Jogaram todos os números da “Animal” na web

Feio, forte e formal

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Quem lia quadrinhos nos anos 1980 se recorda da revista Animal, que publicava um monte de artistas do universo das HQs em português no Brasil. Surgida no rastro de publicações como a Circo e as graphic novels da Abril, era uma revista um tanto quanto complicada de encontrar nas bancas (pelo menos no Rio e em Niterói, porque dizem que em São Paulo era bem tranquilo), mas valia MUITO a pena. Foi nessa revista (cujo slogan era “feio, forte e formal”) que muita gente leu pela primeira vez no Brasil nomes como os italianos Tamburini e Liberatore (de Ranxerox) e o espanhol Jaime Martín (Sangue de Bairro).

A publicação foi criada em 1989 por Rogério de Campos (que depois cuidou da área de quadrinhos da Conrad Editora e atualmente dirige a editora Veneta), Celso Singo Aramaki, Newton Foot e Fábio Zimbres, e durou até 1991, entre edições normais e especiais. Nomes brasileiros como Osvaldo Pavanelli, André Toral, Fábio Zimbres e Lourenço Mutarelli colaboraram por lá.

E o legal da revista é que ela não se restringia aos quadrinhos: tinha o fanzine Mau, que ainda tratava de temas como música, política e comportamento, entre outros assuntos. Até mesmo um ranking dos preços de drogas ilegais foi parar lá, certa vez. Um tempo depois da Animal, nesse papo aqui, Rogério se recordou de ter ganho seu primeiro prêmio como editor no HQ Mix por causa da revista, e que desistiu de desenhar quadrinhos quando percebeu que poderia apenas editar.

A novidade é que o blog Scans Quadrinhos escanneou todos os números da revista e dá pra ver tudo no computador – eles fizeram o serviço em 2016 e tudo continua no ar. Só pegar aqui.

O blog contou também um pouco da história da revista.

“A revista durou 22 edições regulares (chegou-se a cogitar o lançamento de uma 23ª edição que nunca aconteceu). Além de oito edições das Grandes Aventuras Animal e dois volumes da Coleção Animal.

Era um destaque nas prateleiras das bancas de jornais, principalmente pelo seu formato um pouco maior que as revistas da época (21 X 28 cm) e acabamento primoroso.

A revista fez um relativo sucesso, que acabou gerando mais duas versões de personagens que eram publicados na revista normal.

Foram publicadas a Coleção Animal que durou apenas dois números (publicou Triton de Daniel Torres no número 01 e Ranxerox em New York de Tamburini e Liberatore no número dois).

A outra versão durou oito edições e era intitulada Grandes Aventuras Animal. A última edição (de número 08 em novembro de 1991), fazia uma chamada para a edição de nº 23, que nunca chegou as bancas de jornais. Se alguém conseguiu este exemplar tem uma raridade em mãos”.