Connect with us

Cinema

Jane Birkin, atriz britânica

Published

on

Jane Birkin, atriz britânica

Vai que alguém esqueceu, mas a já saudosa Jane Birkin, apesar de ter sido popularizada por causa de sua relação com a música e a cultura da França, era uma atriz inglesa. Veio de Londres, era uma figura ligada à swinging London sessentista, e nem sabia falar francês quando apareceu em Slogan, comédia romântica de 1969 na qual contracenou com Serge Gainsbourg, que passou a namorar. Teve duas horas pra aprender o básico do idioma e, quando estava esperando para fazer o teste, bateu aquela crise. “Ouvi outra atriz dizendo todas as linhas do roteiro lindamente, e pensei: ‘Ela é perfeita’. A atriz era Marisa Berenson. Mas (o diretor) Pierre Gimblat me quis para o papel”, contou.

Seu irmão Andrew Birkin era outra figurinha proeminente da mesma turma londrina, como diretor e roteirista de cinema. Em 2014 Andrew lançou o livro de memórias fotográficas POV: A life in pictures, relembrando como foi conviver com uma gama de famosos que incluía dos Beatles (foi assistente de direção do famigerado telefilme Magical mystery tour) a Walt Disney (Andrew migrou para Hollywood em 1964 e teve contato com o pai do Mickey Mouse).

No livro e em entrevistas, Andrew documentou, entre outras coisas, o começo do relacionamento entre a irmã Jane e o autor de trilhas de filmes John Barry, “contra o conselho combinado de familiares e amigos em comum que consideravam John um compositor brilhante – e um péssimo marido”, afirmou Andrew. Anos depois, Jane disse que topou fazer uma cena de nu frontal no filme Blow up – Depois daquele beijo, de Michelangelo Antonioni, justamente por causa de Barry, que havia falado pra ela que ela não teria coragem de fazer isso. “Me ofereceram um papel em Blow Up e ele disse que eu não teria coragem de ficar nua, então pensei: ‘Bem, eu vou fazer e isso vai deixá-lo animado”, contou ao Daily Mail.

E, bom Blow up foi um dos filmes que Jane fez naquilo que, forçando um pouco… Aliás forçando muito, mas a gente faz isso às vezes, dá pra chamar de fase psicodélica da carreira cinematográfica dela. Eram filmes que se aproximavam bem mais de uma linguagem revolucionária, artística e pop – que gerou filhotes como Chelsea girls, de Andy Warhol, e Performance, de Donald Cammel e Nicholas Roeg, com Mick Jagger. Uma fase que estava bem longe de ser a mais gloriosa da carreira dela, já que Jane seguia aquele mesmo esquema de atores iniciantes: poucas cenas, personagens que pouco apareciam e nome que nem aparecia no elenco.

Começou com a comédia Lições de sedução (1965), dirigida por Richard Lester, que fez os filmes dos Beatles. Era a história de Colin (Michael Crawford), um professor meio esquisitão que quer aprender a conquistar garotas. Barry fez a trilha sonora, mas a personagem de Jane aparecia pouco e nem sequer tinha um nome. Seguiu com The idol, filme de 1966, dirigido pelo canadense Daniel Petrie, que narra uma história bem dramática envolvendo estudantes de arte e a vida burguesa e boêmia de Londres nos anos 1960. Esse filme tá inteirinho no YouTube. Procura Jane aí.

Kaleidoscope, filme de 1966 dirigido por Jack Smight, tinha Warren Beatty e Susannah York nos papeis principais e contava uma história mais proxima do universo dos anti-heróis da nova Hollywood do que do dia a dia da psicodelia britânica, envolvendo mesas adulteradas de cassinos e traficantes de drogas. Jane Birkin, ainda em clima de total início de carreira, aparece bem pouco no filme, lá pela uma hora de duração, como uma moça chamada Exquisite Thing, que é cliente de uma butique jovem sessentista, que pertence à personagem de Susanna York. Uma outra novidade é que ela aparece contracenando com Pattie Boyd, modelo, atriz e então esposa do beatle George Harrison, numa cena rápida – Pattie é uma das vendedoras e o personagem dela nem tem um nome.

