A cada ano, faremos um continente diferente e realizaremos 20 shows por ano. Nem mais nem menos”, disse ele à Rolling Stone, sem soltar nenhum “… mas quem sabe?”. O fato da banda vir à América do Sul já vem dando pulga na cama dos fãs brasileiros – embora haja um “20 shows por ano” no meio do caminho e sabe-se lá que continente vai ganhar os primeiros shows. O Radiohead também não fará (isso segundo Ed O’Brien) show nenhum neste ano. De qualquer jeito, o guitarrista, visto aí em cima em foto de Steve Gullick, faz a alegria dos fãs da banda anunciando seu segundo disco solo, Blue morpho, previsto pelo selo Trangressive para 22 de maio.
A faixa-título do disco, um monolito progressivo e orquestral de seis minutos (e que lembra demais Milton Nascimento e Lô Borges, por sinal), saiu ontem como single e clipe. Blue morpho, o álbum (veja capa e lista de músicas lááá embaixo) foi gravado no estúdio de O’Brien no País de Gales e no Church Studios, em Londres (aliás, um estúdio com 200 anos de história). Um curta-metragem que acompanha o álbum, intitulado Blue morpho: The three act play, estreou no SXSW e vai chegar aos fãs juntamente com o disco.
Ed O’Brien, que lançou seu primeiro disco solo, Earth, no pior timing possível (abril de 2020, comecinho da pandemia) revelou à Rolling Stone que foi justamente no começo do isolamento que os trabalhos em Blue morpho começaram – um período que ele chama de “crise da meia-idade”.
“Entrei numa profunda depressão. Foi a primeira vez na minha vida que tive de parar. E o que percebi foi que, como muita gente faz, eu me mantinha ocupado fugindo dos fantasmas do meu passado, principalmente da minha infância”, disse ele, que no começo não queria nem sair da cama, mas descobriu o quanto era terapêutico trabalhar em novas músicas. Entre as inspirações do novo disco de Ed, estão uma frase do poeta e agricultor Wendell Berry (“para conhecer a escuridão, vá até ela”) e as práticas de respiração e exposição ao frio do palestrante motivacional holandês Wim Hof.
Passar um tempo afastado do Radiohead fez Ed O’Brien enxergar a banda sob outra perspectiva, como ele também revela. “Acho que sempre soubemos que, se conseguíssemos manter o amor entre nós, tudo fluiria naturalmente”. Por acaso, o cantor Thom Yorke também foi uma inspiração para o disco novo: Ed ouviu dele que um dos segredos da composição era ser um bom “bibliotecário”, catalogando ideias para revisitá-las depois.
A lista de músicas de Blue morpho (uma das faixas se chama… Obrigado, em português mesmo) segue aí, a capa e o clipe da faixa-título também, além do trailer do curta. Diz o texto de lançamento que o álbum tem “momentos de psych-folk hipnótico, guitarras luminosas, elementos de trip-hop e passagens de quietude intensa” (e é o que rola no single). O disco tem produção de Paul Epworth.
1 Incantations
2 Blue morpho
3 Sweet spot
4 Teachers
5 Solfeggio
6 Thin places
7 Obrigado

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“Eita” em turnê: Lenine vai transformar o disco em encontro com o público

Se você escutou Eita, disco novo de Lenine (resenhado por nós aqui), não tem jeito: decorou pelo menos um trecho de alguma letra, se sentiu tocado / tocada por pelo menos uma faixa e entrou em comunhão com ele em músicas como Confia em mim. E tá na hora de curtir tudo isso ao vivo: a turnê Eita começa em 22 de maio em Fortaleza (CE), e segue para São Paulo (SP), Salvador (BA), Rio de Janeiro (RJ), Porto Alegre (RS) e Recife (PE). Depois, é a vez dos argentinos conhecerem o novo show de Lenine: dia 4 de setembro a turma chega a Buenos Aires.
Ao lado do cantor no palco, vão estar Bruno Giorgi (baixo), Gabriel Ventura (guitarra e autor do disco Pra me lembrar de insistir, que resenhamos aqui), Henrique Albino (sopros), Negadeza (percussão) e Pantico Rocha (bateria). No repertório do show, as onze faixas do disco – que, como você já viu, é um projeto audiovisual, com direito a um filme que pode ser assistido no YouTube. E, claro, os hits dele de todos os períodos de sua carreira.
Os ingressos já estão à venda aqui. E se você não viu-ouviu Eita, o repertório que você vai conferir ao vivo é esse daí.
Foto: Gilda Midani / Divulgação


































