Nos anos 1970, a televisão brasileira foi tomada por uma febre de trilhas sonoras bem interessantes, especialmente no que dizia respeito a telejornais.

O Jornal Nacional, por exemplo, desde 1969 é aberto por variações em torno de The fuzz, tema instrumental do compositor Frank Devol. Dois anos antes, essa música estava na trilha de Acontece cada coisa, uma comédia que tinha Anthony Quinn e Faye Dunaway no elenco – você já leu sobre isso aqui no POP FANTASMA.

Diretor-geral da Globo por aqueles tempos, Boni escreveu em seu Livro do Boni que tinha encomendado uma trilha sonora para o jornal a um maestro. Em cima da hora, detestou o resultado e foi salvo por um sonoplasta da emissora, Antonio Faya, que sacou o disco da trilha sonora do filme (The happening, no original). A mudança foi aprovada na hora. Pra fãs de rock, no entanto, a grande lembrança é que Summer ’68, do Pink Floyd, tocava numa vinheta exibida nos intervalos do jornal.

Teve mais: Freedom of expression, tema do road movie Corrida contra o destino, é até hoje tema do Globo repórter, só que com outras variações. Echoes, outra do Pink Floyd, era quase trilha multiuso nos anos 1970, aparecendo em aberturas de jornais, BGs de reportagens, comerciais e etc.

O Jornal Eletrônico, que durou pouco tempo na grade da Globo durante os anos 1970, usou como trilha de abertura esse som aí embaixo: Droid, do Automat. Esse “grupo” era um projeto de música eletrônica comandado em estúdio por dois músicos italianos, Romano Musumarra e Claudio Gizzi. Cada um tomou conta de um lado do LP original, que foi gravado no tempo irrisório de quatro semanas e lançado em 1978.

Teve Condor, do pianista americano Dave Grusin, que apareceu como tema de abertura do Telecurso 2º Grau, entre os anos 1970 e 1980. A música era tema do filme Três dias de condor, de Sydney Pollack.

E o amigo radialista e músico Sérvio Túlio avisa que Radioland, tema do disco Radio activity, do Kraftwerk (1975), aparecia num lugar bastante nobre, na TV nos anos 1970. Era a trilha sonora para os momentos em que o personagem Zico Rosado (Castro Gonzaga) começava a botar formigas pelo nariz, em Saramandaia (1976, Globo).

Tinha também Kraftwerk na chamada da novela Brilhante (1981), com Home computer. E na propaganda do calçado Starsax, com Hall of mirrors. Mas aí já eram os anos 1980.