1966 foi também o ano de Blow up, de Michelangelo Antonioni, um filme tão redefinidor e tão ligado ao rock e a à cultura pop da época que merecia um texto só pra ele. Não foi um momento tão glorioso assim do comecinho de Jane, que apareceu numa cena de nu frontal e mais nada – mas tornou o nome dela bastante discutido por causa da, digamos assim, ousadia. Agora, o melhor viria depois com Wonderwall, filme de1968, dirigido pelo norte-americano Joe Massot, baseado na paixão e no voyeurismo do nerd cientista Oscar Collins (Jack McGowran), vizinho da modelo Penny Lane (Jane Birkin, aí sim com um papel bacana). A trilha sonora do filme também se tornou ilustre: foi o primeiro disco solo de George Harrison (Wonderwall music) e foi igualmente o primeiro álbum lançado pela Apple, gravadora dos Beatles.

E Wonderwall também está inteirinho no YouTube. Pega aí. Depois disso, Jane teria papéis melhores, participaria de produções divididas entre dois, três países (o ousado La piscine, de 1969, era franco-italiano, e trazia a atriz contracenando com Alain Delon e Romy Schneider). E faria sucesso como cantora. Saudades dela.

Cinema

Ouvimos: Raveonettes – “PE’AHI II”

Published

on

Ouvimos: Raveonettes - "PE'AHI II"

RESENHA: Os Raveonettes mergulham de vez no lo-fi e shoegaze em PE’AHI II, disco que soa mais próximo de uma transição do que de uma realização.

  • Apoie a gente e mantenha nosso trabalho (site, podcast e futuros projetos) funcionando diariamente.

Raveonettes, aquela dupla que misturava distorções a la Jesus and Mary Chain, clima melodioso herdado dos anos 1950 e estética do filme Juventude transviada, lembra? Pois bem, eles guiaram o timão de vez para gêneros como shoegaze e lo-fi. Não é algo estranho ao som deles, vale falar. Climas “serra elétrica” sempre tiveram lugar nos discos de Sune Rose Wagner e Sharin Foo. PE’AHI II, novo disco, é a continuação de PE’AHI, disco de 2014 que já promovia suas invasões nessas áreas. Sem falar que 2016 atomized – disco anterior de inéditas da banda, 2017 – surfava essa onda.

Só que o Raveonettes de 2025 chega a soar experimental, mesmo quando abre o novo disco com uma balada nostálgica e melancólica, Strange. E na sequência, o ruído programado de Blackest soa como uma curiosa mescla de blackgaze e pop de câmara. Já Killer é uma nuvem de microfonias que lembra bandas como Drop Nineteens, só que com mais cuidado na melodia.

Entre as outras curiosidades do disco, estão o noise rock programado de Dissonant, a viagem sonora e distorcida de Sunday school e a onda sonora de microfonia (alternada com toques dream pop) de Ulrikke. O resultado final deixa um ar de EP, de mixtape, mais do que de um álbum completo e realizado dos Raveonettes. Ainda que PE’AHI II tenha momentos ótimos, soa mais como uma transição para o que vem por aí.

Texto: Ricardo Schott

Nota: 7,5
Gravadora: Beat Dies Records
Lançamento: 25 de abril de 2025

  • Ouvimos: The Raveonettes – Sing…
  • Ouvimos: Drop Nineteens – 1991
  • Ouvimos: Drop Nineteens – Hard light

 

Continue Reading

Cinema

Urgente!: Cinema pop – “Onda nova” de volta, Milton na telona

Published

on

Urgente!: Cinema pop – "Onda nova" de volta, Milton na telona

Por muito tempo, Onda nova (1983), filme dirigido por Ícaro Martins e José Antonio Garcia – e censurado pelo governo militar –, foi jogado no balaio das pornochanchadas e produções de sacanagem.

Fácil entender o motivo: recheado de cenas de sexo e nudez, o longa funciona como uma espécie de Malhação Múltipla Escolha subversivo, acompanhando o dia a dia de uma turma jovem e nada comportada – o Gayvotas Futebol Clube, time de futebol formado só por garotas, e que promovia eventos bem avançadinhos, como o jogo entre mulheres e homens vestidos de mulher. Por acaso, Onda nova foi financiado por uma produtora da Boca do Lixo (meca da pornochanchada paulistana) e acabou atropelado pela nova onda (sem trocadilho) de filmes extremamente explícitos.

O elenco é um espetáculo à parte. Além de Carla Camuratti, Tânia Alves, Vera Zimmermann e Regina Casé, aparecem figuras como Osmar Santos, Casagrande e até Caetano Veloso – que protagoniza uma cena soft porn tão bizarra quanto hilária. Durante anos, o filme sobreviveu em sessões televisivas da madrugada, mas agora ressurge restaurado e remasterizado em 4K, estreando pela primeira vez no circuito comercial brasileiro nesta quinta-feira (27).

Meu conselho? Esqueça tudo o que você já ouviu sobre Onda nova (ou qualquer lembrança de sessões anteriores). Entre de cabeça nessa comédia pop carregada de referências roqueiras da época, um cruzamento entre provocação punk e ressaca hippie. O filme abre com Carla Camuratti e Vera Zimmermann empunhando sprays de tinta para pixar os créditos, mostra Tânia Alves cantando na noite com visual sadomasoquista, segue com momentos dignos de um musical glam – cortesia da cantora Cida Moreyra, que brilha em várias cenas – e trata com surpreendente modernidade temas como maconha, cultura queer, relacionamentos sáficos, mulheres no poder, amores fluidos e, claro, futebol feminino.

Se fosse um disco, Onda nova seria daqueles para ouvir no volume máximo, prestando atenção em cada detalhe e referência. A trilha sonora passeia entre o boogie oitentista e o synthpop, com faixas de Michael Jackson e Rita Lee brotando em alguns momentos. E o que já era provocação nos anos 1980 agora ressurge como registro de uma juventude que chutava o balde sem medo. Vá assistir correndo.

*****

Milton Bituca Nascimento, de Flavia Moraes, que estreou na última semana, segue outro caminho: o da reverência, mesmo que seja um filme documental. Durante dois anos, Flavia seguiu Milton de perto e produziu um retrato que, mais do que um relato biográfico, é uma celebração. E uma hagiografia, aquela coisa das produções que parecem falar de santos encarnados.

A narração de Fernanda Montenegro dá um tom solene – e, enfim, logo no começo, fica a impressão de um enorme comercial narrado por ela, como os daquele famoso banco que não patrocina o Pop Fantasma. Aos poucos, vemos cenas da última turnê, reações de fãs, amigos contando histórias. Marcio Borges lê matérias do New York Times sobre Milton, para ele. Wagner Tiso chora. Quincy Jones sorri ao falar dele. Mano Brown solta uma pérola: Milton o ensinou a escutar. E Chico Buarque assiste ao famigerado momento do programa Chico & Caetano em que se emociona ao vê-lo cantar O que será – um vídeo que virou meme recentemente.

Isso tudo é bastante emocionante, assim como as cenas em que a letra da canção Morro velho é recitada por Djavan, Criolo e Mano Brown – reforçando a carga revolucionária da música, que usava a imagem das antigas fazendas mineiras para falar de racismo e capitalismo. Mas, no fim, o que fica de Milton Bituca Nascimento é a certeza de que Milton precisava ser menos mitificado e mais contado em detalhes. Vale ver, e a música dele é mito por si só, mas a sensação é a de que faltou algo.

Por acaso, recentemente, Luiz Melodia – No coração do Brasil, de Alessandra Dorgan, investiu fundo em imagens raras do cantor, em que a história é contada através da música, sem nenhum detalhe do tipo “quem produziu o disco tal”. Mas o homem Luiz Melodia está ali, exposto em entrevistas, músicas, escolhas pessoais e atitudes no palco e fora dele. Quem não viu, veja correndo –  caso ainda esteja em cartaz.

  • Apoie a gente e mantenha nosso trabalho (site, podcast e futuros projetos) funcionando diariamente.
Continue Reading

Cinema

Urgente!: Filme “Máquina do tempo” leva a música de Bowie e Dylan para a Segunda Guerra

Published

on

Urgente!: Filme "Máquina do tempo" leva a música de Bowie e Dylan para a Segunda Guerra

Descobertas de antigos rolos de filme, assim como cartas nunca enviadas e jamais lidas, costumam render bons filmes e livros — ou, pelo menos, são um ótimo ponto de partida. É essa premissa que guia Máquina do tempo (Lola, no título original), estreia do irlandês Andrew Legge na direção. A ficção científica, ambientada em 1941, acompanha as irmãs órfãs Martha (Stefanie Martini) e Thomasina (Emma Appleton), e chega aos cinemas brasileiros nesta quinta-feira (13), dois anos após sua realização.

As duas criam uma máquina do tempo — a Lola do título original, batizada em homenagem à mãe — capaz de interceptar imagens do futuro. O material que elas conseguem captar é todo registrado em 16mm por uma câmera Bolex, dando origem aos tais rolos de filme.

E, bom, rolo mesmo (no sentido mais problemático da palavra) começa quando o exército britânico, em plena Segunda Guerra Mundial, descobre a invenção e passa a usá-la contra as tropas alemãs. A princípio, a estratégia funciona, mas logo começa a sair do controle. As manipulações temporais geram consequências inesperadas, enquanto as personalidades das irmãs vão se revelando e causando conflitos.

Com apenas 80 minutos de duração e filmado em 16 mm (com lentes originais dos anos 1930!), Máquina do tempo pode soar confuso em algumas passagens. Não apenas pelas idas e vindas temporais, mas também pelo visual em preto e branco, valorizando sombras e vozes que quase se tornam personagens da história. Em alguns momentos, é um filme que exige atenção.

O longa também tem apelo para quem gosta de cruzar cultura pop com história. Martha e Thomasina ficam fascinadas ao ver David Bowie cantando Space oddity (o clipe brota na máquina delas), tornam-se fãs de Bob Dylan, adiantam a subcultura mod em alguns anos (visualmente, inclusive) e coadjuvam um arranjo de big band para o futuro hit You really got me, dos Kinks, que elas também conseguem “ouvir” na máquina. Um detalhe curioso: a própria Emma Appleton operou a câmera em cenas em que sua personagem Thomasina se filma (“para deixar as linhas dos olhos perfeitas”, segundo revelou o diretor ao site Hotpress).

Ainda que a cultura pop esteja presente, Máquina do tempo é, acima de tudo, um exercício de futurologia convincente, explorando uma futura escalada do fascismo na Inglaterra — que, no filme, chega até mesmo à música, com a criação de um popstar fascista.

A ideia faz sentido e nem é muito distante do que aconteceu de verdade: punks e pré-punks usavam suásticas para chocar os outros, Adolf Hitler quase figurou na capa de Sgt. Pepper’s, dos Beatles, Mick Jagger não se importou de ser fotografado pela “cineasta de Hitler” Leni Riefenstahl, artistas como Lou Reed e Iggy Pop registraram observações racistas em suas letras, e o próprio Bowie teve um flerte pra lá de mal explicado com a estética nazista. Mas o que rola em Máquina do tempo é bem na linha do “se vocês soubessem o que vai acontecer, ficariam enojados”. Pode se preparar.

Continue Reading
Advertisement
Urgente!: A música de 1985 virou livro! (e eu tô nele)
Livros8 horas ago

Urgente!: A música de 1985 virou livro! (e eu tô nele)

RESENHA: Don L une rap, samba, bossa e crítica social em Caro vapor II, com samples raros, feats de peso e beats que traduzem o Brasil de hoje.
Crítica8 horas ago

Ouvimos: Don L – “Caro vapor II – qual a forma de pagamento?”

RESENHA: No novo disco do U.S. Girls, Scratch it, Meg Remy abraça o soft rock, evoca Bowie, Velvet, Carly Simon e trata de maternidade, luto e crítica social com emoção.
Crítica9 horas ago

Ouvimos: U.S. Girls – “Scratch it”

RESENHA: Em Princess of power, Marina mistura estilos como disco music e synthpop com letras que equilibram amadurecimento, nostalgia digital e humor adolescente.
Crítica9 horas ago

Ouvimos: Marina – “Princess of power”

Radar: Wet Leg, Fuzz Lightyear, OMNI, The Captains Syndrome, Escape With Romeo, Isabella Lovestory, Mariah Carey
Lançamentos1 dia ago

Radar: Wet Leg, Fuzz Lightyear, OMNI, The Captains Syndrome, Isabella Lovestory, Mariah Carey

Ouvimos: Anika - "Abyss"
Crítica1 dia ago

Ouvimos: Anika – “Abyss”

Ouvimos: Unknown Mortal Orchestra - "Curse" (EP)
Crítica1 dia ago

Ouvimos: Unknown Mortal Orchestra – “Curse” (EP)

Ouvimos: Ultrasonho - "Nós nunca vamos morrer"
Crítica1 dia ago

Ouvimos: Ultrasonho – “Nós nunca vamos morrer”

Radar: MPB4, Rohma, Marcelo Lobato, Felipe F., Les Gens, Anna Esteves, Bersote
Lançamentos2 dias ago

Radar: MPB4, Rohma, Marcelo Lobato, Felipe F., Les Gens, Anna Esteves, Bersote

Ouvimos: Gabriel Ventura - "Pra me lembrar de insistir"
Crítica2 dias ago

Ouvimos: Gabriel Ventura – “Pra me lembrar de insistir”

Ouvimos: Matthew Nowhere - "Crystal heights"
Crítica2 dias ago

Ouvimos: Matthew Nowhere – “Crystal heights”

Ouvimos: Krustáceos - "Bicho bruto" (EP)
Crítica2 dias ago

Ouvimos: Krustáceos – “Bicho bruto” (EP)

Radar: Nation Of Language, Panic Shack, Lobsterbomb, Mac DeMarco, Revelation 23, Alwyn Morrison, Molly Grace
Lançamentos3 dias ago

Radar: Nation Of Language, Panic Shack, Lobsterbomb, Mac DeMarco, Revelation 23, Alwyn Morrison, Molly Grace

Ouvimos: Neil Young and The Chrome Hearts - "Talkin to the trees"
Crítica3 dias ago

Ouvimos: Neil Young and The Chrome Hearts – “Talkin to the trees”

Ouvimos: Faces - "Faces at the BBC: Complete BBC concert and session recordings 1970-1973".
Crítica3 dias ago

Ouvimos: Faces – “Faces at the BBC: Complete BBC concert and session recordings 1970-1973”.

Ouvimos: The Inspector Cluzo - "Less is more"
Crítica3 dias ago

Ouvimos: The Inspector Cluzo – “Less is more”

Radar: Vivendo do Ócio, Anacrônicos, Julieta Social, Saturno Express, Duo Repicado, Fenícia, Insubordinados
Lançamentos4 dias ago

Radar: Vivendo do Ócio, Anacrônicos, Julieta Social, Saturno Express, Duo Repicado, Fenícia, Insubordinados

Ouvimos: Cynthia Erivo - "I forgive you"
Crítica4 dias ago

Ouvimos: Cynthia Erivo – “I forgive you”

Trending